Portugal é grande quando abre horizontes

17
Dez 16

Um dos partidos marginais de Portugal, mas com assento na Assembleia da República, diz que vai lançar uma campanha para preparar a nossa saída do euro. Trata-se de um partido que teve mérito no passado, mas que hoje é um mero agrupamento de saudosistas retrógrados, que combinam atitudes reacionárias com uma ingenuidade à prova de todos os argumentos racionais. É uma peculiaridade bem portuguesa, que já não existe noutros cantos da Europa.

Dizem que durante a campanha irão negociar com o PS, o BE, os PEV, entre outros que não são explicitamente mencionados. Só espero que os outros incluam o Nicolas Maduro da Venezuela e o Robert Mugabe do Zimbabwe. Ambos têm experiências ímpares de como se consegue arruinar um sistema monetário e uma economia de modo rápido, e depois, colocar a culpa nos outros.

Dito isto, é claro que o populismo político que actualmente sopra por vários sítios, e agora também em Portugal, é uma loucura política muito perigosa.

publicado por victorangelo às 20:18
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31
Out 16

Não é preciso chegar ao Dia das Bruxas, ou lá o que é, para que se tenha medo. Em Portugal, uma boa parte dos políticos mete medo todos os dias. E alguns deles são tão surrealistas quanto as bruxas são irreais.

publicado por victorangelo às 20:29
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21
Ago 16

Hoje lembrei-me do velho Deng Xiao-ping (1904-1997). O tal que dizia, por outras palavras mas com o mesmo sentido, que o importante não era a cor do gato, se branco ou preto, mas sim se caçava, ou não, ratos. É o pragmatismo político levado ao extremo.

 

Mas a verdade é que precisamos, no nosso caso bem português, de introduzir uma forte dose de pragmatismo na nossa prática política. Há conversa a mais, ideologia superficial em abundância, e poucos resultados práticos. Ora, o que os cidadãos querem é que o país funcione melhor, que lhes facilite a vida. Esse é o critério que conta. 

 

Ora, estamos e temos estado, nas mãos de incompetentes. O verdadeiro combate político passa pela luta contra essa ineptidão. O Zé que vê a sua companheira esperar às portas do Serviço Nacional de Saúde até já não haver solução não pensa na cor do gato que está no governo. Fica convencido, isso sim, que a incompetência mata os pobres. A Maria, que aos 26 anos ainda anda à procura do primeiro emprego, depois de vários estágios faz-de-conta, compreende agora que o sistema educativo não a preparou para a vida. A incompetência do sistema público de educação dá cabo da vida aos jovens pobres, sem no entanto beliscar o futuro dos filhos dos ricos. E dos políticos… 

 

E assim sucessivamente.

 

 

publicado por victorangelo às 16:46
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13
Jul 16

O Conselho de Estado reuniu-se pela segunda vez, neste novo mandato presidencial, na segunda-feira ao fim do dia. Na terça-feira, já um ou mais dos seus membros havia relatado a jornalistas amigos os pormenores do que fora discutido e quem disse o quê.

Na minha opinião, esta falta de respeito pela confidencialidade das discussões retira valor ao Conselho de Estado, que aliás já tem pouca valia. Deixa de ser um órgão onde se exprimem opiniões independentes, para benefício do Presidente da República. Assim, vai-se para o Conselho com a intenção de dizer o que convier em termos da opinião pública e da política partidária do momento. Não se estará a falar com a objectividade necessária, mas sim de pé atrás ou então a pensar na oportunidade e no impacto dos títulos que irão aparecer nos jornais.

Falta sentido de Estado, neste país.

Já pensaram no que se transformaria o Conselho de Ministros, se a moda do contar tudo pegasse também por essas bandas?

 

publicado por victorangelo às 18:26
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25
Jan 16

Portugal: eleição presidencial de 24/01/2016

  • MRS: o único titular de um alto cargo institucional que tem uma legitimidade sólida; o seu maior desafio é mantê-la
  • Ganhou em todos os distritos
  • Uma vitória que faz algum tipo de ponte entre diferentes sectores de opinião
  • Divisões no seio do PS, o grande perdedor da noite, por ter dois candidatos e por se identificar de modo muito claro com um deles, em contramão dos históricos do partido
  • Estimo que cerca de 1/3 do eleitorado do PS seja próximo do centro
  • A crispação vai aprofundar-se entre o PS e os seus apoios parlamentares, sobretudo do lado do PCP
  • O espaço do PCP está mais apertado, entre a ala esquerda do PS e o BE
  • O discurso político do PCP está fora de sintonia com a maneira de falar sobre política que hoje se pratica
  • A candidata do BE tem um potencial eleitoral que é importante reconhecer
  • 17 pontos percentuais da abstenção serão explicados pela inadequação ou falta de actualização dos cadernos eleitorais; não serão 9 440 mil eleitores, mas sim cerca de 7 836 mil
publicado por victorangelo às 12:05
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19
Dez 15

O fulano nem conseguiu ser eleito para a câmara da sua vila natal. Candidatou-se e perdeu. Os seus conterrâneos acharam que não tinha condições para que desempenhasse o lugar de presidente da câmara. Mas hoje está à frente do seu grupo parlamentar, na Assembleia da República. Não por mérito próprio, claro. Simplesmente por fidelidade ao líder do seu partido. Que é assim que se faz carreira, nesta terra. De língua de fora.

E depois admiram-se que não haja respeito por quem está no poder.

 

publicado por victorangelo às 21:10
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20
Out 15

O crescimento económico é a única ambição que conta, quando o país é pobre, quando a economia é insuficiente para financiar um nível de bem-estar social aceitável. Falar em repartir o que não existe em quantidade suficiente é pura demagogia, poeira lançada aos olhos dos crédulos.


Num modelo económico como o nosso, o crescimento da economia passa, acima de tudo, pela promoção do investimento privado e pela qualificação dos trabalhadores, de modo a que possam responder às exigências de um sistema produtivo moderno e competitivo.


O investimento tem que ver com a confiança política e a previsibilidade. Ninguém investe num clima de incertezas políticas, de ameaças ao sector privado. Também não se investe a sério quando a linha política é feita de ziguezagues e sustentada com base em acordos com correntes políticas contrárias ao bom funcionamento do sector privado.
Por outro, a competitividade não pode ser entendida nem funcionar com base em salários desvalorizados e em relações laborais precárias. Competitividade em 2015 significa conhecimentos, preparação profissional, aptidões académicas, estabilidade de emprego.


Assim se constrói o futuro. E assim se denuncia quem tem ideias erradas e anda a tentar enganar a opinião pública.

 

publicado por victorangelo às 22:19
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14
Out 15

Os meus leitores habituais sabem que andei por muitos sítios e que tive que lidar com muitos e variados políticos. E também já perceberam que não tenho a classe política portuguesa numa consideração muito alta. Não o nego.


A verdade é, porém, que não se podem pôr todos os políticos de Portugal no mesmo saco. Há que ter um mínimo de realismo e aceitar as coisas como elas são. Como também há que reconhecer que existem diferenças relativamente claras entre os genes de cada agremiação política.


Um partido que tenha nascido da contestação voltará sempre, mais tarde ou mais cedo, à sua marca identitária. Está-lhe na alma, faz parte da marca da casa. Um outro, que seja fruto do pensamento único, da crença em vanguardas que anunciam amanhãs que cantam, que tenha sido inspirado por regimes totalitários, acabará sempre, mais tarde ou mais cedo, por mostrar a verdadeira natureza das suas práticas. Outro, que tenha feito do PS o seu alvo principal, ao longo de décadas de escárnio e maldizer, deixará isso de parte por uns tempos, para depois voltar ao ataque, quando as circunstâncias se tornarem particularmente difíceis.


Por isso, lembrei-me hoje daquela historieta do lacrau que vai às costas da rã, para atravessar o rio. Uma fábula que todos conhecem.

A certa altura, a natureza do bicho é mais forte que a sua própria sobrevivência.

Pena. Era um lacrau simpático.

 

publicado por victorangelo às 21:21
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12
Out 15

Depois de duas longas ausências, duas viagens por países imaginários, que é assim que se discutem as questões estratégicas de defesa, eis-me de regresso a Lisboa, por uns dias. Depois, será a migração do Outono, a caminho do centro da Europa.


Encontrei um país à espera. E uma situação curiosa. O político que a maioria dos portugueses achou que não tinha perfil para primeiro-ministro encontra-se agora no centro das iniciativas. É uma jogada inteligente. Na nossa ordem constitucional, o que conta é reunir uma maioria de deputados na Assembleia da República. E na realidade da nossa precariedade económica e social, o que interessa é a estabilidade governativa. As diferenças programáticas, quando ninguém tem a maioria, terão tendência para se esbaterem. É tempo de compromissos. Para todos os lados, enquanto se procura uma solução.


Noutros horizontes, teríamos aquilo que muitos apelidam de uma “grande coligação”. Por aqui, os enredos são outros. Veremos. Com serenidade, que o mundo não acaba hoje ao fim do dia.

publicado por victorangelo às 17:25
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02
Out 15

Votar por convicção ou votar útil, para derrotar A ou B? Esta é uma das interrogações que se colocam a quem se dá ao trabalho de se deslocar às assembleias de voto. E não há resposta certa. Cada um deve fazer como melhor entender. Assim deve funcionar o jogo democrático.


Mas o grande problema, este domingo, terá que ver com a abstenção. Creio que vamos assistir a valores históricos. E isso, sim, está fora do que se espera em democracia.


Só que ninguém é obrigado a votar. E que muitos pensam que as escolhas que estão nos boletins de voto são, na verdade, más opções. Quem poderia ser eleito não sobressai. E quem sobressai, terá piada, terá simpatia, mas não tem programa que possa ser implementado nas circunstâncias europeias do nosso país. É que a votação não se pode alhear nem das nossas circunstâncias internas nem das externas. São um todo. É preciso equilíbrio. E falar do futuro de uma maneira que faça sentido.


Quando isso não acontece, uma boa parte de nós fica em casa.

publicado por victorangelo às 19:35
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