Portugal é grande quando abre horizontes

19
Dez 16

Embora ande pelo partido há muitos, bons e maus, anos, o meu amigo Fernando não gosta de Passos Coelho. E acha que está na altura de o mostrar publicamente. É uma espécie de aposta no futuro, ou seja, em 2017 ou no ano seguinte. Está convencido que o dirigente actual não se irá aguentar nas canetas por muito mais tempo. Por isso, abrir a boca em público, agora, pode ser um bom investimento junto do senhor que se seguirá. Mesmo que não se saiba quem será esse tal senhor.

E fala bem, o Fernando. Explica que há um défice de direcção, que a liderança perdeu o norte, que não há ideias nem projectos. Tudo muito bem dito, com as palavras certas e os jornalistas a beberem nessa fonte.

Só se esqueceu de acrescentar que não vai à bola com o Passos porque este o não incluiu, contra todas as expectativas e mais algumas, na lista de deputados há cinco anos atrás. E essa é, na verdade, uma razão de fundo. Tão funda, que é inconfessável.

publicado por victorangelo às 20:50
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30
Mai 16

Uma das razões que me afasta da política partidária tem que ver com os ataques pessoais. Não gosto nem pratico a arte dos ataques contra os autores de ideias e propostas. Discuto, isso sim, quando é caso disso, as opiniões. Mas reconheço que a acção política se faz também e acima de tudo, tantas vezes, com base na demolição da personalidade e no achincalhamento do adversário. E quem é forte e feio nessa habilidade vai mais longe.

É isso que Donald Trump tem feito e continua a fazer. Primeiro contra os 16 outros candidatos do seu próprio campo e agora contra Hillary Clinton. E será provavelmente por esse motivo que poderá vir a ganhar as eleições presidenciais de novembro.

Assim, Hillary Clinton tem que rever a sua maneira de fazer campanha. Não pode ignorar o impacto que a difamação sistemática vinda do outro lado tem. Não precisa de passar uma boa parte do seu tempo a ridicularizar e menosprezar Trump. Mas tem que ir a esse jogo. E as personalidades à sua volta não podem perder uma única oportunidade para cobrir o oponente republicano de ridículo e troça.

Estas eleições não podem ser disputadas com luvas brancas. Nem com grandes devaneios intelectuais, que têm apenas o condão de mostrar que Hillary mais não é do que um rebento de uma elite distante do cidadão comum. Estamos perante uma disputa suja que pede que se arregace as mangas e se meta as mãos na massa.

publicado por victorangelo às 20:16
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16
Out 15

Há uns sete ou oito anos atrás, foi produzido um filme de animação com o título de “Elefante Azul”. A narrativa era simpática: um jovem elefante, bem azul e com olhos grandes, que ia dando os primeiros passos na vida e com eles, encontrava os primeiros desafios ligados à amizade, ao amor e ao dia-a-dia de quem anda pela floresta de todos nós. Foi um filme cativante, embora todos percebessem que não existem elefantes azuis e que o paraíso terrestre é um pouco mais complicado.


Lembrei-me do “Elefante Azul” e da fantasia a ele associada, ao pensar na atmosfera em que muitos dos nossos comentadores políticos resolveram agora passar a viver. Assim a política torna-se mais simples. E mesmo não sendo, no nosso caso, muito “azul”, dá, no entanto para muitas historietas e muita palavra. Seria, como a visão que temos, um “elefante a preto e branco”.

publicado por victorangelo às 17:53
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05
Out 15

Os Portugueses foram a votos. Uns escolheram de um lado, outros do outro e mais alguns, assim-assim. Houve mesmo um bom número que decidiu não se aproximar das urnas.


Tudo isto são escolhas. Em democracia, há que respeitar as preferências de cada cidadão. É deste modo que se chega a uma sociedade responsável e sazonada. Dizer que uns são burros e outros são clarividentes só mostra que ainda estamos longe de uma convivência tolerante. Os cidadãos são todos iguais, no dia do voto. E cada um decide como melhor lhe parece. E ganham todos, neste caso.


Isto independentemente das opções políticas que o leitor ou eu possamos ter. E também do julgamento que façamos sobre cada um dos programas partidários. Respeitar os outros não quer dizer que se está de acordo com cada um dos partidos. Mas a luta política não deve impedir que respeitemos cada um dos nossos concidadãos, com excepção, claro, daqueles que abusam da democracia e do poder e que violam as leis.

 

publicado por victorangelo às 20:01
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23
Set 15

Neste tempo de campanhas políticas, convém que recordemos que o verdadeiro líder é o que sabe identificar quais são os desafios mais significativos que a nação confronta. Apesar do risco que existe, quando se reduz a lista dos problemas fundamentais a dois ou três de particular importância, parece-me essencial focar as atenções e ser claro quanto aos objectivos a atingir nessas áreas consideradas de maior prioridade.


Na minha opinião, Portugal enfrenta dois desafios muito significativos.


O primeiro diz respeito à pobreza e à fragilidade social de largos segmentos da nossa população. Combater a pobreza e atenuar a insegurança económica que define a vida de muitas famílias são imperativos de justiça social, de ética pública, bem como um requisito básico para assegurar um maior nível de coesão social e de cidadania responsável. Exigem um pacote de medidas que deverá ir muito além do serviço nacional de saúde – que é para muitos, sobretudo nos distritos de maior densidade populacional, uma frustração, uma concha vazia, que lhes possibilita ouvir o mar, em pano de fundo, mas não lhes permite beneficiar da força das ondas – e da assistência social. Tratar-se-á, isso sim, de um plano integrado que mostre resultados às famílias e lhes dê a possibilidade de acreditar que, em Portugal, vale a pena ter ambições e lutar por elas.


O segundo desafio tem que ver com a expansão, a diversificação e a modernização da economia portuguesa. Aqui, as linhas do futuro passam pela reorganização do sistema educativo, incluindo mais aplicação, mais disciplina, mais profissionalismo, e melhor formação profissional, e por outro lado, pelo fomento do investimento na economia, incluindo o investimento estrangeiro, a expansão da agricultura e da pecuária, a reorganização do sector das pescas – com uma incidência a sério na aquacultura.


O meu plano de campanha e de governo seria construído na base destes dois pilares.


Não sei se teria muitos votos. Teria, no entanto, posto o dedo na ferida. E é assim que os problemas começam a ser equacionados e, depois, resolvidos

publicado por victorangelo às 14:35
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16
Set 15

Vi uma boa parte da primeira intervenção de Jeremy Corbyn em Westminster, como líder trabalhista, e pareceu-me muito bem. Pode não se estar de acordo com muitas das suas ideias, mas o estilo sério, ponderado e modesto inspira confiança e sabe a modernidade. As preocupações que levantou, nas Perguntas ao Primeiro-ministro, vieram directamente das pessoas, tratavam de assuntos reais e preocupantes, com as questões do acesso à habitação a preços controlados ou a falta de cuidados de saúde para os doentes mentais.

publicado por victorangelo às 19:53
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10
Set 15

Cheguei a Riga já depois do fim do famoso debate nas televisões portuguesas. Mas, pelo que tenho ouvido, parece que António Costa passou melhor este importante teste. E acrescento que assim não poderia deixar de ser. Jogava ao ataque, não tinha contas de governação recente para prestar e à sua frente estava um oponente que não percebe o impacto nefasto das lengalengas, das explicações intermináveis que nada esclarecem. As pessoas querem respostas directas e claras. É assim que se faz política nos dias de hoje. Grandes conversas não levam água a nenhum moinho, não convencem. Nem dão a impressão de sinceridade. Só servem para aumentar a desconfiança e os anticorpos.

 

publicado por victorangelo às 20:12
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10
Jun 15

Mais um Dia de Portugal que passo no estrangeiro. Já nem sei quantos são, depois de mais de três décadas a andar pelo mundo. É isso ser emigrante – ao fim e ao cabo, é essa a minha condição na vida. A emigração é, aliás, uma das características definidoras de uma boa parte dos portugueses. Por isso, o dia de hoje é igualmente o Dia das Comunidades Portuguesas.

Enquanto português e membro das “comunidades no exterior”, é como se fosse um dia duplo, dois em um. Um dia em cheio, que para mais nos faz lembrar o Luís, aquele que andou também por várias partes do mundo. E que no fim do percurso voltou à Pátria, sem grandes meios mas rico de experiências e mais capaz de falar de outros mundos, de coisas de assombrar e de culturas diferentes.

Perante isto, transformar a lembrança do dia em conversa de partidos e de sectários não é aceitável. Dêem folga ao arremesso, caros senhores e senhoras da elite. Há muitos outros dias para falar daquilo que nos divide e antagoniza, para lançar pedras e atacar a torto e a direito o lado oposto.

Seria bom ficar acima do quotidiano rasteiro um dia por ano. Seria uma maneira nova de celebrar Portugal. Sei que não é fácil, mas aqui fica o pedido.

publicado por victorangelo às 16:55
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20
Mai 15

Já cheira a clima eleitoral nas terras lusas. Quando isso acontece entra-se na estação das promessas absurdas e do patriotismo barato. O papel dos políticos passa a ser o seguir cegamente as loucuras da opinião pública mais excitada.

 

publicado por victorangelo às 20:24
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08
Mai 15

As eleições britânicas vieram confirmar várias tendências, sobre as quais deverei escrever no próximo texto a publicar na Visão. Para já, quero apenas lembrar que a estratégia eleitoral dos Conservadores foi concebida e dirigida por um especialista australiano, Lynton Crosby, a quem o partido de David Cameron pagou uma fortuna. Crosby aproveita-se das divisões internas que possam existir no partido adversário. Explora-as de um modo muito hábil, acentua-as, de modo a fazer crer ao eleitorado que esse partido é um saco de gatos assanhados que não se entendem e em quem não se pode confiar, ou, pelo menos, um partido com uma liderança fraca, incapaz de se impor e que por isso não tem garras para dirigir o país. O objectivo último consiste em desgastar e descredibilizar a imagem do líder oposto. É uma táctica que é jogada, em simultâneo, de modo aberto e de maneira subtil, para aumentar a credibilidade dos ataques. Pressupõe a existência de uma equipa que, na sombra, só trata disso.

 

publicado por victorangelo às 21:38
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