Portugal é grande quando abre horizontes

29
Jun 17

A oposição política a qualquer governo é um aspecto essencial da democracia. Uma oposição forte, bem articulada e com substância enriquece o sistema democrático e faz progredir as nações.

O contrário também é verdade. Quando a oposição é taralhouca, perdemos todos. Incluindo quem está no poder. Um governo que não é espicaçado de modo inteligente acaba por cair no facilitismo. Passa a preocupar-se apenas com os efeitos mediáticos e a superficialidade das coisas fáceis.

publicado por victorangelo às 22:21
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25
Jan 17

Os ditadores são como os loucos: não têm dúvidas. Acham-se detentores das muitas verdades que compõem a vida dos cidadãos e tomam decisões cortando a direito, sem olhar para as objeções dos outros. Agem como se não houvesse alternativas. Ora, estas são hoje uma das características dos tempos modernos.

O único problema que encontram é que nas nossas sociedades democráticas uma grande maioria das pessoas vive no século XXI e já não vai em conversas de totalitários iluminados. Uma parte das gentes não aceita uma leitura retilínea da política, ou seja, ideias redutoras, brutas e simplistas. No século XXI, mais tarde ou mais cedo, os ditadores de toda a espécie acabarão, como aconteceu com os seus antecessores no século passado, por bater estrondosamente no muro multiforme da resistência popular.

A diferença em relação ao passado é clara: agora tudo se passa muito mais depressa. O câmbio dá-se de uma forma acelerada. O que demorava anos e anos a mudar, há duas ou três gerações atrás, muda agora a curto prazo. E os ditadores vão à vida, deles, deixando a nossa em paz.

Ou estarei equivocado?

publicado por victorangelo às 22:05
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31
Jan 16

Hoje volto a uma questão que já aqui foi levantada e que continua sem resposta. Como se define a classe média?

Vários políticos e outros habilidosos do comentário público falam amiúde da classe média. E dão a impressão que esta é uma categoria social onde cabe quase todos, desde que tenham um emprego ou um rendimento mensal previsível, capaz de satisfazer as necessidades básicas de uma família nuclear, ou seja, as despesas de alimentação, habitação, escolares, de saúde, vestuário, calçado e de lazer. Dito de outra maneira, uma família que conseguisse chegar ao fim do mês sem dívidas extras, para além da habitual prestação da casa, depois de ter pago todas as contas resultantes de uma existência sem exageros nem loucuras, mas sem apertos nem desassossegos, estaria dentro da classe média.

Muito bem. Mas mesmo assim, conviria falar de valores. Aqui, onde vivo, o intervalo seria entre os dois mil e quinhentos e quatro mil e quinhentos euros mensais líquidos por família. A distância entre estes dois valores extremos mostra claramente que estamos a tratar de um conceito amplo e relativamente vago. Dão, no entanto, alguma precisão a uma classe que se define, antes de tudo, pela maneira subjectiva como cada um vê a sua posição na escala social.

publicado por victorangelo às 14:10
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01
Abr 15

Convido à leitura do texto que hoje publico na Visão.

 

A frescura do Butão

                Victor Ângelo

 

                A aproximação do aeroporto de Paro, a única porta de entrada para quem viaja de avião para o Butão, dá-nos um primeiro gosto do país: montanhas por toda a parte. É verdade que estamos nos contrafortes dos Himalaias. Paro situa-se a 2400 metros de altitude. Olho pela janela e quase que toco, de um lado e do outro das asas do Airbus, nos imensos paredões de rochedos que fecham o vale que conduz à pista de aterragem. Há poucos pilotos habilitados para voar para esta terra. E serão todos da companhia de aviação local, que mais nenhuma se aventura por estas paragens.

                Sempre foi um país de difícil acesso. Mas isso não impediu um outro alentejano, o jesuíta Estêvão Cacela, de o visitar, no ano de 1627, na companhia de João Cabral, um padre beirão. Foram os primeiros europeus por aqui. Cacela escreveu uma longa carta sobre a viagem, dizendo que o lugar era místico, inspirava paz, tranquilidade e felicidade. Quatrocentos anos depois não terá mudado muito. Só que já ninguém se lembra desses missionários. Agora, Portugal traz de imediato à conversa dos butaneses dois outros nomes: Cristiano Ronaldo e Nani. Mencionei Mourinho, mas percebi de imediato que o nome não passa bem, numa cultura em que prima a cortesia e que recusa todo o tipo de agressividade e de autoadmiração.

                O respeito pelos outros e pela natureza, a disciplina social e o fervor religioso, à volta de um budismo fortemente marcado pela mitologia hinduísta, são outras das características que definem a cultura local. Mas o traço mais evidente tem que ver com a proteção da identidade nacional, que se manifesta na maneira de vestir em público e na deferência em relação ao rei. Compreende-se. Apertado entre a China, a norte, e a Índia, dos três lados restantes, com um território que é cerca de metade do nosso e uma população que não ultrapassa as 800 mil almas, o Butão precisa, para se manter independente, de ser diferente e de possuir um forte sentimento de orgulho nacional. Consegue fazê-lo. Comete mesmo a proeza de não ter relações diplomáticas com a China, apesar da longa fronteira comum. É verdade que isso se faz à custa de um alinhamento diplomático estreito com a Índia. Mas, em política externa, tem que haver realismo, e na escolha entre os dois vizinhos, há um que não ocupou o Tibete, uma região que tem uma cultura gémea da butanesa.

                Percorrer as estradas e os trilhos do Butão é descobrir um modo de vida que, ao combinar o tradicional e o moderno, se desenrola em grande harmonia com a natureza. A Constituição, revista em 2008 para democratizar o regime e limitar os poderes do rei, que passou a ser obrigado a abdicar ao atingir a idade de 65 anos, protege a natureza – 60% do território nacional é intocável e tem que ser preservado tal como está – e o bem-estar dos cidadãos. Este é o país que definiu o bem-estar como sendo mais importante que o produto interno bruto. Mas isso não impede um processo de desenvolvimento acelerado, que me surpreendeu de modo positivo, e que põe o Butão à frente de muitos outros países comparáveis. Assenta na educação obrigatória, transmitida em língua nacional e em inglês, na produção de energia hídrica, exportada para o imenso mercado que é a Índia, na autossuficiência alimentar e no nicho do turismo de qualidade. E numa prática política responsável, que promove a alternância e que reconhece o mérito da oposição e das opções governativas diferentes.

                Nestes tempos em que se procuram ideias alternativas, vale a pena visitar o país, voltaria a dizer hoje o Padre Cacela. E não o diria apenas por causa do ar puro das montanhas ou pelo facto da venda de tabaco ter sido banida no Butão.

               

               

 

 

publicado por victorangelo às 14:04
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09
Nov 14

Na altura em que se celebra e bem, a queda do Muro de Berlim, parece-me haver um outro muro que está em derrocada, um pouco por toda a parte, incluindo em Portugal. Trata-se do muro em que tem assentado a política tradicional, os partidos do costume, os políticos que há décadas fazem parte da nossa vida.

Dir-se-ia que estamos numa fase de grandes mudanças na opinião pública. Há um descrédito generalizado no que respeita à actividade política. As pessoas, hoje mais informadas que nunca, e também mais impacientes que noutras épocas, não ouvem, por parte dos líderes políticos qualquer tipo de resposta credível perante as grandes interrogações do momento: o desemprego, a incerteza em relação ao futuro, a competição vinda de fora, a globalização, as ameaças globais, o empobrecimento, etc, etc. As palavras ditas soam a falso. A impreparação. A ignorância. Ora um líder tem que saber dar respostas convincentes. É isso que se espera da liderança.

O muro da política, mesmo quando sustenta um novo nome, como aconteceu com Obama, ou como será o caso, à nossa dimensão, no que diz respeito a António Costa, desmorona-se muito rapidamente. Um ar de esperança transforma-se, em pouco tempo, numa nova desilusão. As expectativas nascem e morrem como as borboletas. O que ontem nos parecia sangue novo, hoje parece-nos mais do mesmo, da mesma indecisão, tantas vezes presa a redes de interesses que nem sempre se confessam. O que ontem soava a alternativa hoje dá a imagem de falta de imaginação e de coragem, de ausência de dedicação à causa pública, de sinceridade, que são as pedras basilares do muro que sustenta a verdadeira vontade de transformar a vida de todos nós.

publicado por victorangelo às 17:04
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21
Jan 14

Para mim, dizia há pouco a um amigo, o círculo da política é bem claro. Trata-se, primeiro, de garantir a ordem pública e a segurança dos cidadãos. Depois, assegurar a justiça. Com justiça, consegue-se a paz social. Desta, resulta um reforço da coesão nacional. Um país mais coeso tem todas as condições para ser mais próspero. E tudo isto, num quadro de liberdade e de respeito pelos direitos cívicos e humanos de cada um dos cidadãos.

 

Assim se define o círculo e se faz boa política.

 

É, ou não, claro?

publicado por victorangelo às 21:06
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02
Jan 14

Um dos objectivos do discurso de Ano Novo do Presidente da República tem que ver com o chamado Programa Cautelar. Cavaco Silva quis dizer aos Portugueses que vem aí, após o termo do programa actual com a “Troika”, um novo pacote de medidas. E apresentou a coisa como se se tratasse de algo absolutamente natural e anódino. Disse mesmo que “um programa cautelar é uma realidade diferente”.

 

A realidade de um programa dito cautelar é outra. Trata-se da continuação de um acordo com instituições financeiras internacionais ou supranacionais. Uma das partes compromete-se a emprestar dinheiro a taxas mais favoráveis que as praticadas pelo mercado enquanto a outra terá que cumprir toda uma série de reformas administrativas e financeiras. Ou seja, durante a vigência do anunciado programa cautelar vai ser necessário tomar certas medidas de fundo.

 

O problema é mais complexo do que nos querem fazer crer. Os credores exteriores sabem que o governo actual não irá muito além de meados de 2015. O programa cautelar vai, por isso, ser um programa curto, de 12 meses, para caber no período de vigência da presente governação. E os credores vão procurar incluir nesse período reduzido todo um pacote de reformas que eles consideram indispensáveis para a competitividade de Portugal e para o equilíbrio sustentável das contas públicas. Será um pacote bem recheado. E difícil de fazer aceitar. Daí a previsão que existe hoje, em certos círculos europeus, de que Portugal vai ser um país de grande agitação social nos próximos tempos.

 

Este é o ano de 2014 que temos pela frente.

 

É importante ter esperança no futuro. Mas é igualmente necessário falar das coisas como elas são.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:17
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05
Fev 13

Convido-vos a ler o texto que escrevi, em parceria com Marc de Bernis, antigo representante residente do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) na Argélia. O objectivo é o de demonstrar que o Mali é diferente do Afeganistão.

 

Este é o link:
 

http://victorangeloviews.blogspot.be

 

Boa leitura!

publicado por victorangelo às 12:35
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07
Jan 12

A grande desgraça de Portugal está no facto das elites nacionais serem um mau exemplo para os cidadãos.

 

É ou não, assim?

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:27
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07
Nov 11

Fiz uma pausa no exercício de reflexão estratégica -- os desafios globais no horizonte 2030 -- para dar uma aula no ISCSP aos alunos do segundo ano de mestrado em Relações Internacionais. Foram duas horas de análise crítica sobre o papel da ONU em matéria de manutenção da paz. A assembleia mostrou interesse genuíno pelo tema, apesar de ser um assunto distante das suas preocupações quotidianas.

 

Como também se revelou muito interessada pelo sentido da minha reflexão prospectiva para os próximos 20 anos, ou seja, durante um período de grande instabilidade, de mutações profundas e de desafios complexos.

 

Aproveitei para lhes lembrar, já no fim, que o pensamento estratégico, em relação aos acontecimentos possíveis no futuro, é essencial. Coloca-nos na linha da frente. Dá muito trabalho, muito mais que a análise do imediato ou do dia de ontem, mas permite-nos um posicionamento mais vantajoso. Portugal, e os jovens, em particular, deveriam dar mais atenção a estas questões. Ganharíamos todos.

publicado por victorangelo às 21:51
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