Portugal é grande quando abre horizontes

08
Dez 15

Em períodos de incerteza, os cidadãos europeus querem saber-se protegidos por um Estado forte e capaz de responder aos temores colectivos. Isto significa que a classe política tem que ter ideias claras, saber explicá-las e mostrar proximidade. Só assim se evitam choques eleitorais e se mantém a confiança popular.

Esta não é pois a altura para falar de menos Estado.

publicado por victorangelo às 20:29
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04
Set 15

Fiquei satisfeito com a tomada de posição de António Guterres, enquanto Alto-Comissário, sobre a crise dos refugiados na Europa.


Esta semana havia criticado, no meu texto para a Visão de ontem, o silêncio de Guterres, que até agora nada havia dito de substância sobre uma matéria tão grave e que tem que ver com o mandato da agência que dirige.


A voz da ONU existe para ser ouvida nestes momentos de grande perturbação. Ficar quieto e mudo é um sinal de fraqueza. Um verdadeiro líder, à frente de uma organização com autoridade moral, que é o caso do ACNUR, tem o dever de lembrar os princípios e as regras internacionais e apelar para que os Estados, por muito poderosos que sejam, as cumpram.


Liderança exige clareza e coragem. Estas duas características não são incompatíveis com a prática da diplomacia. As coisas podem ser ditas com firmeza e de modo claro sem se pisar nenhum calo diplomático.


Na ONU o problema é, muitas vezes, diplomacia e subordinação aos poderes políticos a mais, e coragem de menos. Sempre me bati contra isso. Sobretudo quando os dirigentes das agências e os responsáveis dos programas eram gente boa, mas com uma certa tendência para a timidez política ou com o pezinho a resvalar para o oportunismo.

publicado por victorangelo às 21:23
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11
Ago 15

Amigos e conhecidos continuam a repetir que a Europa está sem liderança. Ou seja, que os líderes europeus não têm capacidade para dar sentido ao projecto europeu. E dizem isso tendo presente, de forma explícita ou de maneira calada, o exemplo dado por outros líderes, de outros tempos.
A acusação é, aliás, muito frequente, em vários círculos. Tem, além disso, a vantagem de passar bem, nalguns sectores da opinião pública. Sem esquecer que malhar na liderança europeia traz sempre adeptos. Bater nos poderosos faz parte da cultura popular.
A verdade é um pouco mais complexa. Na realidade, o que deveria ser criticado é de natureza política, é a política que está a ser seguida pelos que mandam nos países da UE. Os líderes existem, alguns até passam bem nos seus respectivos países. O problema é ao nível da política que os inspira.
A política actual é muito pouco pró-europeia. Está, acima de tudo, profundamente marcada por preocupações nacionais. E os líderes não pensam que essas questões nacionais possam beneficiar de uma maior coordenação europeia. Note-se que não falo de “maior integração”, mas apenas de mais coordenação entre os diferentes estados. Mesmo isso não passa, não é visto como trazendo benefícios internos. Nem como uma contribuição para a solução dos problemas que cada um tem que enfrentar. E por isso, não há interesse em fazer avançar a agenda europeia.

publicado por victorangelo às 18:07
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19
Mai 15

As boas almas que escrevem em vários jornais andam indignadas e estão a ferver. Teria pena, se isto não fosse o indício muito sério de uma intelectualidade oportunista e superficial, nas opiniões que emite. Assim, em vez de pena, fico muito preocupado. Ou melhor, as minhas preocupações sobre o valor das nossas elites continuam a ser bem profundas. E por isso penso frequentemente que assim não vamos lá nem a parte alguma que faça sentido e nos tire do buraco.

publicado por victorangelo às 16:52
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29
Mar 15

Um amigo meu esteve fora de Portugal durante um mês. Voltou há uma semana e achou que muitas das elites em Lisboa andam muito confusas, mais confusas do que nunca.

publicado por victorangelo às 21:19
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20
Jan 15

Mário Soares repete a mesma lengalenga cada terça-feira que passa. Os seus escritos no Diário de Notícias empobrecem o debate político e diminuem a estatura do grande homem político que ele foi. São uma tristeza.

Aqui, como em muitas outras áreas de trabalho e de intervenção social, é preciso saber quando chegou o momento de arrumar as ferramentas. Nalguns casos, como bem poderia ter sido o de Soares, o avanço da idade é, acima de tudo, uma oportunidade para uma viragem. Sai-se da luta do quotidiano e batalha-se pelas grandes causas e pelas ideias generosas.

Esse, sim, é um fim de vida nobre e digno, à altura dos grandes deste mundo.

publicado por victorangelo às 20:55
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31
Dez 14

O último dia do ano como que passa depressa. Está tudo já com os olhos postos no novo que se aproxima. A verdade é que, olhando para trás, o ano de 2014 parece ter sido um relâmpago que agora se extingue. Em Portugal, o relâmpago não foi mais do que uma manifestação de um ano de grandes tempestades. Foi o ano que abalou o que restava de confiança na liderança da sociedade portuguesa. Perderam os políticos, com a excepção de António Costa, que vai ter o seu ano teste em 2015. Perderam os banqueiros e os dirigentes das grandes empresas públicas, com destaque para o banco que se revelou um castelo de cartas gerido por uma família de malabaristas, e para a PT, que vale hoje uma pequena parte do que valia há tempos. Perderam os comentadores “oficiais” das televisões, que poucos acreditam ainda na bondade das opiniões que emitem.

Assim, num balanço rápido, pode dizer-se que Portugal termina o ano de 2014 mais pobre. Em várias áreas, mas sobretudo no domínio das lideranças e das ideias inovadoras e generosas.

Dir-me-ão que se faço um balanço negativo. Talvez. Com realismo, acrescentarei. Mas também quero ser optimista. Um dia teremos dias melhores. Até lá, comecemos 2015 sem desânimos. Que o melhor só se consegue quando se acredita na sua possibilidade e se luta por ele. Assim, em 2015, a luta continua, como diria aquele camarada de Moçambique…

publicado por victorangelo às 14:58
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07
Out 14

Estamos de novo perante uma vaga de fundo de instabilidade e insegurança económica em vários países europeus. Qualquer pequeno contratempo, como o caso isolado de Ébola em Espanha, ganha de imediato proporções catastróficas. E acaba por ter um impacto exagerado e injustificado nos mercados financeiros.

Tudo isto não é mais do que o reflexo da confusão política existente na Europa, com uns a dizer uma coisa e outros o contrário. Os líderes políticos dos principais estados membros parecem andar às aranhas. Há muito tempo que não presenciava uma cacofonia semelhante, de Roma a Paris, de Londres a Berlim, passando pelo BCE em Frankfurt. Ninguém consegue impor uma linha de acção, ninguém parece ter a credibilidade e a força necessárias para evitar que se fique com a impressão que não há acordo nem futuro comum.

As críticas que entretanto vão surgindo no Parlamento Europeu em relação aos novos Comissários aumentam a incerteza. Revelam a fragilidade de algumas das nomeações feitas pelos governos nacionais.

Estamos certamente numa fase de viragem. Se não aparecer quem dê um sentido positivo a essa viragem iremos direitos a um choque contra as paredes que nos separam e que nos tornam ainda mais pequeninos.

publicado por victorangelo às 21:59
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05
Ago 14

Um líder forte não deixa arrastar as situações nem permite que outros o tentem fazer.

 

Quando é atacado, responde de imediato e de maneira resoluta, que estas coisas da liderança não se compadecem com longos períodos de indefinição. Quando o poder está em jogo, a experiência de trabalho com políticos de muitos cantos do mundo ensinou-me que a regra a aplicar é muito simples: ou vai ou racha!

 

Por outro, quem resolve pôr em causa o líder no poder tem que mostrar uma grande determinação, ferrar bem as canelas do adversário e não largar enquanto a disputa não estiver resolvida.

publicado por victorangelo às 18:01
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26
Jun 14

Transrevo o texto que hoje publico na revista Visão e que está nas bancas.

 

A indiferença, a impotência e a Kalashnikov

Victor Ângelo

 

 

 

 

O Iraque está de novo a ferro e fogo. E quem sabe destas coisas chama a atenção para a extrema gravidade da situação, muito diferente das precedentes, e para as múltiplas ramificações do conflito, com dimensões humanitárias, violações sistemáticas dos direitos humanos, ameaças à estabilidade, paz e segurança da região, sem esquecer os encorajamentos que envia aos movimentos radicais noutras partes do mundo. O Iraque de hoje é uma enorme caixa de Pandora numa região profundamente fraturada, com vários países à beira de crises nacionais profundas, para além do processo de autodestruição em que a Síria se afunda há três anos.

 

A resposta dos Estados Unidos e da Europa, bem como dos outros membros permanentes do Conselho de Segurança, é a de deixar arder. Os líderes da comunidade internacional, a começar por Barack Obama, não mostram apetite por expedições em terras longínquas. As crises de envergadura são analisadas exaustivamente, a opinião pública é cuidadosamente avaliada e, no final, depois de dias de contorcionismo político e de ansiedade mental no segredo absoluto dos círculos dirigentes, a inação é a opção preferida. Em dez anos, a liderança internacional passou de uma febre intervencionista ingénua e moralista, que caracterizou as decisões de George W. Bush e de Tony Blair, para uma atitude caseira, que se refugia por detrás das fronteiras nacionais. Ou seja, em dez anos, avançou a globalização da informação, da economia e da consciência do sofrimento de outros povos, mas recuou a perceção dos interesses e deveres partilhados. Perdeu-se, em grande medida, o valor da responsabilidade comum. Sentimo-nos tranquilos quando nos fechamos no egoísmo nacional. As dificuldades económicas e financeiras dos últimos anos explicam uma boa parte da questão. Mas não só. Somos atualmente dirigidos, de um lado e do outro do Atlântico, por lideranças vacilantes. O medo de errar leva à indecisão. Daqui à indiferença é um salto de pardal.

 

Esta maneira de fazer política internacional tem a vantagem de cair bem na opinião pública. O cidadão comum não compreende as razões que possam levar o seu país, mesmo quando se trate de uma grande potência, a intervir nas guerras dos outros. Entende bem, no entanto, o valor da indiferença. Tem custos imediatos menores. Esta é uma das grandes contradições do momento: estamos melhor informados e, ao mesmo tempo, mais distantes do infortúnio dos outros.

 

Na realidade, a comunidade internacional é cada vez menos capaz de resolver os conflitos violentos. Mesmo uma situação relativamente simples, como a da República Centro-Africana, parece fora do alcance. Por isso, o que poderia ter sido contido há um ano e meio, ou antes, continua por resolver.

A inércia é contagiosa. No caso do Iraque, o Conselho de Segurança tem-se revelado incapaz de adotar uma posição. O próprio Secretário-geral tem mantido um silêncio incompreensível. Nada propôs até ao dia em que escrevo este texto. Nem veio a terreiro dizer, pelo menos, que as violações repetidas das leis da guerra, das regras humanitárias, a prática do terror étnico e sectário, e outras atrocidades são crimes contra a humanidade, puníveis pelo Tribunal Penal Internacional.

 

A indiferença conduz à impotência generalizada. Ora, nestes casos, quando as respostas não têm músculo, não convencem nem exprimem uma posição de conjunto, quem ganha espaço é o fanático primitivo de Kalashnikov na mão, o extremista iluminado que crê na ficção que a vontade divina passaria pelo extermínio de quem não pertence à seita.

publicado por victorangelo às 18:58
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