Portugal é grande quando abre horizontes

30
Dez 16

Deve ser por burrice, mas a verdade é que a edição de hoje do jornal “Público” dá uma relevância e um espaço inaceitáveis a um dos mais conhecidos fascistas italianos, Claudio Borghi. O fulano é apresentado como um eminente economista, com direito a duas páginas de entrevista. Seguem-se mais uma página e um editorial em que os jornalistas desse diário se referem à entrevista, mas sem espírito crítico, como se as ideias de um fascista, que também é reconhecidamente xenófobo, fossem apenas mais uma contribuição para o debate sobre a “crise na Europa”.

Borghi, que vê a situação económica na Itália pelo prisma único e simplista do Euro, repete ao longo da conversa que tudo entrará nos eixos quando o seu país sair da moeda única. Nada mais diz. Não menciona a corrupção do sistema político italiano, a necessidade de reforma do mesmo, não faz referência à incapacidade em se modernizar que certos sectores da economia italiana têm revelado, não fala dos créditos malparados da banca nacional, que somam cerca de 360 mil milhões de euros, nem do endividamento absolutamente anormal do Estado – acima de 130% do PIB – que resulta, em grande parte, dos salários e honorários fabulosos pagos a uma classe política desmesurada e semeada de vigaristas e trafulhas, nada, nada. É a ideia única, o pensamento maníaco e paranoico, o euro como bandeira de um populismo de extrema-direita.

Ao publicar esta parvoíce perigosa, o “Público” não serve a causa da democracia na Europa.

publicado por victorangelo às 16:40
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10
Dez 16

A minha neta fecha a conversa, quando vê que eu pretendo não estar a perceber, com uma expressão bem típica: laisse tomber, ou seja, esquece! São os seus seis anos de vida que lhe dão esse tipo de sabedoria.

E eu aprendo.

Por exemplo, quando leio o que certos intelectuais escreveram no Público de hoje, limito-me a concluir que não vale a pena insistir, é mesmo para esquecer.

publicado por victorangelo às 20:48
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01
Dez 13

Nem sempre estou de acordo com a jornalista Teresa de Sousa, mas é certamente uma profissional que merece todo o respeito. E que vale a pena ler, sobretudo as suas crónicas de domingo, que aparecem todas as semanas no Público.

  

Recomendo a reflexão de hoje, sobre o estado da social-democracia na União Europeia de agora. Na verdade, o futuro político da social-democracia levanta muitas interrogações.  

 

O link para o texto é o seguinte:


http://www.publico.pt/mundo/noticia/a-socialdemocracia-do-medo-1614561


publicado por victorangelo às 21:02
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23
Jun 13

O Público de hoje informa-nos que apartamentos de luxo, novos, junto da Marina de Vilamoura e dos campos de golfe, foram ontem a leilão, a metade do preço e mesmo assim não encontraram comprador. O que teria custado 215 mil euros, no caso de um T2, esteve à venda por pouco mais de 100 mil e acabou por ser retirado do mercado.

 

Esta notícia terá passado despercebida a muitos. Para mim, enquadra-se bem no que escrevi ontem sobre as consequências que advêm de se falar repetida e estouvadamente da possível saída de Portugal do Euro.  

publicado por victorangelo às 20:44
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09
Jun 13

No bairro de Bruxelas onde me encontro não existe uma estação de correios. A que existia fechou há alguns anos. Quando preciso de mandar uma carta registada, ou de levantar uma correspondência, dirijo-me à papelaria do meu quarteirão. Para além dos jornais, revistas, jogos de sorte, e outras coisas habituais num comércio do género, o dono da loja, que é um imigrante de origem norte-africana, presta os serviços básicos de um posto de correios. É, igualmente, o olho atento que zela pela integridade do marco postal, que se situa a meio do estabelecimento.

 

Dizia-me, outro dia, que a prestação deste serviço significa mais uma entrada de dinheiros, sem esquecer que quem vem levantar uma encomenda sempre pode acabar por jogar na lotaria ou ser tentado por uma capa de revista.

 

Os utentes habituaram-se à ideia da livraria que também é caixa de correios. Aceitaram a privatização de um serviço que parecia estar destinado a ser, para sempre, do domínio público.  

 

Há dias fui, no entanto, surpreendido com outra privatização. Ia no comboio para Londres, quando apareceu um revisor para controlar os bilhetes. Estávamos entre Lille e Calais, ainda em França. Para minha surpresa, notei que o homem não era funcionário dos caminhos-de-ferro. Era agente de segurança, vigilante, assim se diz, empregado por uma multinacional conhecida na área da segurança. Aparentemente, a tarefa de controlo das passagens tinha sido privatizada e adjudicada a uma empresa de segurança.

 

Fiquei a pensar que qualquer dia apenas o trem será pertença dos caminhos-de-ferro. O resto será por subcontratação. 

publicado por victorangelo às 20:47
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23
Abr 13

Um outro José Vítor, de apelido Malheiros, jornalista no Público, escrevia hoje na sua coluna semanal:

 

“No domínio do trabalho político gracioso há nos Estados Unidos uma tradição secular: profissionais de reconhecido mérito e sem necessidades materiais oferecem, uma vez abandonada a sua actividade profissional, alguns meses ou anos de trabalho ao Estado – como embaixadores plenipotenciários, enviados especiais, presidindo a comissões, etc. – em troca de uma remuneração simbólica. Chamam-lhes os “dollar a year men”. Mas esta contribuição deve ser dada quando já não possam existir conflitos de interesse e não com a esperança de capitalizar a posteriori os conhecimentos e a influência obtidos nesses lugares. Pode ser uma ideia”

 

Pois é, caro José Vítor. O seu homónimo ofereceu os seus préstimos a Portugal, nessas condições, de um euro por ano, em 2010, e o governo ficou com um olhar vago, sem saber como tratar da oferta. E a coisa morreu com o tempo.

 

O mais curioso é que poderia ter sido reintegrado na função pública, com um salário de técnico superior e ser, em seguida, colocado numa prateleira de quadro de adidos, sem atribuições mas a ser pago todos os meses.

 

Pode ser, de facto, uma ideia, mas que em Portugal não tem asas para voar.  

publicado por victorangelo às 21:23
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26
Nov 12

Creio não errar se pensar que nenhum dos meus leitores habituais esteve alguma vez na vida em Nauru. Diria mesmo que muitos nem localizar esse país no mapa do mundo o conseguirão fazer.

 

Lembrei-me de Nauru depois de ler um artigo palerma num diário de referência de Lisboa. Na verdade, o Público de hoje insinuava que os Chineses talvez estejam interessados na base das Lajes, agora que os Americanos estão decididos a reduzir a sua presença militar na Ilha Terceira.  A peça é tão simplória que nem entende duas coisas portanto claras: primeiro, os Estados Unidos não vão largar as Lajes; vão reduzi-la à expressão mínima, mas guardando o controlo; é que estas coisas, uma vez obtidas, não se deitam fora; segundo, os nossos aliados americanos nunca permitirão que Portugal dê facilidades militares de envergadura à China; seria um absurdo, tendo em conta que os Chineses aparecem, na nova visão estratégica americana, como o adversário principal.

 

Agora que há Chineses por toda a parte, isso sim, é verdade. Não se ocuparão dos negócios que o Público sugere, mas andam a fazer pela vida.

 

Veja-se o caso de Nauru. Um país independente situado no Pacífico, a várias horas de voo de Brisbane, na Austrália. População, menos de 10 000 habitantes. Área, quatro vezes menos do que a do concelho de Cascais. Principal fonte de rendimentos, para além da ajuda australiana: a renda paga por Canberra para manter na ilha um centro de detenção de imigrantes ilegais, que foram apanhados a tentar entrar na Austrália, e que são, de seguida enviados para a prisão estabelecida em Nauru, para processamento pelas autoridades de imigração australianas. 400 prisioneiros, actualmente. Diz a Amnistia Internacional, que visitou o centro recentemente, que as condições do centro não respeitam as regras básicas de uma prisão nem os direitos humanos dos internados.

 

Uma amiga minha acaba de visitar Nauru, em missão oficial. Procurou, no primeiro dia, sítio onde pudesse comer uma refeição que não fosse “indígena”. E acabou por encontrar o único sítio de “fast food” do país, propriedade de um imigrante vindo da China há meia dúzia de anos. Surpresa, que surpresa. Admirada, perguntou-lhe como fora ali parar, a um sítio que não lembra a ninguém. Respondeu que, tendo a China 1,3 mil milhões de habitantes a competir entre si, uma das vias possíveis para quem quer sair da cepa torta é a emigração. E assim acabou por viajar para Nauru, ao acaso das rotas disponíveis...

 

Talvez dentro de algum tempo um jornal de referência de Portugal nos venha narrar que um imigrante chinês abriu um “fast food “ às portas da base das Lajes…Os poucos militares americanos que continuarem nos Açores serão clientes assíduos…Estou certo.

 

publicado por victorangelo às 20:58
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05
Set 10

Existe, na União Europeia, um país que permite a indivíduos condenados a penas de prisão maior, por tribunais devidamente constituídos, andar em liberdade, sem qualquer restrição, e aparecer diariamente nas primeiras páginas da imprensa nacional a atacar juízes e a justiça. Nenhum desses seres é, em seguida, importunado pela procuradoria da república, que difamar juízes e fazer campanha contra a justiça não parecem ser crimes públicos nesse tal país.

 

E os media colaboram, que também por esses lados não há cabeça nem sentido das responsabilidades.

 

Que loucura é esta?

publicado por victorangelo às 09:46
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12
Abr 09

 

Um Domingo de Páscoa que tenha com pano de fundo o  que se diz em Portugal sobre a política -- parece que as mini-saias são o grande tema de reflexão nacional, neste momento, num país após Faro --, sobre a crise e também sobre a Europa, tem que ser sem dúvida um dia cinzento.

 

 

publicado por victorangelo às 09:08
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