Portugal é grande quando abre horizontes

22
Mar 17

Publico hoje na Visão on line uma reflexão sobre os sessenta anos da UE. O texto procura abordar esta questão, que é bem complexa, pela positiva. Para bater no projecto comum já por aí há gente que chegue.

O link é o seguinte:

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publicado por victorangelo às 19:56
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11
Jan 17

Creio existir um certo cansaço perante o debate oco e barulhento que tem ocorrido à volta da questão do Brexit.

Reconheço, por outro lado, que o apoio popular ao projecto europeu cresceu depois da decisão britânica. Hoje, segundo os dados mais recentes de que disponho – provenientes da Fundação alemã Bertelsmann – cerca de 62% dos europeus são marcadamente favoráveis à continuação do seu próprio país na UE. Apenas 26% dos cidadãos da Europa afirmam ser partidários da saída.

A oposição à UE é, no entanto, particularmente forte na Itália. Mais de 40% dos italianos pensam que a saída seria a melhor solução. Esta percentagem explica a força que os partidos antieuropeus têm nesse país. Para quem acredita no futuro comum da Europa, a situação italiana é um motivo de preocupação muito sério.

 

publicado por victorangelo às 22:04
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30
Dez 16

Deve ser por burrice, mas a verdade é que a edição de hoje do jornal “Público” dá uma relevância e um espaço inaceitáveis a um dos mais conhecidos fascistas italianos, Claudio Borghi. O fulano é apresentado como um eminente economista, com direito a duas páginas de entrevista. Seguem-se mais uma página e um editorial em que os jornalistas desse diário se referem à entrevista, mas sem espírito crítico, como se as ideias de um fascista, que também é reconhecidamente xenófobo, fossem apenas mais uma contribuição para o debate sobre a “crise na Europa”.

Borghi, que vê a situação económica na Itália pelo prisma único e simplista do Euro, repete ao longo da conversa que tudo entrará nos eixos quando o seu país sair da moeda única. Nada mais diz. Não menciona a corrupção do sistema político italiano, a necessidade de reforma do mesmo, não faz referência à incapacidade em se modernizar que certos sectores da economia italiana têm revelado, não fala dos créditos malparados da banca nacional, que somam cerca de 360 mil milhões de euros, nem do endividamento absolutamente anormal do Estado – acima de 130% do PIB – que resulta, em grande parte, dos salários e honorários fabulosos pagos a uma classe política desmesurada e semeada de vigaristas e trafulhas, nada, nada. É a ideia única, o pensamento maníaco e paranoico, o euro como bandeira de um populismo de extrema-direita.

Ao publicar esta parvoíce perigosa, o “Público” não serve a causa da democracia na Europa.

publicado por victorangelo às 16:40
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05
Dez 16

Os mercados bolsistas europeus parecem não ter ligado ao resultado do referendo italiano. O índice Euro Stoxx 50, que é indicativo do que se passa nas principais praças europeias, subiu 1,25%. O principal índice francês, o CAC 40, aumentou 1,00%. E assim sucessivamente. Apenas o FTSE MIB, que reflecte a bolsa italiana, teve uma quebra insignificante de 0,21%. O euro também aumentou de valor: mais 0,88% em relação ao dólar dos EUA.

A explicação é simples: quem anda pelas bolsas sabia – há meses – que Matteo Renzi não tinha hipóteses de ganhar esta consulta popular. Por isso, as acções italianas foram-se desvalorizando ao longo dos meses. Perderam 20% do seu valor desde o início do ano. Quanto aos bancos, onde as fragilidades são maiores, a perda média do valor das acções bancárias anda nos 48%, em relação a Janeiro de 2016.

Muitas das acções dos bancos estão na posse dos particulares, dos cidadãos que acreditaram na conversa ouvida aos balcões das agências e que foram convencidos a comprar esses títulos. Mais ainda. Existem mais de 170 mil milhões de euros, a título de obrigações bancárias, nas mãos das famílias. Também aí haverá que prever perdas de valor muito significativas.

Em resumo, como foi dito hoje por alguém importante à entrada de uma reunião em Bruxelas, não há receios. Os italianos saberão como resolver estes problemas.

Ficarão, acrescento eu, mais pobres e muito mais fartos das elites políticas e financeiras. O referendo já mostrou essa tendência. E a trajectória parece levar a Beppe Grillo e à chegada ao poder do Movimento 5 Estrelas. Ou seja, a elite da desgraça será substituída pela malta da confusão.

 

publicado por victorangelo às 21:09
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17
Nov 16

O Presidente do Conselho Europeu deveria ter sido convidado, mas não foi!

Barack Obama almoça amanhã com os líderes que estão no poder na Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália e Espanha. Acho positivo.

Mas, não chega. Falta Donald Tusk. Este nosso Donald representa a UE. A sua presença, para além de reforçar a sua posição face aos reaccionários que estão no governo da Polónia, faria chegar, a vários destinos, uma mensagem forte sobre o projecto comum. E nós precisamos desse tipo de mensagens e de simbolismos.

É de lamentar que os chefes de Estado e de governo convidados – com excepção de Theresa May, é claro – não tenham levantado a questão do convite a Tusk. Esses líderes andam sempre a perder oportunidades de mostrar uns laivos de perspicácia.

publicado por victorangelo às 18:16
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29
Abr 16

Parou o movimento de refugiados e de candidatos à imigração através do Mar Egeu em direção à Grécia. Assim se prova aquilo que há muito se sabia: se a Turquia quiser agir, pode impedir as saídas ilegais com destino ao espaço europeu. Muito do que aconteceu na região, em 2015 e nos primeiros meses deste ano, teve a luz verde das autoridades turcas e mais: foi utilizado pela Turquia como um meio muito eficaz de fazer pressão sobre a União Europeia. Com vários objectivos…

Agora a crise migratória voltou a estar concentrada no Mediterrâneo Central, no corredor marítimo que liga a Líbia à Itália. Os candidatos à imigração são jovens africanos, vindos sobretudo de vários países da África ocidental. Muitos deles não têm qualquer tipo de documento de identidade. Fazem declarações de nacionalidade que são extremamente difíceis de verificar.

A Europa precisa de tratar desse problema sem mais demoras. Neste caso, não pode contar com o país de início da travessia marítima. A Líbia está longe de uma situação de estabilidade interna. As suas instituições de segurança estão fragmentadas, divididas e em luta entre si. É verdade que nas últimas semanas tem havido uma maior preocupação, por parte de alguns estados europeus, de ajudar a Líbia. Tal irá acontecer, embora de modo muito tímido, pois a insegurança que se vive no país não permite uma cooperação de larga escala.

Infelizmente, a UE não parece ter a vontade necessária para tratar colectiva e coerentemente este novo fluxo migratório. A posição que prevalece é a que transfere as responsabilidades para a Itália, como se o problema fosse uma mera questão italiana. A agenda comum contempla apenas um aumento das patrulhas navais conjuntas, para depois despejar os recolhidos no mar nos portos da Itália do Sul.

Ora, essa não é a resposta adequada. Salva vidas, é bem verdade e indispensável, mas deixa o problema migratório intacto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:41
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30
Jan 14

Ficou claro, para os que participaram na reunião de hoje no Luxemburgo, que a instabilidade nos países emergentes, em particular na Turquia, no Brasil, Argentina e África do Sul, a que também juntaria a Indonésia, para mencionar apenas alguns, está a afugentar os grandes grupos de investimento financeiro. E que esses capitais, que precisam de estar aplicados, que não têm por hábito estar inactivos, poderão aparecer em parte nos mercados da Europa do Sul, nomeadamente em Espanha, Itália e Portugal. O que faria baixar as taxas de juro das novas obrigações e empréstimos públicos, bem como aumentar o valor em bolsa de certas empresas mais promissoras.

 

Uma outra parte, bem mais importante, teria como destino as economias desenvolvidas do Norte da Europa.

 

Assim pensa a economia financeira.

 

É verdade que a economia real e a financeira andam por vezes muito afastadas, em círculos diferentes. É igualmente verdade que uma maior procura da nossa dívida soberana teria um impacto positivo sobre o afrouxamento da austeridade. Assim o entenda quem manda…

publicado por victorangelo às 21:47
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02
Ago 13

Um dos diários económicos relata, na edição de hoje, que no primeiro semestre deste ano não houve investimento estrangeiro no sector do imobiliário comercial em Portugal. Nunca tal havia acontecido, nas décadas mais recentes.

 

Como interpretar? Fácil: não há confiança. E que deduzir dos resultados da chamada “diplomacia económica”? A resposta também não é difícil: não está a produzir resultados.

 

Deve, no entanto, dizer-se que o problema não é só português. Numa conversa em que participei, também hoje, com representantes de um grande banco do centro da Europa, falou-se na possibilidade de investir numa grande empresa pública italiana. A decisão foi aquilo a que chamaria “ambiguamente clara”: não deve ser considerado prudente investir nos países da zona euro que estão ou possam vir a estar em crise financeira…

 

Assim, subtilmente, se vai acentuando a destrinça entre uma zona económica de primeira e outra, que convém ignorar.

 

Os políticos – a começar pelos nossos – deveriam reflectir sobre isto a sério. E enfrentar a realidade com coragem. Mas, como diriam alguns, se os políticos soubessem reflectir sobre estratégia de economia e de desenvolvimento, e não apenas sobre intrigas e tricas, não teriam sucesso na vida partidária. E se tivessem coragem para enfrentar os problemas, seriam corridos dos partidos em que estão oportunamente filiados…

publicado por victorangelo às 21:45
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28
Fev 13

No seguimento das eleições italianas, as elites intelectuais e políticas europeias continuam a não entender que décadas de corrupção política e económica, de clientelismo político, de ausência de um estado de direito, que foi substituído em várias regiões da Itália pelo código de actuação das máfias, e de burocratização extrema da governação central, regional e local, tudo isto acompanhado de demagogia e de ilusões económicas, só poderiam ter este tipo de resultado: colocar o país contra a parede!

publicado por victorangelo às 20:15
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26
Fev 13

Os círculos políticos e financeiros europeus, os que estão habituados a definir a agenda, estão hoje muito confusos e ansiosos, face aos resultados eleitorais na Itália. Para estes líderes, que são na sua grande maioria de direita, o resultado ideal teria sido uma vitória do centro-esquerda italiano – uma contradição interessante. No melhor dos mundos, o centro-esquerda aliar-se-ia ao partido de Mario Monti e continuaria a política que este levou a cabo nos últimos 15 meses.

 

A realidade dos resultados é diferente. Os votos obtidos pelo partido de Berlusconi deixam muitos destes círculos a pensar que o eleitor italiano é um oportunista com memória curta. Nem todos, claro, mas quase um em cada três. Se a estes se juntar quem votou pelo Movimento 5 Estrelas, fica-se a pensar que praticamente 1 em cada 2 italianos ou é tapado da cabeça ou é ingénuo.

 

Perante tudo isto, creio que é importante dizer que, por mais caótica que esteja a cena política, haverá uma solução. O pior cenário seria um governo minoritário do Partido Democrático. Teria imensas dificuldades em governar e acabaria por cair dentro de meses. Nessa altura, Berlusconi e Grillo estariam numa posição eleitoral ainda mais forte. Assim, a via a seguir nos próximos dias é a de tentar criar uma grande coligação do centro-esquerda com o centro-direita. Será uma coligação frágil. Tem, todavia, a vantagem de comprometer ambos os lados numa política que não irá ser muito diferente do que Monti tem estado a fazer. 

publicado por victorangelo às 20:11
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