Portugal é grande quando abre horizontes

09
Mar 17

A economia portuguesa tem agora ramos de actividade muito competitivos e perfeitamente integrados nos mercados exteriores, sobretudo nos que compõem o resto da UE. Se amanhã saíssemos do euro e entrássemos numa utopia ultranacionalista, essas actividades seriam fortemente afectadas. Fechar-se-iam portas de acesso e experimentar-se-ia um ciclo recessivo acelerado. A nova moeda sofreria desvalorizações atrás de desvalorizações, tornando-se assim impossível importar as matérias-primas e os componentes que muitos produtores económicos utilizam. Ficaríamos rapidamente mais pobres, mais isolados economicamente e com um muito maior risco de instabilidade social.

A via do futuro não passa por aí, nem por qualquer tipo de saudosismo meio bacoco, meio ignorante. Também não se resolve transformando as empresas em repartições públicas. Avança, isso sim, com a contínua modernização da nossa economia, a expansão da formação profissional dos nossos concidadãos, o aumento do poder de compra, e com uma integração inteligente nos circuitos europeus e internacionais. Avança igualmente com a clareza das ideias e a coragem que os debates destas matérias exigem.

 

publicado por victorangelo às 20:55
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06
Fev 17

Talvez seja por deformação profissional, mas sou dos que consideram os conselhos e avisos técnicos das organizações internacionais como importantes. Devem ser ouvidos com atenção e merecer ponderação. Pode pensar-se que têm falhas, que não reflectem todas as facetas da realidade que é a nossa. Não devem, no entanto, ser desvalorizados ou varridos par debaixo do tapete. Por isso, lamento a reacção do Presidente da República perante o relatório que a OCDE deu hoje a conhecer sobre aspectos estruturais da economia portuguesa. O Presidente limitou-se a dizer, na maneira superficial que é muito nossa, que não havia nesse relatório nada de novo e que até estaria um pouco desactualizado em termos dos dados estatísticos.

Não é verdade. O relatório chama a atenção para a falta de sustentabilidade das políticas económicas que foram seguidas nos últimos e nos anos de agora, para a escassez do investimento, para os benefícios dados aos funcionários públicos em detrimento do sector privado, para a falta de formação profissional de uma boa parte dos jovens do nosso país, e também para as desigualdades crescentes entre diversos tipos de trabalhadores e de regimes sociais.

Tudo isto precisa de ser levado a sério. Não se trata de questões levianas nem de beijinhos à malta que passa. Estamos a falar de questões de fundo, que tocam o presente e comprometem o futuro.

publicado por victorangelo às 20:22
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22
Fev 16

Quem sabe dessas coisas diz-me que, em média, o nível dos conhecimentos dos alunos que terminam o ensino secundário em Portugal tem vindo a baixar de ano para ano, na última década. Na maioria dos casos, limitam-se a estudar o necessário para passar nos exames. Fora disso, pouco ou nada sabem, nem lhes interessa. E também não sabem equacionar uma questão ou dar-lhe uma resposta estruturada.

Se assim é, estamos a preparar gerações futuras que serão muito pouco competitivas no mundo global a que irão pertencer. Ficarão para trás. Como tem aliás acontecido ao país nas últimas décadas. Na competição internacional, Portugal anda em marcha lenta.

O que é extraordinário nisto tudo é que ninguém parece de sobremaneira preocupado com este tipo de realidades. Olhamos para o futuro com olhos míopes.

 

publicado por victorangelo às 19:57
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08
Jul 15

Neste dia em que, segundo os indícios que vão surgindo, aumentaram as pressões sobre o governo grego, exigindo um novo programa de reformas muito mais abrangente e contrário à filosofia do Syriza, apareceram igualmente dados sobre a vida em Portugal. Uma espécie de fotografia da Nação, que revela cores muito sombrias.

Estamos hoje pior, segundo o que foi trazido a público, do que estávamos há muitos e bons anos atrás.

Para mim, há duas grandes questões que se levantam e que serão cada vez mais prementes.

A primeira tem que ver com as desigualdades. Na minha leitura dos dados e na observação dos factos, tem-se agravado a dualidade entre uma pequena minoria, que vive desafogadamente e sabe mexer-se nos tempos de agora, e a grande maioria, que luta pela sobrevivência e se sente perdida face às realidades de hoje. A tendência é para que esse fosso social se aprofunde.

A segunda relaciona-se com a nossa incapacidade geral, salvo excepções, de competir numa economia aberta e mais internacionalizada. À medida que se avançar com a abertura dos mercados, com os novos acordos comerciais internacionais que estão na forja, com o apelo ao investimento estrangeiro, ficará mais evidente que não temos, na maioria dos casos, unhas nem capacidade para competir com os que virão de fora. Não estamos suficientemente preparados para a globalização das relações económicas e comerciais. Somos, isso sim, um povo que precisa da tranquilidade, que já não existe, que é um mito, o sossego de quem vive por detrás de barreiras levantadas ao longo das linhas de fronteiras.

Perante estas constatações, se hoje estamos mal, o risco de amanhã virmos a estar ainda menos bem é muito grande. Diria mesmo, que me parece enorme.

É isso, entre outras coisas igualmente estruturantes e urgentes, que a nossa política deveria procurar resolver.

 

 

publicado por victorangelo às 21:59
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15
Mai 15

Infelizmente, tenho que voltar a escrever sobre o bullying nos meios escolares. Não apenas por causa do novo caso que chegou à comunicação social – os maus tratos inaceitáveis contra um rapaz de 12 anos, no autocarro do colégio, em Leiria. Nem mesmo porque o condutor do autocarro fingiu que não era nada com ele e por a directora do colégio ter tentado esconder o incidente. Volto ao assunto porque um imbecil de um comentador numa rádio de prestígio veio dizer que o bullying sempre existiu, dando a entender que não há razão para tanto alarido. Ou seja, procurou fazer em público o que muitos fazem pela calada: banalizar a coisa, achar normal que jovens abusem física e psicologicamente de outros jovens.

É contra este tipo de cretinismo opinativo que me bato. É a razão de ser deste blog. E faço-o por saber que estas barbaridades de opinião são moeda corrente, aqui por este país. Noutros países, que conheço e frequento assiduamente, a tolerância em relação aos comportamentos violentos nas escolas é zero. Não se aceita. Responde-se a cada caso de violência com firmeza e celeridade. E fazem-se repetidas campanhas de esclarecimento sobre o respeito pelos outros, os direitos de cada um e os valores da cordialidade e da compreensão em relação aos que são diferentes. A verdade é que essa maneira de tratar o problema dá resultado.

Portugal precisa de levar uma grande volta. Incluindo nesta área e no domínio mais vasto da educação. A permissividade e a passividade actuais estão a dar espaço e a criar os primários de amanhã, os portugueses do subdesenvolvimento, que pouco mais saberão fazer na vida do que dar bofetadas, dizer palavrões, protestar a torto e a direito, e votar pelos partidos radicais, na vã esperança que a sociedade assuma o encargo de tomar conta deles, das suas frustrações e das suas incapacidades.

 

 

publicado por victorangelo às 20:58
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24
Nov 14

Estes são momentos que exigem muita calma, muito bom senso. Exageros, de um lado ou do outro, só servem para criar mais fracturas, mais intolerância e mais extremistas numa sociedade que precisa de criar um ambiente de maior serenidade para poder reflectir em conjunto, e de modo positivo, sobre o futuro de todos nós.

publicado por victorangelo às 21:56
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18
Jul 14

Apostar no aumento da taxa de natalidade é não ter em conta as razões que levaram as famílias portuguesas a ter, em média, menos filhos. Essas razões são fundamentalmente económicas, mas também resultam de mudanças fundamentais, de fundo, nos comportamentos das gerações mais jovens. As medidas que venham a ser tomadas pouco ou nenhum impacto terão na inversão da tendência para uma taxa baixa, inferior ao nível necessário para a substituição das gerações.

 

É mais fácil atrair novos imigrantes que mudar os comportamentos dos jovens portugueses. Uma verdadeira política demográfica terá que passar pela criação de um conjunto de atractivos à imigração de jovens provenientes dos países menos desenvolvidos do Leste da Europa, a começar pela Ucrânia.  É aí, desse lado da Europa, que iria buscar uma parte significativa dos “novos portugueses”.

 

Sem esquecer, claro, que uma parte importante do nosso défice demográfico provém da saída de jovens portugueses para o estrangeiro. Essa face da medalha tembém deve ser equacionada na nossa política populacional.

publicado por victorangelo às 22:08
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14
Set 13

Visto de longe, que é o meu caso, através dos resumos que têm aparecido na imprensa, o debate sobre Portugal, a União Europeia e o futuro, organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, deve ser considerado como uma excelente iniciativa.

 

Reuniu, ontem e hoje, gente com as mais diversas opiniões e abriu a porta ao diálogo, de uma maneira civilizada. É um bom exemplo, num país em que a discussão pública continua a ser feita aos arrebates, tantas vezes, apenas como um desabafo irracional.

 

Isto não quer dizer que todas as intervenções tenham sido de boa qualidade. Quer dizer, simplesmente, que é bom que olhemos para nós e para a nossa inserção no mundo com tranquilidade e abertura de espírito.

 

publicado por victorangelo às 15:13
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08
Set 13

Creio ser uma ilusão, que poderá custar caro, pensar que os outros estados membros da União Europeia, a começar pela Alemanha que sair das eleições deste mês, irão estar mais flexíveis, no que respeita à execução do programa financeiro português. Quem assim pensa acredita que vai ser possível atenuar os prazos de cumprimento das metas e obter dinheiro fresco, sem condições estritas, para um programa intercalar ou cautelar, após a troika e antes do regresso total aos mercados.

 

A verdade é que os países europeus estão cada vez mais introvertidos. A solidariedade entre as nações europeias é, neste momento e no futuro mais próximo, moeda de pouco valor. Não se pode contar com ela.

 

Teremos, isso sim, que contar connosco. Isso passa, entre outras coisas, por sabermos defender, sem hesitações, os nossos interesses perante os interesses dos outros. Temos que saber jogar dentro do sistema e ter a coragem das nossas convicções.

 

Os que acreditam que a solução passa pela saída do euro estão redondamente enganados. A saída seria um salto no desconhecido, um mergulho numa miséria ainda maior. Uma moeda nova e desvalorizada não aumentaria a nossa capacidade de exportação de modo que compensasse. Muito do que exportamos tem incorporado partes e componentes importados. Importaríamos mais caro para vender mais barato.

 

A solução passa, isso sim, pela nossa criatividade, conhecimento e capacidade de nos conectarmos devidamente ao mundo exterior. Tem que ver com um país aberto ao mundo, não com uma terra fechada sobre si própria.

 

O tempo do “orgulhosamente só” já passou. Não deu resultado na altura e não daria mais pão agora.   

publicado por victorangelo às 23:06
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22
Jun 13

Equacionar a saída do Euro é como dizer aos potenciais investidores estrangeiros, de que o país tanto precisa, e aos emigrantes portugueses, que não é prudente investir dinheiro em Portugal, neste momento. Apresentá-la como uma inevitabilidade, equivale a um tiro no pé. Dizer que traria a independência económica é esquecer a miséria que havia quando estávamos orgulhosamente sós. 

publicado por victorangelo às 21:06
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