Portugal é grande quando abre horizontes

27
Fev 17

Vivemos num período de trapalhadas políticas, de lideranças medíocres e de oportunismos descarados. Não será pior do que noutros períodos da história recente, dizem alguns. Não sei se têm razão. Sei apenas que os casos de incompetência e de corrupção se sucedem, aqui e noutros países da Europa. Veja-se o caso Fillon, em França. Ou a enorme rede de abusos de poder na região belga da Valónia, em que certos dirigentes políticos se aproveitaram dos seus cargos para se fazerem nomear – e aos seus acólitos – para a administração de dezenas de empresas públicas, regionais e municipais. Alguns presidentes de câmara ocupavam, em simultâneo, até 30 lugares em diversos conselhos de administração, tudo remunerado mas sem que houvesse uma qualquer prestação efectiva de trabalho.

Em Portugal, as listas de arguidos aumentam todas as semanas. Gente que fora dada como boa está agora com um processo às costas. É verdade que muitos desses processos passam anos a marcar passo. E ficam depois em águas de bacalhau. Mas, entretanto, serviram para desacreditar ainda mais as nossas elites políticas e dos negócios. E isso é meio caminho andado para a germinação do populismo.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:44
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08
Dez 15

Em períodos de incerteza, os cidadãos europeus querem saber-se protegidos por um Estado forte e capaz de responder aos temores colectivos. Isto significa que a classe política tem que ter ideias claras, saber explicá-las e mostrar proximidade. Só assim se evitam choques eleitorais e se mantém a confiança popular.

Esta não é pois a altura para falar de menos Estado.

publicado por victorangelo às 20:29
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04
Set 15

Fiquei satisfeito com a tomada de posição de António Guterres, enquanto Alto-Comissário, sobre a crise dos refugiados na Europa.


Esta semana havia criticado, no meu texto para a Visão de ontem, o silêncio de Guterres, que até agora nada havia dito de substância sobre uma matéria tão grave e que tem que ver com o mandato da agência que dirige.


A voz da ONU existe para ser ouvida nestes momentos de grande perturbação. Ficar quieto e mudo é um sinal de fraqueza. Um verdadeiro líder, à frente de uma organização com autoridade moral, que é o caso do ACNUR, tem o dever de lembrar os princípios e as regras internacionais e apelar para que os Estados, por muito poderosos que sejam, as cumpram.


Liderança exige clareza e coragem. Estas duas características não são incompatíveis com a prática da diplomacia. As coisas podem ser ditas com firmeza e de modo claro sem se pisar nenhum calo diplomático.


Na ONU o problema é, muitas vezes, diplomacia e subordinação aos poderes políticos a mais, e coragem de menos. Sempre me bati contra isso. Sobretudo quando os dirigentes das agências e os responsáveis dos programas eram gente boa, mas com uma certa tendência para a timidez política ou com o pezinho a resvalar para o oportunismo.

publicado por victorangelo às 21:23
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11
Ago 15

Amigos e conhecidos continuam a repetir que a Europa está sem liderança. Ou seja, que os líderes europeus não têm capacidade para dar sentido ao projecto europeu. E dizem isso tendo presente, de forma explícita ou de maneira calada, o exemplo dado por outros líderes, de outros tempos.
A acusação é, aliás, muito frequente, em vários círculos. Tem, além disso, a vantagem de passar bem, nalguns sectores da opinião pública. Sem esquecer que malhar na liderança europeia traz sempre adeptos. Bater nos poderosos faz parte da cultura popular.
A verdade é um pouco mais complexa. Na realidade, o que deveria ser criticado é de natureza política, é a política que está a ser seguida pelos que mandam nos países da UE. Os líderes existem, alguns até passam bem nos seus respectivos países. O problema é ao nível da política que os inspira.
A política actual é muito pouco pró-europeia. Está, acima de tudo, profundamente marcada por preocupações nacionais. E os líderes não pensam que essas questões nacionais possam beneficiar de uma maior coordenação europeia. Note-se que não falo de “maior integração”, mas apenas de mais coordenação entre os diferentes estados. Mesmo isso não passa, não é visto como trazendo benefícios internos. Nem como uma contribuição para a solução dos problemas que cada um tem que enfrentar. E por isso, não há interesse em fazer avançar a agenda europeia.

publicado por victorangelo às 18:07
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19
Mai 15

As boas almas que escrevem em vários jornais andam indignadas e estão a ferver. Teria pena, se isto não fosse o indício muito sério de uma intelectualidade oportunista e superficial, nas opiniões que emite. Assim, em vez de pena, fico muito preocupado. Ou melhor, as minhas preocupações sobre o valor das nossas elites continuam a ser bem profundas. E por isso penso frequentemente que assim não vamos lá nem a parte alguma que faça sentido e nos tire do buraco.

publicado por victorangelo às 16:52
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29
Mar 15

Um amigo meu esteve fora de Portugal durante um mês. Voltou há uma semana e achou que muitas das elites em Lisboa andam muito confusas, mais confusas do que nunca.

publicado por victorangelo às 21:19
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20
Jan 15

Mário Soares repete a mesma lengalenga cada terça-feira que passa. Os seus escritos no Diário de Notícias empobrecem o debate político e diminuem a estatura do grande homem político que ele foi. São uma tristeza.

Aqui, como em muitas outras áreas de trabalho e de intervenção social, é preciso saber quando chegou o momento de arrumar as ferramentas. Nalguns casos, como bem poderia ter sido o de Soares, o avanço da idade é, acima de tudo, uma oportunidade para uma viragem. Sai-se da luta do quotidiano e batalha-se pelas grandes causas e pelas ideias generosas.

Esse, sim, é um fim de vida nobre e digno, à altura dos grandes deste mundo.

publicado por victorangelo às 20:55
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31
Dez 14

O último dia do ano como que passa depressa. Está tudo já com os olhos postos no novo que se aproxima. A verdade é que, olhando para trás, o ano de 2014 parece ter sido um relâmpago que agora se extingue. Em Portugal, o relâmpago não foi mais do que uma manifestação de um ano de grandes tempestades. Foi o ano que abalou o que restava de confiança na liderança da sociedade portuguesa. Perderam os políticos, com a excepção de António Costa, que vai ter o seu ano teste em 2015. Perderam os banqueiros e os dirigentes das grandes empresas públicas, com destaque para o banco que se revelou um castelo de cartas gerido por uma família de malabaristas, e para a PT, que vale hoje uma pequena parte do que valia há tempos. Perderam os comentadores “oficiais” das televisões, que poucos acreditam ainda na bondade das opiniões que emitem.

Assim, num balanço rápido, pode dizer-se que Portugal termina o ano de 2014 mais pobre. Em várias áreas, mas sobretudo no domínio das lideranças e das ideias inovadoras e generosas.

Dir-me-ão que se faço um balanço negativo. Talvez. Com realismo, acrescentarei. Mas também quero ser optimista. Um dia teremos dias melhores. Até lá, comecemos 2015 sem desânimos. Que o melhor só se consegue quando se acredita na sua possibilidade e se luta por ele. Assim, em 2015, a luta continua, como diria aquele camarada de Moçambique…

publicado por victorangelo às 14:58
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07
Out 14

Estamos de novo perante uma vaga de fundo de instabilidade e insegurança económica em vários países europeus. Qualquer pequeno contratempo, como o caso isolado de Ébola em Espanha, ganha de imediato proporções catastróficas. E acaba por ter um impacto exagerado e injustificado nos mercados financeiros.

Tudo isto não é mais do que o reflexo da confusão política existente na Europa, com uns a dizer uma coisa e outros o contrário. Os líderes políticos dos principais estados membros parecem andar às aranhas. Há muito tempo que não presenciava uma cacofonia semelhante, de Roma a Paris, de Londres a Berlim, passando pelo BCE em Frankfurt. Ninguém consegue impor uma linha de acção, ninguém parece ter a credibilidade e a força necessárias para evitar que se fique com a impressão que não há acordo nem futuro comum.

As críticas que entretanto vão surgindo no Parlamento Europeu em relação aos novos Comissários aumentam a incerteza. Revelam a fragilidade de algumas das nomeações feitas pelos governos nacionais.

Estamos certamente numa fase de viragem. Se não aparecer quem dê um sentido positivo a essa viragem iremos direitos a um choque contra as paredes que nos separam e que nos tornam ainda mais pequeninos.

publicado por victorangelo às 21:59
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05
Ago 14

Um líder forte não deixa arrastar as situações nem permite que outros o tentem fazer.

 

Quando é atacado, responde de imediato e de maneira resoluta, que estas coisas da liderança não se compadecem com longos períodos de indefinição. Quando o poder está em jogo, a experiência de trabalho com políticos de muitos cantos do mundo ensinou-me que a regra a aplicar é muito simples: ou vai ou racha!

 

Por outro, quem resolve pôr em causa o líder no poder tem que mostrar uma grande determinação, ferrar bem as canelas do adversário e não largar enquanto a disputa não estiver resolvida.

publicado por victorangelo às 18:01
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