Portugal é grande quando abre horizontes

17
Dez 16

Um dos partidos marginais de Portugal, mas com assento na Assembleia da República, diz que vai lançar uma campanha para preparar a nossa saída do euro. Trata-se de um partido que teve mérito no passado, mas que hoje é um mero agrupamento de saudosistas retrógrados, que combinam atitudes reacionárias com uma ingenuidade à prova de todos os argumentos racionais. É uma peculiaridade bem portuguesa, que já não existe noutros cantos da Europa.

Dizem que durante a campanha irão negociar com o PS, o BE, os PEV, entre outros que não são explicitamente mencionados. Só espero que os outros incluam o Nicolas Maduro da Venezuela e o Robert Mugabe do Zimbabwe. Ambos têm experiências ímpares de como se consegue arruinar um sistema monetário e uma economia de modo rápido, e depois, colocar a culpa nos outros.

Dito isto, é claro que o populismo político que actualmente sopra por vários sítios, e agora também em Portugal, é uma loucura política muito perigosa.

publicado por victorangelo às 20:18
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03
Nov 15

A quem me perguntou hoje, disse que, no meu entender, Portugal precisa de um governo ao centro. Um governo que esteja assente numa maioria de deputados do PS ou do PSD, ou numa aliança de ambos. Aquilo a que noutros céus se chama “uma grande coligação”.

A "grande coligação" seria, de longe, a minha preferida. Só assim se poderiam adoptar as reformas que o país precisa, com o equilíbrio que necessário. Ou seja, dando ao mesmo tempo atenção à modernização da economia e das instituições e às condições sociais dos cidadãos. Seria igualmente uma maneira de atrair os investimentos que o desenvolvimento nacional requer.

O resto não passaria de experiências de laboratórios políticos, nalguns casos, ou de mais do mesmo, noutros. Dito de outra maneira, tratar-se-ia de idealismos sem asas para voar, num dos modelos. Ou de parvoíce conservadora e insensível às realidades sociais, no outro.

 

publicado por victorangelo às 19:48
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25
Out 15

Tudo indica que António Costa irá ser, por algum tempo, primeiro-ministro de Portugal. Está certo. Mas espero que seja um primeiro-ministro sem arrogância. Os resultados de 4 de outubro mostram claramente que apenas um em três portugueses o vê, de facto, com capacidade para ser chefe do governo. Tem que haver modéstia.

Foi um resultado eleitoral desastroso, sobretudo depois de quatro anos de Passos e Companhia. Se os eleitores lhe reconhecessem estofo para o cargo, Costa teria vencido, nas condições excepcionais de então, de um modo esmagador. Foi isso que Mário Soares disse várias vezes, que a vitória só poderia massiva. Não o foi. Uma boa parte dos eleitores não acredita no líder socialista, não entende o que ele quer, não o vê com uma linha clara de actuação. Projecta, isso sim, uma imagem superficial, repetitiva, sem imaginação e pouco aplicada.

O problema vai ser que Costa irá procurar manter-se no poder a todo o custo. Até porque sabe que no dia em que perder o cargo de primeiro-ministro se iniciará o percurso que o levará às segundas linhas. Para manter o poder, será um eterno refém dos seus aliados de circunstância.

Esse é o risco que esta aliança muito especial traz consigo. Um PS a reboque de um líder fraco, ainda mais enfraquecido porque a sua sobrevivência depende dos radicais iluminados que só por equívoco intelectual alguns chamam de Esquerda.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:26
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22
Out 15

O Presidente da República, ao indigitar como primeiro-ministro o líder do partido com maior número de deputados, tomou a decisão mais previsível, neste momento em que ainda não há acordo de legislatura entre o Partido Socialista e os outros partidos.


Foi, no entanto, mais longe, ao dizer claramente que os dois partidos que estão a negociar com o PS são estruturalmente contra alguns dos tratados fundamentais de que Portugal é subscritor. Esta afirmação deixa entender que só muito dificilmente viria a dar posse a um governo cuja base de sustentação dependesse de modo definitivo do apoio continuado desses partidos.


Estamos, assim, perante uma posição muito categórica que poderá, em breve, ser um sapo gigante que terá que ser engolido.

publicado por victorangelo às 20:58
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16
Out 15

Há uns sete ou oito anos atrás, foi produzido um filme de animação com o título de “Elefante Azul”. A narrativa era simpática: um jovem elefante, bem azul e com olhos grandes, que ia dando os primeiros passos na vida e com eles, encontrava os primeiros desafios ligados à amizade, ao amor e ao dia-a-dia de quem anda pela floresta de todos nós. Foi um filme cativante, embora todos percebessem que não existem elefantes azuis e que o paraíso terrestre é um pouco mais complicado.


Lembrei-me do “Elefante Azul” e da fantasia a ele associada, ao pensar na atmosfera em que muitos dos nossos comentadores políticos resolveram agora passar a viver. Assim a política torna-se mais simples. E mesmo não sendo, no nosso caso, muito “azul”, dá, no entanto para muitas historietas e muita palavra. Seria, como a visão que temos, um “elefante a preto e branco”.

publicado por victorangelo às 17:53
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07
Out 15

António Costa demonstrou ter uma capacidade rara para conseguir o que parece impossível em política. Veja-se. Qualquer observador imparcial diria que seria impossível ver o PS perder as eleições. António Costa conseguiu perdê-las. Agora, dir-se-ia que uma aliança de governo com o PCP seria pura e simplesmente impensável. Seria uma união da pequena burguesia que o PS representa com os órfãos de uma época que já não conta para o futuro.


Ora, António Costa acaba de passar uns bons momentos com os dirigentes do PCP e, no final, disse que talvez seja possível chegar a um acordo. O homem acredita, de facto, no impossível e tem jeito para perder tempo e procurar moinhos de vento. Ou então, anda lançado numa fuga para a frente, que a realidade que o rodeia é bem dolorosa.


Só que, nos tempos que correm, até o absurdo se torna possível. Não convém, por isso, nesta fase, dizer que dessa água não beberei.

publicado por victorangelo às 19:54
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10
Set 15

Cheguei a Riga já depois do fim do famoso debate nas televisões portuguesas. Mas, pelo que tenho ouvido, parece que António Costa passou melhor este importante teste. E acrescento que assim não poderia deixar de ser. Jogava ao ataque, não tinha contas de governação recente para prestar e à sua frente estava um oponente que não percebe o impacto nefasto das lengalengas, das explicações intermináveis que nada esclarecem. As pessoas querem respostas directas e claras. É assim que se faz política nos dias de hoje. Grandes conversas não levam água a nenhum moinho, não convencem. Nem dão a impressão de sinceridade. Só servem para aumentar a desconfiança e os anticorpos.

 

publicado por victorangelo às 20:12
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02
Set 15

O debate político de ontem à noite, transmitido por um canal de televisão que faz parte dos pacotes pagos – e por isso de acesso reduzido –, lembrou-me uma vez um dos aspectos singulares de Portugal, enquanto Estado da UE. Em que outro país da Europa existe um partido comunista como o PCP e com o seu peso eleitoral?


Fora isso, o debate mostrou que o PCP e o Bloco de Esquerda têm políticas que não permitem pensar numa qualquer aliança com o PS. As discordâncias dizem respeito a questões fundamentais, nomeadamente em matéria de obrigações europeias e de política externa. No caso do PCP são inultrapassáveis. O Bloco pareceu-me ser ligeiramente mais flexível. Mas mesmo assim, não vejo qualquer possibilidade de acordo entre o BE e o PS.


A liderança socialista deveria ter essa impossibilidade em conta e falar claramente sobre o assunto, durante a campanha eleitoral.

publicado por victorangelo às 21:39
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08
Ago 15

Voltando à questão dos cartazes eleitorais, e depois dos erros de palmatória que são conhecidos, julgo que insistir apenas no tema da “confiança” é pouco. Por muito importante que a confiança seja, a insistência dá a impressão de vazio de ideias, para além de ser repetitiva e uma mensagem pouco clara.


É verdade que as eleições não se ganham com cartazes, por muito inteligentes que sejam. Mas placares chochos dão espaço de crítica aos adversários, abrem as portas a todo o tipo de críticas. São indicadores de amadorismo e pequenez intelectual. E permitem que se diga que os seus autores e responsáveis não inspiram confiança, se amanhã vierem a ser governantes.


E aqui sim, voltamos ao ponto sobre a confiança…

publicado por victorangelo às 23:49
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07
Ago 15

Uma campanha eleitoral no pino do Verão só pode dar resultados assim: cartazes de propaganda vagamente insonsos, meio sonolentos e propícios para abrirem as portas à chacota.

publicado por victorangelo às 22:32
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