Portugal é grande quando abre horizontes

05
Jun 17

Tratar o relacionamento estratégico da UE com os EUA com base numa situação política acidental e excepcional, ou de um modo contabilístico, com cifrões de um lado e do outro, seria um erro. Como também não é prudente nem acertado abordar de modo superficial e mediático as divergências políticas que agora surjam.

Ser firme e razoável é saber dizer que não, quando necessário, mas sem ruídos inúteis, e explicar bem a posição que nos parece mais acertada. A defesa dos nossos valores e interesses não se resolve por meio de polémicas que apenas servem para alimentar os títulos e as letras gordas da comunicação social. Ou, para a selfie do momento.

publicado por victorangelo às 22:05
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25
Abr 17

Para celebrar o dia, publiquei esta manhã um tweet em que afirmava que “a liberdade e a seriedade do diálogo são as pedras angulares na construção de país próspero e justo”.

Assim o creio.

É fundamental que os cidadãos vivam num clima político e social que lhes permita expressar livremente os seus pontos de vista e, quando necessário, lutar pelas opções colectivas que lhes pareçam mais apropriadas para o bem comum. Tudo isto sem receios, sem outros limites que os da tolerância e da decência.

A opressão é a principal inimiga da natureza humana.

Portugal é hoje um país livre de totalitarismos. E assim deve continuar.

Por outro lado, uma sociedade moderna deve necessariamente assentar no diálogo entre as várias correntes de interesses. Não há nações monolíticas. Nem se aceitam vanguardas iluminadas. A unanimidade não constitui um valor desejável. A força e o dinamismo de um país provêm da confrontação pacífica das ideias e do bom funcionamento das instituições representativas.

Nestes domínios do debate de ideias e das instituições ainda temos muito caminho para percorrer, apesar dos progressos alcançados. Não o reconhecer significaria que não se aproveitou o dia para reflectir sobre o que somos e o que temos que continuar a construir.

 

publicado por victorangelo às 20:08
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10
Set 14

Este é quarto mês de setembro que me apanha em Riga. Desta vez, os factos que se vivem na região levam-nos a um tipo de preocupações diferentes: como ultrapassar a confrontação actual e voltar a um relacionamento nesta parte da Europa que tenha em conta os velhos princípios da Acta Final de Helsínquia de 1975 – sim de há quase quarenta anos – sobre a cooperação e a segurança na Europa. A Europa dos conflitos e do poder do mais forte é algo que não deveria ter futuro no nosso continente. Quem pense o contrário está fora do seu tempo, raciocina como um agressor e deve ser clara e firmemente denunciado. Mas a denúncia não pode ser feita de modo a fechar as portas. Deve ser argumentada com serenidade e acompanhada de um convite ao diálogo.

 

É verdade que em política, na interna e na externa, dá mais votos bater no adversário. O contrário não anima as hostes, não dá entretenimento e deixa a impressão de frouxidão. A política, em muitos aspectos, continua a ser, acima de tudo, um espectáculo para as massas.

publicado por victorangelo às 18:57
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10
Mai 14

Na conferência “Rotas de Abril”, que teve lugar ontem e hoje por iniciativa do Presidente da República, Cavaco Silva disse que, em democracia, “a cultura do compromisso é essencial”. Essa frase segue-se à constatação que fizera que “ a cultura do compromisso, que predomina na maioria dos países da União Europeia, tem tido dificuldade em instalar-se na nossa democracia”.

 

Não estarei muitas vezes de acordo com o desempenho político do Presidente. Acho, no entanto, que fez bem em frisar a importância do compromisso na vida política democrática. Sem compromissos não há acordos entre as diferentes correntes de opinião e sem acordos não há governação possível.

Convém também acrescentar que os compromissos nem sempre se fazem com os amigos políticos. Muitas vezes, sobretudo em alturas de crise nacional, os pactos têm que ser feitos entre adversários e, por vezes, entre inimigos.

 

Mas, para que isso aconteça temos que ter actores políticos à altura. Gente que seja capaz de ultrapassar os seus receios e interesses individuais e colocar o interesse nacional acima de tudo.

 

É isso que parece faltar hoje em Portugal.

 

Temos muitos que são óptimos na promoção das hostilidades entre sectores de opinião, entre correntes partidárias. Fizeram disso o seu ganha-pão. E a comunicação social dá-lhes projecção, porque o barulho e a violência vendem mais. Assim se transforme pequenez em fama, ruído em tomadas de posição sem fundamento.

 

Há aqui um grande desafio por resolver.

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:57
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10
Mar 14

A crise na Ucrânia tem despertado toda uma série de reacções emocionais. Os colunistas que escrevem sobre o assunto fazem-no, em geral, de forma exaltada, cem por cento a favor de uns e cem por cento contra os outros. Os intelectuais de esquerda, por exemplo, esquecem-se dos interesses em jogo e passam o tempo a demonizar os novos dirigentes e a defender a Rússia. Como se a Rússia de Putin fosse a Rússia dos sovietes, a Europa a vanguarda do imperialismo internacional e os líderes ucranianos uns rebentos tardios do nazismo de outrora. A direita, por seu turno, procura humilhar os russos a qualquer custo e fazer de Putin o derrotado desta história.

 

Estas visões estreitas e sectárias de uma realidade bem complexa acham que a confrontação deve ser a chave do problema. Assim se cria uma atmosfera favorável à violência. Por isso, a posição mais correcta, neste momento, é a que procura acalmar o jogo e sublinhar que a falar é que todos se entendem.

publicado por victorangelo às 19:40
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25
Dez 13

No dia de Natal convém combater o facciosismo. Há por aí muitos sectários. Muita gente a ver a realidade por um só prisma, o seu. Tudo o que se diz, comenta ou escreve a partir da posição ou campo que defendem, está sempre certo e é de imediato apoiado. O que é dito por outros, quem olham para as coisas a partir de uma outra lente ou com base numa outra posição partidária, é de imediato recusado. São gente que vê o país a preto e branco, e que tomam partido de modo monocolor.

 

Recuso essa maneira de ver as coisas. Oponho-me a uma sociedade de facciosos. Só leva à ruina.

 

É fundamental denunciar quem promove essa maneira de estar na vida pública.

 

Mas a primeira denúncia deve começar por nós. É que muitas vezes nós somos o intolerante que se ignora.

 

Não seria bom pensar nisso, num dia de Natal, sobretudo nas vésperas de ano que precisa de gente capaz de ultrapassar os arames farpados que nos separam?

publicado por victorangelo às 19:35
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19
Jan 13

Desde os meus tempos de Moçambique, na primeira metade da década de oitenta, sempre considerei Joaquim Chissano como um homem inteligente e sem papas na língua.

 

Hoje, na entrevista que dá ao Expresso, volta a mostrar que vale a pena prestar atenção ao que ele diz. Instado a falar sobre o futuro da CPLP, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o Antigo Presidente disse: ”Há quem veja na lusofonia uma maneira de perpetuar a nostalgia do império”.


Muitos irão achar que Chissano exagera. Que na realidade será contra Portugal e que esta afirmação resulta de pesadelos coloniais de que não conseguiu libertar-se. Seria um erro pensar assim, tentando diminuir uma posição que conta e que é, provavelmente, partilhada, embora nalguns casos subconscientemente, por outros líderes das antigas colónias.

 

Vejo muita verdade nessa opinião. Noto, com frequência, que vários dos que falam, em Lisboa, da lusofonia têm em mente a apologia de um passado que há muito que deixou de existir. Estão a tentar justificar uma ideia de grandeza que tem mais de lírico do que de real. A língua é importante não só quando é falado por milhões, mas sobretudo quando nos permite uma maior aproximação com os outros povos que, em certa medida, a partilham. A língua é um instrumento de comunicação. No caso da CPLP, o objectivo deve ser o de transformar o português num veículo de entendimento entre povos muito diversos, uns com raízes lusitanas, mesmo que míticas, outros com antepassados e valores bantus, e mais outros, como no caso do Brasil, com raízes complexas, misturadas, ou ainda, pensando em Timor-Leste, com os pés assentes numa variante da cultura malaia.

 

Conviria pensar nisto. 

publicado por victorangelo às 21:09
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17
Dez 12

O que se passa actualmente no Egipto, à volta do projecto de Constituição e dos direitos das minorias, da igualdade entre os homens e as mulheres e dos atentados à liberdade de participação na vida pública das ONGs, é preocupante.

 

 Convém dizer ao Presidente Mohamed Morsi, diplomaticamente mas com firmeza e sem ambiguidades, que o futuro da paz e da democracia no seu país não estará garantido enquanto estas questões não forem resolvidas.

 

E terão que ser resolvidas tendo em conta os princípios aceites pelas Nações Unidas e que se encontram gravados nas convenções internacionais.

 

A liderança egípcia e a Europa não podem deixar o país cair no caos.

publicado por victorangelo às 09:53
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14
Mai 11

 

Copyright V. Ângelo

 

Depois de uma semana de viagem pelas terras do Leste e Centro da Europa, e de ouvir dezenas de discursos e declarações, este Sábado de manhã faz-me pensar que continua a haver um défice de diálogo no seio da Europa e, igualmente, entre o Ocidente e a Rússia.

 

Como também há uma grande falta de serenidade no relacionamento político.

publicado por victorangelo às 08:44
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02
Mar 11

Passei umas horas, esta semana, a discutir com um dos conselheiros mais próximos do Presidente Medvedev. O homem, professor de ciências políticas e senhor de muitas viagens e estadias no Ocidente, é fascinante. Tem todos os truques da velha União Soviética, que combina com uma linguagem moderna, muito a favor da pluralidade de opiniões. 

 

No fundo, o que o Kremlin parece querer é claro: que seja tratado em pé de igualdade com o Ocidente, que seja visto como um parceiro de confiança.

 

Penso que o Ocidente, pelas informações que tenho, também gostaria de ter uma relação de confiança e de maior cooperação com a Rússia de hoje.

 

Mas a Rússia é ainda um grande mistério. Como todos os mistérios, faz algum medo. Mais ainda. O Estado de direito e a legitimidade democrática do regime são matérias que ainda apresentam um grande potencial de aperfeiçoamento...


Foi isso que tentei explicar ao conselheiro.  

 

Como os velhos hábitos morrem devagarinho, o meu interlocutor fingiu que não percebeu. E eu pretendi que, de facto, ele não havia entendido. O que me permitirá repetir a dose. O diálogo vai continuar. A relação é muito importante.

publicado por victorangelo às 22:30
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