Portugal é grande quando abre horizontes

27
Fev 17

Vivemos num período de trapalhadas políticas, de lideranças medíocres e de oportunismos descarados. Não será pior do que noutros períodos da história recente, dizem alguns. Não sei se têm razão. Sei apenas que os casos de incompetência e de corrupção se sucedem, aqui e noutros países da Europa. Veja-se o caso Fillon, em França. Ou a enorme rede de abusos de poder na região belga da Valónia, em que certos dirigentes políticos se aproveitaram dos seus cargos para se fazerem nomear – e aos seus acólitos – para a administração de dezenas de empresas públicas, regionais e municipais. Alguns presidentes de câmara ocupavam, em simultâneo, até 30 lugares em diversos conselhos de administração, tudo remunerado mas sem que houvesse uma qualquer prestação efectiva de trabalho.

Em Portugal, as listas de arguidos aumentam todas as semanas. Gente que fora dada como boa está agora com um processo às costas. É verdade que muitos desses processos passam anos a marcar passo. E ficam depois em águas de bacalhau. Mas, entretanto, serviram para desacreditar ainda mais as nossas elites políticas e dos negócios. E isso é meio caminho andado para a germinação do populismo.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:44
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30
Set 16

A multa que o governo norte-americano quer aplicar ao Deutsche Bank foi hoje substancialmente reduzida. Passou de 14 mil milhões para 5,4 mil milhões de dólares. É ainda um valor considerável. Trata-se, no entanto, de um montante que já não põe em causa a solidez e o futuro do banco alemão, que tem, aliás, uma grande presença internacional. É uma boa notícia.

Na verdade, tem havido pressão, deste e do outro lado do Atlântico, para fazer parar a “guerra das multas”. Temos estado numa espiral muito perigosa, com Washington e Bruxelas comprometidos numa corrida tresloucada para ver quem aplica as multas mais altas e a mais empresas. Nós aplicamos às deles e eles castigam as nossas.

O argumento, que também tenho publicamente defendido, é que tudo isto mostra uma grande falta de sensatez. Pode mesmo pôr em causa, se a loucura continuar, a sobrevivência de grandes empresas, que empregam, de um lado e do outro do oceano, milhares de pessoas. Mostra igualmente que os nossos políticos andam distraídos, e não estão a dar a devida atenção a uma matéria que é de primordial interesse.

Estas disputas resolvem-se por meio de arbitragens e de negociações políticas. Sobretudo entre áreas económicas que são aliadas em muitas matérias que contam.

 

publicado por victorangelo às 20:39
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13
Jul 16

O Conselho de Estado reuniu-se pela segunda vez, neste novo mandato presidencial, na segunda-feira ao fim do dia. Na terça-feira, já um ou mais dos seus membros havia relatado a jornalistas amigos os pormenores do que fora discutido e quem disse o quê.

Na minha opinião, esta falta de respeito pela confidencialidade das discussões retira valor ao Conselho de Estado, que aliás já tem pouca valia. Deixa de ser um órgão onde se exprimem opiniões independentes, para benefício do Presidente da República. Assim, vai-se para o Conselho com a intenção de dizer o que convier em termos da opinião pública e da política partidária do momento. Não se estará a falar com a objectividade necessária, mas sim de pé atrás ou então a pensar na oportunidade e no impacto dos títulos que irão aparecer nos jornais.

Falta sentido de Estado, neste país.

Já pensaram no que se transformaria o Conselho de Ministros, se a moda do contar tudo pegasse também por essas bandas?

 

publicado por victorangelo às 18:26
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06
Jan 16

"Vamos entrar numa fase de controlo apertado de quem tenha fácies de estrangeiro. Dar-se-á a primazia às medidas de segurança. Os líderes procurarão fechar as fronteiras e tudo fazer para evitar novas levas de chegadas."

 

(Extraído do meu artigo de hoje na Visão on line, que publico sob o título de «Não quero prognosticar».)

publicado por victorangelo às 15:45
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08
Dez 15

Em períodos de incerteza, os cidadãos europeus querem saber-se protegidos por um Estado forte e capaz de responder aos temores colectivos. Isto significa que a classe política tem que ter ideias claras, saber explicá-las e mostrar proximidade. Só assim se evitam choques eleitorais e se mantém a confiança popular.

Esta não é pois a altura para falar de menos Estado.

publicado por victorangelo às 20:29
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04
Jul 15

Anda por aí muita gente a opinar se deve ser “Sim” ou “Não”. É normal, porque a situação é grave e não deve deixar muita margem para a indiferença.

Mas a decisão não é nossa. A nós cabe-nos esperar pelo resultado da consulta popular.

Depois veremos qual é a leitura que faz quem tem, nessa terra, legitimidade para o fazer. E só então nos deveremos pronunciar. Só espero que o façamos tendo em conta as diferentes dimensões deste enorme desafio. Ou seja, evitando tomadas de posição apressadas, superficiais e emotivas.

Enfim estaremos perante um verdadeiro chamamento em termos de liderança.

É sempre assim, nos momentos históricos.

 

 

publicado por victorangelo às 22:01
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19
Mai 15

As boas almas que escrevem em vários jornais andam indignadas e estão a ferver. Teria pena, se isto não fosse o indício muito sério de uma intelectualidade oportunista e superficial, nas opiniões que emite. Assim, em vez de pena, fico muito preocupado. Ou melhor, as minhas preocupações sobre o valor das nossas elites continuam a ser bem profundas. E por isso penso frequentemente que assim não vamos lá nem a parte alguma que faça sentido e nos tire do buraco.

publicado por victorangelo às 16:52
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16
Mai 15

A conferência organizada pelo Presidente da República sobre “Portugal e os Jovens” permitiu uma reflexão importante.

O estudo que encomendou ao Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa sobre “EMPREGO, MOBILIDADE, POLÍTICA e LAZER: SITUAÇÕES E ATITUDES DOS JOVENS PORTUGUESES NUMA PERSPECTIVA COMPARADA” é particularmente elucidativo. Mostra, acima de tudo, uma juventude afastada da prática de cidadania, confusa e com pouca esperança, pronta, em grande medida, a emigrar e a procurar futuro noutros cantos da Europa.

A interrogação que fica, no final de acontecimentos deste género, é sempre a mesma: e agora?

Dito de outra maneira, que acções ou medidas vão ser tomadas? Quem toma a liderança? Quem deve ser responsabilizado para que as coisas comecem a mudar?

E, como noutros casos, a resposta é tristemente simples: as palavras esquecem-se, os diagnósticos não têm tradução prática, ninguém altera uma vírgula às políticas existentes, ninguém pega na bandeira.

publicado por victorangelo às 17:35
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09
Mai 15

Sobre a mediocridade patente da política portuguesa, não há nada melhor do que prestar atenção às palavras de quem conhece os podres da coisa por dentro. Assim, não resisto à tentação de mencionar o que Rui Rio afirmou ontem, em público, em Famalicão.

Passo a citar Rio: "Continua a haver muita gente de qualidade na política, mas a quantidade dos que não têm qualidade é cada vez maior. Os de fraca qualidade são cada vez mais e os de qualidade são cada vez menos"

publicado por victorangelo às 17:01
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05
Abr 15

Uma das características marcantes da Esquerda portuguesa é a sua fragmentação. As divisões resultam de uma notória falta de liderança combinada com a inexistência de um projecto credível e agregador. No meio de tudo isso, existe um Partido Socialista às aranhas e um Partido Comunista amarrado a uma visão impraticável da sociedade e das relações de Portugal com os seus parceiros naturais.

Por isso vamos ter, nos próximos meses, no que respeita às eleições presidenciais do próximo ano, mais candidaturas à esquerda.

Tudo isto favorece claramente a Direita.

publicado por victorangelo às 20:19
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