Portugal é grande quando abre horizontes

24
Mar 17

Não podemos passar o tempo a dizer que somos pelo aprofundamento da União Económica e Monetária e, ao mesmo tempo, gritar na praça pública, com a indignação que dá votos, que os bancos “portugueses” estão a ser comprados pelos espanhóis. Das duas, uma! Ou então, os políticos que temos pensam que somos todos atrasados da cachimónia.

publicado por victorangelo às 20:42
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06
Mar 17

Já que se fala hoje no estado do sistema financeiro do nosso país, lembro que na semana passada tive uma discussão com um banqueiro luxemburguês. Disse-me, com franqueza e sem arrogância, que colocar dinheiro em quantidades avultadas nos bancos portugueses era, na sua opinião, um acto de imprudência. E acrescentou que essa é a opinião que prevalece no Luxemburgo, no que respeita à saúde financeira dos operadores bancários portugueses.

publicado por victorangelo às 22:27
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05
Dez 16

Os mercados bolsistas europeus parecem não ter ligado ao resultado do referendo italiano. O índice Euro Stoxx 50, que é indicativo do que se passa nas principais praças europeias, subiu 1,25%. O principal índice francês, o CAC 40, aumentou 1,00%. E assim sucessivamente. Apenas o FTSE MIB, que reflecte a bolsa italiana, teve uma quebra insignificante de 0,21%. O euro também aumentou de valor: mais 0,88% em relação ao dólar dos EUA.

A explicação é simples: quem anda pelas bolsas sabia – há meses – que Matteo Renzi não tinha hipóteses de ganhar esta consulta popular. Por isso, as acções italianas foram-se desvalorizando ao longo dos meses. Perderam 20% do seu valor desde o início do ano. Quanto aos bancos, onde as fragilidades são maiores, a perda média do valor das acções bancárias anda nos 48%, em relação a Janeiro de 2016.

Muitas das acções dos bancos estão na posse dos particulares, dos cidadãos que acreditaram na conversa ouvida aos balcões das agências e que foram convencidos a comprar esses títulos. Mais ainda. Existem mais de 170 mil milhões de euros, a título de obrigações bancárias, nas mãos das famílias. Também aí haverá que prever perdas de valor muito significativas.

Em resumo, como foi dito hoje por alguém importante à entrada de uma reunião em Bruxelas, não há receios. Os italianos saberão como resolver estes problemas.

Ficarão, acrescento eu, mais pobres e muito mais fartos das elites políticas e financeiras. O referendo já mostrou essa tendência. E a trajectória parece levar a Beppe Grillo e à chegada ao poder do Movimento 5 Estrelas. Ou seja, a elite da desgraça será substituída pela malta da confusão.

 

publicado por victorangelo às 21:09
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08
Jun 16

Alguns dos meus amigos portugueses ainda não entendem – nem querem ver – a fragilidade que caracteriza o sistema bancário do nosso país. Mais ainda, parecem não querer acreditar que uma boa parte dessa crise, visível já ou que se anuncia, resulta de gestão irresponsável, e mesmo danosa, de muitos dos que têm estado à frente dos bancos nacionais. Várias formas de compadrios, incluindo políticos e maçónicos, estão na origem da precaridade financeira actual.

O mais interessante é ver como a comunicação social passa ao lado da questão. Não é, contudo, uma surpresa. Os nossos grupos informativos, donos dos jornais e das televisões, estão também eles profundamente endividados e sinceramente gratos por haverem beneficiado da generosidade irresponsável, compadre e amiga dos bancos que temos.

No fundo, estas coisas estão um bocado ligadas. O enredo é grande e propositadamente silencioso.

publicado por victorangelo às 20:14
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02
Mai 16

Já várias vezes aqui escrevi que o sector bancário português está em crise. Durante anos foi gerido pelos mesmos a favor dos seus amigos e correligionários. Investiu milhões de milhões em projectos sem pés nem cabeça, apenas para enriquecer esses mesmos amigos e correligionários. Isso levou vários bancos que todos conhecemos a crises profundas, perdendo o cidadão, através dos seus impostos, e muitos dos depositantes anónimos, nomeadamente os que investiram em fundos e outros instrumentos de captação de poupanças.

Como o negócio era chorudo, criaram-se bancos que pouco mais são que umas caixas entre quatro paredes, sem dimensão nem futuro. E tudo isto foi acontecendo debaixo dos olhos do Banco de Portugal, que há duas ou três décadas tem medo de tudo e de todos.

Agora os mesmos senhores, os que levaram o nosso sistema bancário à fragilidade que hoje o caracteriza, vieram à rua com uma manifesto contra a consolidação do sector e, em especial, contra certos bancos espanhóis. Como são de direita e certamente não pensam como o Partido Comunista, não propuseram a nacionalização dos bancos. Mas, pouco faltou, na sua ânsia protectora.

Aliás, não propuseram nada, a não ser o serem contra.

Eles sabem que estamos na UE. E sabem que estar na Europa não significa apenas receber subsídios vindos de Bruxelas. Há, também, que aceitar obrigações e regras. A de abrir a economia aos investidores europeus, por exemplo. Sem esquecer uma outra silenciosa, que é a de ter uma visão maior e moderna da nossa economia, para além das vistas provincianas que lhes dão conforto.

No essencial, têm medo de ser ultrapassados por gente mais competente e mais objectiva. Não querem perder a influência que ainda detêm. E que nos trouxe à situação de atraso em que estamos actualmente.

 

 

publicado por victorangelo às 20:14
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21
Mar 16

A banca portuguesa está em crise. Já várias vezes aqui o disse. Há demasiados bancos, poucas oportunidades de negócios, e muito compadrio. O compadrio tem favorecido uma elite que gira à volta das personalidades que controlam o sector e levado a más decisões comerciais, a um volume elevado de créditos malparados, e, nalguns casos bem conhecidos, à falência de bancos, a falcatruas e à corrupção.

O sector precisa de uma reforma profunda, incluindo consolidação e profissionalismo, com base nas regras do mercado e da competitividade. Não se salva com falsos arremedos patrioteiros, com os manifestos do pessoal de Aljubarrota, como agora parece ser o caso, ou as profissões de fé de outros retrógrados, nem com a manutenção dos mesmos indivíduos à frente das instituições.

Teria tudo a ganhar com uma maior internacionalização dos seus capitais e dos quadros. Por isso, o interesse de bancos estrangeiros deve ser aceite de bom agrado. Faz parte do dinamismo dos mercados.

Estamos na Europa e integrados numa certa maneira de ver as relações económicas.

É verdade que uma boa parte do interesse pelos bancos portugueses vem do vizinho do lado. Também isso é normal. Conhece melhor o nosso tecido económico que outros, vindos de mais longe.

E não nos podemos esquecer do que é evidente: se o capital espanhol investir em Portugal é para ganhar dinheiro. Só o ganhará se conseguir fazer trabalhar os nossos bancos a sério. Ou seja, se conseguir que a nossa actividade bancária esteja na verdade ao serviço da economia e das famílias portuguesas.

 

publicado por victorangelo às 14:56
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22
Dez 15

Nestes últimos dias, todo o gato-sapato e os seus parentes mais próximos têm escrito sobre o Banif, o banco que foi ao ar. Por isso, hesitei em pegar no assunto, ontem. Achei que não valeria a pena acrescentar mais nada. Esta página ficou em branco, que é muitas vezes a tradução da vontade que tenho de tratar a nossa absurdidade quotidiana.

Mas este meu blog tem uma vocação muito marcada para pregar no deserto. Não resiste durante muito tempo. Por isso, cá estou hoje a escrever sobre a questão.

A verdade é que o enredo do Banif mostra, uma vez mais, várias coisas.

Ao nível macroeconómico, que temos bancos a mais e economia a menos. Existem demasiados bancos na nossa praça para uma economia fraca das canetas e incapaz de se equilibrar e começar a andar com as duas pernas no mundo moderno.

Ao nível da supervisão, que o Banco de Portugal não tem a independência necessária. A Europa de agora quer bancos centrais independentes do poder político. Não será o caso em Lisboa. Não precisamos de uma agência de supervisão paralela, a ideia que anda agora por aí no ar. Queremos, isso sim, um Banco de Portugal à altura das suas responsabilidades institucionais. Objectivo e corajoso. Tenho cada vez mais dúvidas, no nosso caso.

Ao nível da actividade bancária, o colapso mostra que os bancos comerciais portugueses são em geral mal geridos. A incompetência está nos conselhos de administração e nas direcções executivas. O princípio em que se baseiam não é o da rentabilidade dos projectos que financiam, mas sim o do compadrio. Se o compadre, ou o amigo desse compadre, pede um empréstimo, a direcção do banco fecha os olhos à viabilidade da coisa e avança com o crédito. Saem uns milhões. É uma situação própria de um país subdesenvolvido. Vi isso em vários cantos do mundo. E depois, com o passar dos tempos, o crédito fica malparado e vai juntar-se aos milhões de euros que já estão nessa gaveta de incobráveis.

E ao nível político, é a irresponsabilidade saloia que domina. A classe política respira esperteza bacoca. Neste caso, foi a manha do governo de Passos Coelho que preferiu ir adiando o problema. Uma crise anunciada mas adiada é, na nossa maneira caseira de ver a política, melhor do que uma crise de facto. Praticamos a política do pau. Enquanto ele vai e vem, folgam as costas.

Quem não folga agora é o Costa. Nem os portugueses.

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:38
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04
Ago 14

A saga do BES, um banco que foi arruinado pelos seus administradores em virtude de acções fraudulentas, ilegais e manhosas, continua a ser o tema de todas as conversas.

 

Se é verdade que a solução encontrada pelo Banco de Portugal foi a menos má numa situação de catástrofe, a situação a que se chegou na sexta-feira, também é verdade que o banco supervisor permitiu, por indecisão e falta de força política, que as coisas se arrastassem até ao ponto de ruptura. Se o Banco de Portugal tivesse sido prudente, e nestas coisas a prudência é a regra que deve primar, teria tomado medidas de afastamento da administração do BES em Setembro de 2013. Foi nessa altura que se tornou evidente que havia gestão danosa.

 

Uma vez mais, lembro-me do que aprendi nas andanças pelo mundo. Quando o risco é grande a indecisão torna-o maior. O mal corta-se pela raiz, diz o ditado popular.

 

Agora, sendo as coisas o que são, é fundamental colocar o Novo Banco à venda tão depressa quanto possível. A actual administração, com Vítor Bento à frente, não tem experiência nem os contactos suficientes no mundo financeiro internacional que permitam ir além de uma fase transitória. Também aqui a experiência ensinou-me que o transitório deve ser sempre o mais breve possível. Por isso, deve procurar-se atrair o interesse de grandes grupos financeiros internacionais, para que comprem o Novo Banco. Mas aqui há vários problemas. Primeiro, não sei até que ponto a nossa opinião política está aberta à ideia de um banco internacional passar a ser o dono de uma parte significativa da banca nacional. Segundo, o mercado interno é pequeno, existem já bancos a mais, e por isso será difícil interessar um grupo de peso estrangeiro, um grupo sério e experiente. Terceiro, é difícil de dizer quanto vale o Novo Banco. Quantos dos créditos “bons” não serão na realidade montantes impossíveis de receber, nomeadamente no domínio do crédito à habitação e no financiamento de certas actividades económicas estapafúrdias. Poderá valer menos, para um investidor vindo de fora, que os 4 900 mil milhões agora disponibilizados. Quem vai pagar a diferença?

 

Enfim, para já, vamos andando.

 

publicado por victorangelo às 10:46
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30
Jul 14

As contas do BES – Banco Espírito Santo – que hoje foram divulgadas revelam, de modo claro, que a anterior administração do Banco, a que fora presidida por Ricardo Salgado, era uma associação de suspeitos criminosos financeiros. Alguns deles ainda continuam na administração actual. Vamos ver por quanto tempo. Iremos também ver o que a justiça fará de toda esta gente. E que medidas vão ser tomadas pelo Banco de Portugal, para apuramento das responsabilidades criminais desta linda colecção de “banqueiros”.

 

Entretanto, em certos meios do PSD e PS, nomeadamente, há quem pense que tudo isto deve ficar em águas de bacalhau. É que, ao longo dos anos, foram muito ajudados pelo Ricardo e pela sua trupe.

publicado por victorangelo às 21:00
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14
Jul 14

Finalmente, o Banco de Portugal agiu, como eu aqui previra há vários dias, e obrigou o BES a substituir a sua administração. Foi, uma vez mais, lento na decisão, mas mais vale tarde que nunca, embora nestas coisas a rapidez da intervenção seja sempre o mais aconselhável. Quanto mais se espera mais difícil se torna encontrar uma solução razoável.

 

Mas os mercados parecem não acreditar na história que lhes está a ser contada. E as acções do BES continuam a perder valor, de modo muito significativo. É por isso importante que se faça luz sobre a situação financeira do banco e que se proceda rapidamente à entrada de um parceiro financeiro estratégico. Um outro banco, com dinheiro e bom nome, tem que tomar uma posição forte no capital do BES. E dar-lhe um sopro de reputação.

 

A verdade é que os clientes do BES não fizeram fila para retirar o dinheiro das suas contas. Aí o poder político tem sabido gerir a crise com habilidade. É preciso mais, agora, forçar à abertura do banco a novos grupos de accionistas de peso.

publicado por victorangelo às 20:34
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