Portugal é grande quando abre horizontes

11
Jul 17

Sou um telespectador acidental, no que respeita aos canais de televisão portugueses. Por várias razões, mas sobretudo pela má qualidade do que se mostra nos nossos ecrãs. Assim, mesmo quando me encontro em Portugal, passo ao lado.

Ontem, num momento de acaso, caí no debate que a RTP 1 chama “Prós e Contras”. Discutia-se Tancos, as Forças Armadas e os diferentes níveis de responsabilidade.

Dos presentes, apenas os dois generais sabiam da poda. O resto era conversa, académica, livresca ou simplesmente fora da substância. Confrangedor. Metiam-se os pés pelas mãos e confundiam-se conceitos básicos. Incluindo, como já vem sendo costume, defesa como se fosse segurança e vice-versa.

Para cúmulo, a moderadora mostrou uma vez mais o pouco jeito que tem para animar discussões que ultrapassem os temas de lana-caprina.

 

publicado por victorangelo às 22:10
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25
Fev 13

O programa da RTP1 “Prós e Contra” de ontem discutiu a questão dos cortes nas Forças Armadas. Foi uma emissão que me mereceu vários comentários:

  1. A animadora do programa, a jornalista Fátima Campos Ferreira, não tinha estudado o dossier suficientemente, não estava a par dos números que são públicos, pareceu-me, várias vezes, perdida no meio dos generais;
  2. Não houve contraditório, todos tinham a mesma opinião; teria cabido, neste caso, à animadora levantar pontos polémicos, mas não o soube fazer;
  3. O Gen. Loureiro dos Santos, com o seu ar de velho lobo matreiro, tentou dominar o debate e aparecer como a alternativa à política de defesa do governo; dizem que gosta de protagonismo, mas a verdade é que a maneira como fala projecta uma imagem demasiado autoritária e uma certa matreirice que não ajuda a causa;
  4. Nenhum dos oficiais generais presentes no painel conseguiu explicar claramente as missões actuais das FA, transformando o programa numa oportunidade desperdiçada e num mero ataque ao governo e aos políticos em geral;
  5. Também não conseguiram responder aos que pensam que a contestação existe por razões meramente corporativistas, para defender interesses e vantagens numa altura em que outros estão a perder direitos e mesmo a procurar apenas sobreviver;
  6. Porta-vozes de oficiais, sargentos e praças no serviço activo tomaram a palavra no programa, com declarações nitidamente políticas, o que poder ser considerado um acontecimento único, que não acontece nos outros países da NATO;
  7.  O antigo ministro da Administração Interna, Rui Pereira, parecia estar no debate com o à vontade de uma mosca a nadar num prato de sopa; não sabia bem o que deveria dizer e por isso foi dizendo umas coisas, poucas e sem peso;
  8. O outro participante civil, não interessa aqui o nome, parecia ter sido convidado para acertar as contas, fazer de contrapeso, permitir chegar a seis; fora isso, disse umas generalidades.

Foi pena.

publicado por victorangelo às 20:04
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02
Fev 13

Dizem-me que, num país em crise profunda, os deputados se entretiveram a votar uma recomendação sobre a grelha de programas da TV pública. Parece que aconselharam o governo a incluir no canal televisivo oficial uma série semanal sobre batatas e cebolas, couves-galegas e animais de capoeira, e por aí fora, tudo numa perspectiva indefinida e abstracta de uma TV Rural. 

 

A razão deve ser, imagina-se, porque muitos dos habitantes desse país distante estão a voltar a viver ao nível de uma economia de subsistência. Sem contar, claro, que este tipo de resoluções mantém os deputados entretidos, sem que ninguém se lembre de os mandar às favas. 

publicado por victorangelo às 16:44
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28
Ago 12

Sarcasmo à parte, faz-me na verdade pena ver tanta boa cabeça a discutir uma questão como a do futuro da RTP sem ter em conta várias coisas: 

 

1. Que é preciso definir o que se entende por serviço público de televisão, na segunda década do século XXI.

 

2. Que não se conhece a posição do governo, que se tem mantido surdo e mudo sobre o assunto.

 

3. Que se desconhece o que irá acontecer à RTP África e à Internacional.

 

4. Que o debate ocupa todo o espaço de discussão disponível, por isso interessar às diferentes cadeias de televisão existentes.

 

5. Que há muito mais para discutir, no que respeita ao futuro de Portugal.

 

6. Que muito disto não passa de uma manobra de diversão.

 

7. Que falta muita serenidade e substância no debate público, quer em relação a este assunto quer em geral.

 

E a lengalenga continua.

publicado por victorangelo às 22:40
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27
Ago 12

A sorte da RTP é há dias o assunto dominante na comunicação social. O tema deixa-me preocupado. É que não consigo ver, nem de perto nem de longe, a razão da importância dada a este assunto. Fico a duvidar da minha capacidade de entendimento do nosso país. 

 

Se se desse a mesma relevância ao futuro da agricultura em Portugal, da economia do mar, da economia tout court, do emprego, entenderia melhor os meus queridos compatriotas.  

 

Estarei fora de jogo?

publicado por victorangelo às 21:46
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26
Ago 12

A RTP1 abriu o noticiário nobre das 20:00 com uma reportagem sobre um discurso que um exaltado, com ares de maníaco-depressivo, proferiu algures no Algarve. O excitado profissional disse umas coisas sobre o serviço público de televisão. Deve ter sido por isso que teve honras de primeira página na televisão que todos pagamos. Foi uma raiva imoderada que meteu dó. 

 

Confesso que ao ouvir, uma vez mais, os maus humores lunáticos e raivosos desse senhor, achei bem que o mesmo tenha decidido retirar-se da liderança do Bloco. É uma questão de consideração pela inteligência dos sete ou oito por cento dos portugueses que votam pelo Bloco de Esquerda. 

 

Quanto à RTP, acho que está, de verdade, a precisar de pensar no seu futuro. 

publicado por victorangelo às 20:33
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05
Jul 12

Vi hoje o vídeo do último "Prós e Contras", que esta semana debateu a austeridade e a Europa. Mesmo sem concordar com muito do que aí se diz, creio que vale a pena ver este vídeo, que está disponível no sítio da RTP. 

 

Um aparte, no entanto: enquanto via a gravação, pensei como é possível que a televisão oficial de Portugal transmita estes programas a horas tão tardias? Começar um programa de uma hora e meia às onze da noite é dar mais um argumento a quem diz que os portugueses dormem tarde e a más horas, e que isso se reflecte na produtividade do trabalho, no dia seguinte.

 

Ou não será? 

publicado por victorangelo às 21:22
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13
Set 10

  

 

 

Copyright V. Ângelo

 

O Tridente saiu hoje para o mar. Em missão. Somos um país marítimo do Século XXI. Com uma plataforma e uma zona económica de grande interesse estratégico. Precisamos deste tipo de equipamento. E de valorizar, ao mesmo tempo, o mar que temos. Sem espaço para demagogias.

 

Quem quiser poupar, que corte nos subsídios à RTP, à TAP, e a outras coisas do género. Poupando, assim, centenas de milhões por ano. Mas, por favor, não confundam as pessoas, não comparem os nossos interesses marítimos com as palhaçadas da TV, que é um buraco sem fundo. Nem com a companhia que voa mal e que já deveria ter sido privatizada há muito.

 

 

publicado por victorangelo às 22:33
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05
Set 10

Existe, na União Europeia, um país que permite a indivíduos condenados a penas de prisão maior, por tribunais devidamente constituídos, andar em liberdade, sem qualquer restrição, e aparecer diariamente nas primeiras páginas da imprensa nacional a atacar juízes e a justiça. Nenhum desses seres é, em seguida, importunado pela procuradoria da república, que difamar juízes e fazer campanha contra a justiça não parecem ser crimes públicos nesse tal país.

 

E os media colaboram, que também por esses lados não há cabeça nem sentido das responsabilidades.

 

Que loucura é esta?

publicado por victorangelo às 09:46
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26
Jun 10

Um debate eleitoral recente, transmitido em directo pela televisão, surpreendeu-me. No final, ainda perante as câmaras, os políticos, líderes dos quatro maiores partidos, trocaram presentes entre si, coisas muito simples, como uma gravata ou flores, e terminaram a discussão num ambiente de camaradagem. Mesmo depois de umas trocas acesas, muito estava em jogo, que votar num deles ou no seu partido significava tirar votos aos outros. Foi na Bélgica, nas vésperas das eleições parlamentares que há pouco tiveram lugar.

 

Pensei nisso ontem à noite, ao ver a fúria do candidato Manuel. Discursava Alegre num jantar de apoiantes, tudo gente muito bem instalada e com pouco entusiasmo, sem falar da mandatária nacional, que ali estava a fazer figura de corpo presente, ocupadissima com o envio de mensagens por telefone. O discurso saiu mal, pois mais não foi do que uma série de frases de ataque ao actual Presidente da República, só bílis e slogans, nada subtil, parecia ter sido escrito por um miúdo radical, sem propostas nem serenidade.

 

É evidente que Alegre precisa de mudar de conselheiros de campanha. A continuar assim, faltar-lhe-á a atitude de estado que um candidato com as suas hipóteses deveria cultivar.

 

A entrevista que dera recentemente à RTP fora bem melhor.

 

publicado por victorangelo às 21:49
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