Portugal é grande quando abre horizontes

24
Set 16

Nesta altura do ano, as minhas caminhadas diárias passam pela esplanada da Torre de Belém. E mesmo agora, já tarde em setembro, a zona está cheia de turistas. Neste momento, são sobretudo gente da terceira idade, vinda até Lisboa nos navios de cruzeiros. E todos os dias lá estão cerca de duas dezenas de gente nossa, cigana, os homens a tentar impingir aos turistas paus para tirar selfies, uns sticks de plástico barato, e as mulheres, xailes de fibras artificiais, fabricados num qualquer país da Ásia, e comprados aos quilos, num qualquer canto mais escuro do mercado informal em que os nossos concidadãos ciganos se movimentam bem. Quando recentemente indaguei como ia o negócio, um dos homens disse-me que este tipo de turistas dos cruzeiros não compra paus nem panos. Mas a verdade é que ele e os outros e outras lá estão, persistentemente. Por vezes, nem deixam os turistas tirar as suas fotos em paz, tal é a ânsia de vender. Ainda hoje assisti a uma cena dessas, com o velho turista a implorar que o deixassem em paz, para poder tirar uma ou duas fotografias à Torre. Por vezes, a PSP aparece no local. E nessa altura, pode tirar-se toda a fotografia que se quiser, na maior das tranquilidades. Os meu amigos vendedores desaparecem da esplanada, num segundo, como que levados por uma rabanada de vento frio. Nessa altura, não há pau nem xaile para ninguém.

publicado por victorangelo às 21:58
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05
Mai 15

Neste dia em que um camião foi atacado e levado para parte incerta por cinco homens armados na auto-estrada do Norte – a A1 – a poucos quilómetros do Porto, volto a dizer que a violência contra as pessoas e a propriedade são um problema muito sério, no Portugal de agora. Basta comparar as notícias diárias sobre incidentes graves de insegurança, espalhadas nos mais diversos órgãos de comunicação social, com as publicadas na Bélgica, um país com uma dimensão semelhante à nossa, para se ver que temos um problema bem significativo. E que se tem agravado nos últimos anos.

É, além disso, um problema que os políticos da governação procuram esconder. A narrativa que lhes interessa é a de um país seguro. Uma vez mais o discurso público tem como objectivo escamotear a falta de capacidade política para resolver um problema que afecta muitos, em particular os mais pobres, os mais idosos e as mulheres. E que poderia ser resolvido, se houvesse coragem política, competência e preocupação de verdade com o bem-estar dos cidadãos.

publicado por victorangelo às 22:06
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03
Mai 15

No dia em que a GNR celebra os seus 104 anos de existência, é importante escrever a palavra reconhecimento. Na verdade, essa força de polícia merece uma apreciação positiva e um agradecimento, por parte de todos nós.

Também me parece importante voltar a afirmar que o poder político, à direita e à esquerda, continua sem ter a coragem necessária para pedir à GNR e à PSP que, em conjunto, apresentem uma proposta de reforma da maneira como se deve reorganizar, de modo mais eficaz e coordenado, a manutenção da ordem pública e a segurança dos cidadãos, no país moderno que Portugal pretende ser.

publicado por victorangelo às 21:56
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16
Set 14

O Superintendente da Polícia de Segurança Pública (PSP) de Portugal, Luís Carrilho, tem feito uma carreira internacional com as Nações Unidas de grande exemplaridade. É uma estrela no firmamento da Polícia da ONU (UNPOL), um quadro de topo. Depois de ter comandado a UNPOL em Timor no Haiti, acaba de ser nomeado Comissário – quer dizer, comandante-geral – da força de 200 polícias e gendarmes que irão ser destacados para a República Centro-africana, no âmbito da nova missão de paz nesse país.

 

 É uma grande distinção pessoal e, ao mesmo tempo, uma honra para a nossa PSP. Desejo-lhe o maior sucesso, num país que conheço bem e que sei que não é nada fácil.

publicado por victorangelo às 18:15
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20
Ago 14

Dizem-nos as notícias que houve pandemónio no Centro Comercial Vasco da Gama, esta tarde, em Lisboa. Centenas de jovens de origem africana causaram distúrbios e pânico.

 

Este tipo de acontecimentos não é único. Não foi a primeira vez. E não será a última, tendo em conta a diversidade étnica que caracteriza uma cidade como Lisboa.

 

O controlo destas manifestações é fundamental. Como também o é a responsabilização criminal dos elementos mais violentos. Não deve, no entanto, ser vista sob o prisma do racismo. Jovens de grupos étnicos minoritários vão continuar a sentir-se discriminados. É a natureza das sociedades complexas de agora. Mas devem também entender, de modo claro, que essas manifestações terão sempre uma resposta enérgica. No que respeita à PSP não tenho dúvidas. Mas já não digo o mesmo no que respeita à justiça.  

publicado por victorangelo às 23:36
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11
Ago 14

Os polícias que encontramos nas ruas de Lisboa andam fardados com uma camisa azul, de um escuro desbotado, que nos diz ser de tecido de má qualidade. Ficam com um aspecto de polícia pobre, que é de facto o que são. E para acentuar ainda mais a imagem, uma boa parte, tudo gente muito jovem, passa o tempo de patrulha encostado às paredes da cidade, a falar ao telemóvel. Garbo profissional deve ser um conceito que ficou esquecido nos manuais do passado.

 

Eu, que tenho todo o respeito pela dedicação dos nossos polícias, fico à espera de mais, que isto da imagem, em matéria de segurança pública, vale muito.

publicado por victorangelo às 19:22
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19
Mai 14

Um dos agentes que se ocupava da minha segurança pessoal na Serra Leoa, um funcionário local ao serviço da missão das Nações Unidas, B. V. são as iniciais do seu nome, escreveu-me hoje. Para informar que acabara de ser transferido para a Líbia, para integrar a secção de segurança da missão onusiana nesse país. Anteriormente, havia estado comigo no Chade, depois de Freetown, e nos últimos anos tem feito parte do grupo de segurança pessoal da Representante Especial do Secretário-geral em Abidjan.

 

A mensagem que dele recebi lembrou-me de várias coisas.

 

Da lealdade que este antigo e simples funcionário local sempre demonstrou para comigo. Na Serra Leoa, a minha intervenção fez com que o candidato presidencial do regime não tivesse a oportunidade de roubar as eleições. Ora, B. V. era apoiante desse candidato e da mesma origem tribal. Mas sempre acreditou que eu sabia o que estava a fazer e nunca me atraiçoou.

 

Da africanização das missões de paz da ONU. Hoje essas missões têm um elevado número de funcionários de origem africana. B.V. é um exemplo. Um bom exemplo. E ainda bem que assim acontece.

 

Do peso que as questões de segurança passaram a ter. A segurança é a preocupação absoluta numa missão. Depois vem o resto, a política, o humanitário, o desenvolvimento.

 

Do facto que existem actualmente vários portugueses, normalmente originários da PSP, em funções de segurança na ONU. No Mali, em Bissau, no Haiti, até mesmo em Genebra. E que há muita gente na PSP e na GNR que gostaria de partir e juntar-se aos que já foram recrutados.

 

As coisas da manutenção da paz são, na verdade, um mundo novo.

publicado por victorangelo às 20:49
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02
Mai 14

Um casal amigo, que mora na zona, dizia-me ontem que a estrada nacional entre a Quinta do Conde e Azeitão mete respeito, a partir das 10:00 horas da noite. Parar nos sinais, por exemplo, faz-se com o coração na boca. Ser seguido de perto por um outro carro é uma ansiedade. Existe medo, na estrada, medo dos assaltos e do carjacking.

 

Há dois ou três anos atrás não era assim. Agora é. E é tema de conversa, quando as pessoas se encontram. Pena que o ministro da Administração Interna não faça parte dos serões destas pessoas, onde estes medos são partilhados.

publicado por victorangelo às 21:16
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21
Abr 14

No dia da sua tomada de posse, parece-me importante desejar os maiores sucessos ao novo Comandante-geral da Guarda Nacional Republicana (GNR). A instituição tem oficiais, sargentos e praças de grande valor. Com um bom comando, tudo deverá correr pela melhor.

 

Já ao nível político, as questões são outras.

 

A instituição continua a ser liderada por oficiais generais provenientes do Exército. Já será altura de promover a prata que cresceu na casa, e dar a oportunidade a um, dois ou três dos coronéis que subiram nas fileiras de chegar ao generalato da GNR.

 

Por outro lado, é altura de pensar a sério no futuro da instituição. Será que ainda se justifica, numa democracia madura, ter toda uma força de polícia com uma cariz militar?

 

Como também é altura de pensar na relação funcional entre a GNR e os outros serviços de polícia, em particular a Polícia de Segurança Pública (PSP) e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). A matriz moderna das polícias, que é civil, a eficiência do combate ao crime e a proteção efectiva dos cidadãos pedem que se pense a sério na convergência de todas estas instituições num serviço nacional unificado de polícia.

 

Note-se o uso, na frase anterior, da palavra “convergência”. Tem que ser um processo gradual. Tem que respeitar as tradições de cada força e serviço. Mas precisa de ser encarado. E tem que haver a coragem política de o iniciar.

publicado por victorangelo às 20:06
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19
Jan 14

Nos últimos dias surgiram, de novo, informações sobre a rivalidade institucional entre a PSP e a GNR. Foram mencionados casos concretos, mas que na realidade são reveladores de tensões profundas.

 

Várias vezes tive a ocasião de dizer que é preciso encarar a questão da organização da segurança interna com objectividade e coragem política. Aqui, como no resto, não existem monstros sagrados, intocáveis. Existem, isso sim, instituições que têm um passado histórico que é preciso respeitar, mas que devem ser vistas à luz das realidades de hoje. Essas realidades exigem que se racionalize o sector, que se integre o que deve ser unificado e que se defina um plano para o médio prazo, que racionalize o sector da segurança interna e permita obter ganhos de eficiência.

 

As rivalidades institucionais revelam várias coisas: um ministério de tutela fraco; interesses pessoais, dos dirigentes das instituições, a sobreporem-se ao interesse nacional; nivelamento por baixo; maior preocupação com questões de imagem do que com o combate efectivo à criminalidade; e, para rematar, uma concepção da segurança e da ordem pública que tem mais que ver com uma dicotomia campo-cidade que já não existe do que com a evolução da criminalidade e dos desafios e ameaças.

 

Há aqui um debate por fazer.  

publicado por victorangelo às 20:17
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