Portugal é grande quando abre horizontes

19
Jul 17

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=8981

Acima fica o link para os meus comentários desta semana no Magazine Europa da Rádio TDM de Macau.

Falo do véu islâmico, das distintas dimensões da aliança entre a França e a Alemanha - sobretudo na área da defesa -, e finalmente, sobre a Turquia e o seu relacionamento com a UE.   

publicado por victorangelo às 21:31
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16
Jul 17

Na semana que passou, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos aprovou de modo unânime uma sentença que reconheceu ao governo da Bélgica a legitimidade para proibir o Niqab – o véu que cobre a cara e só deixa ver os olhos das mulheres que o utilizam – nos lugares públicos.

A argumentação teve em conta questões de segurança, de igualdade entre os homens e as mulheres e o imperativo da integração de cada pessoa na sociedade a que pertence. Se a sociedade não aceita, como é o caso da Bélgica, o Niqab, o Tribunal achou que haveria que ter esse facto em linha de conta.

A decisão procurou assim fazer o equilíbrio entre os direitos individuais e as exigências que decorrem da vida em sociedade. E deu, em grande medida, muita importância à questão do “viver com os outros”.

Estamos perante um contributo importante para a questão da diversidade de culturas na Europa. Esse assunto precisa, cada vez mais, de ser encarado de modo aprofundado, nas suas diferentes facetas e tendo em conta o que significa, nos dias de hoje, pertencer a uma nacionalidade europeia.

publicado por victorangelo às 21:51
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13
Mar 17

A Holanda está no centro das atenções.

A crise com a Turquia parece-me ter sido uma provocação deliberada. O Presidente Erdogan sabia que este era o último fim-de-semana, antes das eleições legislativas holandesas de 15 de março. Sabia igualmente que, durante um período como este, nada é inocente. Sobretudo quando questões identitárias, nacionalistas e anti-imigração islâmica estão no centro do debate político, como é o caso nos Países Baixos. Planear acções de campanha na Holanda, lideradas por ministros vindos de Ancara, com vista ao referendo turco, um referendo que só terá lugar a 16 de abril, nas vésperas de uma consulta tão melindrosa como a holandesa, só poderia ter como objectivo criar dificuldades adicionais aos moderados holandeses e dar pretextos aos extremistas que apoiam Geert Wilders.

Este é um jogo muito perigoso.

Mark Rutte, o primeiro-ministro holandês, respondeu com firmeza e dentro dos limites. Mas ninguém sabe qual terá sido o impacto da provocação sobre as intenções de voto.

Veremos na quarta-feira. E estaremos sobretudo atentos aos resultados quando comparados com as sondagens. Serão um barómetro. Se se notar que a votação em Wilders é muito superior às previsões, deveremos ficar muito preocupados. Estaremos, então, perante uma situação que se poderá repetir em França: eleitores que votam pela extrema-direita, mas que permanecem calados durante os inquéritos de opinião. Ou que apontam num sentido, por medo da crítica social, mas disparam noutro, e claramente em apoio dos fascistas.

 

publicado por victorangelo às 20:29
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04
Jan 17

2017: Fazer renascer a esperança

Victor Ângelo

 

Esta é altura do ano ideal para quem vende bolas de cristal. Os políticos, os cronistas, os opinantes de diversos tamanhos, credos e feitios, e mesmo o meu amigo João, que é um doente obsessivo das redes sociais, andam todos a prever as desgraças do novo ano. E o mais interessante é que parece que adquiriram as suas bolas de cristal no mesmo fornecedor, talvez um ousado empreendedor asiático, com loja na zona do Martim Moniz em Lisboa.

Assim, quando olho para a Europa na perspetiva de 2017, sinto que faço parte do clube. Só que a minha bola é outra. Não diz respeito a previsões, mas sim ao que deve ser o foco da política europeia no ano que agora começa. E a resposta é clara: a prioridade absoluta deve ser a de combater a extrema-direita, nas suas diversas manifestações populistas e ultranacionalistas. As demagogias têm vários matizes, nos diferentes Estados da UE. Mas o verdadeiro perigo vem dos extremistas de direita, das novas manifestações de fascismo que se organizaram em movimentos políticos, em países importantes para o futuro da Europa. A luta política em 2017 tem que se concentrar na denúncia desses partidos e dos que ingénua ou propositadamente lhes fazem a cama.

Em França, significa contribuir para a derrota das ambições presidenciais de Marine Le Pen. É na França que encontramos o maior risco e é aí que se deve concentrar uma boa parte do combate político. Nos Países Baixos, trata-se de impedir que o racista Geert Wilders, que irá provavelmente ficar à frente nas eleições legislativas de Março, venha a fazer parte da próxima coligação governamental na Haia. Na Itália, a coisa é mais complicada. Na realidade, o primeiro passo consiste em impossibilitar a vitória eleitoral do Movimento 5 Estrelas. Se isso acontecesse, e como certamente se trataria de uma vitória parcial, insuficiente para que formassem governo sem outros apoios, esses confusos básicos teriam que procurar um acordo com gente próxima, o que significaria muito presumivelmente os fascistas agrupados em torno da Liga Norte. Uma aliança desse género representaria, para além das convulsões internas italianas, uma ameaça muito séria para a estabilidade da UE.

Mais ainda, não convém esquecer o que se passa na Polónia e na Hungria. Os governos destes países são manifestamente de tendência ultraconservadora e perigosamente autoritários. Cabe à opinião pública europeia e às instituições comuns apoiar a luta da maioria da população polaca, que se opõe às medidas reacionárias e liberticidas da minoria no poder em Varsóvia. Como também não podemos baixar os braços perante as derivas xenófobas de Viktor Orbán, o homem forte em Budapeste. Orbán é um mau exemplo, que precisa de ser isolado. E não se trata apenas do seu impacto negativo no funcionamento das instituições e na implementação dos valores europeus. O líder húngaro representa, igualmente, uma ameaça para as relações de boa vizinhança numa parte da Europa que continua a manifestar várias fragilidades sociais e económicas.

A extrema-direita europeia pesca nas águas poluídas pelas verborreias contra a Europa, os imigrantes, as elites de todo o tipo e a falada corrupção dos políticos tradicionais. Alimenta-se da insegurança e dos sentimentos de injustiça, desigualdade e desânimo dos cidadãos e da exaltação simplista e distorcida da história de cada povo. É perita em criar ódios, inimigos e papões, contra os quais haverá, em seguida, que mobilizar as forças patrióticas da nação. É a artimanha que consiste em inventar um inimigo e depois concentrar todo o fogo na sua destruição. Neste momento, o euro, Jean-Claude Juncker e o islão servem bem esse estratagema e são os ogres a abater.

Por comparação, os populistas da extrema-esquerda são uns meros meninos de coro. Na maioria dos casos, não vale a pena perder tempo com eles em 2017. Todavia, há que estar atento. A sua agenda tem pontos que coincidem com os dos fascistas. E nessa altura, há que ser franco e chamar as coisas pelos nomes. Sem hesitações, sem medos, com argúcia e uma agenda que crie esperança no futuro. Na verdade, na Europa de 2017 estão em causa a democracia e a prosperidade de todos nós.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 17:47
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26
Ago 16

O meu escrito de ontem sobre o burkini atraiu muita atenção e suscitou muitos comentários.

A minha reflexão procurava ser uma leitura política da proibição do uso do burquini. Não tinha a ambição de acrescentar uma linha que fosse ao debate religioso nem queria entrar em polémicas sobre a aceitação ou a rejeição de populações que vieram ou têm raízes fora da Europa, e muito particularmente em países de cultura islâmica.

Enquanto escrito político, levantava uma série de questões sobre as relações entre culturas muito distintas, quando estas coabitam no mesmo espaço nacional. Questões sobre a tolerância do outro, a integração, a militância protagonizada por um lado e o outro, bem como sobre a estabilidade política em sociedades muito diversas.

Estas são algumas das pistas de debate a que não poderemos fugir, sobretudo nos países com uma proporção significativa de pessoas que vêem a vida em sociedade por prismas que não são os tradicionais da Europa.

As reacções que tive mostram que se trata de um tema que interessa a muitos portugueses, apesar de não termos aqui situações semelhantes às que se verificam em Marselha, em Molenbeek ou em Berlim. Mostram igualmente que se trata de um assunto que é facilmente explosivo. Mas isso não deve impedir que se fale e se escreva sobre ele.

Curiosamente, um dos comentários aconselha-me a que levante o rabo do meu “confortável” cadeirão e que vá viajar por França, para entender o que se passa nesse país, em que os autocarros estão cheios de muçulmanos, e assim sucessivamente. É a primeira vez que alguém me diz que vá viajar. Como passei e continuo a passar a vida a andar por muitos e variados sítios, e não como turista apenas, mas sim por outras razões, o que normalmente me perguntam é quando vou parar de andar por esse mundo fora.

A resposta é que não será de imediato. Aliás, a próxima viagem levar-me-á à Ásia Central e curiosamente, estará relacionada com o crescente radicalismo religioso que tem estado a ocorrer nessa região. Um assunto que preocupa as autoridades e as organizações internacionais, e que não tem encontrado uma maneira eficaz de ser tratado

Mas, como podemos constatar, em Portugal também temos muitas vistas radicais e não serão mesmo nada de inspiração religiosa…

 

 

publicado por victorangelo às 18:05
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25
Ago 16

O burkini tapa muita coisa

Victor Ângelo 

 

            A interdição do uso do chamado burkini, em várias praias de França, é uma medida bastante controversa. A favor, encontramos uma boa parte da classe política francesa, incluindo ao mais alto nível, segundo se percebeu ao ler as declarações recentes de Manuel Valls, o primeiro-ministro. Argumentam, no essencial, que se trata de uma maneira de vestir que traz, de modo ostensivo e provocatório, a militância religiosa extremista para um espaço comum de lazer, criando assim situações que podem perturbar a ordem pública. Este argumento vale o que vale. Mas a verdade é que a legalidade da interdição acaba de ser aceite pelo Tribunal Administrativo de Nice. Contra, estão a Liga dos Direitos Humanos e certas organizações islâmicas, que veem na proibição um ato discriminatório e contrário à liberdade individual. E no meio da polémica surge a questão dos direitos das mulheres, sem que a sua voz seja particularmente ouvida.

            Em Portugal e noutros países da Europa com uma proporção pouco expressiva de muçulmanos residentes, não se entende o que está em causa em França. Como também o não compreendem os britânicos, apesar do peso das comunidades islâmicas no quotidiano do Reino Unido. Nesse país, o alheamento perante o que é diferente e a segregação informal criaram um equilíbrio social entre mundos paralelos, que vivem à parte e fingem ignorar-se.

            Voltando à França, a contenda esconde questões muito sérias. Na minha leitura, estamos perante mensagens políticas de um novo tipo e sinais de uma crise de sociedade que se anuncia. O que os políticos parecem querer dizer é que esperam dos muçulmanos de França um comportamento que mostre que estão dispostos a integrar-se mais e melhor na cultura do país, tal como esta é entendida pela maioria da população. O burkini poderá ser uma solução no Norte de África ou no Médio Oriente. Não cabe, no entanto, na maneira laica, moderna e sem preconceitos de estar na vida que se pratica no Ocidente e em particular nos areais do Mediterrâneo da Côte d´Azur. Mais ainda, a sua introdução é vista como mais uma bandeira de uma campanha que certos sectores radicais pretendem promover, com vista a ganhar importância política através de uma militância de cariz religioso extremo. 

            Tudo isto reflete as novas inquietudes que se vive em França – e noutros países da vizinhança. Uma parte da França ficou traumatizada com a ocorrência sucessiva de atentados. É igualmente revelador de um conflito latente entre comunidades nacionais, que só espera que surjam faíscas, como as dos burquinis, para que se acendam os ânimos e se extremem as posições.

            Terá sido atingido o limite de tolerância em relação à diversidade cultural e étnica, em sociedades como a francesa? Iremos entrar numa fase de conflitos abertos e de discriminação deliberada contra quem é diferente? Veremos certos grupos minoritários, mas convencidos da sua superioridade religiosa e da força da sua determinação, começar a pôr em causa os valores do secularismo, da igualdade entre os homens e as mulheres, da liberdade de escolhas, incluindo a possibilidade de não se acreditar no além? Grupos que procurarão impor um modo de estar na vida que nada tem que ver com as práticas europeias de hoje?

            Haverá certamente motivos para se estar ansioso em relação ao futuro. Há, no entanto, que debater estas questões com serenidade. Mas, para já, devemos ficar preocupados por ver que os autores dos atentados estão, em certa medida, a conseguir realizar dois objetivos importantes. Dividir a sociedade, por um lado. Por outro, levar os políticos e a opinião pública a concentrarem a sua atenção em questões que não deveriam ser mais do que assuntos marginais no grande espectro de problemas que a França e alguns dos seus vizinhos têm pela frente. Incluindo nós, enquanto parceiros no mesmo espaço geopolítico.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 17:58
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12
Mai 16

Na discussão de hoje, ficou bem claro que Marrocos está igualmente a viver um processo de radicalização religiosa. A política e a vida em sociedade estão cada vez mais influenciadas pelas ideias retrógradas de quem interpreta o islão de uma maneira fundamentalista e absurdamente redutora. Para complicar a coisa, o monarca fez recentemente um discurso antiocidental, durante uma visita aos países do Golfo. Para muitos, o discurso não constituiu uma surpresa. Deu seguimento a outras declarações feitas nos últimos tempos. O que surpreendeu foi a clareza do ataque. Mas mesmo isso deve ser visto como a confirmação da viragem em direção aos países mais ricos e mais conservadores do Médio Oriente.

publicado por victorangelo às 21:21
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28
Fev 16

A minha amiga Faranaz Keshavjee publicou na Visão um texto inteligente sobre os “mitos” que existem à volta do Islão. Faranaz é uma portuguesa, igual a todos nós. Tem um nível educacional acima da média. É de confissão religiosa muçulmana, por razões pessoais e também por motivos das suas raízes familiares. E aproveita os conhecimentos que tem da sociedade portuguesa e da sua religião para nos esclarecer sobre o Islão. Faz bem. Precisamos de ter uma narrativa serena sobre o assunto. Ajuda a evitar os preconceitos.

Os comentários ao seu texto são, todavia, pouco serenos. Não são muitos, que em geral os textos que aparecem no online da Visão não suscitam reacções em grande número, mas são violentos. Era de esperar. Há por aí muita ideia confusa sobre a questão. Por isso é que textos como o que escreveu são úteis. É preciso continuar a esclarecer. E a explicar que a religião é, ao fim e ao cabo, uma escolha pessoal, uma daquelas decisões que fazem parte da lista das liberdades individuais. Cada um tem a sua, ou não tem nenhuma. E vive com o que tem, em paz e deixando os outros em paz, igualmente.

publicado por victorangelo às 21:23
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09
Dez 15

 

"O resultado eleitoral obtido pela Frente Nacional (FN) no domingo passado, nas eleições regionais francesas, fez perder o equilíbrio a muita gente. Foram sobretudo os políticos tradicionais, do arco central, à esquerda e à direita, quem ficou mais destabilizado. E nestes dias, uma boa parte dos comentários e das declarações políticas vão no sentido de tentar perceber o que terá levado cerca de 30% dos eleitores a colocar a FN à cabeça do panorama partidário francês. Como também se procura entender qual poderá ser o impacto sobre outras partes da Europa de uma França que mostra agora um marcado pendor ultranacionalista, com profundos traços xenófobos.

            Responder as estas questões de modo politicamente correto seria um erro. A hora não é para palavras mansas. Mas também não chega dizer que se trata da extrema-direita, do fascismo e que Marine Le Pen é o diabo personificado. Esse tipo de acusações perdeu tração. Aparece como conversa do passado, de intelectuais de ideias vagas.

            É preciso sublinhar que uma votação deste tipo, que é antissistema, mostra que existe um mal-estar social de peso. "

 

(Extracto do meu texto "As penas de Le Pen", publicado hoje na Visão online)

publicado por victorangelo às 20:37
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26
Nov 15

Segurança: mais um teste à unidade europeia

Victor Ângelo

 

 

Em Bruxelas, depois de vários dias de alerta máximo, a segurança é o tema que predomina. Quase não se fala noutra coisa, nas ruas e nos gabinetes das instituições. A presença de polícias e militares um pouco por toda a parte dá ainda maior visibilidade à questão. E a evidência é que há menos gente nas ruas e nos lugares públicos, sem contar que vários centros comerciais da capital continuam fechados, quatro dias depois do anúncio do estado de alerta máximo. No metropolitano, reina o silêncio. As pessoas olham-se e fecham-se no seu canto. O receio pode ter dado lugar à apreensão. A atmosfera da capital da Europa ficou mais cinzenta.

Do outro lado da fronteira, em França, temos agora uma situação de exceção, por um período incrivelmente longo de três meses. É, em certa medida, uma situação estranha, em que o excecional passou a ser a nova normalidade. Para além do excesso de exceção, fica a interrogação se três meses não querem dizer que o assunto é mais grave do que aquilo que nós, que não temos as informações todas, possamos imaginar. Ou será um golpe político, para mostrar que se é um bom cabo-de-guerra, um chefe que poderá assim ter mais hipóteses de ser reeleito? A verdade é que há homens armados por todos os lados. Dir-se-ia, se os tempos estivessem para ironias, que os uniformes de combate parecem ser o novo grito da moda francesa.

Mais a norte, no Reino Unido, acaba de ser aprovado um novo orçamento de defesa, que permitirá às forças armadas gastar em equipamento, nos próximos dez anos, 178 mil milhões de libras, uma enorme quantidade de dinheiro. A justificação dada pelo primeiro-ministro britânico assentou nos recentes acontecimentos em Paris e em Bruxelas, bem como nos atentados que têm ocorrido aqui e acolá, fora da Europa, enfim, na necessidade de reforçar a segurança nacional. Mas estará certo investir preferencialmente na defesa, quando o desafio parece ser, acima de tudo, uma matéria de polícia?

E um pouco por toda a parte, os extremistas xenófobos tentam ligar o islão e os fluxos migratórios ao clima atual de insegurança. Trata-se, como o leitor sabe, de uma ligação incorreta. Mas que dá frutos. Todos os analistas que estudam a opinião pública, sobretudo no centro e no norte da Europa, nos dizem que a rejeição dos cidadãos de fé islâmica e a recusa da aceitação de refugiados estão a ganhar terreno. Veremos que resultados sairão das próximas sondagens aos europeus. Em meados do ano, à volta de 40% dos cidadãos da Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Noruega, Reino Unido e Suécia tinham uma opinião negativa sobre os muçulmanos, um valor que só era ultrapassado pela perceção sobre os ciganos, que ultrapassava os 50% de negatividade. 

A verdade é que a UE está agora confrontada com novos desafios de segurança. E que é preciso que haja um debate coletivo sobre o assunto, e uma resposta comum. A segurança é uma das obrigações essenciais dos Estados de direito. Mas, no caso europeu e tendo em conta a interdependência entre os países, as respostas nacionais, país por país, só resultarão se estiverem integradas num conjunto coerente e aceite por todos os Estados membros. É preciso uma liderança europeia para uma questão que atinge a todos.

A liderança deve começar pela afirmação da primazia dos valores da liberdade, da tolerância, dos direitos humanos e da inclusão social. Salvaguardar esses valores, bem como a integridade física dos cidadãos e os seus bens, são os objetivos fundamentais de uma política integrada de segurança.

Haverá quem, no interior da UE e fora dela, procure sabotar esses objetivos e destruir a coesão europeia. Se o tentar fazer de modo violento, terá que se confrontar com a ação das forças e serviços que têm como função garantir a tranquilidade das pessoas. Mas esses serviços, para poderem ser mais eficazes, precisam de trabalhar num quadro de colaboração mais estreito e mais franco que o atual. É fundamental passar a um nível superior de cooperação entre os serviços nacionais de inteligência e de polícia. Em simultâneo, há que rever as funções da EUROPOL. Se assim acontecer, o que neste momento infelizmente ainda não é uma certeza, estaremos então a caminhar no sentido certo.

 

 (Publicado hoje na Visão online)

 

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publicado por victorangelo às 17:00
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