Portugal é grande quando abre horizontes

22
Mar 17

Publico hoje na Visão on line uma reflexão sobre os sessenta anos da UE. O texto procura abordar esta questão, que é bem complexa, pela positiva. Para bater no projecto comum já por aí há gente que chegue.

O link é o seguinte:

goo.gl/h71KXm

publicado por victorangelo às 19:56
 O que é? |  O que é? | favorito

21
Mar 17

O programa desta semana do Magazine Europa, que hoje foi difundido pela Rádio Macau, interessa-se pelos 60 anos do projecto europeu. Faz referência à cimeira queterá lugar em Roma dentro de dias, a 25 de março, para marcar a efeméride. E entrevista a representante da UE para Hong Kong e Macau, a cidadã espanhola Carmen Cano.

Desta vez, os meus comentários abordam o futuro do projecto comum, numa altura de balanços e celebrações.

O link para o programa de hoje é o seguinte:

 

Magazine Europa (21 de Março de 2017)

 

publicado por victorangelo às 15:38
 O que é? |  O que é? | favorito

08
Mar 17

O programa desta semana aborda as questões da presidência do Conselho Europeu, as dimensões de defesa da UE, o Livro Branco apresentado por Jean-Claude Juncker e o papel da Agência para os Direitos Fundamentais.

O Magazine Europa continua a ser bem recebido pelos ouvintes de Macau.

Desta vez, o link é o seguinte:

Magazine Europa (7 de Março de 2017)

publicado por victorangelo às 15:06
 O que é? |  O que é? | favorito

12
Dez 16

Hoje é dia de voltar a dar os parabéns a António Guterres. O discurso que pronunciou na tomada de posse foi completo e claro. Tocou nas questões mais prementes, sublinhou bem e repetidamente a importância dos direitos humanos e explicitou as prioridades do novo Secretário-Geral.

A tarefa não será fácil. Para mais, a chegada a Washington de uma administração radical, e que aposta mais no confronto do que na diplomacia, não irá tornar mais leve a missão que Guterres tem pela frente.

O reforço da credibilidade da ONU e da sua centralidade – nos últimos tempos assistimos à tendência para empurrar as Nações Unidas para as margens sombrias dos grandes conflitos, um processo de subalternização que deverá ser travado e revertido – são duas preocupações que vejo como fundamentais.

Tenho a certeza que Guterres o entende da mesma maneira.

publicado por victorangelo às 19:56
 O que é? |  O que é? | favorito

29
Out 16

Estive recentemente em contacto com a imprensa turca. E fiquei enjoado. Os jornais e o resto da comunicação social transformaram-se em meros amplificadores das políticas inaceitáveis, obsessões e ambições perigosas de Erdogan. Parece que estão numa competição que procura mostrar qual deles consegue agradar mais ao líder. Na realidade, reflectem o clima de medo colectivo que se vive no país.

Para além da glorificação do Presidente da República, os outros dois temas abordados quotidianamente dizem respeito às conspirações recentes e em preparação, num clima em que imperam as alucinações e as teorias conspirativas, bem como à UE, que é sistematicamente atacada e ridicularizada .

Tudo isto faz pena e aumenta a distância entre a Turquia de Erdogan e a nossa maneira de viver a política e a vida.

publicado por victorangelo às 20:25
 O que é? |  O que é? | favorito

19
Ago 16

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Ajuda Humanitária. Uma data que nos lembra, acima de tudo, os enormes sacrifícios por que passam muitos dos trabalhadores humanitários no seu quotidiano. E que serve também para recordar os milhões de pessoas que vivem situações desesperadas e que precisam de ser ajudadas. Para a vasta maioria deles, é uma questão imediata de vida ou de morte. E é isso que define o trabalho humanitário e que o distingue dos programas de luta contra a pobreza: a urgência e os riscos imediatos de morte.

Na política internacional, o trabalho humanitário não tem o mesmo prestígio que o serviço político ou as questões de guerra e paz. Nem todos entenderão isso, mas a verdade é que assim é. Por isso, é importante que se fale mais, alto e bom som, sobre os esforços que muitos e muitos indivíduos fazem no desempenho das suas funções humanitárias.

Assim, hoje poderia ter sido um bom momento para contar umas histórias pessoais de portugueses que se têm distinguido nas acções humanitárias, em situações de extrema dificuldade, de grande stress físico e mental, de profunda insegurança. Infelizmente, a comunicação social passou ao lado. E sem caras, sem casos concretos, tudo isto parece distante e acaba por nos deixar indiferente.

 

 

publicado por victorangelo às 17:53
 O que é? |  O que é? | favorito

16
Jul 16

Os acontecimentos que marcam a actualidade sobre a Turquia são bastante preocupantes. Têm, por outro lado, implicações profundas e complexas na política externa da UE e no funcionamento da Aliança Atlântica. Falar de democracia e da preservação do estado de direito não chega. É, no entanto, muito importante.

publicado por victorangelo às 22:30
 O que é? |  O que é? | favorito

11
Mar 16

Um acordo insuportável

                Victor Ângelo

 

                Vamos assistir, na próxima semana, a mais uma cimeira da UE sobre os refugiados e imigrantes. Desta vez, o prato do dia será especialmente indigesto. Tratar-se-á de aprovar o projeto de acordo com a Turquia sobre a questão.

                Muito se tem dito e escrito sobre esse projeto, no essencial um documento proposto por Ancara e uma tábua de salvação lançada aos europeus, em que ninguém acredita de verdade. As medidas com alguma possibilidade de serem aplicadas são apenas as que beneficiam a parte turca. O resto é praticamente impossível de executar e não resolve os problemas que contam: a crise humanitária, a insegurança, a imigração ilegal, o crescendo xenófobo e a falta de unidade e solidariedade entre os estados da UE.

                Em resumo, os custos deste acordo são excessivamente elevados e os resultados demasiadamente incertos. Sem esquecer as implicações negativas de longo prazo que a aceitação, por parte da Europa, acarretaria.

                Vamos por partes.

                O pacto com o governo turco inspira-se na lenda de Fausto. Vendemos a alma, os valores e a reputação em troca de um alívio que mais não é que uma quimera. Com efeito, o ajuste não respeita os princípios básicos das Nações Unidas sobre refugiados. Curiosamente, isso acontece na mesma altura em que a Europa do Leste reivindica o lugar de Secretário-geral da ONU. Se eu fosse um candidato proveniente de um dos países dessa parte da UE ficaria com a impressão que as minhas hipóteses de eleição estavam a encolher…

                Também prejudica gravemente a imagem da Europa, enquanto guardiã e promotora da lei internacional, dos princípios humanitários, dos direitos humanos e da tolerância. Com que voz e autoridade se irá falar noutras assembleias e noutros tempos sobre esses ideais? Os princípios universais, a boa governação e o respeito pelas pessoas constituem, há duas décadas, temas essenciais da agenda externa europeia, incluindo na área da cooperação. No futuro, vai ser mais difícil dialogar sobre esses valores e exigir a outros que os respeitem.

                Aprovar o acordo não pode tampouco deixar de ser visto como um sinal de fraqueza perante as exigências do Presidente Recep Tayyip Erdogan. Cede-se nos vistos. Os cidadãos turcos passam a ter acesso ao espaço Schengen sem restrições. Ou seja, muitos deles irão engrossar a multidão dos novos imigrantes na Europa, seja por motivos económicos ou por razões de discriminação étnica e política na Turquia. Ironia das ironias, não se aceitam novos refugiados com medo da imigração descontrolada, mas abre-se a porta a uma nova onda de imigrantes turcos. Cede-se igualmente nas negociações de adesão, quando é claro que Ancara não reúne as condições básicas que lhe permitam responder aos critérios exigidos. Cede-se por fim financeiramente, com um volume de transferências excecional, seis mil milhões de euros, num horizonte temporal curto, até 2018. Erdogan consegue assim pôr a Europa de joelhos.

                E perde-se em relação a África. Os dirigentes africanos ficam a perceber que a Europa tem apenas duas preocupações maiores e convergentes na sua agenda externa: tornar as suas fronteiras exteriores tão herméticas quanto possível e fechar a torneira da imigração. São certamente preocupações legítimas, mas demasiado redutoras. É para aí que serão canalizados todos os recursos disponíveis. O resto, incluindo o que foi acordado na cimeira Europa-África de novembro de 2015 em La Valetta, parece ser apenas trinta e um de boca. O nível de confiança nas promessas europeias é cada vez menor. A Comissão em Bruxelas tem consciência disso. E está a ficar agitada, sem saber como tratar a relação com África, sobretudo à medida que nos aproximamos da próxima consulta entre a Comissão Europeia e a Comissão Africana, prevista para 7 de abril em Adis Abeba.

                Perante isto, quais são as alternativas, para além de não se poder aceitar o acordo, tal como está redigido?

                A resposta deve assentar num tratamento completo e coerente da questão dos refugiados e dos imigrantes, e basear-se no princípio do mal menor. É esse o verdadeiro desafio que temos pela frente.

                A crise é multifacetada. Tem dimensões humanitárias, que são as mais urgentes e de curto prazo, mas também possui aspetos relativos à segurança europeia, à estabilidade política de alguns dos estados, à identidade cultural e ainda à imagem da Europa, vista quer pelos seus próprios cidadãos quer pelos outros, na cena internacional. Tudo isto deve ser equacionado.

                Liderar é, numa crise como a presente, conseguir encontrar os equilíbrios possíveis, sem pôr em causa o fundamental. Isto passa por uma triagem muito mais expedita e completa dos que já chegaram e dos que irão chegar, pela adoção de medidas visíveis que desencorajem os aventureiros e os imigrantes meramente económicos, por um empenho a sério na resolução dos conflitos políticos que estão na origem dos movimentos populacionais, e por uma cooperação muita mais estreita com as agências das Nações Unidas, experientes que são quanto a este tipo de emergências. E se for preciso suspender, por uns tempos e nalguns casos específicos, as regras de Schengen, por que não?

                O fundamental é mostrar que a Europa sabe ser generosa quando necessário, mas com robustez e clareza de princípios. Incluindo nas suas relações com líderes de países vizinhos, sobretudo quando esses sabem jogar habilmente com um pau de dois bicos.

               

 (Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 21:14
 O que é? |  O que é? | favorito

25
Fev 16

Dizem-me frequentemente que o Serviço Nacional de Saúde não tem capacidade de resposta, sobretudo nas áreas de tratamento especializadas. E é verdade. Os tempos de espera e as condições das prestações estão muito além do limite que é aceitável. Mas como poderia ser de outra maneira, quando a economia que temos não é suficiente para gerar os recursos necessários, que correspondam aos custos das nossas ambições? Um SNS a funcionar bem precisa de uma economia forte.

Na mesma ordem de ideias, contava hoje a pessoa da família que quanto tive que ser operado a uma catarata disse ao cirurgião qual o período em que eu tinha espaço de tempo para essa operação. Estávamos em janeiro e eu tinha uma abertura nos inícios de abril. E assim aconteceu.

O meu familiar respondeu que isso não seria possível em Portugal. A verdade é que a minha história, que se passou há dois anos, não ocorreu de facto em Portugal. A consulta e a operação tiveram lugar em Bruxelas.

publicado por victorangelo às 20:01
 O que é? |  O que é? | favorito

24
Fev 16

Lunáticos e perigosos

            Victor Ângelo

 

 

            Donald Trump continua a dar espetáculo e a surpreender meio mundo. Diz barbaridades e coisas ocas, ofende vastos segmentos da população e exibe-se. É um ser estranho, atípico na paisagem política americana. Mas ganha votos, soma e segue, como uma vez mais se viu nas primárias do Nevada, o que mostra até que ponto o cidadão comum está farto, lá como em vários cantos da nossa Europa, dos políticos tradicionais e dos seus discursos enfatuados. Será, muito provavelmente, o candidato do Partido Republicano, nas eleições de novembro. E poderá ser, a partir de 2017, o presidente dos EUA. Não será fácil, mas tem hipóteses de derrotar Hillary Clinton.

            Teríamos então uma cena internacional particularmente colorida. Trump em Washington, Putin em Moscovo, Kim Jong-un em Pyongyang, e assim sucessivamente, com outros lunáticos e maduros egocêntricos à frente de estados em crise, do Médio Oriente à América Latina, passando pelo Extremo Oriente, o sul de África, mais aqui e acolá. Este é um quadro dramaticamente possível, e em parte já bem real. Seria então o momento de lançar um projeto que acarinho há algum tempo. Tratar-se-ia de uma classificação anual dos líderes considerados como os mais perigosos. Uma lista classificada dos pesadelos no poder, uma espécie de rol kafkiano dos que representassem, em cada ano, uma verdadeira ameaça para a estabilidade internacional. A pontuação teria em conta a capacidade de cada líder de gerar conflitos, violar os direitos humanos, criar crises humanitárias e promover ideias xenófobas e racistas.       

             Creio que não faltariam candidatos aos primeiros lugares de “maus da fita”. Todavia, os nomes acima mencionados e outros, que deixo aos cuidados da imaginação do leitor, teriam grandes hipóteses de chegar às posições de topo da lista já no próximo ano.

            Isto parece uma brincadeira de comédia, mas não o é. Quando se olha para o horizonte internacional, fica-se boquiaberto. É possível identificar um xadrez de riscos muito significativos para a paz e a segurança internacionais, bem como para a solução de certas questões de ordem global, como as que respeitam à luta contra a pobreza e as mudanças climáticas.

            E é aqui que a questão da personalidade do próximo secretário-geral da ONU aparece como marcadamente importante. Estamos numa encruzilhada de várias ameaças muito sérias. Face a esta realidade, penso que a função de secretário-geral, que corresponde tradicionalmente a um desafio muito complexo, se está a transformar numa tarefa impossível. As probabilidades de fracasso são hoje bem maiores. E vão continuar a crescer.

            O sucessor de Ban Ki-moon terá que estar à altura do momento. Isso passa por duas ou três mestrias. Primeiro, por saber falar, com calma e palavras que todos entendam, dos valores universais que devem estar sempre presentes nas relações internacionais. As Nações Unidas foram criadas e encontram a sua razão de ser na salvaguarda e no combate constante pela aplicação desses valores. O secretário-geral tem que ter a coragem de os lembrar, pela positiva e sem lamúrias. Um outro talento diz respeito àquilo que sempre chamei uma imparcialidade ativa. O posto pede um facilitador, um construtor de pontes, como diria o Papa Francisco. Mas a imparcialidade tem princípios, não é absoluta. Deve levar à solução dos problemas. Requer, por isso, que se tome a iniciativa, com subtileza e no interesse da maioria. O secretário-geral não pode ter medo de falar claro no Conselho de Segurança e de expor as suas ideias. Em terceiro lugar, precisamos de alguém que saiba criar círculos de apoio, com uma sólida base geopolítica. Um secretário-geral que se isole torna-se frágil. Aqui, a experiência internacional conta imenso. Os melhores candidatos serão os que puderem demonstrar ter esse tipo de valências no currículo.

            Em termos concretos, que significa isto, perante os nomes já conhecidos? Essa é conversa para outra escrita. Fique apenas e ainda a ideia de que é essencial ganhar a eleição de modo inequívoco, obter uma vitória sem espinhas. Só assim se partirá de uma posição de força, com uma voz grossa que faça ouvir o bom senso.

 

(Texto que publico hoje na Visão on line)

           

           

 

publicado por victorangelo às 16:07
 O que é? |  O que é? | favorito

twitter
Março 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10

12
15
16
17

20
23
24
25

26
27
28
29
30
31


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO