Portugal é grande quando abre horizontes

24
Set 16

Nesta altura do ano, as minhas caminhadas diárias passam pela esplanada da Torre de Belém. E mesmo agora, já tarde em setembro, a zona está cheia de turistas. Neste momento, são sobretudo gente da terceira idade, vinda até Lisboa nos navios de cruzeiros. E todos os dias lá estão cerca de duas dezenas de gente nossa, cigana, os homens a tentar impingir aos turistas paus para tirar selfies, uns sticks de plástico barato, e as mulheres, xailes de fibras artificiais, fabricados num qualquer país da Ásia, e comprados aos quilos, num qualquer canto mais escuro do mercado informal em que os nossos concidadãos ciganos se movimentam bem. Quando recentemente indaguei como ia o negócio, um dos homens disse-me que este tipo de turistas dos cruzeiros não compra paus nem panos. Mas a verdade é que ele e os outros e outras lá estão, persistentemente. Por vezes, nem deixam os turistas tirar as suas fotos em paz, tal é a ânsia de vender. Ainda hoje assisti a uma cena dessas, com o velho turista a implorar que o deixassem em paz, para poder tirar uma ou duas fotografias à Torre. Por vezes, a PSP aparece no local. E nessa altura, pode tirar-se toda a fotografia que se quiser, na maior das tranquilidades. Os meu amigos vendedores desaparecem da esplanada, num segundo, como que levados por uma rabanada de vento frio. Nessa altura, não há pau nem xaile para ninguém.

publicado por victorangelo às 21:58
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15
Jun 16

Estando prevista para amanhã ao fim do dia uma manifestação dos estivadores, penso que é altura de se começar a pensar no desenvolvimento a sério dos outros portos nacionais de mercadorias, em alternativa ao porto mercantil de Lisboa. Com o tempo, fará cada vez menos sentido ter um porto comercial no centro da cidade capital, com tudo o que isso implica de trânsito de camiões e de comboios de mercadorias, para além das questões estéticas e de ordenamento urbano. Essa zona ribeirinha deve ser aproveitada para a navegação de recreio, para os cruzeiros e para as actividades de lazer. A prazo, Setúbal, por exemplo, poderá receber uma boa parte do tráfego. Sem esquecer, claro, Sines e Leixões.

publicado por victorangelo às 22:30
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29
Set 15

Fui hoje ao mercado da Ajuda, aqui em Lisboa, a dois ou três passos do sítio onde moro.


Vou lá de vez em quando. Hoje notei que várias das bancas estão livres, abandonadas, por já não haver quem esteja interessado no seu aluguer. Estimo que cerca de metade do mercado esteja nesse estado, como se fosse um projecto em vias de desaparecimento. Há menos vendedores e a clientela é relativamente idosa e com pouco poder de compra.


E também há, nas redondezas, uma proliferação de pequenos supermercados, que ajudam a dar uns tiros na sobrevivência do mercado tradicional.

publicado por victorangelo às 22:22
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12
Ago 15

É bom sinal ver Lisboa cheia de turistas. E faço votos para que não tentemos matar a galinha e os seus ovos…

publicado por victorangelo às 23:08
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10
Ago 15

Dá gosto ver áreas públicas bem cuidadas. Foi o que aconteceu hoje, quando fui andar de baloiço com a minha neta no parque dos moinhos do Alto da Ajuda, em Lisboa. O jardim está impecável, os moinhos bem cuidados e o espaço infantil arranjado como deve ser. As crianças brincam com contentamento.


E a vista é soberba.


O único ponto de interrogação diz respeito às instalações que haviam sido previstas para funcionarem como restaurante. São umas instalações amplas e bem desenhadas. No passado, houve ali um restaurante que até nem era mau. Agora não há. As salas estão subaproveitadas, a fazer de pequeno ginásio. Um projecto tímido, pouco mais do que a fingir, só para que não se diga que a coisa está fechada.


Talvez um destes dias apareça por ali um projecto de utilização mais a sério. Mas que estará sempre condicionado pelo facto do parque fechar ao fim do dia.


Aqui fica a nota.

 

publicado por victorangelo às 18:43
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07
Mai 15

Um optimista acaba por escrever, com mais ou menos frequência, sobre causas perdidas.

Não sei se Portugal é uma causa perdida. Mas a verdade é que procuro escrever pouco e espaçado sobre o nosso país. Mas hoje, volto à carga, o que fará de mim, talvez, um optimista arreigado ou, no pior dos casos, palerma.

Assim, depois de ver o que passa no meu bairro, aqui junto ao estádio do Belenenses, e noutras partes da cidade de Lisboa, onde a incompetência e o desleixo do município nos entram pelos olhos dentro, fico a pensar no que irá acontecer ao pobre do país, quando as eleições forem ganhas, como parece que poderá ser o caso, por quem tem mostrado provas tão evidentes de desinteresse pelas coisas públicas e pouca capacidade para discernir o que devem ser as prioridades de uma população. Sem contar com o pouco jeito para fazer funcionar as coisas.

Fico, mais ainda, que gostamos de eleger quem por aí anda a vender ar quente. Como tantas vezes tem acontecido.

 

publicado por victorangelo às 22:18
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31
Mar 15

Em termos de gestão do ambiente e da qualidade do ar, Zurique ganha ao resto das grandes cidades europeias. E Lisboa, num total de 23, aparece como a 22ª, ou seja, numa posição que nos envergonha e que mostra a falta de interesse ou de competência dos dirigentes da nossa capital, em matéria de medidas que melhorem a qualidade do ambiente da cidade.

Ao ver estes dados lembrei-me de vários comentários de amigos meus, estrangeiros, que acham que Lisboa tem uma situação privilegiada em termos de paisagens, de localização e mesmo de clima, mas dá, ao mesmo tempo, a ideia de uma urbe pouco cuidada e caótica.

publicado por victorangelo às 21:17
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05
Dez 14

Num ambiente dominado por questões políticas marginais, a realização em Lisboa de uma conferência internacional sobre o desenvolvimento, nos últimos dois dias, merece destaque. Saiu da pequenez e das querelas de compadres que têm estado a definir a actualidade nacional nas últimas semanas.

O encontro, que se irá repetir anualmente, foi um sucesso. Voltou a colocar as questões do desenvolvimento no plano prioritário, sobretudo numa altura em que o debate sobre as responsabilidades da comunidade internacional no período pós-ODM – Objectivos de Desenvolvimento do Milénio –, ou seja, para os anos 2016-2030, está a entrar na fase final, de acertos quanto às áreas de intervenção e de apuramento dos resultados que deverão estar na linha de mira da cooperação internacional.

O último dia da conferência coincidiu com o lançamento, pelo Secretário-geral da ONU, do relatório intitulado “ O Caminho para a Dignidade 2030: Acabar com a Pobreza, Transformar as Vidas e Proteger o Planeta”. Este é o documento de base para a elaboração da próxima agenda do desenvolvimento internacional. Está disponível em inglês, na página da ONU, e deve ser lido por todos os que se preocupam com estas questões.

A conferência de Lisboa deveria agora procurar ligar o seguimento das discussões que acabam de ter lugar na Gulbenkian com o debate público que agora começa, à volta do relatório de Ban Ki-moon. Deste modo, a iniciativa ganharia uma projecção internacional acrescida e colocaria Lisboa no mapa da reflexão global sobre as grandes questões das próximas décadas.

Isso seria certamente mais útil do que andar a discutir as bagatelas que nos têm ocupado os tempos recentes.

publicado por victorangelo às 17:44
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05
Out 14

O Bairro Alto e o Chiado num Sábado à noite são como uma enorme cena de teatro com vários quadros a serem jogados ao mesmo tempo. Vale a pena participar neste imenso teatro de rua.

publicado por victorangelo às 00:48
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20
Ago 14

Dizem-nos as notícias que houve pandemónio no Centro Comercial Vasco da Gama, esta tarde, em Lisboa. Centenas de jovens de origem africana causaram distúrbios e pânico.

 

Este tipo de acontecimentos não é único. Não foi a primeira vez. E não será a última, tendo em conta a diversidade étnica que caracteriza uma cidade como Lisboa.

 

O controlo destas manifestações é fundamental. Como também o é a responsabilização criminal dos elementos mais violentos. Não deve, no entanto, ser vista sob o prisma do racismo. Jovens de grupos étnicos minoritários vão continuar a sentir-se discriminados. É a natureza das sociedades complexas de agora. Mas devem também entender, de modo claro, que essas manifestações terão sempre uma resposta enérgica. No que respeita à PSP não tenho dúvidas. Mas já não digo o mesmo no que respeita à justiça.  

publicado por victorangelo às 23:36
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