Portugal é grande quando abre horizontes

05
Dez 16

Os mercados bolsistas europeus parecem não ter ligado ao resultado do referendo italiano. O índice Euro Stoxx 50, que é indicativo do que se passa nas principais praças europeias, subiu 1,25%. O principal índice francês, o CAC 40, aumentou 1,00%. E assim sucessivamente. Apenas o FTSE MIB, que reflecte a bolsa italiana, teve uma quebra insignificante de 0,21%. O euro também aumentou de valor: mais 0,88% em relação ao dólar dos EUA.

A explicação é simples: quem anda pelas bolsas sabia – há meses – que Matteo Renzi não tinha hipóteses de ganhar esta consulta popular. Por isso, as acções italianas foram-se desvalorizando ao longo dos meses. Perderam 20% do seu valor desde o início do ano. Quanto aos bancos, onde as fragilidades são maiores, a perda média do valor das acções bancárias anda nos 48%, em relação a Janeiro de 2016.

Muitas das acções dos bancos estão na posse dos particulares, dos cidadãos que acreditaram na conversa ouvida aos balcões das agências e que foram convencidos a comprar esses títulos. Mais ainda. Existem mais de 170 mil milhões de euros, a título de obrigações bancárias, nas mãos das famílias. Também aí haverá que prever perdas de valor muito significativas.

Em resumo, como foi dito hoje por alguém importante à entrada de uma reunião em Bruxelas, não há receios. Os italianos saberão como resolver estes problemas.

Ficarão, acrescento eu, mais pobres e muito mais fartos das elites políticas e financeiras. O referendo já mostrou essa tendência. E a trajectória parece levar a Beppe Grillo e à chegada ao poder do Movimento 5 Estrelas. Ou seja, a elite da desgraça será substituída pela malta da confusão.

 

publicado por victorangelo às 21:09
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18
Jan 12

Sem que se fale nisso, pela calada, Portugal entrou, nestes últimos dias num patamar de alto risco. O custo de financiamento da divida pública a longo prazo passou a ser muito alto - da ordem dos 19%, a cinco anos de maturidade. O risco do nosso incumprimento é agora estimado em 65%, também a cinco anos. Ou seja, é um risco demasiado elevado, com um grau de probabilidade muito sério, que não permite aos grandes investidores institucionais internacionais comprar obrigações do tesouro portuguesas.  

 

Quando se entra numa situação dessas, na espiral da morte, estamos perante uma catástrofe nacional. Só uma mudança radical de política, acompanhada por uma mobilização nacional, pode salvar a loiça e a mobília.

 

Quem tem medo de falar nisso?

 

Entretanto, a curto prazo, a três meses, ou a onze, é possível encontrar muitos compradores para as emissões que iremos fazendo, como hoje foi feito. Os compradores são sobretudo os bancos nacionais, que irão beneficiar de um juro à volta dos 4,5%, a pagar pelo tesouro português. Com esse papel, os nossos bancos vão a Frankfurt, dão-no como garantia ao Banco Central Europeu, recebem dinheiro fresco do BCE ao custo de 1%, que vão voltar a aplicar em mais papel de curto prazo ou em empréstimos leoninos às empresas, e ganhar algum. Tudo no curto prazo. Tudo para ganhar algum, rápido, ou enriquecer depressa, insustentável, porém, para a economia nacional.

 

Ou seja, a longo prazo estamos arrumados, mas a curto prazo há quem vá ganhando muita prata. 

publicado por victorangelo às 21:44
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13
Jan 11

A 24 de Junho de 2007, escrevera na Visão, um texto sobre a crise política da Bélgica, a que dera o nome, sugestivo, de "A jangada belga".

Apontara, na altura, que a crise institucional era, então, mais fracturante do que nunca. Um ou outro observador discordou da minha análise, dizendo que era demasiado pessimista.

 

Infelizmente, não era. Hoje a crise é ainda mais profunda. Atingiu uma dinâmica imprevisível. O futuro do país, como Estado unitário, está em risco. Ninguém pode prever o que será o dia institucional de amanhã.

 

Num texto que saiu na Visão de hoje, volto a escrever sobre a Bélgica. Faço a previsão que apenas o medo dos mercados, que já se preparam a investir contra o reino, poderá levar os partidos belgas a um acordo. Que será, de qualquer modo e se se verificar, de uma grande precariedade.

 

A leitura deste texto é possível no sítio:  http://aeiou.visao.pt/belgica-o-poder-dos-mercados=f585826

publicado por victorangelo às 18:54
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15
Dez 08

Bernie Maddof, o arquitecto de um fundo de investimentos milagreiro e de uma fraude monumental, está a fazer cair fortunas e reputações, incluindo as de grandes bancos, como o Santander, o BBVA, Natixis, BNP Paribas, Royal Bank of Scotland, HSBC, Noruma, e de certos bancos bem mais discretos, mais privados, das praças de Genebra e de Zurich.

 

Homem que tinha o hábito, bem lucrativo, de contribuir para campanhas partidárias, de apoiar instituições de beneficência e participar nas actividades de clubes privados muito exclusivos. Tudo isto lhe deu, ao longo de muitos anos, uma áurea social e uma cobertura de amizades que tão benéfica se revelou nas suas relações, bem distantes, com as autoridades que deveriam regular e controlar os mercados bolsistas de Nova Iorque.

 

A sua falcatrua é uma grande machadada no sistema.

publicado por victorangelo às 13:31
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29
Set 08

Hoje, com vários bancos europeus em dificuldades, e mais ainda por aparecer, por vir 'a tona da água do pântano, tudo a revelar as ligações frágeis, cúmplices, entre a finança europeia e as construções engenhosas e especulativas dos fundos sem fundo americanos, a crise ganhou novas dimensões. Internacionalizou-se. Tornou-se uma ameaça para varias sociedades.

 

O mundo da banca tem cada vez menos que ver com o mundo real, com a economia produtiva. E' só vento, e tudo o vento parece levar...

 

 

publicado por victorangelo às 22:19
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