Portugal é grande quando abre horizontes

01
Mai 17

Nestas bandas da Europa é tradição oferecer ramos de junquilhos no dia 1º de maio. É a flor da Primavera e dos sorrisos que vêm com um tempo mais ameno.

Hoje, no minúsculo comício que o velho senhor Jean-Marie Le Pen organizou em Paris, um comício que foi uma mistura de farsa e de saudosismo serôdio, apareceram dois adolescentes a vender junquilhos aos ridículos fascistas e outros saudosistas presentes. Quando um jornalista de serviço lhes perguntou se estavam ali por simpatia com a FN, disseram que não. Tratava-se de uma pura iniciativa comercial.

Um sentido de oportunidade de negócios, diria eu, depois de os ouvir acrescentar que aproveitavam o facto de não haver concorrência. Os paquistaneses, que são quem anda nestas andanças das vendas ambulantes de flores, não ousavam aproximar-se das gentes racistas de Le Pen. Deixavam assim o campo livre aos dois jovens, que esses sim, eram bem franceses de aspecto e podiam tratar do seu negócio em paz.

publicado por victorangelo às 21:24
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14
Fev 17

Ontem decidi lavar o carro. Não por ser véspera do Dia dos Namorados, mas porque a viatura estava mesmo a precisar, sobretudo depois de uma viagem ao campo, numa tarde de mau tempo.

Dei várias voltas às zonas da grande cidade que me são vizinhas. Estava tudo cheio e com filas de espera. Farto de tentar arranjar vaga nas estações de trabalho manual, acabei por ir direito à lavagem mecânica. Também aí havia bicha, mas a coisa andava mais depressa.

Fiquei à espera e a lembrar-me que se diz por aí que os homens de uma certa idade prestam mais atenção às suas viaturas do que às suas esposas. Acabei por me convencer que talvez assim fosse. Mesmo numa véspera como a de ontem. Mas ao chegar a minha vez, o empregado da geringonça lavadoura deixou-me na dúvida. Dúvidas, sempre dúvidas. Segundo ele, quando o sol aparece em Bruxelas, é mesmo assim. As pessoas lembram-se que é altura de ir à lavagem. E entopem o mercado, que já por si tem pouca oferta, que isto de esfregar chapa é coisa de imigrantes, no fim da escala.

E fica tudo a brilhar, por uns dias, enquanto se espera pela chuva e pelos traços da poluição ambiente.

publicado por victorangelo às 16:42
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12
Fev 17

A minha neta disse-me, à hora do almoço, que tinha passado a noite sem dormir e a manhã deste domingo muito angustiada. A razão: tentara repetidamente bocejar, sem o conseguir. Disse-lhe, então, que a tentaria ajudar. E assim foi, o que lhe abriu o apetite e deixou a preocupação com os bocejos para trás.

Não lhe expliquei, no entanto, donde vinha a minha perícia em bocejos. Para quê dizer-lhe que a adquiri a ouvir discursos políticos de gente sem chama, ao ler textos de opinião nos jornais, escritos por uns fulanos especializados na pretensa ciência dos ecos palavrosos, ou nas inumeráveis reuniões intergovernamentais que o meu trabalho na ONU me obrigou a assistir?

Os intermináveis telejornais das televisões portuguesas também são uma excelente fonte de bocejos. Mas como eu tenho outras oportunidades de me enfadar, dispenso ver tais programas.

 

publicado por victorangelo às 20:40
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02
Dez 16

Estive ontem no almoço anual dos Antigos Alunos do Liceu Nacional de Évora. Foi a primeira vez que participei, cinquenta anos depois de haver terminado o antigo sétimo ano. Claro que achei que estavam todos um bocado mais velhos. Mas gostei de estar presente. Apesar da reunião ter posto à prova a realidade das minhas amizades “facebuquianas”. Um bom número dos presentes no almoço é meu no Facebook. Mas não se notou. A culpa terá sido minha, que não tive a presença de espírito de ir de mesa em mesa para me apresentar aos meus “amigos virtuais”. Tive, depois, muita pena.

 

publicado por victorangelo às 22:35
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11
Nov 16

Há sempre outras maneiras de ver as coisas. Durante a minha recente estada em Santa Fé, no meio da aridez do Novo México, um estado do Sudoeste da América, voltaram a lembrar-me essa verdade.

Alguém profundamente conhecedor da história local contou-me que, há umas duas décadas atrás, o índio mais influente da cidade foi convidado pelo então Presidente dos EUA a visitar Washington DC. O chefe índio, cacique supremo da tribo Pueblo, ficou encantado com o que viu na capital federal.

Depois, já regressado a Santa Fé, ouviram-no várias vezes comentar que Washington é outra coisa. Tem boas terras cultiváveis e água em abundância. E acrescentava sempre que não entendia os políticos da capital: em vez de se dedicarem à agricultura e de produzirem a alimentação que os sustentaria, passavam os dias a discutir entre si e a dizer mal de tudo e de todos.

publicado por victorangelo às 21:24
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24
Set 16

Nesta altura do ano, as minhas caminhadas diárias passam pela esplanada da Torre de Belém. E mesmo agora, já tarde em setembro, a zona está cheia de turistas. Neste momento, são sobretudo gente da terceira idade, vinda até Lisboa nos navios de cruzeiros. E todos os dias lá estão cerca de duas dezenas de gente nossa, cigana, os homens a tentar impingir aos turistas paus para tirar selfies, uns sticks de plástico barato, e as mulheres, xailes de fibras artificiais, fabricados num qualquer país da Ásia, e comprados aos quilos, num qualquer canto mais escuro do mercado informal em que os nossos concidadãos ciganos se movimentam bem. Quando recentemente indaguei como ia o negócio, um dos homens disse-me que este tipo de turistas dos cruzeiros não compra paus nem panos. Mas a verdade é que ele e os outros e outras lá estão, persistentemente. Por vezes, nem deixam os turistas tirar as suas fotos em paz, tal é a ânsia de vender. Ainda hoje assisti a uma cena dessas, com o velho turista a implorar que o deixassem em paz, para poder tirar uma ou duas fotografias à Torre. Por vezes, a PSP aparece no local. E nessa altura, pode tirar-se toda a fotografia que se quiser, na maior das tranquilidades. Os meu amigos vendedores desaparecem da esplanada, num segundo, como que levados por uma rabanada de vento frio. Nessa altura, não há pau nem xaile para ninguém.

publicado por victorangelo às 21:58
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06
Set 16

O meu motorista em Bichkek é um cidadão “etnicamente russo”, como diz o seu bilhete de identificação nacional. Um homem que deve estar na casa dos sessenta, mais ano menos ano. Em 1991, na altura da independência do estado quirguize, resolveu ficar e adoptar a nacionalidade do país para onde a União Soviética o havia trazido, tinha ele seis meses de vida. Os seus filhos, hoje maiores, resolveram emigrar para a Rússia, tal como aconteceu com a grande maioria dos russos nesta parte do mundo. Ele e a mulher sentem-se bem no Quirguistão.

Hoje, deu-me uma lição de ética profissional.

Estava eu no carro, com um colega, no banco de trás e íamos encetar uma conversa sobre um dos encontros que acabáramos de ter. Uma conversa que seria um pouco mais delicada que o habitual. Ele, que até então só precisara de falar russo, interrompeu-nos de imediato, em inglês, para nos alertar que entendia bem a língua inglesa e que, por isso, achava que era bom que estivéssemos a par dessa sua competência.

Foi exemplar.

E passámos a vê-lo não apenas como motorista mas como um guia que conhece bem as ruas e as histórias de Bichkek.

 

 

publicado por victorangelo às 13:33
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02
Ago 15

Ontem a minha neta, com a sabedoria dos seus cinco anos, lembrou-me de modo inequívoco, que as promessas são para se cumprir. Aquilo que eu pensava ser uma maneira simples de a convencer que estava na hora de ir dormir, prometendo algo que parecia inofensivo mas que para ela era importante, acabou por se transformar numa lição política. E fiquei a matutar, depois do incidente, que, mesmo quando se trata de gente com cinco anos de idade, é melhor prometer apenas aquilo que de facto se tem a intenção de levar a cabo.


Nesta altura de promessas eleitorais, em que se promete mundos e fundos, seria bom que os nossos políticos passassem um pouco mais tempo a interagir com crianças de idade pré-escolar.

publicado por victorangelo às 15:39
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28
Mai 15

A frequência das minhas viagens – combinada com a idade, claro – tem um impacto sobre a regularidade e a inspiração da minha escrita. Mas também é verdade que as viagens são uma fonte de inspiração. Têm o condão, além disso, de nos permitir ter uma visão mais objectiva da nossa realidade nacional.

Ontem depois do jantar servi de guia a quem estava comigo em Stavanger, pessoa pública vinda de Portugal, alguém muito conhecido no nosso país. Demos uma volta a pé por um dos bairros residenciais dessa cidade norueguesa. O meu acompanhante teve a oportunidade de ver a maneira absolutamente impecável de manter as casas, os jardins privados, as ruas, os veículos e os parques municipais. E de notar que ali ninguém buzina, ninguém conduz à maluca e que os jovens não fazem escabeche nos lugares públicos.

Não sei se, depois disso, essa personalidade irá cortar a erva do seu jardim, quando voltar a Portugal. Falou-me várias vezes no descuido em que o jardim se encontra. Disse-o, no entanto, com um certo grau de fatalismo, como se a sina dos portugueses fosse a de viver numa bandalheira colectiva e num desleixo individual.

publicado por victorangelo às 20:27
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18
Mai 15

No dia em que muitos dos bloques portugueses escrevem sobre a PSP, o Benfica e a violência que ocorreu a pretexto das celebrações de adeptos na zona do Marquês de Pombal, em Lisboa, vou escrever sobre uma cadeira, na Noruega.

A historieta é muito simples.

Voltei hoje, três semanas passadas, ao mesmo hotel onde havia ficado da última vez, durante a estada de Abril. O hotel está no centro da cidade de Stavanger, na parte sul da costa ocidental norueguesa. É um estabelecimento recomendado por quem sabe destas coisas. Por coincidência foi-me atribuído o mesmo quarto onde ficara no mês passado. Só que nessa altura a reserva tinha a designação pomposa de “business room”. Agora, é apenas um simples quarto duplo. O resto não mudou. Nada mesmo. Nem mesmo a cadeira que está frente à escrivaninha. Durante a minha visita de Abril o braço esquerdo da cadeira ficou desatarraxado e caiu, ficando preso apenas num ponto, pendurado no vazio. A reparação consistiria em pegar numa chave inglesa e apertar a coisa. Um trabalho que demoraria um minuto a fazer. Para minha grande surpresa, o arranjo ainda não foi feito.

Deve ser por isso que a classificação do quarto baixou. Mas o preço continua a ser o mesmo, que aqui é tudo caro. E eficaz, dizem os nativos…

publicado por victorangelo às 18:57
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