Portugal é grande quando abre horizontes

17
Mai 12

Dia de jardinagem. Incluindo o arranque de ervas daninhas. Lá fora, para além do meu jardim, uma Quinta-feira de Ascensão, feriado nesta terra, mas que ninguém sabe bem o que representa. Sabem, no entanto, que as notícias vindas de Espanha não são boas. É mais do que o proverbial contágio. É uma crise a sério. Cada um terá a sua, mas nem todos estarão com a corda na garganta. Entretanto, o jovem grego que dirige o partido Syriza apareceu na televisão, para dizer que a culpa não é da Grécia, mas sim da Alemanha. Interessante. Como também me parece profundamente interessante que, na sua terra, a entrada em funções de um novo governo se faça perante um grupos de sacerdotes ortodoxos. Cada povo sabe de si, claro. Como também sabe que as culpas são sempre dos outros. 


16
Mai 12

Despachem-se e esperem!

 

Assim foi o meu dia de ontem. E o dos oficiais que estavam a trabalhar comigo. 

 

Rápido, rápido, levantar muito cedo, estar pronto sem demoras, ensaiar várias vezes o que vai acontecer e depois, ficar à espera, uma espera sem fim.

 

É uma maneira diferente de encarar as responsabilidades.

publicado por victorangelo às 21:40

15
Mai 12

 

 

Copyright V. Ângelo

 

O fiorde em Stavanger cria um porto natural mesmo no centro da cidade. Esta fotografia, tirada este fim de tarde, mostra um barco ao lado da rua principal, a dois passos da catedral.  

 

A água e o petróleo são as duas riquezas naturais desta terra. 

 

publicado por victorangelo às 20:15

14
Mai 12

Falar alto incomoda e não é sinal de autoridade. Certas pessoas tentam defender-se dos outros, e também da sua própria fraqueza, falando alto e rápido. Um comportamento assim cansa e não esconde a falta de segurança neles próprios.

 

Pensei nisto antes de estar com o Rei da Noruega, esta tarde, em Stavanger. Sorriu, disse umas palavras, pouco falou.

 

 

 

publicado por victorangelo às 18:47
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Este é o link para o meu texto na Visão:

 

http://visao.sapo.pt/rumos-extremos=f663504

publicado por victorangelo às 18:32

13
Mai 12

Na revista que esta nas bancas:

 

Rumos extremos

 

Esta é uma crónica com vistas largas. Escrevo-a em Stavanger. Estou alojado na torre mais alta desta cidade da costa ocidental da Noruega. Vejo o fiorde, as montanhas, o lago, e tenho, à minha frente, uma cidade que se mostra próspera e serena. A imigração, que salta à vista em Oslo e incomoda muita gente, é aqui discreta, presente apenas num ou outro pequeno comércio e pouco mais. Os empregos existentes na região, à volta do petróleo, exigem uma mão-de-obra muito qualificada, o que está para lá do que um imigrante recente, vindo da Somália ou do Iraque, pode oferecer. 

 

Lembro-me do assassino louco de Oslo. Ter-se-ia provavelmente sentido mais tranquilo, se tivesse vivido nesta terra, que tem um carácter profundamente norueguês. O resto do mundo parece estar muito longe, noutro planeta, como se fosse apenas um mercado que convém manter aberto mas à distância.

 

Na verdade, os extremistas políticos têm uma posição ambígua em relação à globalização. É considerada boa quando possibilita colocar as suas mercadorias nos quatro cantos do mundo. Ou quando lhes permite voar, livremente, para destinos exóticos. É péssima quando são os outros a conquistar os nossos mercados ou a emigrar para o nosso canteiro. Assim pensam os movimentos radicais, pela Europa fora. Os europeus habituaram-se a dar cartas, na arena internacional. Não conseguem imaginar um xadrez diferente, em que o jogo das relações económicas entre estados seja mais equilibrado. Nem querem entender o impacto da China, da Índia e de outros países emergentes na nova distribuição do poder económico ao nível mundial.

 

Com a aceleração da globalização temos assistido à expansão das ideias extremistas, em vários países europeus. É mais fácil propor o fecho de fronteiras e a criação de barreiras, que de pouco ou nada servirão, do que preparar os nossos jovens para competir num mundo mais complexo. Como também poderá ser mais expedito acusar os outros, como causa de todos os males, sobretudo do crescimento do desemprego e da estagnação, do que procurar novas alternativas, que tenham em conta que o Bangladesh e os demais não vão pedir licença para entrar no mercado mundial.

 

Os líderes políticos progressistas, por seu turno, não têm sabido responder ao discurso ultranacionalista. Continuam a alimentar a ilusão de que apesar da globalização, tudo poderá continuar na mesma, que será possível, com uma política de “esquerda”, manter regalias e sistemas sociais que só foram possíveis num mundo menos igual. Ou seja, em vez de sublinharem a necessidade de mudança, insistem numa continuidade que não tem futuro. Criam ilusões e os tiros saem-lhes pela culatra.

 

A continuarmos na mesma via, sem confrontar os factos, sem preparar os cidadãos para uma economia baseada no conhecimento, vamos encontrar-nos, a médio prazo, numa Europa fechada sobre si própria, dividida e refugiada em preconceitos nacionalistas. Numa Europa em crise profunda, com milhões de desempregados sem qualificação profissional adequada. A título de exemplo, a empresa de consultoria McKinsey acaba de publicar um estudo que mostra que em França, no ano 2020, poderemos ter 2,3 milhões de pessoas desempregadas e, em simultâneo, 2,2 milhões de empregos tecnologicamente avançados disponíveis, sem candidatos franceses para os preencher. Factos como este serão terreno fértil para os movimentos como o de Marine Le Pen ou de Geert Wilders, na Holanda.

 

Olho novamente para o fiorde e os seus múltiplos meandros. Concluo que navegar nestas águas deve ser bem complicado.

 



12
Mai 12

Esta noite, a Puerta del Sol, em Madrid, é um mar de indignados. As imagens são impressionantes. Ninguém pode ficar indiferente. A Espanha está, de facto, num processo que nos deixa muito inquietos. Quando mais se analisa a situação, mais se chega à conclusão que os problemas são muito profundos e exigem uma reviravolta política para a qual parece não haver suficiente coragem. 


A falta de inteligência é compensada, em muitos casos, com a certeza das opiniões emitidas. Quanto menos cérebro, mais opiniões definitivas. 

Ou estarei enganado? 

 

Pergunto, por que eu vivo de incertezas.

publicado por victorangelo às 20:58

11
Mai 12

Fim de dia horrível na costa da Noruega. Frio, ventoso e chuvoso, Maio ou não, a verdade é que a temperatura nos entra pelos ossos dentro.

 

Dizem-me que é sexta-feira à noite e que a juventude está de saída, que aqui o fim-de-semana é tempo de dar asas à liberdade e ao corpo. A verdade é que a jovem sentada à minha frente, no autocarro de regresso ao centro da cidade, estava vestida a preceito, tudo muito ligeiro e curtinho. A matar. Ai de quem lhe cair nas mãos, este serão!

 

Quando reparei, fiquei ainda mais gelado. Os Vikings são, de facto, um povo ousado. E prontos a enfrentar os elementos.

publicado por victorangelo às 19:42

10
Mai 12

Parece que Bruxelas não gosta de ouvir falar na possibilidade da Grécia sair do euro. Assim o ouvi dizer, hoje, após o meu texto no blog de ontem. Por que será? Para poderem adiantar à Grécia, nesta próxima Segunda-feira, um pouco mais de 4 mil milhões de euros, os quais, uns dias depois, serão, em grande parte, devolvidos ao BCE, para pagar obrigações que vêm a termo? 

 

Os caminhos da eurocracia são, na verdade, bem obscuros.


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