Portugal é grande quando abre horizontes

24
Fev 17

Sou dos que advogam que este é o ano do aclaramento no que respeito ao futuro da UE.

As pressões internas e externas são agora imensas. Os riscos maiores do que nunca. O projecto europeu precisa de se focalizar no que é importante e mobilizar as energias das instituições e das organizações da sociedade civil para que se atinjam os objectivos que deveras contam. Esses objectivos passam por um reforço da coesão política, por uma maior integração económica, pela desburocratização e o consequente aliviar das cargas fiscais, pela luta contra o nativismo e a xenofobia, pela solidariedade social inteligente, pela defesa e a segurança comuns. E, acima de tudo, por uma definição muito clara dos valores humanistas que partilhamos, que fazem da nossa parte do mundo um exemplo de liberdade e de respeito pelos direitos das pessoas, e pela construção de uma identidade europeia que possa ser uma bandeira de cidadania.

Nem todos os países membros estarão dispostos a avançar no sentido de uma unidade aprofundada. É, por isso, fundamental que se diga que a construção do futuro europeu se deverá fazer por círculos. Serão círculos concêntricos, na medida em que haverá sempre um conjunto de princípios que será partilhado por todos. Mas, a partir daí, desenhar-se-ão outros círculos, que abrangerão apenas uma parte dos estados membros. Cada estado inserir-se-á no círculo que melhor entender, tendo em conta as suas circunstâncias nacionais.

Não é uma Europa a “duas velocidades”, como por aí se diz. Não vamos todos na mesma direcção. É uma visão diferente de aspectos importantes do projecto. Muitas das dimensões dessas visões nunca serão partilhadas pela totalidade dos estados membros. Por isso, não se trata de avançar a uma velocidade diferente. É, isso sim, um nível de ambição distinto.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 17:04
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18
Fev 17

Isto de andar a pôr a culpa nos outros é uma velha artimanha política. Trata-se da táctica do bode expiatório. Também é uma solução de facilidade para o comum dos mortais, a condição a que pertencemos. Simplifica-nos a alma, é uma terapia barata.

Um dos exemplos actuais, aqui pelas nossas santas terrinhas, passa por culpar os alemães de tudo o que nos acontece de mal, de todas as nossas dificuldades. E pomos à cabeça a Chanceler. Logo a seguir o seu pouco diplomático Ministro das Finanças. A nossa economia não cresce, as culpas encontram-se nas políticas alemãs. Temos um Estado insuficiente e ineficaz, inutilmente burocrático e pesado nos seus custos, endividado por isso até ao tutano, incrimina-se os germânicos. As taxas de juro da dívida pública são as segundas mais elevadas da zona euro, e a falta é deles, dos do lado de lá.

E já agora também será por causa dessa mesma gente de fora que o PIB da Lituânia, um país minúsculo e recuado, está este ano a ultrapassar o de Portugal.

Por vezes tento convencer os meus amigos que é preciso olhar para a deficiente qualidade dos nossos dirigentes políticos, para a pequenez dos nossos empresários, para a mediocridade da nossa elite social que se habituou a viver de rendas e de cunhas. E para outras gentes que por aí andam, incluindo as redes secretas que dão o primado à confraria em vez do mérito.

Fico, então, com a impressão que estou a perder o meu latim…

Mesmo assim, vou insistindo de vez em quando, com cuidado, que isto é terreno fértil em mal-entendidos. Mas não irei falar com os alemães. Esta conversa é uma discussão que tem que ser, acima de tudo, nacional, entre nós.

publicado por victorangelo às 20:53
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14
Fev 17

Ontem decidi lavar o carro. Não por ser véspera do Dia dos Namorados, mas porque a viatura estava mesmo a precisar, sobretudo depois de uma viagem ao campo, numa tarde de mau tempo.

Dei várias voltas às zonas da grande cidade que me são vizinhas. Estava tudo cheio e com filas de espera. Farto de tentar arranjar vaga nas estações de trabalho manual, acabei por ir direito à lavagem mecânica. Também aí havia bicha, mas a coisa andava mais depressa.

Fiquei à espera e a lembrar-me que se diz por aí que os homens de uma certa idade prestam mais atenção às suas viaturas do que às suas esposas. Acabei por me convencer que talvez assim fosse. Mesmo numa véspera como a de ontem. Mas ao chegar a minha vez, o empregado da geringonça lavadoura deixou-me na dúvida. Dúvidas, sempre dúvidas. Segundo ele, quando o sol aparece em Bruxelas, é mesmo assim. As pessoas lembram-se que é altura de ir à lavagem. E entopem o mercado, que já por si tem pouca oferta, que isto de esfregar chapa é coisa de imigrantes, no fim da escala.

E fica tudo a brilhar, por uns dias, enquanto se espera pela chuva e pelos traços da poluição ambiente.

publicado por victorangelo às 16:42
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08
Fev 17

O programa desta semana na Rádio TDM de Macau, com a jornalista Sofia Jesus, a coordenação de Rui Flores e os meus comentários sobre a UE e as migrações, o estado da economia europeia e também sobre a perigosa embrulhada que são as eleições presidenciais francesas está disponível neste link:

http://bit.ly/2locFMr

São pouco mais de 17 minutos de análise e comentário, que a vida quotidiana dos ouvintes não dá para grandes conversas.

publicado por victorangelo às 16:10
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06
Fev 17

Talvez seja por deformação profissional, mas sou dos que consideram os conselhos e avisos técnicos das organizações internacionais como importantes. Devem ser ouvidos com atenção e merecer ponderação. Pode pensar-se que têm falhas, que não reflectem todas as facetas da realidade que é a nossa. Não devem, no entanto, ser desvalorizados ou varridos par debaixo do tapete. Por isso, lamento a reacção do Presidente da República perante o relatório que a OCDE deu hoje a conhecer sobre aspectos estruturais da economia portuguesa. O Presidente limitou-se a dizer, na maneira superficial que é muito nossa, que não havia nesse relatório nada de novo e que até estaria um pouco desactualizado em termos dos dados estatísticos.

Não é verdade. O relatório chama a atenção para a falta de sustentabilidade das políticas económicas que foram seguidas nos últimos e nos anos de agora, para a escassez do investimento, para os benefícios dados aos funcionários públicos em detrimento do sector privado, para a falta de formação profissional de uma boa parte dos jovens do nosso país, e também para as desigualdades crescentes entre diversos tipos de trabalhadores e de regimes sociais.

Tudo isto precisa de ser levado a sério. Não se trata de questões levianas nem de beijinhos à malta que passa. Estamos a falar de questões de fundo, que tocam o presente e comprometem o futuro.

publicado por victorangelo às 20:22
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01
Fev 17

Os nossos políticos são formidáveis. E muito criativos. Passam o tempo a discutir coisas de grande importância para a criação de riqueza nacional e de empregos. Agora, por exemplo, é a questão da eutanásia e das mudanças relativas à aquisição da nacionalidade. Como dizia o outro, deve ser aí que está o bife.

publicado por victorangelo às 21:22
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03
Jan 17

A má notícia de hoje diz respeito aos juros da dívida pública portuguesa. Estão à beira dos 4%. É um valor que deveria começar a inquietar. Pelo menos, a dar que falar. Mas a verdade é que nesta altura do ano, as preocupações são outras.

Bom ano, com muita descontracção.                                                                          

publicado por victorangelo às 21:12
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30
Dez 16

Deve ser por burrice, mas a verdade é que a edição de hoje do jornal “Público” dá uma relevância e um espaço inaceitáveis a um dos mais conhecidos fascistas italianos, Claudio Borghi. O fulano é apresentado como um eminente economista, com direito a duas páginas de entrevista. Seguem-se mais uma página e um editorial em que os jornalistas desse diário se referem à entrevista, mas sem espírito crítico, como se as ideias de um fascista, que também é reconhecidamente xenófobo, fossem apenas mais uma contribuição para o debate sobre a “crise na Europa”.

Borghi, que vê a situação económica na Itália pelo prisma único e simplista do Euro, repete ao longo da conversa que tudo entrará nos eixos quando o seu país sair da moeda única. Nada mais diz. Não menciona a corrupção do sistema político italiano, a necessidade de reforma do mesmo, não faz referência à incapacidade em se modernizar que certos sectores da economia italiana têm revelado, não fala dos créditos malparados da banca nacional, que somam cerca de 360 mil milhões de euros, nem do endividamento absolutamente anormal do Estado – acima de 130% do PIB – que resulta, em grande parte, dos salários e honorários fabulosos pagos a uma classe política desmesurada e semeada de vigaristas e trafulhas, nada, nada. É a ideia única, o pensamento maníaco e paranoico, o euro como bandeira de um populismo de extrema-direita.

Ao publicar esta parvoíce perigosa, o “Público” não serve a causa da democracia na Europa.

publicado por victorangelo às 16:40
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17
Dez 16

Um dos partidos marginais de Portugal, mas com assento na Assembleia da República, diz que vai lançar uma campanha para preparar a nossa saída do euro. Trata-se de um partido que teve mérito no passado, mas que hoje é um mero agrupamento de saudosistas retrógrados, que combinam atitudes reacionárias com uma ingenuidade à prova de todos os argumentos racionais. É uma peculiaridade bem portuguesa, que já não existe noutros cantos da Europa.

Dizem que durante a campanha irão negociar com o PS, o BE, os PEV, entre outros que não são explicitamente mencionados. Só espero que os outros incluam o Nicolas Maduro da Venezuela e o Robert Mugabe do Zimbabwe. Ambos têm experiências ímpares de como se consegue arruinar um sistema monetário e uma economia de modo rápido, e depois, colocar a culpa nos outros.

Dito isto, é claro que o populismo político que actualmente sopra por vários sítios, e agora também em Portugal, é uma loucura política muito perigosa.

publicado por victorangelo às 20:18
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05
Dez 16

Os mercados bolsistas europeus parecem não ter ligado ao resultado do referendo italiano. O índice Euro Stoxx 50, que é indicativo do que se passa nas principais praças europeias, subiu 1,25%. O principal índice francês, o CAC 40, aumentou 1,00%. E assim sucessivamente. Apenas o FTSE MIB, que reflecte a bolsa italiana, teve uma quebra insignificante de 0,21%. O euro também aumentou de valor: mais 0,88% em relação ao dólar dos EUA.

A explicação é simples: quem anda pelas bolsas sabia – há meses – que Matteo Renzi não tinha hipóteses de ganhar esta consulta popular. Por isso, as acções italianas foram-se desvalorizando ao longo dos meses. Perderam 20% do seu valor desde o início do ano. Quanto aos bancos, onde as fragilidades são maiores, a perda média do valor das acções bancárias anda nos 48%, em relação a Janeiro de 2016.

Muitas das acções dos bancos estão na posse dos particulares, dos cidadãos que acreditaram na conversa ouvida aos balcões das agências e que foram convencidos a comprar esses títulos. Mais ainda. Existem mais de 170 mil milhões de euros, a título de obrigações bancárias, nas mãos das famílias. Também aí haverá que prever perdas de valor muito significativas.

Em resumo, como foi dito hoje por alguém importante à entrada de uma reunião em Bruxelas, não há receios. Os italianos saberão como resolver estes problemas.

Ficarão, acrescento eu, mais pobres e muito mais fartos das elites políticas e financeiras. O referendo já mostrou essa tendência. E a trajectória parece levar a Beppe Grillo e à chegada ao poder do Movimento 5 Estrelas. Ou seja, a elite da desgraça será substituída pela malta da confusão.

 

publicado por victorangelo às 21:09
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