Portugal é grande quando abre horizontes

04
Fev 17

Em Portugal, os jornais e as revistas impressas estão nas ruas da amargura. Cada vez vendem menos, continuam todos num processo de falência mais ou menos encapotada. O único que se safa é o Correio da Manhã (CM), que investe num tipo muito específico de jornalismo: alcova, faca e alguidar, monstros com três olhos e textos curtos e muito directos.

Mas não é sobre o CM que quero escrever. Nem sobre os falidos do papel. Intriga-me e interrogo-me sobre um outro meio de comunicação social, o jornal digital Observador.

O Observador foi lançado há quase três anos. Na altura, foi revelada uma lista de accionistas do projecto e dito que o jornal seria financiado pela publicidade. Com o tempo, o Observador cresceu, passou a ser uma referência intelectual do pensamento conservador e de direita, uma espécie de contrapoder, num panorama jornalístico muito dominado pela esquerda. Tornou-se, à sua medida, um êxito. Menos na área da publicidade. Percorrer o sítio do jornal é como fazer uma viagem sem anúncios. Ou seja, sem receitas aparentes. E aqui temos uma contradição importante e muito curiosa: a publicação continua a crescer, com custos certamente muito significativos, embora incomparavelmente menores dos que resultariam de uma edição em papel, mas sem que se entenda donde provêm os fundos que pagam esse crescimento e mantêm tanta gente tão atarefada.

Como nestas coisas ninguém gosta de perder, temos aqui um grupo de financiadores, os anunciados ou outros, não sei, que aposta forte e feio num futuro risonhamente de direita e que pensa que um dia irá ganhar.

Interessante, este Observador.

 

publicado por victorangelo às 20:16
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06
Jun 14

Alguns “pensadores” da Direita portuguesa gostam de ir buscar ideias e inspiração ao Financial Times (FT). Depois, publicam uns textos de opinião, que pouco mais são que um aportuguesamento do que lerem no diário conservador inglês.

 

Como o FT publicou esta semana dois ou três textos de comentário contra Jean-Claude Juncker, opondo-se à sua candidatura à presidência da Comissão Europeia, os nossos brilhantes homens de ideias de Direita lançaram-se ao ataque do luxemburguês. Um deles até escreveu que Juncker vem de um micro-Estado e por isso não tem condições para estar à frente da Comissão. À falta de melhor argumentos, saem coisas deste género.

 

Na ânsia de copiar os conservadores ingleses, esquecem-se dos interesses de Portugal. O Luxemburgo é um país que acolhe uma vasta comunidade imigrante portuguesa. Juncker foi sempre a favor da presença portuguesa no seu país. Defendeu a nossa imigração durante os muitos anos que esteve à frente do governo do seu país. É, além disso, um político europeu que gosta de Portugal e que compreende que a Europa só se construirá se houver um equilíbrio entre o Norte e o Sul.

 

Sem deixar de mencionar que Juncker defende uma grande coligação com a família socialista europeia. Ou seja, entende bem que a Europa também só é viável se tiver uma base de apoio político muito vasta.

 

Mas, para a nossa inteligência de Direita, nada disso conta. O que é importante é parecer esperto, contrário e alinhado com as posições do FT. É uma inteligência sem visão, pobre e pobre de espírito.

publicado por victorangelo às 21:15
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