Portugal é grande quando abre horizontes

24
Abr 17

O meu comentário sobre a primeira volta da eleição presidencial francesa acaba de aparecer na Visão on line.

O link é o seguinte:

https://t.co/zBkkUgudjA

publicado por victorangelo às 17:39
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06
Abr 17

http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_victorangelo/2017-04-06-Inquietacoes-francesas

Este é o link para o texto que acabo de publicar na Visão on line.

E fica igualmente a preocupação que certos círculos europeus partilham - e com toda a razão - no que respeita à eleição presidencial francesa.

François Hollande ficará na história francesa com uma nota fraca. Seria terrível se a essa nota se viesse juntar a impressão que a sua acção política teria aberto as portas do Eliseu à extrema-direita que Marine Le Pen encabeça.  

publicado por victorangelo às 20:01
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13
Mar 17

A Holanda está no centro das atenções.

A crise com a Turquia parece-me ter sido uma provocação deliberada. O Presidente Erdogan sabia que este era o último fim-de-semana, antes das eleições legislativas holandesas de 15 de março. Sabia igualmente que, durante um período como este, nada é inocente. Sobretudo quando questões identitárias, nacionalistas e anti-imigração islâmica estão no centro do debate político, como é o caso nos Países Baixos. Planear acções de campanha na Holanda, lideradas por ministros vindos de Ancara, com vista ao referendo turco, um referendo que só terá lugar a 16 de abril, nas vésperas de uma consulta tão melindrosa como a holandesa, só poderia ter como objectivo criar dificuldades adicionais aos moderados holandeses e dar pretextos aos extremistas que apoiam Geert Wilders.

Este é um jogo muito perigoso.

Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês, respondeu com firmeza e dentro dos limites. Mas ninguém sabe qual terá sido o impacto da provocação sobre as intenções de voto.

Veremos na quarta-feira. E estaremos sobretudo atentos aos resultados quando comparados com as sondagens. Serão um barómetro. Se se notar que a votação em Wilders é muito superior às previsões, deveremos ficar muito preocupados. Estaremos, então, perante uma situação que se poderá repetir em França: eleitores que votam pela extrema-direita, mas que permanecem calados durante os inquéritos de opinião. Ou que apontam num sentido, por medo da crítica social, mas disparam noutro, e claramente em apoio dos fascistas.

 

publicado por victorangelo às 20:29
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21
Jan 17

Os partidos da extrema-direita europeia sentem-se animados. Acham que as vitórias do Brexit e de Donald “Adolf” Trump são reveladoras de uma dinâmica tipo avalanche, que irá levar outros extremistas ao poder. Olham para as próximas eleições, na Holanda, França e Alemanha, e já vêem os seus no poder. Foi esse aliás o ambiente que se viveu em Koblenz, na reunião dos fascistas europeus que aí teve lugar. Curiosamente, são todos muito nacionalistas, mas isso não os impede de se aliarem, na busca da conquista do poder. Unidos hoje, em guerra amanhã, poderia ser o seu mote de campanha. Tudo em nome do povo, como conceito mítico, capaz de enganar os tolos e de mobilizar os caceteiros do patriotismo.

Perante isto, digo uma vez mais que a luta que temos pela frente, em vários cantos da Europa, é um combate sem tréguas e sem papas na língua contra os fascistas. Koblenz recorda-nos isso hoje, tal como o discurso inaugural de Trump o fez ontem.

 

publicado por victorangelo às 16:46
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04
Jan 17

2017: Fazer renascer a esperança

Victor Ângelo

 

Esta é altura do ano ideal para quem vende bolas de cristal. Os políticos, os cronistas, os opinantes de diversos tamanhos, credos e feitios, e mesmo o meu amigo João, que é um doente obsessivo das redes sociais, andam todos a prever as desgraças do novo ano. E o mais interessante é que parece que adquiriram as suas bolas de cristal no mesmo fornecedor, talvez um ousado empreendedor asiático, com loja na zona do Martim Moniz em Lisboa.

Assim, quando olho para a Europa na perspetiva de 2017, sinto que faço parte do clube. Só que a minha bola é outra. Não diz respeito a previsões, mas sim ao que deve ser o foco da política europeia no ano que agora começa. E a resposta é clara: a prioridade absoluta deve ser a de combater a extrema-direita, nas suas diversas manifestações populistas e ultranacionalistas. As demagogias têm vários matizes, nos diferentes Estados da UE. Mas o verdadeiro perigo vem dos extremistas de direita, das novas manifestações de fascismo que se organizaram em movimentos políticos, em países importantes para o futuro da Europa. A luta política em 2017 tem que se concentrar na denúncia desses partidos e dos que ingénua ou propositadamente lhes fazem a cama.

Em França, significa contribuir para a derrota das ambições presidenciais de Marine Le Pen. É na França que encontramos o maior risco e é aí que se deve concentrar uma boa parte do combate político. Nos Países Baixos, trata-se de impedir que o racista Geert Wilders, que irá provavelmente ficar à frente nas eleições legislativas de Março, venha a fazer parte da próxima coligação governamental na Haia. Na Itália, a coisa é mais complicada. Na realidade, o primeiro passo consiste em impossibilitar a vitória eleitoral do Movimento 5 Estrelas. Se isso acontecesse, e como certamente se trataria de uma vitória parcial, insuficiente para que formassem governo sem outros apoios, esses confusos básicos teriam que procurar um acordo com gente próxima, o que significaria muito presumivelmente os fascistas agrupados em torno da Liga Norte. Uma aliança desse género representaria, para além das convulsões internas italianas, uma ameaça muito séria para a estabilidade da UE.

Mais ainda, não convém esquecer o que se passa na Polónia e na Hungria. Os governos destes países são manifestamente de tendência ultraconservadora e perigosamente autoritários. Cabe à opinião pública europeia e às instituições comuns apoiar a luta da maioria da população polaca, que se opõe às medidas reacionárias e liberticidas da minoria no poder em Varsóvia. Como também não podemos baixar os braços perante as derivas xenófobas de Viktor Orbán, o homem forte em Budapeste. Orbán é um mau exemplo, que precisa de ser isolado. E não se trata apenas do seu impacto negativo no funcionamento das instituições e na implementação dos valores europeus. O líder húngaro representa, igualmente, uma ameaça para as relações de boa vizinhança numa parte da Europa que continua a manifestar várias fragilidades sociais e económicas.

A extrema-direita europeia pesca nas águas poluídas pelas verborreias contra a Europa, os imigrantes, as elites de todo o tipo e a falada corrupção dos políticos tradicionais. Alimenta-se da insegurança e dos sentimentos de injustiça, desigualdade e desânimo dos cidadãos e da exaltação simplista e distorcida da história de cada povo. É perita em criar ódios, inimigos e papões, contra os quais haverá, em seguida, que mobilizar as forças patrióticas da nação. É a artimanha que consiste em inventar um inimigo e depois concentrar todo o fogo na sua destruição. Neste momento, o euro, Jean-Claude Juncker e o islão servem bem esse estratagema e são os ogres a abater.

Por comparação, os populistas da extrema-esquerda são uns meros meninos de coro. Na maioria dos casos, não vale a pena perder tempo com eles em 2017. Todavia, há que estar atento. A sua agenda tem pontos que coincidem com os dos fascistas. E nessa altura, há que ser franco e chamar as coisas pelos nomes. Sem hesitações, sem medos, com argúcia e uma agenda que crie esperança no futuro. Na verdade, na Europa de 2017 estão em causa a democracia e a prosperidade de todos nós.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 17:47
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30
Dez 16

Deve ser por burrice, mas a verdade é que a edição de hoje do jornal “Público” dá uma relevância e um espaço inaceitáveis a um dos mais conhecidos fascistas italianos, Claudio Borghi. O fulano é apresentado como um eminente economista, com direito a duas páginas de entrevista. Seguem-se mais uma página e um editorial em que os jornalistas desse diário se referem à entrevista, mas sem espírito crítico, como se as ideias de um fascista, que também é reconhecidamente xenófobo, fossem apenas mais uma contribuição para o debate sobre a “crise na Europa”.

Borghi, que vê a situação económica na Itália pelo prisma único e simplista do Euro, repete ao longo da conversa que tudo entrará nos eixos quando o seu país sair da moeda única. Nada mais diz. Não menciona a corrupção do sistema político italiano, a necessidade de reforma do mesmo, não faz referência à incapacidade em se modernizar que certos sectores da economia italiana têm revelado, não fala dos créditos malparados da banca nacional, que somam cerca de 360 mil milhões de euros, nem do endividamento absolutamente anormal do Estado – acima de 130% do PIB – que resulta, em grande parte, dos salários e honorários fabulosos pagos a uma classe política desmesurada e semeada de vigaristas e trafulhas, nada, nada. É a ideia única, o pensamento maníaco e paranoico, o euro como bandeira de um populismo de extrema-direita.

Ao publicar esta parvoíce perigosa, o “Público” não serve a causa da democracia na Europa.

publicado por victorangelo às 16:40
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30
Nov 16

Ver Fillon, com os olhos postos na Europa

            Victor Ângelo

 

            Nestes dias, o político de quem se fala chama-se François Fillon. No espaço de três semanas, conseguiu passar de um canto obscuro para a boca de cena da política francesa. É agora o candidato oficial do partido Les Républicains, uma formação de direita que Nicolas Sarkozy havia reformado em 2014, com a intenção de a utilizar como a via de regresso ao Palácio do Eliseu.

            Sarkozy já é história, acabaram as suas ambições presidenciais. A direita conservadora que vive na França profunda, na província, nas terras marcadas pela vivência rural e pelos valores católicos tradicionais, perdeu a inocência e deixou de acreditar no estilo endiabrado, e feito de improvisações, que o antigo presidente personificava. Viu em Fillon a imagem que fazem de um presidente da república – sereno, austero, polidamente distante, quase monárquico. Notou, também, a coerência e a clareza do seu discurso. Gostou, além disso, de o ouvir defender um nacionalismo educado, que não faz alarde da xenofobia, embora esta esteja subjacente, e propor uma função pública mais eficaz e mais leve em termos de efetivos, e menos pesada em termos de impostos. Na realidade, Fillon representa, para quem o apoia, o renascimento de uma certa ideia da França, rejuvenescida economicamente, com maior peso político na Europa, e nacionalista sem extremos embaraçosos. Refere-se a uma França alicerçada na nacionalidade genuína, ou seja, de há gerações, nos valores de matriz cristã, assente no conceito de família tradicional e no respeito pelos notáveis locais, por oposição subentendida às elites libertárias de Paris.

            É, de certa maneira, um regresso implícito à maneira gaulista de ver a nação. Na verdade, para a direita, François Fillon simboliza o retorno do pêndulo. Contra a esquerda que está no poder há quase cinco anos e que tem dado uma imagem de incoerência ideológica e de miopia política, de navegação à vista. François Hollande terá contribuído, como ninguém, para a desagregação do Partido Socialista francês. A história lembrar-se-á disso e da sua falta de estatura para o cargo, tão bem ilustrada pelo ridículo das suas escapadelas como o passageiro da motocicleta de um amor às escondidas.

            É igualmente o candidato que parece poder travar a tendência populista que tem marcado as consultas populares, noutros horizontes políticos. Contrariamente ao que alguns querem que pensemos, Fillon é visto por muitos em França como uma espécie de anti-Trump. O seu programa não faz promessas celestiais. Antes pelo contrário e, por isso, a sua popularidade surpreende. Podemos não acreditar na exequibilidade desse programa, mas anuncia mais horas de trabalho semanal, menos emprego na função pública, um recuo na idade da reforma e outras coisas que ninguém pode, com honestidade, considerar demagógicas. Poderão, isso sim, ser vistas como opções erradas. No entanto, uma boa maioria do eleitorado de direita achou que faziam sentido.

            Acima de tudo, Fillon poderá impedir Marine Le Pen de ganhar as presidenciais. E essa é, para mim, a sua grande vantagem. O populismo de extrema-direita de Le Pen constitui, nos próximos meses, a maior ameaça à estabilidade da França e da Europa. Estrategicamente, é fundamental concentrar uma boa parte da luta política no combate a Le Pen. Não podemos deixar que ganhe as eleições presidenciais de Maio de 2017. E aí, a candidatura de Fillon é, apesar de todas as reservas que possamos ter sobre o seu programa político e a sua maneira de ver a vida, a melhor aposta. Não é uma questão do mal, o menos. É uma questão existencial, estratégica para o futuro da Europa que ambicionamos.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

 

 

publicado por victorangelo às 18:30
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29
Nov 16

Alguém perguntava hoje, num diário de Lisboa, se podemos “pôr no mesmo saco os radicalizados à esquerda e à direita”. A pergunta vinha no seguimento de um texto sobre o populismo, com uma referência especial ao ensaio que Jorge Sampaio publicou recentemente sobre esse tema.

Independentemente da posição defendida no artigo, que não quero comentar, deixo aqui expresso que a minha resposta sobre esta questão do populismo não é escrita a preto e branco. Há aqui vários matizes, mas o que importa é a versão radical.

O combate contra o populismo radical tem como finalidade evitar que os seus expoentes se aproveitem dos mecanismos democráticos para conquistar o poder e impor, de seguida, uma visão unidimensional, redutora e opressiva da gestão política. Assim, se os extremistas de direita, como é o caso de Marine Le Pen, estiverem próximo de ganhar as eleições, o combate é contra eles. As diferentes facetas da luta política, incluindo as alianças partidárias, deverão, nesse caso, servir para atingir o objectivo que é o de impedir que esses extremistas cheguem ao poder.

E o contrário também é verdadeiro.

Dito isto, é sempre bom lembrar que um radical é sempre um radical e um grande perigo político. Um radical é contra a liberdade de pensamento, pois está convencido até ao tutano que detém a verdade absoluta e por isso, não aceita opiniões diferentes. Um radical não aceita a diversidade que existe nas sociedades modernas. Não quer entender que a democracia é um sistema que procura gerar equilíbrios entre diferentes interesses e sensibilidades. Também não entende que no século XXI cada país faz parte de um xadrez internacional de alianças políticas e de relações económicas. O extremista não tem uma visão global do presente. Vive numa realidade imaginária.

Num mundo complexo como o de hoje, todos os extremismos são condenáveis e inaceitáveis.

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:37
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23
Nov 16

Não me parece estratégico falar de populismos de um modo indefinido. O verdadeiro risco, a ameaça em vários países europeus, provém da extrema-direita. É essa gente que tem a possibilidade de chegar ao poder, se os contextos nacionais e europeu continuaram a não responder às ansiedades de uma boa franja dos eleitores. Por isso, o combate político deve ter como alvo principal esses movimentos. E deve ser feito de modo amplo, em aliança com todos os que se opõem ao ressurgimento das ideias xenófobas, racistas e fascistas.

publicado por victorangelo às 19:33
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15
Nov 16

Quem tem paciência para ler cinco páginas de jornal sobre a ameaça populista? E para que servem essas cinco páginas, quando o populismo extremista está a bater-nos à porta?

Há aqui um certo desnorteio.

Nestes tempos, como Donald Trump nos mostrou, para nossa infelicidade, o poder conquista-se com uma bateria cerrada de “tweets”. Com 140 caracteres por mensagem. O resto é conversa para as elites e para uma meia dúzia de fiéis. Nada mais. Não tem qualquer impacto sobre o povo eleitor e dá novos argumentos aos extremistas, que não se cansam de repetir que as elites políticas estão completamente divorciadas do cidadão comum.

 

publicado por victorangelo às 20:43
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