Portugal é grande quando abre horizontes

22
Fev 17

Os três temas dos meus comentários desta semana na Rádio Macau estão no título do blog.

O programa foi muito bem recebido. As opiniões expressas são tidas como saindo das linhas usuais de comentários sobre estas coisas, em que os comentadores andam todos a repetir os que outros já disseram.

Magazine Europa (21 de Fevereiro de 2017)

publicado por victorangelo às 15:48
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20
Fev 17

Ando por aí a dizer que o debate sobre as despesas de defesa da Europa não se pode limitar a um indicador apenas.

É verdade que os estados-membros da NATO, a começar pelos europeus, se comprometeram na Cimeira de 2014 no País de Gales a aumentar os orçamentos públicos destinados à defesa, de modo a atingirem o montante de 2% do PIB nacional. Gradualmente, aliás, tendo como horizonte o ano 2024.

Atenção, porém!

Esta percentagem é um valor indicativo, uma ordem de grandeza que serve de referência política ao nível do secretariado da NATO. Neste momento, apenas os EUA, o Reino Unido, a Grécia, a Estónia e a Polónia atingem esse patamar. Mas a percentagem não chega. É preciso que a estrutura das despesas tenha em conta as necessidades actuais das forças armadas, tendo em conta os novos tipos de ameaças e a ênfase relativa que deve ser dada a cada dimensão da defesa. Gastar dinheiro com estruturas inadequadas, quadros conceptuais errados e meios obsoletos é mero desperdício. Uma parte importante do debate terá que passar por essa análise da estrutura das despesas.

 

publicado por victorangelo às 11:24
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13
Dez 16

Nos últimos anos, na altura de fazer o balanço do ano que termina, Vladimir Putin tem repetidamente aparecido como uma das personalidades mais influentes na cena internacional.

Assim está a acontecer, de novo, neste final de 2016. A situação na Síria, as eleições americanas e as alegações de ciberespionagem e de interferência, o doping “patriótico” dos atletas russos, as incursões aéreas e marítimas das suas forças armadas no espaço geoestratégico da Aliança Atlântica, estas são algumas das grandes questões que aparecem ligadas às opções políticas do patrão do Kremlin. E que têm um impacto profundo nas relações internacionais.

Para além das sanções relacionadas com a crise ucraniana, a UE não tem sabido responder de modo coerente e estratégico aos desafios e às manobras assinadas por Putin.

Sou dos que advogam que é urgente definir uma posição política comum que responda às acções hostis que vêm de Moscovo. Sei que não será fácil definir um quadro que possa ser aceite por todos os aliados. Mas, apesar dessa dificuldade, é fundamental aprofundar a reflexão e propor uma resposta adequada.

Essa resposta deverá ter em conta a linha que Donald Trump venha a seguir em relação a esse mesmo assunto. Ter em conta não quer, no entanto, dizer alinhamento. Antes pelo contrário. A Europa deverá ter a sua própria posição política. Os sinais que nos chegam do outro lado do Atlântico são claros quanto à necessidade de uma resposta que seja inspirada pelos interesses europeus. E que sirva, igualmente, como um exemplo que não possa ser ignorado em Washington.

 

publicado por victorangelo às 20:37
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09
Dez 16

Terminada que está a minha última viagem de um ano de muitas viagens, começa agora o período dos balanços. E, em certa medida, a preocupação é a de encontrar o ângulo positivo das coisas.

Não será fácil. Mas não é uma luta perdida.

Em termos da cena internacional, tem sido um ano de muitas decepções políticas e de grande instabilidade geoestratégica. Em termos mais terra a terra, foi um período de grande sofrimento para muitos, no Médio Oriente, no Norte de África e no Sahel, no Afeganistão e noutros sítios. Aqui, mais perto da nossa porta, foi mais um ano de crise na Ucrânia e no Mar Mediterrâneo, entre os imigrantes e os candidatos ao refúgio. Foi igualmente um tempo em que virou moda atacar o projecto europeu e botar as culpas em cima de Jean-Claude Juncker e de Donald Tusk.

Acabou, acima de tudo, por ser o ano de Donald Trump e o que isso significa em termos de agravamento das intolerâncias nos EUA e das tensões internacionais.

Para além de tudo isto, 2016 surgiu como um período que nos deixa uma enorme interrogação: qual deve ser o nosso desempenho público, que papel assumir, enquanto parte da Europa privilegiada e da elite que tem beneficiado da globalização das relações internacionais?

De imediato, a maneira positiva de ver essa interpelação deve passar pela coragem das opiniões expressas, pela continuação da luta pelo progresso social de todos os que o procuram e pela defesa dos direitos humanos e de liberdade de cada um de nós. Mais ainda, há que estar atento para não se cair nem no pessimismo que nos fecha os horizontes nem na crítica fácil, cínica e demolidora.

publicado por victorangelo às 20:22
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20
Nov 16

Que ficou da viagem de despedida do Presidente Obama à UE? Esta é pergunta com que abro a semana que amanhã começa. E que deixo no ar, pois as respostas irão variar muito, consoante a opinião de cada um. Mas onde haverá certamente acordo será no facto de Obama ter sido, ao longo do seu mandato, um presidente muito apreciado pela generalidade da opinião pública europeia.

publicado por victorangelo às 22:11
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14
Nov 16

Tempos de destemperos

                Victor Ângelo

 

 

                Donald Trump pode ser uma aberração no panorama político norte-americano, mas não é antissistema. Antes pelo contrário. Mexe-se bem dentro do sistema, sabe tirar vantagem das oportunidades e dos buracos legais. É a favor, até ao tutano e sem escrúpulos, do capitalismo liberal, puro e duro. Exploratório. Quando fala de uma América “grande de novo”, está a dizer que o Estado deve criar mais oportunidades de negócios para os grandes interesses económicos e pôr em prática regimes protecionistas que dificultem ou impeçam a concorrência vinda do estrangeiro. A conversa sobre a promoção de empregos foi propaganda eleitoral. Na realidade, Trump representa o grande capitalismo empresarial. De modo confuso e imponderável, inevitavelmente, por falta de experiência política mas também porque a demagogia resulta sempre numa caldeirada de contradições. É por aí que o gato pode ir às filhoses e a sua política económica conduzir ao fracasso.

                Como muita gente, não creio que o novo presidente esteja à altura das responsabilidades do cargo. Vi o último debate entre ele e Hillary Clinton: a noite comparada com a luz do dia! Trump mal conseguiu articular um ponto de vista, para além de uma meia-dúzia de frases feitas e de umas tantas reações emocionais. Mostrou ter uma visão primária e irrefletida das realidades económicas e das grandes questões internacionais. Mas vai ser o líder da nação mais poderosa do mundo. Um homem com muito poder. Mais ainda por ter o Senado e a Câmara dos Representantes do seu lado, que, em ambos os casos, têm uma das composições mais retrógradas, quando vista à luz da história das últimas décadas. O potencial de retrocesso em termos de valores e de políticas é, por isso, enorme.

                Trump é um líder que não está habituado a ouvir os outros, que passou a vida a decidir por ele próprio, conforme lhe dava na real gana. Vai, no entanto, rodear-se de políticos que sempre estiveram e fizeram vida na política. Ele, que havia prometido “sanear o pântano de Washington”, vai trazer para a linha da frente alguns dos piores ultrarreacionários que existem no circo do oportunismo político americano: Newt Gingrich, Rudy Giuliani, Chris Christie, John Bolton, Bob Corker, Stephen Bannon, etc, etc. Só falta ir buscar Sarah Palin ao Alaska, o que poderá, aliás, acontecer.

                Promessas, em política, valem o que valem, é bem verdade. Todavia, no caso presente, haverá que estar atento. Creio que Trump procurará levar avante várias das ideias que prometeu. Poderá ser um erro pensar que essas promessas se tratavam de meras artimanhas eleitorais. É verdade que acabará por deixar cair uma ou outra mais absurda, como por exemplo, a interdição de acesso aos Estados Unidos de muçulmanos. Manterá, porém, muitas das outras, com ou sem grandes retoques.

                Para a Europa, a presidência Trump vai ser um grande desafio. Mais um, na pior altura. Já tínhamos Vladimir Putin, Recep Erdogan, Theresa May, e ainda Viktor Orban, Marine Le Pen, Geert Wilders, Frauke Prety, e as cabeças confusas que se arrastam por Bruxelas. Sem esquecer, claro, as crises dos refugiados, dos imigrantes e as resultantes das nossas divisões nacionalistas. Passamos agora a ter mais um quebra-cabeças de monta, Trump, que, ainda por cima, se vai certamente aliar aos britânicos e ajudar a transformar o Brexit num carrossel barulhento, desnorteado e desconjuntado. Ou seja, os tempos que aí vêm não nos podem deixar descansados.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

               

 

 

publicado por victorangelo às 20:05
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11
Nov 16

Há sempre outras maneiras de ver as coisas. Durante a minha recente estada em Santa Fé, no meio da aridez do Novo México, um estado do Sudoeste da América, voltaram a lembrar-me essa verdade.

Alguém profundamente conhecedor da história local contou-me que, há umas duas décadas atrás, o índio mais influente da cidade foi convidado pelo então Presidente dos EUA a visitar Washington DC. O chefe índio, cacique supremo da tribo Pueblo, ficou encantado com o que viu na capital federal.

Depois, já regressado a Santa Fé, ouviram-no várias vezes comentar que Washington é outra coisa. Tem boas terras cultiváveis e água em abundância. E acrescentava sempre que não entendia os políticos da capital: em vez de se dedicarem à agricultura e de produzirem a alimentação que os sustentaria, passavam os dias a discutir entre si e a dizer mal de tudo e de todos.

publicado por victorangelo às 21:24
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10
Nov 16

No que respeita às negociações sobre o Brexit, Theresa May encontrou um novo aliado: Donald Trump. Será um aliado de muito peso. Irá certamente fazer pressão sobre os europeus, de modo a que as condições do relacionamento futuro da Grã-Bretanha com a UE sejam bastante favoráveis aos interesses de Londres.

 

publicado por victorangelo às 21:22
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01
Out 16

O Conselho de Segurança volta a pronunciar-se sobre a eleição do Secretário-Geral a de 5 de outubro.

Nas vésperas de uma votação que poderá ser decisiva, a diplomacia está na fase das grandes manobras. Que na realidade têm que ver com dois ou três cargos importantes no Secretariado da ONU. Trata-se de lugares de chefia dos departamentos considerados mais importantes: Operações de Paz e dos Assuntos Políticos. E também com a designação do novo Vice-Secretário-Geral, uma escolha que faz parte das prerrogativas do Secretário-Geral.

As Operações de Paz têm estado debaixo da alçada dos franceses. É muito provável que a França não consiga manter o controlo desse departamento no futuro. Diz-se que a China está com os olhos postos nesse lugar.

Os Assuntos Políticos são, desde alguns anos, uma coutada americana. Vai ser difícil desalojá-los. Tudo se pode negociar, porém.

E então, que se deve oferecer aos russos, para que deixem passar o candidato em causa? Neste momento, controlam a área que se ocupa da Polícia das Nações Unidas e temas similares. Mas não chega, face às ambições de Moscovo. A área é um tema menor dentro das Operações de Paz.

Os russos também andam à procura de um ou outro compromisso por parte dos europeus. Sobre as sanções, sobre o futuro da Ucrânia, sobre os gasodutos e a política energética da UE. Daqui, a importância da Comissão em Bruxelas. E de Berlim, claro, que também arvora aspirações, no que respeita à estrutura funcional das Nações Unidas.

Quanto à nomeação do número dois da ONU, não deverá ser um europeu, se o novo Secretário-Geral for de nacionalidade europeia. Poderá, para satisfazer os russos, ser alguém da Ásia Central, de um estado cliente de Moscovo. Também poderia ser Helen Clark, para calar os americanos e os britânicos, sem levantar ondas em Moscovo ou Beijing. Ou Susana Malcorra, que tem muitos amigos influentes, incluindo os Clinton, e a vantagem de não ser considerada como ocidental. Será, de qualquer modo, alguém do sexo oposto ao do novo SG. E alguém que vai exigir uma certa margem de manobra, para que a função de Vice não seja apenas para a galeria ver.

É nisto que estamos, nos próximos dias.

Entretanto, Kristalina Goergieva vai a provas na segunda-feira. Veremos que conclusões poderão ser tiradas das suas prestações.

 

publicado por victorangelo às 22:02
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30
Set 16

A multa que o governo norte-americano quer aplicar ao Deutsche Bank foi hoje substancialmente reduzida. Passou de 14 mil milhões para 5,4 mil milhões de dólares. É ainda um valor considerável. Trata-se, no entanto, de um montante que já não põe em causa a solidez e o futuro do banco alemão, que tem, aliás, uma grande presença internacional. É uma boa notícia.

Na verdade, tem havido pressão, deste e do outro lado do Atlântico, para fazer parar a “guerra das multas”. Temos estado numa espiral muito perigosa, com Washington e Bruxelas comprometidos numa corrida tresloucada para ver quem aplica as multas mais altas e a mais empresas. Nós aplicamos às deles e eles castigam as nossas.

O argumento, que também tenho publicamente defendido, é que tudo isto mostra uma grande falta de sensatez. Pode mesmo pôr em causa, se a loucura continuar, a sobrevivência de grandes empresas, que empregam, de um lado e do outro do oceano, milhares de pessoas. Mostra igualmente que os nossos políticos andam distraídos, e não estão a dar a devida atenção a uma matéria que é de primordial interesse.

Estas disputas resolvem-se por meio de arbitragens e de negociações políticas. Sobretudo entre áreas económicas que são aliadas em muitas matérias que contam.

 

publicado por victorangelo às 20:39
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