Portugal é grande quando abre horizontes

27
Ago 17

Ao longo da minha vida profissional, organizei várias eleições em países africanos. Fui, também, membro da primeira Comissão Nacional de Eleições, logo a seguir ao 25 de Abril. Ganhei, assim, consciência da enorme importância que um processo eleitoral credível tem para a estabilidade política de um país. Também sei como, em certos países menos democráticos, se pode falsear ou manobrar os resultados de uma eleição.

Dito isto, acrescento que as eleições que agora tiveram lugar em Angola me deixaram uma certa dose de optimismo. Não terão sido isentas de defeitos e de desequilíbrios. Mas, no conjunto, decorreram de um modo aceitável. Por isso, todos os que anseiam por uma Angola mais democrática e melhor governada têm agora a obrigação de contribuir, de viva voz, para que a situação pós-eleitoral se mantenha serena.

publicado por victorangelo às 21:37
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26
Abr 17

São muitas as matérias políticas em jogo, na corrente eleição presidencial francesa. Mas a mais importante é, na minha maneira de ver, o duelo entre duas visões diametralmente opostas.

Temos, de um lado, uma proposta democrática, moderna, realista, cooperante e tolerante. Podemos estar em desacordo com várias das medidas que Emmanuel Macron defende. Não devemos, no entanto, ignorar que se trata de uma concepção positiva da vida política.

Do outro lado, Marine Le Pen propõe um projecto autoritário, retrógrado, violento, racista, e mesmo negacionista do holocausto.

Perante estas duas opções, apenas os zarolhos políticos – e há vários – podem ter hesitações.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:08
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24
Abr 17

O meu comentário sobre a primeira volta da eleição presidencial francesa acaba de aparecer na Visão on line.

O link é o seguinte:

https://t.co/zBkkUgudjA

publicado por victorangelo às 17:39
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05
Abr 17

Passei quatro horas, ontem ao serão, a seguir em directo o debate entre os onze candidatos à eleição presidencial francesa. Fiquei de novo boquiaberto perante as mentiras, as afirmações falsas, as incoerências, os simplismos ingénuos e as ideias burras que foram expostas, ao longo da noite, pela grande maioria dos candidatos. Para já não falar da xenofobia e do substrato fascista de Marine Le Pen.

Como terá sido possível que a política francesa tenha chegado a este ponto?

Esta é uma pergunta que precisa de resposta.

Sobretudo se tivermos em conta o poder que o presidente da república francesa controla e o impacto das suas decisões sobre os assuntos europeus.

 

publicado por victorangelo às 22:02
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24
Nov 16

Assisti ao debate entre François Fillon e Alain Juppé. As perguntas dos três jornalistas que dirigiram a sessão exigiram, muitas vezes, respostas muito pormenorizadas, explicações detalhadas dos planos de cada um dos dois candidatos. Isso mostrou que o Presidente da República Francesa é, na verdade, um líder executivo, com muito poder, e não apenas um dirigente que traça as grandes opções políticas. Perante isso, é evidente que o papel de um primeiro-ministro francês é relativamente subalterno. Tem, antes de mais, a responsabilidade de garantir a boa execução das decisões do presidente. E, em segundo lugar, é uma espécie de almofada, que vai recebendo os murros e pontapés que a política do seu chefe motivar. E foi isso que François Hollande não conseguiu. Em vez de utilizar Valls como saco de boxeio, pôs-se a jeito e deixou que lhe batessem directamente. Agora não se pode queixar das dores.

 

publicado por victorangelo às 21:34
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23
Jun 16

 

Uma Espanha de incertezas

            Victor Ângelo

 

 

            Quando Barack Obama visitar Madrid a 11 de julho, encontrar-se-á num país à procura de um governo. É verdade que estas visitas não acontecem por acaso. Sobretudo se se tiver em conta que o quadro político que terá resultado das eleições gerais de 26 de junho será complexo e de difícil arrumação. No centro dessa complexidade estará o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE). Relegado para a terceira posição, em termos de lugares nas Cortes do Reino, será no entanto a liderança do PSOE quem terá a chave da solução governativa nas mãos. Como será utilizada, eis a grande questão do momento.

            Do exterior, incluindo dos EUA e de outros países influentes no seio da UE, choverá uma bateria de conselhos, pressões, dirão alguns, mais ou menos discretas. Assim funcionam as nossas democracias e os nossos aliados. A preferência dos parceiros externos da Espanha, especialmente nesta fase de múltiplas incertezas na arena internacional, irá no sentido de uma grande coligação entre o Partido Popular (PP) e o PSOE, liderados ou não pelos seus atuais dirigentes. Uma coligação que, para ser perfeita, incluiria ainda os chamados Ciudadanos, um agrupamento político do centro liberal que surgiu como uma contestação cívica à corrupção que manchou sobremaneira o PP no passado recente.

            Esse seria claramente o arranjo preferido por uma Europa que já tem demasiados problemas em cima da mesa e que muito gostaria de contar em Espanha com um governo estável, forte, alinhado ao centro e politicamente previsível. Criaria igualmente as condições para uma Espanha mais ativa na cena europeia, diferente da que existiu nos últimos anos, que foram tempos de afastamento e de perda de influência em Bruxelas. Seria além disso um governo mais determinado a participar nas iniciativas comuns em matéria de migrações internacionais, de combate ao terrorismo, sobretudo no Norte de África, e na vigilância marítima ao largo da Península Ibérica, na parte que lhes cabe, sempre que se tratar de “acompanhar” os submarinos e outros navios russos em trânsito por estas paragens, no seu vaivém habitual entre São Petersburgo e o Mar Negro.

            Uma grande coligação à espanhola não tem, no entanto, pernas para andar. Os antagonismos entre os populares e os socialistas, incluindo as inimizades pessoais ao nível dos líderes, têm raízes sociológicas profundas e marcam a vida política do país. Não constituem terreno propício para acordos programáticos. Por outro lado, se entrar num pacto governativo, o PSOE tem medo de perder a prazo uma fatia ainda mais vasta do seu eleitorado, que se deslocaria fatalmente para os movimentos à sua esquerda.       

             No final da sua estada, Obama poderá chegar à conclusão que um governo minoritário de base PP será a alternativa política mais provável. Esse governo manter-se-á no poder enquanto puder beneficiar da abstenção do PSOE nos momentos cruciais. Dará a impressão, por isso, de ser um governo com os meses contados, com eleições à vista nos finais de 2017 ou na primeira metade de 2018. Não terá condições nem vontade para fazer aprovar as reformas de fundo que já foram várias vezes recomendadas pela Comissão Europeia e pelas instituições da economia internacional. Em matéria orçamental, cairá em tentações perdulárias, como modo de ganhar popularidade, pisando assim ainda mais o risco das normas orçamentais em vigor na zona euro. No fundo, tratar-se-á de um governo fraco que contribuirá para enfraquecer, à sua maneira, uma já fragilizada UE.  

 

( Texto que hoje publico na revista Visão)

publicado por victorangelo às 19:45
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25
Jan 16

Portugal: eleição presidencial de 24/01/2016

  • MRS: o único titular de um alto cargo institucional que tem uma legitimidade sólida; o seu maior desafio é mantê-la
  • Ganhou em todos os distritos
  • Uma vitória que faz algum tipo de ponte entre diferentes sectores de opinião
  • Divisões no seio do PS, o grande perdedor da noite, por ter dois candidatos e por se identificar de modo muito claro com um deles, em contramão dos históricos do partido
  • Estimo que cerca de 1/3 do eleitorado do PS seja próximo do centro
  • A crispação vai aprofundar-se entre o PS e os seus apoios parlamentares, sobretudo do lado do PCP
  • O espaço do PCP está mais apertado, entre a ala esquerda do PS e o BE
  • O discurso político do PCP está fora de sintonia com a maneira de falar sobre política que hoje se pratica
  • A candidata do BE tem um potencial eleitoral que é importante reconhecer
  • 17 pontos percentuais da abstenção serão explicados pela inadequação ou falta de actualização dos cadernos eleitorais; não serão 9 440 mil eleitores, mas sim cerca de 7 836 mil
publicado por victorangelo às 12:05
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21
Jan 16

Nas antevésperas da eleição presidência portuguesa, é curioso notar que o debate se resume a uma só questão: vamos resolver isto à primeira ou haverá necessidade de organizar uma segunda volta. E quanto a isso, as opiniões divergem. Mas, na verdade, o que a questão demonstra é que há um candidato muito mais abrangente do que os outros. Vai buscar votos a vários quadrantes. Pode ser ligeiro do lado das ideias, mas que consegue uma diversidade de apoios, isso sim. Os restantes estão confinados a uma fatia muito estreita do eleitorado. Ou seja, dificilmente reúnem as condições para que possam ser considerados como representativos de um leque alargado das diferentes componentes da opinião pública. Todavia, um deles, se houver segunda volta, até pode vir a ser o próximo Chefe do Estado. É que em matéria de eleições e de rejeições, nunca se sabe. A democracia funciona assim.

publicado por victorangelo às 21:11
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17
Jan 16

Sem entrar na questão das campanhas presidenciais, pois quem está fora não deve meter o bico nessas coisas, confirmo, no entanto, que vou acompanhado o que os candidatos dizem, aqui e acolá. E vejo que o tema do Estado social aparece como uma das bandeiras, sobretudo nalguns casos. Mas ainda não ouvi ninguém dizer uma verdade simples: sem economia não há Estado social. O resto é propaganda.

Como não o dizem, digo eu. O Estado social, capaz de responder às exigências modernas, às expectativas dos cidadãos, precisa de uma economia de iniciativa privada forte, dinâmica, avançada e competitiva. E esse tipo de economia só existe se estiver alicerçada num sistema educativo nacional eficaz, moderno, disciplinado e prestigiado.

O resto é demagogia eleitoral.

 

publicado por victorangelo às 20:49
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09
Jan 16

Vistas a grande distância, que é como eu as vejo, as campanhas eleitorais dos candidatos à presidência da república são de uma grande pobreza temática. E, também, intelectual. Primam as ideias repetidas e as simplificações tacanhas.

Acho preocupante. Para o futuro do país, claro, e para garantir o respeito institucional que a presidência requer.

publicado por victorangelo às 21:50
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