Portugal é grande quando abre horizontes

21
Jul 17

http://www.obcig.acm.gov.pt/documents/58622/201011/estudonacionalsobreascomunidadesciganas.pdf/89b05f10-9d1f-447b-af72-dac9419df91b

Este é o link para um estudo sociológico sobre as comunidades ciganas em Portugal, efectuado em 2014, com o patrocínio do Alto Comissariado para as Migrações. Continua a ser o retrato social mais completo sobre os ciganos portugueses.

Um estudo esquecido, que deveria ser lembrado. E completado por um outro, que das atitudes que os portugueses não-ciganos adoptam face aos membros desta comunidade que vive nas margens do nosso quotidiano, excepto nos maus momentos.

publicado por victorangelo às 21:29
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20
Jul 17

O ruído político à volta das declarações proferidas por um candidato à autarquia de Loures destina-se apenas a ganhar pontos. Faz parte do arremesso a que os partidos se habituaram e do comentário pela rama, que caracteriza a nossa maneira de tratar a opinião pública. As referências a valores fazem parte do ritual.

A verdade é outra. Sabe-se muito pouco sobre o quotidiano e as práticas das nossas comunidades ciganas, para além do preconceito e dos estereótipos.

Os políticos, de maior ou menor dimensão, mas todos de talha baixa, falam sobre os nossos concidadãos ciganos sem terem ideia alguma do que estão a falar. Nem saber sobre o assunto lhes interessa de sobremaneira. Se houvesse de facto uma preocupação a sério sobre essa categoria de portugueses já teriam sido feitos estudos oficiais, até mesmo, criados grupos de trabalho parlamentar. E teriam existido debates de fundo, que o tema é complexo e deve ser visto sob várias dimensões.

Mas esses cidadãos são pura e simplesmente ignorados. Ninguém que ver o problema de frente. Agitam-se umas bandeiras e procura-se, assim, enganar a realidade.

 

publicado por victorangelo às 21:38
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20
Nov 16

Que ficou da viagem de despedida do Presidente Obama à UE? Esta é pergunta com que abro a semana que amanhã começa. E que deixo no ar, pois as respostas irão variar muito, consoante a opinião de cada um. Mas onde haverá certamente acordo será no facto de Obama ter sido, ao longo do seu mandato, um presidente muito apreciado pela generalidade da opinião pública europeia.

publicado por victorangelo às 22:11
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02
Nov 16

 

 

DSC00308.jpg

Copyright V. Angelo

 

Ainda há quem me oiça...

De resto, digo umas coisas e as pessoas não gostam...Quem vai a conferências e palestras quer apenas ouvir aquilo que já sabe, que confirmemos as suas ideias feitas.

Para isso, não contem comigo.

publicado por victorangelo às 20:33
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09
Mai 16

 

 

            TTIP sem espinhas

            Victor Ângelo

 

 

 

            No final da sua recente visita à Europa, o Presidente Obama fez um apelo para que o pacto comercial entre o seu país e a UE seja concluído sem mais demoras. As negociações, que deverão levar a uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, conhecida pelas iniciais inglesas como TTIP, começaram em julho de 2013. Desde então, tiveram lugar treze rondas de discussões, o que é revelador do enorme fosso de divergências e dos profundos conflitos de interesses entre as duas maiores áreas económicas do mundo. Juntos, a UE e os EUA representam 60% do PIB global, 33% das trocas de mercadorias e 42% do comércio mundial de serviços. Como as taxas alfandegárias entre UE e EUA já são relativamente baixas, o cerne das discussões tem-se focalizado na eliminação de entraves burocráticos às importações, bem como na harmonização de legislação, padrões, exigências e normas entre os dois lados. Procuram igualmente definir os mecanismos arbitrais para a resolução de conflitos, sobretudo entre os investidores e os estados.

            A Comissão Europeia quer que se olhe para a Parceria pela positiva. Ou seja, como uma oportunidade significativa para estimular o crescimento económico e o emprego, e para baixar os custos de um grande número de bens de consumo. É uma perspetiva aceitável. Mas a verdade é que para além de Obama e de Merkel, nenhum outro dirigente europeu aparece distintamente em defesa do acordo. E agora, com a campanha que a Greenpeace lançou contra o TTIP, ao revelar os documentos que parecem definir as posições das partes, vai ser ainda mais difícil ouvir políticos europeus a defender o projeto de tratado. Na comunicação social, aposta-se nos comentários simplórios, exaltados e preguiçosos. Quanto à opinião pública europeia, essa está numa onda de oposição a tudo o que possa ser visto como um novo passo no caminho para a globalização económica. Mais ainda, deixou de acreditar nas boas intenções dos líderes políticos tradicionais. Nutre, igualmente, um bom nível de antagonismo perante as empresas multinacionais, e em especial, as americanas. De tal modo, digo eu, que se se tentasse aprovar hoje o tratado do Atlântico Norte ou mesmo os textos que levaram à criação das instituições de Bretton Woods – o Banco Mundial e o FMI – não se conseguiria ultrapassar a barreira da rejeição popular. Nada de novo seria aceite. No caso concreto do TTIP, mesmo na Alemanha, que ganharia bastante, caso houvesse entendimento, as opiniões favoráveis baixaram de 55%, em 2014, para 16%, agora.               

            Do outro lado do Atlântico, encontramos níveis de resistência semelhantes. Apenas 15% dos americanos afirmam apoiar o acordo. A campanha de Donald Trump deve uma boa parte do seu desmiolado sucesso a tomadas de posição explícitas contra este tipo de acordos de comércio livre. E mesmo no campo democrata não há grande entusiasmo pelo tema e nem o eco de um tímido murmúrio a favor se consegue ouvir.  

            Não me parece contudo que o processo esteja morto e enterrado, como por aí se diz. Mas que está condenado a um longo período em banho-maria, isso sim. Também creio que terá que diminuir substancialmente o seu nível de ambição e concentrar-se, numa primeira fase, nos bens e serviços menos controversos, naquilo que é mais fácil de aceitar. Na realidade, poderia ser concluído em redor dos produtos sobre os quais já se chegou a uma posição comum, quanto à abolição ou redução significativa das taxas alfandegárias. Trata-se de 97% dos produtos. Incluiria ainda outras matérias já aceites pelas partes, relacionadas com os procedimentos aduaneiros, a inspeção única para os artigos farmacêuticos e os padrões relativos às indústrias químicas e de maquinaria. Ficariam de fora as questões hoje inaceitáveis, tais como a exploração do petróleo de xisto, os bens alimentares que não coubessem nas regras europeias que proíbem a utilização de hormonas na nutrição animal, os geneticamente modificados, ou ainda a fruta com resíduos de pesticidas. Também seria excluída qualquer cláusula que pusesse em causa as regiões demarcadas europeias, como por exemplo a do Champagne, do Douro e do vinho do Porto ou ainda a do presunto de Parma.

            Um acordo mais modesto é melhor do que nenhum acordo. E de facto a alternativa é não haver qualquer tipo de entendimento. É que temos, à partida, duas filosofias económicas muito diferentes. Do lado americano, impera uma maneira extremamente liberal, permissiva, de olhar para a economia privada: manda o mercado e quem o consegue dominar. Na Europa, habituámo-nos a um capitalismo mitigado e intervencionado, que vive à sombra da mão protetora do estado. Essas culturas não mudam de hoje para amanhã. Devem ser reconhecidas, tidas em conta, tratadas com realismo. Por políticos que saibam assumir-se como líderes, que não tremam como varas verdes, nem conforme os ventos que sopram.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

 

 

publicado por victorangelo às 16:27
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01
Set 15

Nos cafés das vilórias do Alentejo há sempre um ecrã de televisão ligado. Está sintonizado, de um modo geral, para o canal por cabo do Correio da Manhã (CMTV). É uma maneira de atrair os poucos possíveis clientes que ainda existem por essas terras. Trata-se de um canal que, por ser pago, não está disponível nos lares da maioria dos habitantes. Mas é um canal muito procurado e capaz de influenciar muita gente. A leitura que fica sobre a realidade do país é, em grande medida, influenciada pela CMTV.


Por vezes, à noite, há uma outra vida nas televisões desses cafés. São momentos em que impera a TV Sport, outro canal pago, e o futebol é rei.

publicado por victorangelo às 21:33
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11
Ago 15

Amigos e conhecidos continuam a repetir que a Europa está sem liderança. Ou seja, que os líderes europeus não têm capacidade para dar sentido ao projecto europeu. E dizem isso tendo presente, de forma explícita ou de maneira calada, o exemplo dado por outros líderes, de outros tempos.
A acusação é, aliás, muito frequente, em vários círculos. Tem, além disso, a vantagem de passar bem, nalguns sectores da opinião pública. Sem esquecer que malhar na liderança europeia traz sempre adeptos. Bater nos poderosos faz parte da cultura popular.
A verdade é um pouco mais complexa. Na realidade, o que deveria ser criticado é de natureza política, é a política que está a ser seguida pelos que mandam nos países da UE. Os líderes existem, alguns até passam bem nos seus respectivos países. O problema é ao nível da política que os inspira.
A política actual é muito pouco pró-europeia. Está, acima de tudo, profundamente marcada por preocupações nacionais. E os líderes não pensam que essas questões nacionais possam beneficiar de uma maior coordenação europeia. Note-se que não falo de “maior integração”, mas apenas de mais coordenação entre os diferentes estados. Mesmo isso não passa, não é visto como trazendo benefícios internos. Nem como uma contribuição para a solução dos problemas que cada um tem que enfrentar. E por isso, não há interesse em fazer avançar a agenda europeia.

publicado por victorangelo às 18:07
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06
Jul 15

Escrever análises com base em sondagens de intenções eleitorais tornou-se, nos últimos tempos, bastante arriscado. Os inquéritos de opinião enganaram-se no caso das eleições legislativas de Israel bem como nas britânicas e voltaram a falhar no que respeita ao referendo grego.

A partir de agora é preciso tratar as sondagens com pinças.

E ver se as metodologias de inquérito mudam ou não. O erro está na maneira hoje ultrapassada de proceder à inquirição das amostras. Continua a utilizar-se o telefone fixo como ponto de contacto numa altura em que muitos, sobretudo os mais jovens, só se servem de aparelhos móveis. E mesmo os mais velhos…

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:17
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17
Mai 15

Vale a pena ver com atenção a sondagem que o Correio da Manhã divulga na sua edição deste domingo e que compara a imagem pública de Passos Coelho com a de António Costa. Como é sabido, nestas coisas da liderança política e do combate eleitoral, a imagem projectada pelos líderes tem muito peso junto do eleitorado.

A comparação é, no seu todo, francamente vantajosa para o líder do Partido Socialista. Há, no entanto, um ou outro aspecto que António Costa terá que ter em consideração. Penso, sobretudo, na questão da indecisão. Esta percepção negativa pode muito facilmente ser explorada pelos seus oponentes.

Quanto a Passos Coelho, os resultados mostram que existe um grande risco de rejeição por desgaste de imagem após quatro anos de governação em clima de crise. Para além das políticas adoptadas, fica a certeza que a máquina de informação e propaganda do seu partido e da sua governação não funcionou bem. Fica ainda uma certeza maior que diz respeito à falta de sensibilidade do Primeiro-Ministro em relação a certos aspectos marcantes da opinião pública portuguesa – a recente menção ambígua de Dias Loureiro é apenas um exemplo ainda fresco. Não se pode tratar o eleitorado com opiniões ligeiras e superficialidade. Uma das principais funções de um líder político é a de manter o contacto e a sintonia com os cidadãos.

O líder deve passar uma boa parte do seu tempo a cultivar a ligação com as pessoas. Essa é, para além de dar direcção à acção política, a principal tarefa de um bom líder. É assim que se deve exercer a liderança no mundo de agora. Curiosamente, esta verdade tão óbvia não entra na cabeça dos nossos dirigentes.

 

publicado por victorangelo às 17:49
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15
Mai 15

Infelizmente, tenho que voltar a escrever sobre o bullying nos meios escolares. Não apenas por causa do novo caso que chegou à comunicação social – os maus tratos inaceitáveis contra um rapaz de 12 anos, no autocarro do colégio, em Leiria. Nem mesmo porque o condutor do autocarro fingiu que não era nada com ele e por a directora do colégio ter tentado esconder o incidente. Volto ao assunto porque um imbecil de um comentador numa rádio de prestígio veio dizer que o bullying sempre existiu, dando a entender que não há razão para tanto alarido. Ou seja, procurou fazer em público o que muitos fazem pela calada: banalizar a coisa, achar normal que jovens abusem física e psicologicamente de outros jovens.

É contra este tipo de cretinismo opinativo que me bato. É a razão de ser deste blog. E faço-o por saber que estas barbaridades de opinião são moeda corrente, aqui por este país. Noutros países, que conheço e frequento assiduamente, a tolerância em relação aos comportamentos violentos nas escolas é zero. Não se aceita. Responde-se a cada caso de violência com firmeza e celeridade. E fazem-se repetidas campanhas de esclarecimento sobre o respeito pelos outros, os direitos de cada um e os valores da cordialidade e da compreensão em relação aos que são diferentes. A verdade é que essa maneira de tratar o problema dá resultado.

Portugal precisa de levar uma grande volta. Incluindo nesta área e no domínio mais vasto da educação. A permissividade e a passividade actuais estão a dar espaço e a criar os primários de amanhã, os portugueses do subdesenvolvimento, que pouco mais saberão fazer na vida do que dar bofetadas, dizer palavrões, protestar a torto e a direito, e votar pelos partidos radicais, na vã esperança que a sociedade assuma o encargo de tomar conta deles, das suas frustrações e das suas incapacidades.

 

 

publicado por victorangelo às 20:58
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