Portugal é grande quando abre horizontes

11
Abr 17

No Magazine Europa desta semana, difundido às terças-feiras pela Rádio Macau, os meus comentários são sobre a Grécia e as suas relações com o Eurogrupo, no quadro das negociações um terceiro resgate; depois, trata-se de fazer o ponto da situação sobre o Brexit, agora que as regras e os contornos, do lado europeu, ficaram mais claros; finalmente, debruço-me, sem cair na repetição do que por aí se diz, sobre o impacto que os 59 Tomahawks de Donald Trump estão a ter no relacionamento da UE com os EUA e a Rússia.

O link para a edição de hoje é o seguinte:

 goo.gl/aLUN5e

publicado por victorangelo às 14:44
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20
Dez 16

Um vizinho inconveniente

Victor Ângelo 

 

Nos últimos anos, na altura de fazer o balanço político da dinâmica internacional, Vladimir Putin tem repetidamente aparecido como uma das personalidades mais influentes.

Assim está a acontecer, de novo, neste final de 2016. E não é apenas ao nível da prestigiante revista Forbes, que voltou a considerar Putin, pela quarta vez consecutiva, como o líder mais poderoso do globo. A situação na Síria, as alegações de ciberespionagem e de interferência nas eleições americanas, a dopagem “patriótica” dos atletas russos, as incursões aéreas e marítimas das suas forças armadas no espaço de defesa da Aliança Atlântica, estas são algumas das grandes questões que aparecem ligadas às opções políticas do patrão do Kremlin. E que têm um impacto profundo nas relações internacionais.

À lista haveria ainda que acrescentar os esforços encobertos e multidimensionais que fazem parte de uma intenção deliberada de enfraquecer e, mesmo, fragmentar a UE. Na visão fantasmagórica de Putin, a Europa unida seria uma ameaça aos interesses e à capacidade de influência geopolítica da Rússia.

Mas a verdade é que a UE, para além das sanções relacionadas com a crise ucraniana, não tem sabido responder de modo coerente e estratégico aos desafios e às manobras de Putin. Nesta área, como em várias outras, a política externa comum precisa de mais coerência, de criatividade e, acima de tudo, de um diálogo mais corajoso e firme entre os estados membros.

Sou dos que advogam que é urgente definir uma política comum que responda às ações hostis que vêm de Moscovo. Essa deveria ser uma das primeiras prioridades da agenda externa europeia em 2017. Sei que não será fácil definir uma moldura que possa ser unanimemente aceite. Mas, apesar dessa dificuldade, é fundamental aprofundar a reflexão e definir uma resposta adequada, com tempo e não em cimeiras a fingir e a correr, à volta de um jantar fora de horas e de gente cansada. 

Essa resposta deverá ter em conta a linha que Donald Trump venha a seguir em relação a esse mesmo assunto. Ter em conta não quer dizer, no entanto, alinhamento. Antes pelo contrário. A Europa deverá ter a sua própria agenda política. Os sinais que nos chegam do outro lado do Atlântico são simultaneamente preocupantes e claros quanto à necessidade de uma posição que seja inspirada pelas preocupações europeias. E que sirva, igualmente, como um exemplo impossível de ignorar em Washington.

A estratégia deve ter como objetivos a promoção do respeito pelas normas internacionais e os princípios de boa vizinhança e afirmar sem ambiguidades que a UE considera como fundamental desenvolver um quadro de cooperação com a Rússia que seja mutuamente benéfico. A Europa quer ter na Rússia um parceiro privilegiado, não apenas nas áreas económicas e comerciais mas também em matérias de defesa e de segurança internacional. Espera, por sua vez, que Moscovo veja vantagens numa Europa unida e capaz de desempenhar um papel ativo no equilíbrio de forças ao nível internacional. Por isso, e perante os factos, acha que a política atual de Moscovo, sob a responsabilidade de Vladimir Putin, não vai no caminho certo nem responde às aspirações e aos interesses de longo prazo das populações europeias e russas.

A partir destas linhas estratégicas, e apesar de conhecermos vários exemplos de negociações com representantes de Putin que não têm levado a parte alguma, convém insistir no diálogo. Quem advoga que se cortem as pontes com o Kremlin está equivocado. Os conflitos resolvem-se com paciência, persistência e muita conversa com os adversários. Mas isto não chega. Será ainda necessário enveredar por uma comunicação mais esclarecedora e coerente, que denuncie, junto dos cidadãos europeus e russos, as práticas que consideramos inaceitáveis. O futuro comum, o deles e o nosso, exige, para além do diálogo, que se ganhe a batalha da opinião pública.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 17:10
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13
Dez 16

Nos últimos anos, na altura de fazer o balanço do ano que termina, Vladimir Putin tem repetidamente aparecido como uma das personalidades mais influentes na cena internacional.

Assim está a acontecer, de novo, neste final de 2016. A situação na Síria, as eleições americanas e as alegações de ciberespionagem e de interferência, o doping “patriótico” dos atletas russos, as incursões aéreas e marítimas das suas forças armadas no espaço geoestratégico da Aliança Atlântica, estas são algumas das grandes questões que aparecem ligadas às opções políticas do patrão do Kremlin. E que têm um impacto profundo nas relações internacionais.

Para além das sanções relacionadas com a crise ucraniana, a UE não tem sabido responder de modo coerente e estratégico aos desafios e às manobras assinadas por Putin.

Sou dos que advogam que é urgente definir uma posição política comum que responda às acções hostis que vêm de Moscovo. Sei que não será fácil definir um quadro que possa ser aceite por todos os aliados. Mas, apesar dessa dificuldade, é fundamental aprofundar a reflexão e propor uma resposta adequada.

Essa resposta deverá ter em conta a linha que Donald Trump venha a seguir em relação a esse mesmo assunto. Ter em conta não quer, no entanto, dizer alinhamento. Antes pelo contrário. A Europa deverá ter a sua própria posição política. Os sinais que nos chegam do outro lado do Atlântico são claros quanto à necessidade de uma resposta que seja inspirada pelos interesses europeus. E que sirva, igualmente, como um exemplo que não possa ser ignorado em Washington.

 

publicado por victorangelo às 20:37
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01
Out 16

O Conselho de Segurança volta a pronunciar-se sobre a eleição do Secretário-Geral a de 5 de outubro.

Nas vésperas de uma votação que poderá ser decisiva, a diplomacia está na fase das grandes manobras. Que na realidade têm que ver com dois ou três cargos importantes no Secretariado da ONU. Trata-se de lugares de chefia dos departamentos considerados mais importantes: Operações de Paz e dos Assuntos Políticos. E também com a designação do novo Vice-Secretário-Geral, uma escolha que faz parte das prerrogativas do Secretário-Geral.

As Operações de Paz têm estado debaixo da alçada dos franceses. É muito provável que a França não consiga manter o controlo desse departamento no futuro. Diz-se que a China está com os olhos postos nesse lugar.

Os Assuntos Políticos são, desde alguns anos, uma coutada americana. Vai ser difícil desalojá-los. Tudo se pode negociar, porém.

E então, que se deve oferecer aos russos, para que deixem passar o candidato em causa? Neste momento, controlam a área que se ocupa da Polícia das Nações Unidas e temas similares. Mas não chega, face às ambições de Moscovo. A área é um tema menor dentro das Operações de Paz.

Os russos também andam à procura de um ou outro compromisso por parte dos europeus. Sobre as sanções, sobre o futuro da Ucrânia, sobre os gasodutos e a política energética da UE. Daqui, a importância da Comissão em Bruxelas. E de Berlim, claro, que também arvora aspirações, no que respeita à estrutura funcional das Nações Unidas.

Quanto à nomeação do número dois da ONU, não deverá ser um europeu, se o novo Secretário-Geral for de nacionalidade europeia. Poderá, para satisfazer os russos, ser alguém da Ásia Central, de um estado cliente de Moscovo. Também poderia ser Helen Clark, para calar os americanos e os britânicos, sem levantar ondas em Moscovo ou Beijing. Ou Susana Malcorra, que tem muitos amigos influentes, incluindo os Clinton, e a vantagem de não ser considerada como ocidental. Será, de qualquer modo, alguém do sexo oposto ao do novo SG. E alguém que vai exigir uma certa margem de manobra, para que a função de Vice não seja apenas para a galeria ver.

É nisto que estamos, nos próximos dias.

Entretanto, Kristalina Goergieva vai a provas na segunda-feira. Veremos que conclusões poderão ser tiradas das suas prestações.

 

publicado por victorangelo às 22:02
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25
Set 16

Na véspera de uma nova votação sobre a escolha do Secretário-geral que se segue, noto que o Conselho de Segurança está a viver um período de grande tensão entre os países ocidentais – EUA, Reino Unido e França – e a Rússia. Hoje chegou-se a um ponto único, que foi o de acusar a Rússia de estar a praticar crimes de guerra na Síria.

Estas acusações são muito graves. Saem inteiramente do que tem sido a prática no Conselho de Segurança. Irão certamente tornar mais difícil um acordo entre os cinco permanentes sobre quem deverá ser o próximo Secretário-geral.

 

 

publicado por victorangelo às 22:19
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06
Set 16

O meu motorista em Bichkek é um cidadão “etnicamente russo”, como diz o seu bilhete de identificação nacional. Um homem que deve estar na casa dos sessenta, mais ano menos ano. Em 1991, na altura da independência do estado quirguize, resolveu ficar e adoptar a nacionalidade do país para onde a União Soviética o havia trazido, tinha ele seis meses de vida. Os seus filhos, hoje maiores, resolveram emigrar para a Rússia, tal como aconteceu com a grande maioria dos russos nesta parte do mundo. Ele e a mulher sentem-se bem no Quirguistão.

Hoje, deu-me uma lição de ética profissional.

Estava eu no carro, com um colega, no banco de trás e íamos encetar uma conversa sobre um dos encontros que acabáramos de ter. Uma conversa que seria um pouco mais delicada que o habitual. Ele, que até então só precisara de falar russo, interrompeu-nos de imediato, em inglês, para nos alertar que entendia bem a língua inglesa e que, por isso, achava que era bom que estivéssemos a par dessa sua competência.

Foi exemplar.

E passámos a vê-lo não apenas como motorista mas como um guia que conhece bem as ruas e as histórias de Bichkek.

 

 

publicado por victorangelo às 13:33
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02
Set 16

Nações Unidas: a procissão já saiu do adro

                Victor Ângelo

 

 

                Independentemente do desfecho final, que ainda é incerto, porque as negociações entre os grandes ainda não começaram, e nestas coisas de interesses estratégicos tudo pode acontecer, os resultados obtidos até agora por António Guterres são de se lhe tirar o chapéu. O Conselho de Segurança da ONU tem sido consistente na apreciação das qualidades excecionais do candidato proposto por Portugal para Secretário-geral. Enquanto se têm notado oscilações importantes no reconhecimento do mérito dos outros concorrentes, no caso de Guterres as votações têm mantido uma avaliação constante, a um nível alto e promissor.

                Se na próxima ronda, que será a quarta, o apoio continuar ao mesmo nível, tornar-se-á muito difícil impor um outro candidato. Sobretudo um candidato de última hora, alguém chegado de novo, de fora, a um processo que já percorreu muito caminho.

               Mas tudo pode ainda acontecer. O passado mostra que a escolha pelo Conselho de Segurança de um novo patrão das Nações Unidas mantém-se imprevisível até ao último momento.

                A Rússia está convencida que um Secretário-geral proveniente de um pequeno país da Europa do Leste lhe será, no futuro, mais favorável, menos inclinado a críticas à política externa russa. Sobretudo se o país da sua nacionalidade tiver uma relação de proximidade económica e cultural com a Rússia. Por isso, será de prever que o Kremlin continue a insistir na questão da rotatividade geopolítica, ou seja, que desta vez o cargo deve caber à Europa Oriental. É verdade que a Europa Oriental é uma ficção política, que deixou de existir com o fim da Guerra Fria, a subsequente expansão da NATO e as adesões à UE. Mas é uma ficção que existe ainda na ONU e que pode ser útil aos interesses russos, tal como a classe dirigente atual os vê.

                Nessa linha de reivindicação geopolítica, um nome parece agora emergir. E de modo surpreendente. O primeiro-ministro da Eslováquia esteve em Moscovo uns dias antes da votação desta semana e teve uma conversa muito apreciada por Vladimir Putin. É assunto que convém seguir com algum cuidado.

                Por outro lado, quer a Rússia quer os outros grandes do Conselho, os P5, como se chama aos permanentes, preferirão um Secretário-geral que seja considerado politicamente pragmático. Ou seja, flexível, uma palavra que traduz bem a principal característica que eles gostam de ver na pessoa que ocupa o secretariado-geral. Os membros permanentes não apreciam os moralistas, em matéria de política internacional. Também não morrem de amores por gente com um forte pendão humanitário.             

                 Há ainda a variável do género. A administração americana tem em Washington quem pense – e é gente influente, com acesso aos ouvidos do presidente – que Obama não deve deixar passar a oportunidade, no termo do seu mandato, de contribuir para a eleição de uma mulher. Ficaria bem na fotografia final e nos livros de história.

                Sem esquecer, claro, que Hillary Clinton também vai influenciar a escolha, mesmo que o faça de modo indireto. Vai ser ela, em princípio, quem irá ter como interlocutor o novo Secretário-geral.

                Os americanos querem, por tudo isto, que as candidatas femininas continuem até à próxima ronda. Têm porém um problema como uma outra mulher: Teresa May. A líder britânica não pode apoiar a candidata preferida por Washington. A razão é clara. Toca numa questão internacional que faz parte da sua história recente e que está estreitamente associada ao legado de uma outra líder conservadora, Margaret Thatcher: as Ilhas Falklands, para uns, Malvinas, para outros.

                Para quem gosta de histórias de suspense, a inovadora metodologia eleitoral, que os estados membros estão desta vez a seguir, oferece uma boa dose de excitação. Tem, igualmente, o mérito de chamar a atenção pública internacional para uma questão que no passado sempre passou despercebida: a importância da função. Num panorama de grandes tensões, a personalidade do Secretário-geral conta de modo determinante. E é por isso que a candidatura de António Guterres ganhou o peso que agora tem.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:02
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07
Jul 16

Dois acontecimentos particularmente importantes, que irão marcar as reflexões e as acções políticas futuras.

Primeiro, o Relatório Chilcot sobre as responsabilidades dos dirigentes britânicos da altura, no que respeita à invasão do Iraque em 2003 e as subsequentes consequências dessa decisão. O relatório resulta de 7 anos de investigação. Vai ser um documento de referência para muitos, na política, na segurança, no jornalismo e igualmente nas universidades.

Segundo, a Cimeira da NATO, que agora começa em Varsóvia. Esta cimeira representa uma viragem estratégica. É a consagração da dissuasão como opção política. Deixara de o ser com o fim da Guerra Fria. Volta agora a ser a linha orientadora. E altera, igualmente, o peso da arma atómica.

Voltarei, aos poucos e na medida do possível, a estes assuntos.

publicado por victorangelo às 23:14
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25
Mai 16

É do conhecimento geral que tem havido, nos últimos três ou quatro anos, um agravamento muito significativo das tensões entre a NATO e a Rússia. É neste contexto que deve ser visto o crime de espionagem que um quadro dos serviços secretos internos portugueses (SIS) aparentemente cometeu em benefício da Rússia. Trata-se, por isso, de um caso grave que deverá ser investigado com muito cuidado. Aqui não há espaço para graçolas. E também não haverá espaço para um tratamento judicial pouco profissional e lento da questão. Vários países da Aliança Atlântica estão e continuarão a observar com atenção o desenrolar do processo, não tenhamos dúvidas. Os interesses de segurança de Portugal, as alianças que temos e a nossa imagem nesta matéria exigem muito rigor, profundidade e exemplaridade.

publicado por victorangelo às 21:09
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16
Mar 16

O surpreendente senhor Putin

            Victor Ângelo

 

            A decisão de Vladimir Putin, que põe termo a uma boa parte das operações militares russas na Síria, deve ser vista com bons olhos. É verdade que surpreendeu mesmo os que sempre estão bem informados, como é o caso da Administração dos EUA. É igualmente um facto que pode suscitar diferentes interpretações sobre os seus motivos. Nesta fase, ainda é cedo para entender as razões mais profundas. A experiência aconselha-nos uma certa prudência, quando se trata de procurar interpretar as ações deste líder.

            E não vale a pena estar a especular. Para já, deve-se proceder a uma leitura mais linear, que se focalize nos factos e nas consequências mais aparentes. Vejo os seguintes, que enumero de modo resumido.

            O Presidente russo mostrou uma vez mais que sabe de estratégia. A surpresa, a oportunidade do momento e a rapidez da execução são elementos fundamentais de uma decisão de grande impacto. Putin fez o inesperado, pela positiva, justificou a sua tomada de posição com base no sucesso da campanha militar, teve em conta a data – o dia do início das negociações de Genebra e do quinto aniversário do conflito – e mandou proceder à retirada das forças com efeitos imediatos e de modo visível.

            Ao revelar, uma vez mais, que sabe de estratégia, lembrou-nos igualmente que é um líder indispensável na cena internacional. A sua posição, enquanto interlocutor na resolução de crises, sai reforçada. O estatuto de grande potência, que é uma preocupação maior em Moscovo, ficou confirmado. E deve deixar-nos a matutar, neste lado da Europa, sobre a necessidade de rever o nosso relacionamento com Moscovo, e sem mais demoras.

            A encenação foi entretanto obra de mestre. Nestas jogadas, a teatralização conta muito. E funcionou. A mensagem não podia ser mais clara. Ao convocar os ministros dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, e o da Defesa, Sergei Shoigu, e ao pretender que lhes estava a dar a conhecer a ordem, tudo em direto, perante as câmaras de televisão, Putin quis não só mostrar quem manda na Rússia, como também que se entendesse que a partir de agora a ênfase deverá ser posta nos esforços diplomáticos. As armas fizeram o que tinham que fazer, passemos então à fase do diálogo.

            Assim ficou claro que Genebra é para levar a sério. E que foi a Rússia, mais do que qualquer outro estado, quem criou as condições para que isso aconteça e para que o processo se passe agora no quadro das Nações Unidas. O apoio da Rússia à ONU marca pontos, dá peso, incluindo no que respeita à escolha do próximo Secretário-geral.

            Enviou também uma mensagem política muito forte a Bashar al-Assad. O Presidente sírio poderá estar hoje numa posição mais sólida, em termos das discussões sobre o futuro, mas tem que aceitar uma solução de compromisso. Putin faz-lhe ver que não há outra alternativa. É verdade que as diferentes oposições estão enfraquecidas, sobretudo depois de vários meses de bombardeamentos russos. Têm, no entanto, que ser reconhecidas e aceites pelas autoridades de Damasco como interlocutores legítimos e atores fundamentais num processo de estabilização e de transformação política. Os únicos que devem ficar de fora e continuar a ser combatidos são os terroristas do Daesh, que gostam de se intitular Estado Islâmico, e os ligados à Al-Qaeda.

            Nada disto nos garante que se chegue a um acordo em Genebra. Abre, todavia, uma réstia de esperança, que tanta falta faz depois de cinco anos de guerra e sofrimento.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

           

           

 

 

publicado por victorangelo às 21:19
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