Portugal é grande quando abre horizontes

29
Jun 17

A oposição política a qualquer governo é um aspecto essencial da democracia. Uma oposição forte, bem articulada e com substância enriquece o sistema democrático e faz progredir as nações.

O contrário também é verdade. Quando a oposição é taralhouca, perdemos todos. Incluindo quem está no poder. Um governo que não é espicaçado de modo inteligente acaba por cair no facilitismo. Passa a preocupar-se apenas com os efeitos mediáticos e a superficialidade das coisas fáceis.

publicado por victorangelo às 22:21
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19
Abr 17

Esta semana, o meu comentário na Rádio Macau aborda três questões:

- O referendo na Turquia e o facto que Erdogan levou o país para o espaço geopolítico de confusão que define o Médio Oriente; a Turquia está cada vez mais longe da Europa e dos nossos valores essenciais.

- A Hungria e Viktor Orbán; um regime político que não respeita os valores europeus, que constam no Artigo 2 do Tratado da União Europeia e que deveria ser sancionada com base no Artigo 7 do mesmo Tratado.

- O Sul da Europa, como grupo geopolítico próprio dentro da UE.

O link para o programa da semana é o seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=8569

publicado por victorangelo às 14:25
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13
Jan 17

Leio com alguma frequência dois dos principais diários publicados na Índia: The Times of India e The Hindu. Comecei a fazê-lo antes da minha última viagem ao país, que teve lugar em Abril de 2016, e continuo essa prática, porque a Índia está cada vez mais na pista acelerada do futuro. Também porque me permitem lembrar que o mundo é mais diverso do que aquilo que exergamos desenhado nas nossas quatro paredes.

A Índia será o país mais populoso da Terra. E uma das economias mais fortes. Tem um mercado que continua fundamentalmente por explorar, embora se note já um desenvolvimento extraordinário, sobretudo quando se compara o agora com o que existia no início deste Milénio. Mas é um mercado difícil de penetrar. A atitude predominante é profundamente nacionalista e virada para os investidores internos ou então para os Indianos da diáspora.

Por falar na diáspora, a visita do primeiro-Ministro português foi seguida por estes diários como uma curiosidade de quinta página. Foi sublinhado, acima de tudo, o facto de António Costa ser de origem indiana e ter conseguido chegar a chefe de governo de um país Ocidental. E mais uma ou outra particularidade, como a refeição com a família em Goa.

Tudo isto prova a sensibilidade indiana às questões rácicas. A opinião pública tem por hábito ver a sua diáspora como sendo discriminada nos países ocidentais. E neste caso, não será assim. Por isso, é notícia. Ou seja conta o homem e as suas raízes, não o país que ele representa oficialmente.

 

publicado por victorangelo às 20:39
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30
Out 16

Nas vésperas da cimeira de Brasília e depois de ter contribuído no último ano para a reestruturação do Secretariado Executivo da organização, ouso dizer, com pena, que o governo português não tem uma linha estratégica clara e bem pensada em relação ao futuro da CPLP.

Nisto não é, aliás, diferente do governo precedente.

Poderia ter aproveitado a discussão sobre o preenchimento do lugar de Secretário Executivo, um assunto que esteve em cima da mesa este ano, para o fazer. Preferiu, no entanto, optar pelo fogo-de-vista e exigir que esse mandato fosse repartido entre São Tomé e Príncipe e Portugal. Ou seja, lutou e indispôs os outros parceiros, para que houvesse dois Secretários Executivos nos próximos quatro anos. Esta guerra que o governo português ganhou não promove a estabilidade e a coerência da liderança da CPLP. Dois anos de mandato por dirigente não constituem uma missão. São, isso sim, uma passagem de carreira, à espera de um destino mais atraente.

Poderia ter igualmente aproveitado a longa e penosa discussão que levou à redacção de um documento que os Estados membros chamam de estratégia, mas que na realidade nada mais é do que um apanhado de generalidades e de conversa fiada. Portugal, durante esse processo de elaboração, limitou-se a acompanhar os trabalhos, sem entusiasmo nem intenção de enriquecer a reflexão comum.

Agora, António Costa sai da caixa de surpresas, movido pela mola da visibilidade mediática, e diz, meio a sorrir, que vai propor a liberdade de residência para os cidadãos da CPLP. Assim mesmo! No meu entender, trata-se de mera demagogia, um tiro de pólvora seca sem efeito para além do ruído e da chamada de atenção. O acordo de Schengen não permite nem que se pense nessa hipótese. E, para mais, não vejo Angola, por exemplo, a abrir as portas e a permitir que emigrantes guineenses, ou são-tomenses se instalem no país. A proposta é, aliás, um bom exemplo da pouca seriedade com que tratamos as matérias da CPLP.

 

publicado por victorangelo às 20:20
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05
Jun 16

António Costa fez um discurso de encerramento do Congresso do Partido Socialista mais equilibrado do que a maioria das intervenções dos principais dirigentes, feitas ao longo dos últimos três dias. Os outros oradores falavam para dentro do partido e não se privaram de mostrar as suas preferências por políticas mais próximas do simplismo extremado. Costa falava para fora. Tinha necessariamente que transmitir um conjunto de mensagens mais conciliatórias, nomeadamente em relação à Europa. Creio que o conseguiu.

Entretanto, talvez fosse útil repensar na imagem que a decisão de aumentar o número de administradores da Caixa Geral de Depósitos projecta. Passar de 14 membros do Conselho de Administração para 19, como agora foi decidido, é um erro de palmatória. A Caixa não tem uma dimensão que justifique tanta gente à sua frente. Só irão aumentar a confusão reinante na instituição, quando esta precisa de uma direcção clara, homogénea e mais competente. E por falar em competência, alguns dos novos nomes são de gente que já andou por estas andanças, no passado, e que deu provas de pouca objectividade profissional. Exactamente o contrário do que é preciso nesta fase.

O primeiro-ministro tem agora mais tempo livre para rever esta decisão. E tomar posição.

 

 

publicado por victorangelo às 19:32
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22
Dez 15

Nestes últimos dias, todo o gato-sapato e os seus parentes mais próximos têm escrito sobre o Banif, o banco que foi ao ar. Por isso, hesitei em pegar no assunto, ontem. Achei que não valeria a pena acrescentar mais nada. Esta página ficou em branco, que é muitas vezes a tradução da vontade que tenho de tratar a nossa absurdidade quotidiana.

Mas este meu blog tem uma vocação muito marcada para pregar no deserto. Não resiste durante muito tempo. Por isso, cá estou hoje a escrever sobre a questão.

A verdade é que o enredo do Banif mostra, uma vez mais, várias coisas.

Ao nível macroeconómico, que temos bancos a mais e economia a menos. Existem demasiados bancos na nossa praça para uma economia fraca das canetas e incapaz de se equilibrar e começar a andar com as duas pernas no mundo moderno.

Ao nível da supervisão, que o Banco de Portugal não tem a independência necessária. A Europa de agora quer bancos centrais independentes do poder político. Não será o caso em Lisboa. Não precisamos de uma agência de supervisão paralela, a ideia que anda agora por aí no ar. Queremos, isso sim, um Banco de Portugal à altura das suas responsabilidades institucionais. Objectivo e corajoso. Tenho cada vez mais dúvidas, no nosso caso.

Ao nível da actividade bancária, o colapso mostra que os bancos comerciais portugueses são em geral mal geridos. A incompetência está nos conselhos de administração e nas direcções executivas. O princípio em que se baseiam não é o da rentabilidade dos projectos que financiam, mas sim o do compadrio. Se o compadre, ou o amigo desse compadre, pede um empréstimo, a direcção do banco fecha os olhos à viabilidade da coisa e avança com o crédito. Saem uns milhões. É uma situação própria de um país subdesenvolvido. Vi isso em vários cantos do mundo. E depois, com o passar dos tempos, o crédito fica malparado e vai juntar-se aos milhões de euros que já estão nessa gaveta de incobráveis.

E ao nível político, é a irresponsabilidade saloia que domina. A classe política respira esperteza bacoca. Neste caso, foi a manha do governo de Passos Coelho que preferiu ir adiando o problema. Uma crise anunciada mas adiada é, na nossa maneira caseira de ver a política, melhor do que uma crise de facto. Praticamos a política do pau. Enquanto ele vai e vem, folgam as costas.

Quem não folga agora é o Costa. Nem os portugueses.

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:38
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18
Dez 15

O Primeiro-Ministro de Portugal disse hoje em Bruxelas que a TAP volta para o controlo do Estado português, “com ou sem acordo”. Ou seja, à força, se for necessário.

Trata-se de uma mensagem clara. Para os esquerdistas da nossa terra, soará como música divina. Para os investidores, será mais um alerta.

Para mim, foi uma frase infeliz.

publicado por victorangelo às 16:25
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25
Nov 15

Apesar de uma ou outra reserva, penso que António Costa reuniu uma equipa bastante razoável. Vamos ver até onde conseguirá ir. Não vai ser fácil, entre as exigências de uns e o ressabiamento de outros. Será preciso muita habilidade política, muito equilíbrio, muito bom senso, muita comunicação. São essas as qualidades que desejo ao governo que agora entra.

publicado por victorangelo às 22:07
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25
Out 15

Tudo indica que António Costa irá ser, por algum tempo, primeiro-ministro de Portugal. Está certo. Mas espero que seja um primeiro-ministro sem arrogância. Os resultados de 4 de outubro mostram claramente que apenas um em três portugueses o vê, de facto, com capacidade para ser chefe do governo. Tem que haver modéstia.

Foi um resultado eleitoral desastroso, sobretudo depois de quatro anos de Passos e Companhia. Se os eleitores lhe reconhecessem estofo para o cargo, Costa teria vencido, nas condições excepcionais de então, de um modo esmagador. Foi isso que Mário Soares disse várias vezes, que a vitória só poderia massiva. Não o foi. Uma boa parte dos eleitores não acredita no líder socialista, não entende o que ele quer, não o vê com uma linha clara de actuação. Projecta, isso sim, uma imagem superficial, repetitiva, sem imaginação e pouco aplicada.

O problema vai ser que Costa irá procurar manter-se no poder a todo o custo. Até porque sabe que no dia em que perder o cargo de primeiro-ministro se iniciará o percurso que o levará às segundas linhas. Para manter o poder, será um eterno refém dos seus aliados de circunstância.

Esse é o risco que esta aliança muito especial traz consigo. Um PS a reboque de um líder fraco, ainda mais enfraquecido porque a sua sobrevivência depende dos radicais iluminados que só por equívoco intelectual alguns chamam de Esquerda.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:26
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22
Out 15

O Presidente da República, ao indigitar como primeiro-ministro o líder do partido com maior número de deputados, tomou a decisão mais previsível, neste momento em que ainda não há acordo de legislatura entre o Partido Socialista e os outros partidos.


Foi, no entanto, mais longe, ao dizer claramente que os dois partidos que estão a negociar com o PS são estruturalmente contra alguns dos tratados fundamentais de que Portugal é subscritor. Esta afirmação deixa entender que só muito dificilmente viria a dar posse a um governo cuja base de sustentação dependesse de modo definitivo do apoio continuado desses partidos.


Estamos, assim, perante uma posição muito categórica que poderá, em breve, ser um sapo gigante que terá que ser engolido.

publicado por victorangelo às 20:58
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