Portugal é grande quando abre horizontes

22
Mar 17

Publico hoje na Visão on line uma reflexão sobre os sessenta anos da UE. O texto procura abordar esta questão, que é bem complexa, pela positiva. Para bater no projecto comum já por aí há gente que chegue.

O link é o seguinte:

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publicado por victorangelo às 19:56
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13
Mar 17

A Holanda está no centro das atenções.

A crise com a Turquia parece-me ter sido uma provocação deliberada. O Presidente Erdogan sabia que este era o último fim-de-semana, antes das eleições legislativas holandesas de 15 de março. Sabia igualmente que, durante um período como este, nada é inocente. Sobretudo quando questões identitárias, nacionalistas e anti-imigração islâmica estão no centro do debate político, como é o caso nos Países Baixos. Planear acções de campanha na Holanda, lideradas por ministros vindos de Ancara, com vista ao referendo turco, um referendo que só terá lugar a 16 de abril, nas vésperas de uma consulta tão melindrosa como a holandesa, só poderia ter como objectivo criar dificuldades adicionais aos moderados holandeses e dar pretextos aos extremistas que apoiam Geert Wilders.

Este é um jogo muito perigoso.

Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês, respondeu com firmeza e dentro dos limites. Mas ninguém sabe qual terá sido o impacto da provocação sobre as intenções de voto.

Veremos na quarta-feira. E estaremos sobretudo atentos aos resultados quando comparados com as sondagens. Serão um barómetro. Se se notar que a votação em Wilders é muito superior às previsões, deveremos ficar muito preocupados. Estaremos, então, perante uma situação que se poderá repetir em França: eleitores que votam pela extrema-direita, mas que permanecem calados durante os inquéritos de opinião. Ou que apontam num sentido, por medo da crítica social, mas disparam noutro, e claramente em apoio dos fascistas.

 

publicado por victorangelo às 20:29
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27
Fev 17

Vivemos num período de trapalhadas políticas, de lideranças medíocres e de oportunismos descarados. Não será pior do que noutros períodos da história recente, dizem alguns. Não sei se têm razão. Sei apenas que os casos de incompetência e de corrupção se sucedem, aqui e noutros países da Europa. Veja-se o caso Fillon, em França. Ou a enorme rede de abusos de poder na região belga da Valónia, em que certos dirigentes políticos se aproveitaram dos seus cargos para se fazerem nomear – e aos seus acólitos – para a administração de dezenas de empresas públicas, regionais e municipais. Alguns presidentes de câmara ocupavam, em simultâneo, até 30 lugares em diversos conselhos de administração, tudo remunerado mas sem que houvesse uma qualquer prestação efectiva de trabalho.

Em Portugal, as listas de arguidos aumentam todas as semanas. Gente que fora dada como boa está agora com um processo às costas. É verdade que muitos desses processos passam anos a marcar passo. E ficam depois em águas de bacalhau. Mas, entretanto, serviram para desacreditar ainda mais as nossas elites políticas e dos negócios. E isso é meio caminho andado para a germinação do populismo.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:44
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25
Jan 17

Os ditadores são como os loucos: não têm dúvidas. Acham-se detentores das muitas verdades que compõem a vida dos cidadãos e tomam decisões cortando a direito, sem olhar para as objeções dos outros. Agem como se não houvesse alternativas. Ora, estas são hoje uma das características dos tempos modernos.

O único problema que encontram é que nas nossas sociedades democráticas uma grande maioria das pessoas vive no século XXI e já não vai em conversas de totalitários iluminados. Uma parte das gentes não aceita uma leitura retilínea da política, ou seja, ideias redutoras, brutas e simplistas. No século XXI, mais tarde ou mais cedo, os ditadores de toda a espécie acabarão, como aconteceu com os seus antecessores no século passado, por bater estrondosamente no muro multiforme da resistência popular.

A diferença em relação ao passado é clara: agora tudo se passa muito mais depressa. O câmbio dá-se de uma forma acelerada. O que demorava anos e anos a mudar, há duas ou três gerações atrás, muda agora a curto prazo. E os ditadores vão à vida, deles, deixando a nossa em paz.

Ou estarei equivocado?

publicado por victorangelo às 22:05
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21
Jan 17

Os partidos da extrema-direita europeia sentem-se animados. Acham que as vitórias do Brexit e de Donald “Adolf” Trump são reveladoras de uma dinâmica tipo avalanche, que irá levar outros extremistas ao poder. Olham para as próximas eleições, na Holanda, França e Alemanha, e já vêem os seus no poder. Foi esse aliás o ambiente que se viveu em Koblenz, na reunião dos fascistas europeus que aí teve lugar. Curiosamente, são todos muito nacionalistas, mas isso não os impede de se aliarem, na busca da conquista do poder. Unidos hoje, em guerra amanhã, poderia ser o seu mote de campanha. Tudo em nome do povo, como conceito mítico, capaz de enganar os tolos e de mobilizar os caceteiros do patriotismo.

Perante isto, digo uma vez mais que a luta que temos pela frente, em vários cantos da Europa, é um combate sem tréguas e sem papas na língua contra os fascistas. Koblenz recorda-nos isso hoje, tal como o discurso inaugural de Trump o fez ontem.

 

publicado por victorangelo às 16:46
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07
Jan 17

Hoje a escrita tem que ser de homenagem a Mário Soares. Foi certamente um homem grande na história recente de Portugal. Um lutador pela liberdade. Nesta altura, é isso que deve ser sublinhado.      

 

publicado por victorangelo às 19:50
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04
Jan 17

2017: Fazer renascer a esperança

Victor Ângelo

 

Esta é altura do ano ideal para quem vende bolas de cristal. Os políticos, os cronistas, os opinantes de diversos tamanhos, credos e feitios, e mesmo o meu amigo João, que é um doente obsessivo das redes sociais, andam todos a prever as desgraças do novo ano. E o mais interessante é que parece que adquiriram as suas bolas de cristal no mesmo fornecedor, talvez um ousado empreendedor asiático, com loja na zona do Martim Moniz em Lisboa.

Assim, quando olho para a Europa na perspetiva de 2017, sinto que faço parte do clube. Só que a minha bola é outra. Não diz respeito a previsões, mas sim ao que deve ser o foco da política europeia no ano que agora começa. E a resposta é clara: a prioridade absoluta deve ser a de combater a extrema-direita, nas suas diversas manifestações populistas e ultranacionalistas. As demagogias têm vários matizes, nos diferentes Estados da UE. Mas o verdadeiro perigo vem dos extremistas de direita, das novas manifestações de fascismo que se organizaram em movimentos políticos, em países importantes para o futuro da Europa. A luta política em 2017 tem que se concentrar na denúncia desses partidos e dos que ingénua ou propositadamente lhes fazem a cama.

Em França, significa contribuir para a derrota das ambições presidenciais de Marine Le Pen. É na França que encontramos o maior risco e é aí que se deve concentrar uma boa parte do combate político. Nos Países Baixos, trata-se de impedir que o racista Geert Wilders, que irá provavelmente ficar à frente nas eleições legislativas de Março, venha a fazer parte da próxima coligação governamental na Haia. Na Itália, a coisa é mais complicada. Na realidade, o primeiro passo consiste em impossibilitar a vitória eleitoral do Movimento 5 Estrelas. Se isso acontecesse, e como certamente se trataria de uma vitória parcial, insuficiente para que formassem governo sem outros apoios, esses confusos básicos teriam que procurar um acordo com gente próxima, o que significaria muito presumivelmente os fascistas agrupados em torno da Liga Norte. Uma aliança desse género representaria, para além das convulsões internas italianas, uma ameaça muito séria para a estabilidade da UE.

Mais ainda, não convém esquecer o que se passa na Polónia e na Hungria. Os governos destes países são manifestamente de tendência ultraconservadora e perigosamente autoritários. Cabe à opinião pública europeia e às instituições comuns apoiar a luta da maioria da população polaca, que se opõe às medidas reacionárias e liberticidas da minoria no poder em Varsóvia. Como também não podemos baixar os braços perante as derivas xenófobas de Viktor Orbán, o homem forte em Budapeste. Orbán é um mau exemplo, que precisa de ser isolado. E não se trata apenas do seu impacto negativo no funcionamento das instituições e na implementação dos valores europeus. O líder húngaro representa, igualmente, uma ameaça para as relações de boa vizinhança numa parte da Europa que continua a manifestar várias fragilidades sociais e económicas.

A extrema-direita europeia pesca nas águas poluídas pelas verborreias contra a Europa, os imigrantes, as elites de todo o tipo e a falada corrupção dos políticos tradicionais. Alimenta-se da insegurança e dos sentimentos de injustiça, desigualdade e desânimo dos cidadãos e da exaltação simplista e distorcida da história de cada povo. É perita em criar ódios, inimigos e papões, contra os quais haverá, em seguida, que mobilizar as forças patrióticas da nação. É a artimanha que consiste em inventar um inimigo e depois concentrar todo o fogo na sua destruição. Neste momento, o euro, Jean-Claude Juncker e o islão servem bem esse estratagema e são os ogres a abater.

Por comparação, os populistas da extrema-esquerda são uns meros meninos de coro. Na maioria dos casos, não vale a pena perder tempo com eles em 2017. Todavia, há que estar atento. A sua agenda tem pontos que coincidem com os dos fascistas. E nessa altura, há que ser franco e chamar as coisas pelos nomes. Sem hesitações, sem medos, com argúcia e uma agenda que crie esperança no futuro. Na verdade, na Europa de 2017 estão em causa a democracia e a prosperidade de todos nós.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 17:47
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29
Nov 16

Alguém perguntava hoje, num diário de Lisboa, se podemos “pôr no mesmo saco os radicalizados à esquerda e à direita”. A pergunta vinha no seguimento de um texto sobre o populismo, com uma referência especial ao ensaio que Jorge Sampaio publicou recentemente sobre esse tema.

Independentemente da posição defendida no artigo, que não quero comentar, deixo aqui expresso que a minha resposta sobre esta questão do populismo não é escrita a preto e branco. Há aqui vários matizes, mas o que importa é a versão radical.

O combate contra o populismo radical tem como finalidade evitar que os seus expoentes se aproveitem dos mecanismos democráticos para conquistar o poder e impor, de seguida, uma visão unidimensional, redutora e opressiva da gestão política. Assim, se os extremistas de direita, como é o caso de Marine Le Pen, estiverem próximo de ganhar as eleições, o combate é contra eles. As diferentes facetas da luta política, incluindo as alianças partidárias, deverão, nesse caso, servir para atingir o objectivo que é o de impedir que esses extremistas cheguem ao poder.

E o contrário também é verdadeiro.

Dito isto, é sempre bom lembrar que um radical é sempre um radical e um grande perigo político. Um radical é contra a liberdade de pensamento, pois está convencido até ao tutano que detém a verdade absoluta e por isso, não aceita opiniões diferentes. Um radical não aceita a diversidade que existe nas sociedades modernas. Não quer entender que a democracia é um sistema que procura gerar equilíbrios entre diferentes interesses e sensibilidades. Também não entende que no século XXI cada país faz parte de um xadrez internacional de alianças políticas e de relações económicas. O extremista não tem uma visão global do presente. Vive numa realidade imaginária.

Num mundo complexo como o de hoje, todos os extremismos são condenáveis e inaceitáveis.

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:37
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24
Nov 16

Assisti ao debate entre François Fillon e Alain Juppé. As perguntas dos três jornalistas que dirigiram a sessão exigiram, muitas vezes, respostas muito pormenorizadas, explicações detalhadas dos planos de cada um dos dois candidatos. Isso mostrou que o Presidente da República Francesa é, na verdade, um líder executivo, com muito poder, e não apenas um dirigente que traça as grandes opções políticas. Perante isso, é evidente que o papel de um primeiro-ministro francês é relativamente subalterno. Tem, antes de mais, a responsabilidade de garantir a boa execução das decisões do presidente. E, em segundo lugar, é uma espécie de almofada, que vai recebendo os murros e pontapés que a política do seu chefe motivar. E foi isso que François Hollande não conseguiu. Em vez de utilizar Valls como saco de boxeio, pôs-se a jeito e deixou que lhe batessem directamente. Agora não se pode queixar das dores.

 

publicado por victorangelo às 21:34
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23
Nov 16

Não me parece estratégico falar de populismos de um modo indefinido. O verdadeiro risco, a ameaça em vários países europeus, provém da extrema-direita. É essa gente que tem a possibilidade de chegar ao poder, se os contextos nacionais e europeu continuaram a não responder às ansiedades de uma boa franja dos eleitores. Por isso, o combate político deve ter como alvo principal esses movimentos. E deve ser feito de modo amplo, em aliança com todos os que se opõem ao ressurgimento das ideias xenófobas, racistas e fascistas.

publicado por victorangelo às 19:33
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