Portugal é grande quando abre horizontes

08
Nov 17

A caminho de Genebra, para moderar uma reflexão sobre liderança. Vamos analisar o papel desempenhado por alguns líderes quando confrontados com processos que acabariam por levar a graves conflitos civis, quer nos seus próprios países quer na região.

E tentar extrair as lições que esses exemplos nos dão.

Estarão em cima da mesa situações de grande conflito que se vivem nos Balcãs, no Médio Oriente e em África.

No caso dos Balcãs, a discussão terá a Bósnia-Herzegovina como país em foco. Mas a verdade é que na nossa parte da Europa temos andado muito alheados das dificuldades e tensões que persistem nessa região vizinha.

O Médio Oriente é outro par de botas. O recente pedido de demissão do Primeiro-Ministro do Líbano veio apenas acrescentar mais umas achas à fogueira existente. O resto é sabido. O que não se sabe ainda é a direcção que as coisas irão tomar na Arábia Saudita, após as detenções do último fim-de-semana.

Em África, a insegurança e a pobreza no Sahel continuam a dominar o topo da agenda que nos interessa.

Tudo isto acontece para além das fronteiras da UE. Mas tem um impacto sobre a Europa.

Dentro das nossas fronteiras europeias, a situação política em Espanha é grave. Para já, não cabe na agenda dos conflitos regionais ou internacionais. E espero que não venha a entrar nessa agenda.

 

publicado por victorangelo às 18:25
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15
Jun 17

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=8830

Aqui vos deixo o link para o meu programa desta semana na Rádio TDM de Macau. Os meus comentários abordam os resultados das eleições legislativas no Reino Unido, a situação económica na zona euro, com uma referência ao caso do Banco Popular em Espanha, e ainda as relações entre a UE e os países do Sahel.

O Magazine Europa é coordenado por Rui Flores e conta agora com o trabalho altamente profissional da jornalista Catarina Domingues, ambos sediados em Macau.

publicado por victorangelo às 17:17
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14
Dez 13

Estive em Braga nos últimos dois dias. O motivo que me levou a essa cidade foi a realização de um seminário internacional sobre as ameaças à segurança de África e da Europa que resultam da situação de instabilidade e de má governação no Sahel.

 

Tive a oportunidade de partilhar a minha análise desta problemática com os outros participantes e também com um grupo de alunos de relações internacionais da Universidade do Minho. É verdade que cada país do Sahel é um caso, mas existem vários pontos comuns. Um deles, passa pelo cruzamento de um meio ambiente cada vez menos favorável à produção de alimentos, em virtude da desertificação crescente – o Deserto do Sahara avança em direção ao Sul cerca de 48 quilómetros por ano – com um crescimento muito elevado da população da região. Dois em cada três habitantes do Sahel têm menos de 25 anos de idade, o que irá contribuir, por vários anos, para que a população continue a crescer de modo acelerado.

 

Como não há meios de vida, muitos desses jovens são, pura e simplesmente, candidatos à emigração. E uma pequena franja, mas significativa, será apanhada pelas redes radicais e pelo crime internacional organizado.

publicado por victorangelo às 20:38
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10
Nov 13

Um especialista em matéria de segurança, antigo colega meu das Nações Unidas, dizia-me há dias que o Sahel é terra de contrabandistas armados. Como qualquer bom velho contrabandista, os que percorrem o Sahel fazem “negócio” com tudo o que lhes passa à mão de semear: armas, drogas, candidatos à emigração ilegal, raptos, tráfico de gado, tabaco, combustíveis e bens alimentares. Um grupo ou outro mistura uns pós de fanatismo religioso ao ”negócio”, como maneira de lhe dar uma “justificação moral”.

 

Os montantes em jogo são elevados. No caso recente da libertação de quatro franceses que estavam sequestrados no Níger há cerca de três anos, fala-se num resgate na ordem dos 20 milhões de euros. É um montante impressionante, que mostra bem o que está em jogo.

 

Mas a verdadeira ironia da situação reside no facto de uma parte desse dinheiro se destinar à compra de armas e veículos que irão permitir aos bandidos raptar mais franceses e atacar as tropas francesas e internacionais que se encontram em missão no Mali.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:20
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05
Fev 13

Convido-vos a ler o texto que escrevi, em parceria com Marc de Bernis, antigo representante residente do Programa da ONU para o Desenvolvimento (PNUD) na Argélia. O objectivo é o de demonstrar que o Mali é diferente do Afeganistão.

 

Este é o link:
 

http://victorangeloviews.blogspot.be

 

Boa leitura!

publicado por victorangelo às 12:35
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16
Jan 13

O ataque contra um campo de extracção de gás na Argélia, propriedade da BP, e o subsequente rapto de um número ainda indeterminado de estrangeiros que trabalhavam nessa base estão a deixar muitos governos profundamente preocupados. É um acontecimento de grande gravidade, que pode ter um impacto enorme no fornecimento de gás ao Sul da Europa e levar também a uma quebra significativa da produção de petróleo na Argélia e na Líbia. Pode igualmente fazer diminuir as receitas do governo da Argélia, numa altura em que a paz social é comprada todos os dias, pelos dirigentes desse país, com o dinheiro proveniente da exploração do petróleo e do gás. Se esses fundos falharem, a probabilidade de uma revolta social nas cidades argelinas é enorme.

 

Tudo isto precisa de ser monitorizado com muita atenção. 

publicado por victorangelo às 21:33
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01
Dez 12

O taxista que me levou ao aeroporto, em Bruxelas, tem as suas raízes no centro do Senegal, numa cidade – Kaolack - de uma região árida, a meio caminho entre Dakar e Banjul, na Gâmbia.

 

Passei muitas vezes por Kaolack, mas não me lembro de alguma vez ter parado e saído do carro: quem quer visitar uma terra de pó e de cabras, um centro urbano perdido no meio de um descampado inóspito, uma cidade atacada por todos os lados pela pobreza e a desertificação?

 

Hoje, disse-me, a situação está ainda pior. Há mais areia e menos esperança. Como em muitos outros sítios do Sahel. As famílias vivem das remessas que os seus filhos lhes enviam do estrangeiro, que há senegaleses emigrados em todos os cantos do mundo.

 

No caso do meu taxista, 390 euros seguem mensalmente em direcção a Kaolack. Os seus irmãos e outros parentes mais chegados enviam também a sua parte. O destinatário é a irmã mais velha, que ficou e substitui, como chefe da família, a mãe de todos, entretanto falecida. A irmã funciona como o centro de uma família alargada, várias gerações que ficaram para trás. Recebe um total de 2400 euros de remessas mensais e com esse dinheiro cuida e faz viver e estudar mais ou menos sessenta membros da família. A sua casa de Kaolack é como uma aldeia dentro da cidade, onde mora tudo menos o futuro.  

publicado por victorangelo às 19:11
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19
Abr 12

A Europa não parece entender o que se está a desenrolar no Sahel e na África Ocidental, em geral.

 

O meu texto na Visão de hoje aborda essa questão.

 

Está disponível no sítio:

 

http://visao.sapo.pt/um-paquistao-ao-pe-da-porta=f659537

 

Boa leitura.

publicado por victorangelo às 22:59
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22
Dez 11

Participei numa discussão sobre a Estratégia da UE para a Região do Sahel.

 

Fiquei com a impressão que a estratégia não é estratégica, não entende as causas profundas da insegurança nessa parte de África, não inclui um estado fundamental, o Chade, e tem um número excessivo de objectivos. 

 

Pareceu-me, também, que os burocratas da UE estão, também neste caso, mais preocupados em mostrar aos estados membros que não se esquecem do Sahel do que em obter resultados duráveis. 

 

E os políticos europeus, como de costume, vivem na ilusão e num mundo que tem pouco que ver com a realidade. 

 

publicado por victorangelo às 20:41
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23
Ago 11

No Sahel, quem está às portas de perder o poder, retira-se, com os seus combatentes mais fiéis e mais chegados, para uma zona do deserto, que seja de difícil acesso. Normalmente, perto da fronteira com um país amigo. Estabelece aí o seu quartel-general.

 

Com o tempo, que pode demorar anos, procura reagrupar os que ficaram dispersos, pelos vários cantos do país, e preparar-se para lançar um novo assalto ao poder.

 

Será que se irá passar o mesmo na Líbia?

publicado por victorangelo às 21:23
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