Portugal é grande quando abre horizontes

23
Nov 09

 

Tivemos, na noite passada, mais dois raptos. Homens armados atacaram as residências de duas ONGs em Birao. Uma operação bem planeada. Levaram dois jovens agentes humanitários, gente que conheço bem, muito dedicada, que estavam há meses na zona do Nordeste da República Centro-africana. Participavam regularmente na distribuição de assistência alimentar, nos projectos de abastecimento de água e de saúde pública, tinham sobrevivido as crises violentas de Junho e Julho.

 

Os raptores só levaram os que tinham nacionalidade francesa. Deixaram para trás três outros estrangeiros.

 

A nossa força militar e os nossos serviços de segurança estão inteiramente mobilizados.


22
Nov 09

 

 

 

 

 

Existe actualmente tanto medo e subserviência que, quando se tem a coragem de criticar, as pessoas amigas pensam que se tem as costas quentes. Que só quem tem bons padrinhos pode ousar levantar a voz.

 

 

 

É preciso dizer que não. Que em Portugal não pode, nem deve, haver medo, quando se trata de pensar nos câmbios que são necessários para que o país progrida.

 

 

 

É fundamental acreditar num futuro melhor, mais equilibrado, com políticos mais honestos e com uma visão mais generosa e ampla da coisa pública.

 


21
Nov 09

 

Passei a tarde a discutir o fracasso que é o Quarteto do Médio Oriente, no que respeita à crise Palestiniana. O Quarteto não anda nem desanda. Não é apenas um impasse. Temos uma crise que é cada vez mais aguda, mais complexa e está, de facto, mais longe do que nunca de uma solução pacífica. As ocupações de terras palestinianas só complicam a situação e tornam a perspectiva da criação de dois estados cada vez mais inviável.

 

Estou, no entanto, num sítio que pouco tem que ver com as terras santas. Embora seja um sítio divino, nas colinas dos arredores de Vevey, com o Monte Branco à minha frente e o Lago Léman no sopé da encosta.

 

É verdade que os Suíços tentam desempenhar um papel mais activo em matéria de resolução de conflitos. Mas no caso em causa, não há hipóteses.

 

Só os Estados Unidos parecem ter a chave do problema...


20
Nov 09

 

É agora, mais do que nunca, óbvio que a justiça portuguesa come na gamela que lhe é estendida pelos políticos. Vive no conforto da sombra quente da bananeira do governo. Por isso, tem medo, muito, do poder executivo.

 

É um sistema de cobardes, que só tem força perante os fracos.

 


19
Nov 09

 

O tema do meu escrito de hoje na revista Visão centra-se nas questões de segurança nas terras hostis do Sahel, incluindo na fronteira com o Darfur.

 

A minha tese é que certas organizações não-governamentais não estão a perceber a natureza dos riscos que existem nessa região. Agem como se a insegurança tivesse motivação política. E falam, a torto e a direito, da neutralidade que é preciso manter.

 

Mas a verdade é que não se trata de conflitos políticos. São actos de banditismo, de criminalidade pura e dura. Ameaças concretas contra as populações e contra os agentes humanitários. As Nações Unidas têm duas grandes operações de segurança na zona, a MINUAD. no Darfur, e a MINURCAT, no Chade e na República Centro-africana. Ambas têm como mandato proteger as organizações humanitárias, os refugiados e deslocados, bem como as populações locais, que são presas fáceis dos homens armados.

 

Ser protegido pela ONU não faz perder a neutralidade nem a independência das organizações. E permite continuar o trabalho de assistência, salvando muitas vidas em perigo.

 

O texto está disponível no sítio da Visão:

 

http://aeiou.visao.pt/preocupacoes-desabafos-e-recados=f537366

 

Muito agradecido fico pela leitura. E por um ou outro comentário que queiram fazer. Não há medo das polémicas, nesta maneira de estar na vida.

 

 


18
Nov 09

 

 

Convém pensar nos outros, ver as pessoas, esquecer as tonalidades da pele. Dizer não aos preconceitos. O mundo é um pouco maior do que o nosso bairro.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos copyright V. Ângelo


17
Nov 09

 

A "Operação Face Oculta" revela muita coisa. Acima de tudo, que o poder está cheio de gente estranha e que a justiça tem medo, está subordinada à força política.

 

Também revela que é tempo de começar a mudar as coisas.

 

 


16
Nov 09

 

A cimeira sobre a segurança alimentar, que hoje começou em Roma, por iniciativa da FAO, é a terceira, esta década, sobre os problemas da fome no mundo. Mas a verdade é que continuamos a ser cegos, não notamos, nem queremos ver, que este é um problema que poderia ser resolvido. Existem conhecimentos suficientes e técnicas adequadas para garantir um mínimo para todos. Faltam, apenas, os líderes à altura. A coragem das decisões, uma outra visão da vida.

 

Ainda na semana passada, a equipa militar de hidrologistas noruegueses, que está agora em missão no Chade, descobriu um lençol de águas subterrâneas às portas da cidade de Iriba, no deserto. Iriba vive na miséria, com falta de água, sem conseguir dar de beber aos seus habitantes, que nem vale a pena pensar nos animais e nas plantas. É uma terra de areias e de securas. Sem agricultura, com os camelos perdidos nas pedras que cercam a pobreza das pessoas.

 

E a água existe. Trata-se, simplesmente, de ter os meios que nós temos, para a encontrar. O resto é uma questão de furos, tubos e decisões políticas equilibradas. Que o acesso à água é uma das fontes de desigualdades sociais.

 

É, um pouco por toda a parte, a mesma situação. Onde hoje se morre de fome e sede, com juízo e meios técnicos, é possível, amanhã, produzir as culturas que fazem viver. 

 

Mas também há que evitar um consumo excessivo, uma demografia sem controlo e uma pecuária sem limites.


15
Nov 09

 

Não vá o sapateiro além da sandália, como também não convém, a quem anda a coser as botas de cano alto do mundo, descer ao nível do chinelo...Mas, de vez em quando, tenho que fazer um pequeno comentário sobre a vida política portuguesa.

 

A "Face Oculta" é um mistério jurídico e uma desgraça política.

 

Do ponto de vista da justiça, temos aquele senhor pequenino, cheio de penugem nas orelhas e no nariz, uma prova viva que certos portugueses em situação de poder descendem directamente dos homens das cavernas, a opinar de uma maneira desastrosa sobre matérias em relação às quais deveria ser de uma competência exemplar. Um primitivo sem pêlo na venta. Do outro lado, muitos de entre nós, ao ver este tipo de desastres, de que o pinto da procuradoria é outro exemplo,  de gente que mesmo sem chegar a galo consegue estar no poleiro, muitos que somos levados a pensar que esta justiça está toda minada.

 

Politicamente, que buraco! Um primeiro que deveria perceber que isto não é uma questão técnica de justiça. É uma matéria em que a credibilidade, a pouca que ainda existe, está a ficar pelas ruas da descrença. Numa altura em que milhares de portugueses andam aos farrapos, dá-se mais uma vez a impressão que quem está na mó de cima canta sempre vitória, enquanto os nascimentos forem dando pintos e outros augustos trapalhões.

 

Tal como o tempo, é altura de alerta amarelo nas costas bravas da política portuguesa. 

Até que mude o vento. Mudará.


13
Nov 09

 

Numa longa entrevista a Radio France Internationale, confirmei hoje que existem regiões no Leste do Chade (e no Darfur), que são de alto risco. A minha Missão de Paz está pronta para escoltar as colunas humanitárias que precisem de trabalhar nessas terras. Acrescentei que os humanitários que não queiram ouvir o aviso de perigo e que se aventurem sem protecção armada, põem em risco a vida dos seus agentes.

 

Mais uma vez, é preciso que fique claro a responsabilidade de cada um.

 

A representante do Comité Internacional da Cruz Vermelha fez, entretanto, uma pirueta no vazio da irresponsabilidade, ao afirmar que só não pedia as nossas escoltas porque as suas operações de assistência são junto à fronteira e que nós não temos funções de fronteira. Incorrecto, e é sabido. As nossas patrulhas militares fazem-se também junto à fronteira entre o Chade e o Sudão. Em todos os lugares onde é preciso proteger as organizações humanitárias, os refugiados e as populações em perigo.  A única função que nos está vedada é a de defesa da linha de fronteira.

 

Quando um agente humanitário levar um tiro ou for raptado, que vai o director dessa ONG dizer à família, quando esta lhe perguntar por que razão a coluna ou o agente andavam naquela zona sem escolta da ONU?

 

 


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