Portugal é grande quando abre horizontes

26
Jan 16

Para complicar ainda mais uma situação internacional que já estava bastante complicada temos agora a ameaça de saúde pública que é o vírus de Zika. Esta doença, que resulta de uma picada de um determinado tipo de mosquito, provoca entre outras coisas, microcefalia nos bebés de mulheres infectadas durante a gravidez bem como o síndrome de Guillain- Barré, uma doença que provoca fraqueza muscular.

As populações estão muito preocupadas.

Vários países da América Central e do Sul, incluindo o Brasil, estão ameaçados. Nalguns deles as autoridades sanitárias já fizeram declarações públicas, aconselhando as mulheres a adiarem planos de gravidez por dois anos. O governo do Brasil acaba, por seu turno, de dar ordem a 220 mil militares para colaborarem com os agentes de saúde nas campanhas de destruição dos mosquitos.

Este desafio vai ter um impacto económico e social de monta em toda a região. No caso do Brasil, com os jogos olímpicos à porta, Zika poderá afastar muitos visitantes estrangeiros.

publicado por victorangelo às 20:44
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29
Jun 15

Eis-me de volta, depois de uma longa viagem. E volto a tempo de escrever, como o fiz esta tarde, sobre a actualidade grega. Uma actualidade sem grandes esperanças para os gregos.

As coisas estão complicadas na Europa e esta não é certamente a altura ideal para pedir aos outros empréstimos sem contrapartidas muito sérias. Ainda hoje lembrava, no meu comentário semanal para a Rádio TDM de Macau, que uma mulher de limpeza na função pública grega ganha 600 euros mensais e um professor de universidade aufere, no serviço público da Lituânia, cerca de metade dessa verba. É verdade que a Lituânia só entrou para a zona euro este ano, mas se houver uma nova ajuda terá que contribuir para o programa grego. Compreender-se-á, então, que as autoridades de Vilnius queiram ver nesse programa medidas de recuperação económica bem concretas.

E a Lituânia é apenas um exemplo.  

publicado por victorangelo às 22:11
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04
Abr 15

As caminhadas quase diárias no parque perto de casa põem-me frequentemente em contacto com uma categoria especial de funcionários da comuna onde vivo. Trata-se de um corpo de vigilantes (“gardiens de la paix”) que percorre, em grupos de três ou quatro, os caminhos do parque e as ruas da localidade. Fazem-no a pé, fardados com umas vestimentas roxas, mas sem armas nem outro meio de comunicação que não seja o telemóvel.

A sua utilidade levanta muitas dúvidas. Servem para assinalar aos serviços de recolha competentes casos de lixo abandonado em lugares públicos e colocar uns folhetos nos carros dos moradores, com uns conselhos básicos sobre a segurança pública, as precauções a tomar para evitar roubos e arrombamentos, e pouco mais.

O factor dissuasor, que é um argumento utilizado pelas autoridades municipais, é insignificante. Quando muito, leva os donos dos cães que passeiam no parque, quando se apercebem ao longe que esses guardas andam pelas paragens, a prender os animais com a trela, uma regra obrigatória mas pouco cumprida.

No total, são 75 postos de trabalho, para uma população residente de cerca de 130 mil pessoas.

De início, costumava criticar o esquema, que mais não seria que uma forma hábil de dar emprego a pessoas que o não tinham. Agora, com o tempo, habituei-me a aceitar esse grupo de funcionários. Parte da minha tolerância vem do reconhecimento que muito daquilo que fazemos tem pouca utilidade social e é apenas uma maneira mais de ganhar a vida. Com alguma dignidade, que é isso que importa.

A idade também me ajuda a aceitar melhor o faz-de-conta, desde que ele se aplique apenas aos que não têm poder nem meios de sobrevivência.

publicado por victorangelo às 19:42
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14
Jun 13

Anda por aí uma assanhada discussão sobre a classe média. No essencial, tudo parece girar à volta dos ataques que o governo estaria a fazer contra essa classe. Daí resultaria um definhamento acelerado da classe média portuguesa.

 

Não há, todavia, acordo sobre os parâmetros que definiriam a classe média. Nem sobre o nome que se deve dar à classe abaixo da classe média: classe trabalhadora ou proletariado – este termo caiu em desuso?

 

O que parece indiscutível é que o empobrecimento da população portuguesa chegou agora àqueles que estavam habituados a uma vida com certas folgas e que não eram atingidos pela precariedade do emprego e dos rendimentos. Eram essas as duas características que os levavam a pensar que pertenciam à classe média. Ou seja, a crise fê-los descobrir aquilo que muitos outros cidadãos, os pobres e os sem-recursos, já sabiam de há muito. Tem sido um choque tremendo.

A experiência diz-nos que quando os que se consideram “classe média” se vêem em risco de pobreza tudo pode acontecer. É que para muita gente da classe média, a pobreza só pode ser aceite quando são os pobres, os debaixo, a experimentá-la. 

publicado por victorangelo às 20:16
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30
Dez 12

Pessoa amiga fez-me chegar este texto, que faz referência uma pesquisa que publiquei, em 2007, com Rui Flores, sobre a África Ocidental. 

 

Creio que vale a pena recordar esse trabalho. Para isso, comecem por ver este artigo:

http://misosoafrica.wordpress.com/2012/05/30/solo-de-vez-en-cuando-el-narcotrafico-parece-preocupar-a-los-duenos-de-la-onu-de-la-ue-y-del-cplp/

publicado por victorangelo às 11:41
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22
Out 12

Roberto é o dono do restaurante que se encontra perto da casa de Bruxelas. Homem originário da Sicília, que saiu da terra para procurar as oportunidades que a sua ilha natal não lhe podia oferecer, é um excelente cozinheiro, um chefe com certificação profissional que oferece qualidade e pratos clássicos fora do habitual. Tudo a um preço razoável, numa cidade como esta, 25 euros a ementa completa de três pratos, tendo em conta o nível do estabelecimento e a sofisticação da cozinha. Tem porta aberta há muitos anos e uma imagem de marca que é bem conhecida.

 

Dizia-me hoje que no último ano tem havido uma quebra significativa do numero médio de clientes por dia. Passou a ser impossível fazer previsões. Certos dias, aparece um bom número de pessoas, noutros, as mesas ficam tristes. Uma parte importante da clientela era constituída por quadros de empresas e gente que vinha por um ou dois dias a reuniões a Bruxelas. Esse tipo de fregueses quase que desapareceu. Outros clientes habituais passaram a vir menos, sobretudo os casais mais jovens, na casa dos trinta e inícios dos quarenta anos. Acrescentou que no mercado abastecedor dos restaurantes e hotéis se nota igualmente uma quebra da actividade. Pudera, pois só no mês de Setembro fecharam, em toda a Bélgica, à volta de 30 restaurantes e negócios equivalentes por dia. 

 

Há menos actividade, menos dinheiro e muita incerteza no ar. Tudo isso tem um impacto. 

 

Roberto decidiu acrescentar uma nova linha de actividade ao seu negócio: fazer comida para fora, para jantares e festas de pequenos grupos. Faz e leva ao local. Para os clientes fica mais em conta, pois não têm que despender somas importantes com os excelentes vinhos sicilianos que Roberto serve no seu restaurante. 

 

Lembrei-me, então, de alguém, que vive na comuna mais rica da cidade, em Uccle, e que teve a ideia de começar a fazer sopa para vender a quem esteja interessado e lhe bata à porta. Não sei se a ideia veio de uma pessoa já reformada. Mas a verdade é que os reformados dessa zona acham a ideia excelente. Lá vão, ao fim do dia, comprar a refeição da noite. Por comodidade, diriam, que na comuna não existem muitos problemas de dinheiro...

publicado por victorangelo às 21:21
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01
Set 12

Depois de bater com o nariz na porta de vidro da entrada P-2 do Corte Inglês, tendo ficado atordoado e febril durante umas horas, que a porta finge que se abre, mas são apenas as laterais que o fazem, prometi que nos próximos dias deixaria de me encontrar com os amigos que se sentem deprimidos, que apenas falam da crise, do governo, dos pulhas dos partidos, da política e da comunicação social, e do pessimismo que os anima. É que isso me deixa taciturno e me faz esquecer as portas que nunca se abrem. 

 

Para meu azar, logo pela manhã, a primeira coisa que fiz foi descer ao rés-do-chão para comprar o jornal, e sou apanhado numa discussão sobre o estado da justiça. Uma mulher de aspecto simples queixava-se alto e bom som da falta de justiça, com um caso pendente contra o ex-marido que nunca mais se resolve. A empregada da papelaria vira-se então para mim e pergunta: o senhor está de acordo, não é verdade, que a justiça no nosso país é apenas uma fachada e só serve para os ricos? 

 

Saí de lá pronto a bater com o nariz noutra porta de vidro invisível. Ou, dito de outro modo, é mesmo difícil não andar a bater com a cabeça nas paredes de vidro.

publicado por victorangelo às 20:29
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13
Abr 12

A Guiné-Bissau está de novo numa fase de crise aguda. A violência latente voltou a explodir.

 

Um dos resultados desta nova explosão: a comunidade internacional, incluindo a União Europeia, está farta das repetidas crises na Guiné. O risco de ver a comunidade internacional perder a esperança numa transição democrática nesse país é cada vez maior. 

publicado por victorangelo às 20:39
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22
Fev 12

No dia em que foram mortos, em Homs, na Síria, dois jornalistas internacionais, Marie Covin, uma mulher de grande coragem, correspondente de guerra veterana, e Rémi Ochlik, um jovem de 28 anos, mas já com vários prémios no currículo, a discussão sobre uma possível intervenção militar estrangeira tornou-se mais intensa. Uma operação desse tipo, diria quem sabe, está fora das hipóteses. Mesmo uma operação com objectivos muito limitados, por exemplo, o estabelecimento de zonas de protecção de civis, é impossível, nesta fase e imprevisível, no futuro. 

 

O que é possível é o treino, acompanhamento e o fornecimento de meios aos grupos armados que se opõem a Assad. Essa parece ser uma via que está a ser explorada por alguns países, os suspeitos do costume. 

 

Mas, para a comunidade internacional, a questão fundamental mais urgente é a de pôr fim à violência contra civis. Como o conseguir? Como chegar a um acordo? Por onde começar?

 

Este tem que ser o ponto de partida para as negociações entre os principais actores internacionais. Sem mais demoras.  

publicado por victorangelo às 21:22
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07
Dez 11

Os jornais escrevem hoje que o antigo PM de Portugal disse, recentemente, numa sessão pública, em França, que pagar a dívida é "coisa de crianças". Como se trata de uma personalidade que esteve seis anos à frente do governo do nosso país, eu não queria acreditar que tal afirmação tivesse sido proferida. Seria de uma irresponsabilidade sem limites, que só agravaria a posição externa de Portugal, que já não é das melhores.

 

Procurei na blogosfera que sempre defendeu o antigo PM e não encontrei qualquer referência ao assunto. Procurei declarações do partido que o PM dirigiu durante anos e também não vi qualquer menção de esclarecimento. 

 

Fiquei mais descansado.

 

Pelo sim, pelo não, fui ver o vídeo sobre o assunto. É um filme de má qualidade. Na penumbra,  ao fundo de um anfiteatro, aparece um homem sentado, com uma voz que poderia ser reconhecida, mas quem pode estar seguro, a dizer umas coisas estranhas, incluindo essa sobre as crianças e sobre estudos de teoria económica.

 

Que pena a qualidade da imagem ser tão ruim. Não dá para entender.

publicado por victorangelo às 21:38
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