Portugal é grande quando abre horizontes

16
Jun 16

Desde inícios de 2016, os mercados europeus de capitais - as principais bolsas no espaço da UE - já perderam mais de 14% do seu valor. Uma boa parte dessa perda teve lugar nos últimos dez dias, após ter ficado claro que a saída do Reino Unido da União Europeia poderá vir a acontecer. Só a bolsa de Londres viu desaparecer no vazio, ou evaporar-se no buraco escuro que sempre ameaça as operações financeiras, cerca de 30 mil milhões de libras, nas duas últimas semanas. Há quem diga que a quebra já está feita e que pouco mais haverá ainda a perder. Penso que não. Defendi essa posição hoje em Genebra. E acrescentei que uma desvalorização a curto prazo da libra, se o voto for pela saída, poderá acrescentar mais 15% de prejuízos a quem esteja exposto a essa moeda. E mais haverá.

publicado por victorangelo às 19:00
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16
Mai 16

A imigração é uma das grandes questões que a UE tem de resolver sem mais demoras. É fundamental chegar a uma posição, definir uma política, que seja de facto comum, ou seja, aceite pelos governos e pelas opiniões públicas dos estados membros. Essa política deve ter em linha de conta que a prioridade é a de manter a união, a coesão da UE, o que na realidade implica que se adopte um denominador comum. Esse denominador pode ser mais ambicioso do que possa parecer, se alguns dos estados se comprometerem a aceitar uma proporção mais elevada de imigrantes, sob certas condições e com base em certas restrições. Tudo isso deve ser negociado a sério e em pé de igualdade. É igualmente importante fazer a diferença entre imigrantes e candidatos ao estatuto de refugiado. São duas situações completamente diferentes.

 

A Comissão Europeia deveria de imediato elaborar as bases de uma proposta de solução, que seria depois discutida pelos representantes dos países da União. Formular um projecto sem demagogias. Sem propor soluções que o não são. Sem tentar lançar poeira para os olhos de ninguém.

 

Jean-Claude Juncker tem que tomar a iniciativa. E fazer, nos próximos dias, ou tão brevemente quanto possível, uma apresentação ao Parlamento Europeu das linhas gerais dessa proposta. Cabe-lhe responder ao desafio histórico que é o de mostrar liderança e clarividência nesta matéria.

 

publicado por victorangelo às 20:38
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01
Mar 16

Imigração e refugiados

Cimeira da Áustria sobre o corredor dos Balcãs 23/2; Países do Visegrado não foram convidados, nem a CE, nem a Alemanha e a Grécia. O governo austríaco tem medo das próximas eleições gerais. Estabeleceu um regime de quotas que limita de modo drástico o número de refugiados.

Cimeira com a Turquia: 07/3. Viktor Orban é contra o acordo

Calais: o campo está a ser demolido. Impacto sobre a Bélgica

A imigração para o Reino Unido em 2015: resultado líquido de 320 000 novos imigrantes

Sem solidariedade europeia não haverá solução comum. Sem solução comum não há solução. Ora, a verdade é que cada vez há menos solidariedade.

Não se pode falar em “desorientação”, não há desnorteamento. Vários países dão uma resposta nacional e não acreditam pura e simplesmente numa solução comunitária, europeia. É visto como um problema nacional, com fortes implicações eleitorais.

Para muitos, ou se tomam medidas limitadoras ou então a extrema-direita ganha o poder. Será assim?

Noutras épocas históricas uma situação tão grave como esta já teria levado a confrontações armadas entre os países europeus, entre estados vizinhos.

Schengen tem agora 20 anos de aplicação. Esta é a sua maior crise existencial

Que respostas são possíveis? Têm que ser várias e combinadas:

            Mudar a narrativa e torná-la mais positiva, incluindo na narrativa respostas aos receios colectivos?

            Suspender Schengen por dois anos? Não

            Estabelecer os hotspots na Grécia? Ou noutro país?

            Cooperar com a Turquia?

            Criar uma Agência Europeia de Fronteiras e de Guarda-Marinha?

            Responder às questões de segurança e de luta contra o terrorismo de modo conjugado?

            Criar um mini-Schengen?

            Sanções contra os Estados que não cooperam? Cortar parte dos subsídios? Será possível?

publicado por victorangelo às 20:30
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26
Out 15

Será mesmo verdade o que certos líderes andam a dizer nas ruas que conduzem às cimeiras de Bruxelas? Ou seja, que a União Europeia está à beira de uma crise existencial profunda. Será mesmo assim?

publicado por victorangelo às 20:38
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18
Jun 13

Almoço para dois, 38 euros, no total, com cerveja e café incluídos, na Place d’Armes, no centro da cidade, num dia quente, que 33 graus no Luxemburgo é muita temperatura. As esplanadas cheias, claro, a cidade com um ar despreocupado, que andar nas ruas da velha urbe ducal é como tomar um calmante que faça esquecer a crise no resto da União. De facto, faz bem passear, de vez em quando, fora das preocupações que limitam e fecham os quotidianos cinzentos e exaltados.  

publicado por victorangelo às 21:11
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18
Fev 13

Acabei por caminhar mais de seis horas. Paris é assim. É um encanto, em termos de arquitectura, espaço e gente. Sobretudo num dia lindo de sol como o de hoje. Nas grandes avenidas, ou nos bairros, nas zonas residenciais – passei uma boa parte do dia a percorrer o XV arrondissement – respira-se uma maneira de viver que nos faz esquecer a crise. E caminha-se, caminha-se, quer-se ver mais e mais. 

 

Mas, cuidado. É uma atmosfera enganadora, claro, pois quem queira observar com uma atenção mais apurada, nota que se consome menos, que há mais recato nas despesas, que se aproveita mais o que é grátis, como os jardins públicos, os passeios nos grandes boulevards, a paisagem monumental e humana. Mesmo assim, um longo passeio em Paris faz esquecer as mentes pequeninas e as crises grandes. 

publicado por victorangelo às 20:53
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10
Jan 13

Escrevo hoje na Visão sobre a União Europeia. No final do texto, afirmo que sem resultados concretos ao nível do emprego, os cidadãos europeus não darão um cêntimo de credibilidade aos líderes políticos. 

 

Vou citar:

 

Dizem-nos que saímos de 2012 com uma Europa mais reforçada. Mencionam, para o demonstrar, as decisões relativas à ajuda à Grécia, que evitaram a ruptura, um euro mais estável, a adopção da regra de ouro quanto ao limite constitucional dos défices orçamentais, que acaba de entrar em vigor, bem como a decisão de avançar com a supervisão dos maiores bancos. Tudo isto é verdade. Esconde, no entanto, uma Europa mais dividida, em que uns mandam e outros alinham o passo, incluindo a França do fraco Hollande, bem como os perigos relacionados com a deriva antieuropeia do governo conservador britânico. E deixa-nos muito cépticos: enquanto não se registarem melhorias significativas ao nível do emprego, não haverá confiança, nem na recuperação, nem nos líderes, nem na Europa. 


O texto está disponível no link seguinte:

 

http://tinyurl.com/amnrgc5


Conto com a vossa leitura do texto completo. 

publicado por victorangelo às 20:23
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08
Dez 12

Os leitores da conhecida revista The Economist pensam, no dia de hoje, que a crise ainda não está resolvida. Segundo uma sondagem em linha, 62% têm essa opinião. 

publicado por victorangelo às 21:21
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29
Nov 12

Quando me desloco ao Luxemburgo, o hábito é almoçar no restaurante La Boucherie, no centro da cidade, na Place d’Armes.

 

No passado, arranjar mesa era uma questão de sorte, empurrado para um canto de uma das salas, tudo cheio, ou então, fazer uma refeição mais tarde, já perto das 14:00 horas. Este ano, as coisas estão diferentes. Das duas ou três vezes que lá fui, notei que a casa funciona a meio gás. Escolhe-se a mesa que se quer e os empregados dizem muito obrigado. Os jovens quadros, das empresas financeiras e dos bancos que definem esta parte cidade, desapareceram da Boucherie e dos outros restaurantes das redondezas. Muitos talvez até tenham perdido os seus empregos. Mas a maioria come agora de pé, na rua, depois de ter comprado uma sandes, que têm aliás um excelente aspecto. Não será, todavia, por razões de aspecto…

 

Nesta última visita dei comigo a pensar que afinal havia muita gente por essa Europa a viver acima das suas possibilidades…

publicado por victorangelo às 16:48
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17
Out 12

A entrevista de Francois Hollande, sobre a Europa, que hoje foi divulgada em cinco jornais europeus de referência, precisa de ser estudada com cuidado. Nestas coisas, nunca é bom chegar a conclusões com base na aparência das palavras ditas. Voltarei, por isso, ao assunto. O que é verdade, desde já, é que a entrevista mostra existirem profundas divergências entre Paris e Berlim, no que respeita às soluções a preconizar para resolver as diferentes crises europeias. E que a cimeira da próxima semana não vai conseguir resolver. Será mais uma cimeira inconsequente. Isto é, logo à partida, uma má notícia para certos países, entre os quais Portugal. 

 

Também é uma má notícia perceber-se que os políticos portugueses não conseguem ter uma posição estratégica comum, que lhes permita negociar com clareza e medida com o resto da Europa. Para dizer a verdade, até parece mesmo que não têm posição alguma, quando se trata de abordar os nossos interesses num contexto europeu. 

publicado por victorangelo às 22:29
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