Portugal é grande quando abre horizontes

06
Fev 17

Talvez seja por deformação profissional, mas sou dos que consideram os conselhos e avisos técnicos das organizações internacionais como importantes. Devem ser ouvidos com atenção e merecer ponderação. Pode pensar-se que têm falhas, que não reflectem todas as facetas da realidade que é a nossa. Não devem, no entanto, ser desvalorizados ou varridos par debaixo do tapete. Por isso, lamento a reacção do Presidente da República perante o relatório que a OCDE deu hoje a conhecer sobre aspectos estruturais da economia portuguesa. O Presidente limitou-se a dizer, na maneira superficial que é muito nossa, que não havia nesse relatório nada de novo e que até estaria um pouco desactualizado em termos dos dados estatísticos.

Não é verdade. O relatório chama a atenção para a falta de sustentabilidade das políticas económicas que foram seguidas nos últimos e nos anos de agora, para a escassez do investimento, para os benefícios dados aos funcionários públicos em detrimento do sector privado, para a falta de formação profissional de uma boa parte dos jovens do nosso país, e também para as desigualdades crescentes entre diversos tipos de trabalhadores e de regimes sociais.

Tudo isto precisa de ser levado a sério. Não se trata de questões levianas nem de beijinhos à malta que passa. Estamos a falar de questões de fundo, que tocam o presente e comprometem o futuro.

publicado por victorangelo às 20:22
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25
Jan 16

Portugal: eleição presidencial de 24/01/2016

  • MRS: o único titular de um alto cargo institucional que tem uma legitimidade sólida; o seu maior desafio é mantê-la
  • Ganhou em todos os distritos
  • Uma vitória que faz algum tipo de ponte entre diferentes sectores de opinião
  • Divisões no seio do PS, o grande perdedor da noite, por ter dois candidatos e por se identificar de modo muito claro com um deles, em contramão dos históricos do partido
  • Estimo que cerca de 1/3 do eleitorado do PS seja próximo do centro
  • A crispação vai aprofundar-se entre o PS e os seus apoios parlamentares, sobretudo do lado do PCP
  • O espaço do PCP está mais apertado, entre a ala esquerda do PS e o BE
  • O discurso político do PCP está fora de sintonia com a maneira de falar sobre política que hoje se pratica
  • A candidata do BE tem um potencial eleitoral que é importante reconhecer
  • 17 pontos percentuais da abstenção serão explicados pela inadequação ou falta de actualização dos cadernos eleitorais; não serão 9 440 mil eleitores, mas sim cerca de 7 836 mil
publicado por victorangelo às 12:05
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21
Jan 16

Nas antevésperas da eleição presidência portuguesa, é curioso notar que o debate se resume a uma só questão: vamos resolver isto à primeira ou haverá necessidade de organizar uma segunda volta. E quanto a isso, as opiniões divergem. Mas, na verdade, o que a questão demonstra é que há um candidato muito mais abrangente do que os outros. Vai buscar votos a vários quadrantes. Pode ser ligeiro do lado das ideias, mas que consegue uma diversidade de apoios, isso sim. Os restantes estão confinados a uma fatia muito estreita do eleitorado. Ou seja, dificilmente reúnem as condições para que possam ser considerados como representativos de um leque alargado das diferentes componentes da opinião pública. Todavia, um deles, se houver segunda volta, até pode vir a ser o próximo Chefe do Estado. É que em matéria de eleições e de rejeições, nunca se sabe. A democracia funciona assim.

publicado por victorangelo às 21:11
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20
Mar 15

Perguntava a Visão de ontem, a seis personalidades públicas, qual deveria ser o perfil do próximo Presidente da República portuguesa. Cada inquirido teceu uma série de considerações, mais ou menos vagas, sobre a questão.

Se me tivessem interrogado, diria de modo resumido, que o candidato ideal deveria ser uma pessoa capaz de reestabelecer a credibilidade da função e com uma visão moderna do futuro do nosso país, incluindo a capacidade de equacionar a posição de Portugal no xadrez internacional. Acrescentaria ainda que o momento exige uma candidatura que saiba o que significa ter de ganhar a vida para além do funcionalismo público, da comodidade das cátedras académicas e das almofadas partidárias.

publicado por victorangelo às 18:52
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30
Mar 14

Durão Barroso deu uma entrevista de primeira página ao Expresso. E o semanário selecionou, de entre tudo o que foi dito, uma frase mortífera: “Já disse várias vezes ao primeiro-ministro que há limites”. Uma verdadeira rajada de metralhadora, que mostra várias coisas: que Barroso trata o PM de um modo paternalista, de alto para baixo, de chefe para subordinado; que o PM não o ouve, donde se pode deduzir que é um casmurro, sem capacidade de entender uma verdade tão simples; que vários limites foram ultrapassados, sem que houvesse sensibilidade política nem qualquer tipo de consideração pelo bom senso que deve caracterizar um PM. Revela ainda que Barroso, que continua a ser Presidente da Comissão Europeia, se permite interferir nos assuntos da governação interna de Portugal, como se fizesse parte da vida partidária nacional, o que não é o caso, por muito patriota e bom português que seja. Mais ainda, demonstra que Barroso, que diz não querer ser candidato à sucessão de Cavaco Silva, já está a preparar o terreno para o ser e poder bater na tecla que ele até era mais sensato e moderado que o PM de agora.

 

E o Expresso, solícito, está já a oferecer-se para ser um dos seus veículos de reabilitação perante a opinião pública de Portugal e um dos seus canais de propaganda. A escolha de quem está por detrás do Expresso é clara.

publicado por victorangelo às 20:01
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18
Jan 14

O pacote da recandidatura de Passos Coelho à direcção do PSD, agora formalizada, inclui um acordo subjacente: apoiar Durão Barroso como o candidato oficial dos sociais-democratas à Presidência da República em 2016. Passos acha que Barroso tem a experiência e a maturidade política necessárias. Mas acima de tudo, sabe que é um “candidato de confiança”, que irá “pagar” o apoio que lhe vier a ser dado. É, para Passos, uma aposta segura.

 

Já o mesmo não se poderá dizer de Marcelo Rebelo de Sousa. É demasiado independente para o gosto do primeiro-ministro. Essa é a sua principal desvantagem, aos olhos de Passos Coelho. Sem esquecer que o velho ditado: “cá se fazem, cá se pagam”. Marcelo vai ter que pagar a falta de respeito que tem mostrado por Passos.

 

Assim é a política que temos.

publicado por victorangelo às 20:33
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