Portugal é grande quando abre horizontes

31
Ago 14

O populismo simplista que se apoderou da vida política portuguesa e da opinião pública levou o primeiro-ministro a optar por uma low-cost, no sábado, quando se deslocou a Bruxelas. Chegou com três ou quatro horas de atraso à cimeira europeia.

 

O leitor mais malandreco dirá que isso não trouxe mal algum ao país. Que os nossos líderes pouco ou nada pesam em Bruxelas.

 

Não sei. Sei apenas que um primeiro-ministro não pode estar sujeito às vicissitudes dos voos comerciais, sobretudo dos low cost, quando se trata de representar o país. É assim que se faz política internacional. É assim, também assim, que um país se dá ao respeito.

publicado por victorangelo às 23:37
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30
Ago 14

Donald Tusk, o primeiro-ministro da Polónia, é uma boa escolha. Creio que fará um bom Presidente do Conselho Europeu. É um homem determinado, realista, com ideias claras, respeitado pelos seus pares. Ao mesmo tempo, poderá ser um bom interlocutor no diálogo com a Rússia de Putine. Por outro lado, enquanto líder do Conselho terá que adoptar uma posição relativamente moderada e de consenso, o que acabará por ter um impacto positivo no seu país, onde existe uma certa tendência para a radicalização, quando se trata do relacionamento com a Rússia.  

publicado por victorangelo às 22:00
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29
Ago 14

Volto de férias este fim-se-semana. Para uma situação política internacional de grande complexidade. E para seguir, embora de longe, as pequenas guerras que destabilizam a democracia portuguesa e fazem crescer as interrogações sobre a maturidade dos nossos políticos. E sobre a qualidade e o funcionamento das nossas instituições. Sem esquecer que o caso “Espírito Santo” ainda está por avaliar, nas suas imensas ramificações e impacto sobre a economia nacional.

publicado por victorangelo às 21:36
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25
Ago 14

Já aqui o disse há dois anos e volto a escrevê-lo hoje, com outras palavras mas com o mesmo sentido. Percorrer a Nacional 125, no Algarve, é como arranhar os olhos contra cactos selvagens e poeirentos. As bermas da estrada mostram a paisagem de um Algarve caótico, sujo, confrangedor na sua pobreza. Sem contar com os comércios às moscas, o trânsito intenso nesta altura do ano e as rotundas mal sinalizadas e perigosas.  

publicado por victorangelo às 22:49
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24
Ago 14

Critico quem tenta banalizar o impacto do Ébola nos países africanos da África Ocidental. Quem nos diz, com muito cinismo, que a OMS já declarou no passado outras crises pandémicas que afinal, com o tempo, se revelaram controláveis. Quem, com ligeireza, fala do Ébola como se tratasse de uma doença como o Sida, a malária ou a tuberculose. É verdade que estas doenças matam, cada dia mais gente que os que morrem por causa do Ébola. Mas o problema não reside aí. A epidemia está a destabilizar política e socialmente estados extremamente frágeis, que ainda não há muitos anos estavam mergulhados em profundas guerras civis. Há hoje um sentimento generalizado de pânico nesses países. Os governantes estão a perder o controlo da situação social. A unidade nacional, que estava pouco a pouco a ser reconstruída, encontra-se agora, de novo, ameaçada. O investimento político, económico e social que havia sido feito ao longo de anos de pós-crise nacional está em risco de se perder. Ou seja, estamos de novo perante uma crise estrutural na África Ocidental.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:35
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22
Ago 14

Estou há cerca de uma semana no coração de Vilamoura. Sem sair muito da casa onde passo duas semanas de férias, fico com a impressão de estar num outro país. As ruas e as vivendas desta zona têm muito pouco que ver com o resto do Algarve. A própria marina de Vilamoura é um mundo à parte. Só lá fui uma vez, há uns dias, e ficou claro que por ali há dinheiro e gente de fora.

 

Felizmente que as poucas excursões que até agora fiz fora desta área me levaram, de cada vez, ao mercado da Quarteira. A Quarteira está pegada a Vilamoura, do mesmo modo que a noite se segue ao dia. O mercado é, no entanto, uma experiência agradável. Ir às compras é voltar a um Portugal descontraído e simples, ao peixe fresco, caro, e às hortaliças e frutas, em conta.

 

Esse Portugal é bem melhor do que o outro que permite a dois ex-administradores, que de um modo ou de outro, tiveram a responsabilidade de levar o BES à ruína, voltar agora a prestar serviços no Novo Banco. O banco pode ser novo, mas as manhas ou as incompetências desses senhores são velhas e conhecidas. A sua nomeação não deveria fazer parte do Portugal de hoje. Mas faz. O que não augura um futuro brilhante para a equipa de Vítor Bento.

São sinais destes que mostram qual poderá ser o futuro.

 

 

publicado por victorangelo às 22:29
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21
Ago 14

O meu texto de hoje na Visão é uma digressão de Verão, escrita na costa ocidental da Noruega, em Stavanger.

 

Passo a citar o que publico na Visão:

 

Reflexões norueguesas

Victor Ângelo

 

Escrevo esta crónica de Verão junto à janela. Lá fora, a paisagem abre-se e fica dominada pelo fiorde de Stavanger, o mar e a cadeia de montanhas que define o horizonte. Olhando bem, tranquilidade, vastidão e curiosidade, no sentido de querer ir mais além e descobrir o que está para lá dos recortes das baías e das serras, são os pensamentos que me ocorrem. Ou seja, viajar, mas não nos gigantescos navios cruzeiros, conto três esta manhã no meio da cidade, que o centro de Stavanger foi construído nas margens da ponta do fiorde. Os navios são uma feira ruidosa, um novo tipo de turismo de massas a fingir que é luxo.

 

Situada na costa oeste do país, capital do petróleo norueguês, Stavanger é uma urbe em crescimento acelerado. Mantém, no entanto, a característica que melhor define as cidades da Noruega: vida sem sobressaltos e próxima da natureza. Mostra, igualmente, que é possível conciliar a riqueza do petróleo com a construção de um futuro harmonioso, viver-se uma vida confortável mas sem exibicionismos de novo-rico. A disciplina individual e coletiva é o segredo da coisa. Disciplina na vida cívica, na política, em casa, na maneira como se constrói o futuro. Aqui, aprende-se que a disciplina social é um fator essencial para a prosperidade de um povo.   

 

Stavanger é também um exemplo de diversidade étnica. Nos anos setenta foi o porto de abrigo para muitos refugiados vietnamitas, acolhidos que foram por estas terras. Estão integrados. A jovem militar que se ocupou do meu acesso seguro a meios informáticos, quando aqui cheguei há uns dias em missão, tinha um nome meio norueguês meio vitenamita. A sua fisionomia não enganava ninguém: representava bem a beleza do extremo-oriente.  A Noruega sempre foi um país generoso em termos de asilo político. Agora há gentes de diversas nacionalidades: refugiados vindos do Iraque, do Afeganistão, Curdos da Turquia, famílias da Somália e muitas mais. Quando se vai à polícia local tratar da documentação, o primeiro passo consiste em selecionar a língua, das várias disponíveis, em que se quer ser atendido. Na frente económica, encontramos imigrantes de várias partes da Europa. Desde a vizinha Suécia – trabalhar na Noruega é uma alternativa mais vantajosa – até à Polónia. A comunidade polaca é das mais numerosas. Também há portugueses, como não podia deixar de ser. Por coincidência, atrás de mim, no avião vindo de Frankfurt, sentava-se um casal do Porto, imigrantes na Noruega desde há alguns anos.  

 

O sítio onde trabalho é guardado por jovens militares a cumprir os seis meses de serviço obrigatório. Este é um dos poucos países europeus que conservou essa prática. Tem dinheiro para o fazer. O modelo não é, por isso, exportável. Mas, enquanto me perco a contemplar a paisagem, reconheço que a Europa precisa de refletir a sério sobre o seu sistema coletivo de defesa. Os desafios existem, como podemos ver do lado da Ucrânia e da Rússia, nas águas e nas margens Sul e Oriental do Mediterrâneo, na frequência crescente dos ataques cibernéticos. Reconheço, porém, que a defesa da Europa é hoje um conceito complexo, que vai muito para além da resposta militar. Passa por repensar a aliança com os EUA, que têm, de longe, o melhor sistema de defesa do mundo. Passa, igualmente, por uma redefinição do papel das forças armadas e do seu relacionamento com as polícias, os serviços de informações, os diplomatas e a opinião pública. O fiorde lembra-nos que estas coisas são bem mais vastas do que parecem. Mesmo na pausa do Verão, que este ano tem estado agitado.

publicado por victorangelo às 22:41
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20
Ago 14

Dizem-nos as notícias que houve pandemónio no Centro Comercial Vasco da Gama, esta tarde, em Lisboa. Centenas de jovens de origem africana causaram distúrbios e pânico.

 

Este tipo de acontecimentos não é único. Não foi a primeira vez. E não será a última, tendo em conta a diversidade étnica que caracteriza uma cidade como Lisboa.

 

O controlo destas manifestações é fundamental. Como também o é a responsabilização criminal dos elementos mais violentos. Não deve, no entanto, ser vista sob o prisma do racismo. Jovens de grupos étnicos minoritários vão continuar a sentir-se discriminados. É a natureza das sociedades complexas de agora. Mas devem também entender, de modo claro, que essas manifestações terão sempre uma resposta enérgica. No que respeita à PSP não tenho dúvidas. Mas já não digo o mesmo no que respeita à justiça.  

publicado por victorangelo às 23:36
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19
Ago 14

Já devem ter notado que tenho muito pouca paciência para aturar os dirigentes políticos portugueses. Depois de ter andado dezenas de anos por vários cantos do mundo, a qualidade dos nossos líderes parece-me fraca e sem interesse. Agora, estando de férias por duas semanas, a paciência é ainda mais diminuta. Esta foi aliás uma expressão utlizada hoje pela minha neta de quatro anos, quando lhe dei, na praia, uma bisnaga de sumo. Diminuta. Assim é a política em Portugal. A minha neta resumiu a coisa com a palavra exacta.

publicado por victorangelo às 21:50
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17
Ago 14

O contraste é ainda maior quando se vem directamente da Noruega para o Algarve. É como passar de um jardim bem tratado a um mato sujo, caótico, em que o luxo e a merda vivem lado a lado.

publicado por victorangelo às 22:22
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