Portugal é grande quando abre horizontes

15
Fev 17

A minha colaboração com o Geneva Centre for Security Policy aparece finalmente em linha, culminando assim mais de dois anos de ligação com esse Centro altamente reputado:

http://www.gcsp.ch/About/Global-Fellowship-Initiative/Associate-Fellows/Angelo-Victor-Angelo

E vamos continuar.

publicado por victorangelo às 14:46
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02
Fev 17

O destacamento de uma companhia de Comandos para a República Centro-Africana, no quadro da MINUSCA, foi uma decisão correcta. É importante que Portugal participe mais activamente e de modo mais visível nas operações de manutenção da paz da ONU. Mostramos assim a vontade que temos de responder às nossas responsabilidades internacionais, enquanto país que reconhece e respeita as regras que hoje servem de base às relações internacionais.

Não fomos apenas e tão só porque a França nos pediu. É verdade que a França tem um interesse histórico – e nem sempre pelas melhores razões – na RCA. E por isso tem advogado, junto dos seus parceiros da UE, no sentido de uma contribuição efectiva dos europeus para a composição da missão da ONU na RCA. Mas isso não seria suficiente para nos levar a participar. E também não o fazemos para tentar obter, em troca, algum favor político ou diplomático de Paris.

Neste momento, em que andam loucos à solta na arena internacional, é essencial falar dos compromissos que o bom relacionamento entre as nações requer. É igualmente necessário reafirmar que uma boa parte desses compromissos passam pelo quadro da ONU. Como também se deve ter presente que os países que podem devem contribuir para a estabilização dos que estão a atravessar um período de crise interna.

Portugal dá, como muitos outros, o bom exemplo.

publicado por victorangelo às 21:15
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02
Jun 16

Dirigi esta semana, pela terceira vez desde o início do ano de 2016, um seminário de pós-graduação na Suíça sobre as questões da paz e da segurança internacional. Estes seminários fazem parte das actividades académicas do conhecido e respeitado Geneva Centre for Security Policy (GCSP).

Como de costume, os participantes vieram de diferentes partes do mundo. É uma grande vantagem. Permite obter uma visão mais diversificada dos temas em análise bem como das relações de poder no xadrez mundial. Mais ainda, a classe desta semana tinha uma percentagem maior de participantes com vários anos de experiência em ambientes de trabalho diplomático, policial, militar, em instituições de segurança nacional – um dos alunos desempenha funções de alta responsabilidade no Conselho Nacional de Segurança da Índia – e também em centros de estudos especializados.

As discussões que mantive com a classe revelaram várias coisas. Sublinho aqui duas delas. Primeiro, existe um enorme cepticismo em relação à capacidade da máquina onusiana na área da manutenção da paz. Os mais esclarecidos não acreditam que a ONU tenha actualmente as condições necessárias para obter resultados e conseguir ajudar a construir um paz duradoura, excepto nalguns casos de conflitos em países de importância reduzida e na periferia dos interesses das grandes potências. Segundo, ficou claro que existe uma percepção muito forte de volatilidade e de risco. Quem olha para o horizonte da política internacional com olhos de ver apercebe-se de toda uma série de riscos que podem pôr em causa a paz e a estabilidade em partes importantes do globo, incluindo na nossa. Notará igualmente que as ameaças podem mesmo pôr em causa a sobrevivência de certos arranjos institucionais que fazem parte há décadas da arquitectura securitária internacional.

Ou seja, temos aqui a opinião de que existe hoje um somatório de novos riscos que não podem ser ignorados nem tratados pelo prisma do politicamente correcto.

 

 

publicado por victorangelo às 22:01
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28
Abr 16

Na opinião de um conjunto de especialistas em geopolítica, os grandes desafios globais em 2050 serão, por ordem de importância, os seguintes:

  • Escassez de recursos naturais
  • Excesso de população
  • Extremismo violento
  • Guerras entre estados
  • Conflitos civis, no interior das fronteiras nacionais

O primeiro da lista, relativo aos recursos naturais, é o mais consensual. Quase metade dos especialistas consultados considera que se trata da questão central.

A sobrepopulação é vista com ansiedade por um quarto dos participantes na discussão.

As outras questões pesam menos na balança das preocupações.

 

 

publicado por victorangelo às 15:41
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11
Fev 16

Contra o “Estado Islâmico”

            Victor Ângelo

 

            Escrevo enquanto decorre em Bruxelas uma reunião de alto nível para coordenar as ações futuras contra o Daesh, o grupo terrorista que gosta de se autointitular de “Estado Islâmico” (EI). Estão presentes os vinte e sete países – e mais uma mão cheia de penduras – que se dispuseram a participar na coligação militar que combate o EI. Ainda assim, a contribuição de alguns destes governos tem sido meramente simbólica. Na verdade, há vários membros da coligação que não consideram a derrota dos terroristas do EI como uma prioridade nacional. Fazem de conta. Por isso, convém recordar as razões que justificam a intervenção internacional. Trata-se, por um lado, de libertar da opressão mais desumana as populações dos territórios ocupados na Síria e no Iraque. Por outro, de uma questão de legítima defesa e de interesse estratégico, tendo em conta a ameaça que o EI efetivamente representa, quer no Médio Oriente quer noutras partes do mundo, em especial na Europa e no Norte de África.

            Não tenhamos ilusões. Continuaremos a assistir a uma coligação incoerente. Mas há que apreciar cada tentativa que procure dar-lhe algum nexo. O EI é um perigo que deve ser levado muito a sério.

            Reconheço, porém, que combater o EI no terreno é uma missão de grande complexidade – sublinho de grande complexidade – e com riscos elevados. Mas têm-se registado alguns progressos, nos últimos tempos. A pressão evoluiu no sentido de colocar o grupo na defensiva. O EI perdeu recursos, quadros e território. É fundamental continuar nessa via. Para além dos bombardeamentos aéreos e dos ataques a alvos precisos com drones, deve-se investir mais na recolha e análise de informações e na infiltração no terreno de pequenos grupos de militares de elite. Assim, e sem esquecer o papel muito significativo que as Forças Especiais americanas, britânicas e alemãs já estão a desempenhar, é essencial proceder sem mais demoras à mobilização de comandos árabes sunitas. Viriam em reforço das unidades iraquianas e em complemento das operações levadas a cabo pelos combatentes curdos. O assunto está em cima da mesa, agora que vários estados da região anunciaram, nas vésperas da reunião de Bruxelas, que estariam dispostos a enviar tropas de infantaria para a frente de combate. Será ver para crer, como diria o outro, pois duvido bem que isso venha a acontecer. De qualquer modo, se acontecesse colocaria sempre uma ressalva, no que diz respeito à Arábia Saudita. Qualquer destacamento saudita tem que ser visto à luz das rivalidades já existentes com o Irão, que está alinhado com o regime de Damasco. Sem esquecer, para mais, a proximidade que existe entre Bagdade e Teerão, o que torna impensável qualquer presença saudita nas terras iraquianas.  

            Outro tema em debate tem que ver com a definição dos alvos prioritários, no ataque à cadeia de comando do EI. A minha opinião é que os esforços, nesta fase, devem ser concentrados na neutralização dos quadros intermédios do aparelho terrorista, em especial os de origem europeia e outros estrangeiros. Esses quadros constituem uma malha importante no sistema de controlo territorial e no recrutamento de novos combatentes vindos de fora. São, ao mesmo tempo, alvos mais fáceis de identificar – se alguma coisa pode ser considerada fácil, nesta campanha contra um inimigo bem organizado e disposto a tudo. A eliminação desses quadros enfraquecerá a cadeia de comando, desencorajará outros candidatos europeus, e acabará por isolar e expor o topo da organização. Dito isto, é também evidente que se deve explorar toda e qualquer oportunidade que possa surgir e que leve à destruição da liderança do EI.

            Apesar de tudo, espera-se que o encontro de Bruxelas resulte num maior empenho de alguns. E que se vá além das dimensões militares. Ao nível do terreno, será importante contribuir para a reconstrução das cidades e vilas que entretanto foram recapturadas pelas forças da coligação e que estão sob administração iraquiana. O restabelecimento, na medida do possível, de um certo grau de normalidade faz parte da luta contra os extremistas.

            Chegámos aliás ao momento em que é preciso começar a discutir esta crise de modo compreensivo. Há que pensar nas dimensões políticas. Incluindo, ouso acrescentar, na autonomia das regiões libertadas, no respeito pelos direitos das pessoas e dos grupos étnicos, incluindo os curdos, talvez mesmo no possível desenho de um novo mapa político para a região.

 

(Artigo que publiquei hoje na Visão on line)

publicado por victorangelo às 21:16
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09
Fev 16

Na quinta-feira terá lugar em Bruxelas uma reunião de alto nível para coordenar as acções futuras contra o grupo terrorista autointitulado de Estado Islâmico. Os vinte e sete países que participam na coligação militar que combate o Estado Islâmico estarão representados.

Espera-se que o encontro resulte num maior empenho por parte de alguns desses países, que até agora têm sobretudo brilhado pela fraca participação no esforço comum. Também será importante contribuir para a reconstrução das cidades e vilas que entretanto foram recapturadas pelas forças da coligação e que estão sob administração iraquiana. A luta contra os radicais passa igualmente pelo restabelecimento, na medida do possível, de um certo grau de normalidade de vida.

Por outro lado, haverá que reconhecer que têm sido registados progressos significativos nos últimos tempos. O Estado Islâmico perdeu recursos, quadros e território. É fundamental continuar nessa via de aniquilação dos terroristas. Para além dos bombardeamentos aéreos, convém investir mais na recolha e análise de informações e na infiltração de grupos altamente móveis de Forças Especiais. O objectivo, nesta fase, deve ser o da neutralização dos quadros intermédios do Estado Islâmico, em especial os de origem estrangeira e europeia. Esses quadros são uma malha importante na estrutura de controlo territorial do Estado Islâmico. São, ao mesmo tempo, alvos mais fáceis de identificar – se alguma coisa pode ser considerada fácil, nesta campanha contra um inimigo disposto a tudo. A sua eliminação enfraquece a cadeia de comando, desencoraja outros candidatos europeus, e acabará por isolar e expor o topo da organização.

Finalmente, a comunicação social, nomeadamente a europeia, deve estar mais atenta aos avanços conseguidos e ser capaz de os trazer ao conhecimento geral com clareza e isenção.

 

 

publicado por victorangelo às 20:51
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20
Nov 15

Voltei ontem de Addis Ababa, depois de três dias de reuniões na capital da Etiópia. E voltei satisfeito porque tive a oportunidade de constatar que a Comissão da União Africana está agora mais consciente do que é preciso fazer para promover a paz e a segurança em África. O Comissário responsável por esta área falou sem meias-palavras da importância dos direitos humanos e da boa governação como pré-requisitos essenciais. E definiu uma série de prioridades concretas, que me pareceram correctas e viradas para a acção concreta. Merecem ser apoiadas.

Também houve tempo para discutir a crescente radicalização e adesão à violência armada da juventude africana. Ignorar que a tendência para o extremismo violento tem estado a aumentar seria um erro. A Europa tem que ter esse fenómeno em linha de conta e, nomeadamente, dar uma ajuda a sério ao Centro de Combate ao Terrorismo que a União Africana está a montar em Argel.

 

publicado por victorangelo às 17:36
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16
Nov 15

Ao chegar esta manhã a Addis Ababa tive tempo para ver o que se escreveu nos jornais portugueses, como comentário e opinião, sobre Paris e os crimes brutais e cegos de sexta-feira. E tempo também para concluir que a opinião de certas figuras públicas portuguesas está cada vez mais a percorrer as ruas da amargura. Num dos exemplos, o opinante, autor de uma extensa página, achava que era altura de convocar uma reunião da NATO sobre os atentados, a pedido da França e com base no Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte.

Um exagero.

O Artigo 5º só se aplica no caso de uma ameaça exterior, de natureza militar, contra um Estado membro da Aliança. Em princípio, destina-se a preparar uma resposta de defesa colectiva quando a soberania nacional de um dos Estados está ameaçada.

Certos países da Aliança Atlântica já desempenham um papel na Síria e no Iraque. Em coligação com Estados da região. Isso deve continuar, sem que seja necessário dramatizar com o recurso incorrecto ao dito Artigo.

O que se passou em Paris e o seguimento desses dramáticos acontecimentos exigem, isso sim, respostas que pertencem às polícias e às autoridades judiciais, bem como soluções políticas. E tudo isto deve ser feito em coordenação com as autoridades dos países vizinhos e de outros, segundo as necessidades das investigações e as conclusões políticas que venham a ser tiradas. Mas, como dizia ontem aqui mesmo, o que tiver que ser feito deve ser feito num quadro que combine o nacional com o europeu, com serenidade, para não dar lugar a histerias políticas, a medos colectivos, para que o nosso espaço de direito e de tolerância possa ser salvaguardado.

publicado por victorangelo às 13:11
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23
Out 15

O exercício militar da NATO, que está a decorrer em Portugal e noutros países membros da Aliança Atlântica, sob o nome de Trident Juncture 2015, começou a ser planeado há quase dois anos. E está em implementação desde fevereiro desde ano, nas suas diferentes fases operacionais. O momento actual é apenas o culminar de um longo processo, que tem incluído a participação de várias forças e de muitos intervenientes, tudo sob o comando do quartel operacional da Aliança que está baseado em Brunssum, no sul da Holanda.


Estive envolvido no exercício ao longo de 2014 e 2015. Representava o papel que caberia às Nações Unidas, no cenário que havia sido desenhado. Nesta simulação, o Conselho de Segurança da ONU teria aprovado uma série de resoluções – que tive a oportunidade de redigir. A intervenção aliada teria lugar na sequência dessas resoluções, incluindo uma que dava um mandato legal à NATO para ajudar um determinado país – imaginário –, depois da ocupação armada de parte do seu território nacional por um Estado vizinho, também ele imaginário e especificamente criado para servir os objectivos do exercício.


Ambos esses “países” e a “região” a que pertenceriam foram imaginados como estando localizados muito longe dos territórios dos Estados membros da NATO. Ou seja, não se trataria de uma acção de defesa colectiva de um país da NATO mas sim de uma resposta a um pedido da ONU para contribuir para a resolução de uma crise de soberania num país longínquo.

publicado por victorangelo às 21:14
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01
Out 15

Vladimir no pântano sírio
Victor Ângelo

Vladimir Putine faz-me pensar num submarino. Anda uns tempos sem ser visto e depois aparece onde menos se espera. Emergiu agora na Síria. E conseguiu voltar aos títulos da imprensa global e às inquietações dos líderes ocidentais.


Ao reforçar de modo visível a sua presença militar na Síria, com o destacamento de importantes meios de combate aéreo para Lataquia, uma cidade costeira situada a pouco mais de oitenta quilómetros a norte de Tartus, onde se encontra a única base naval russa no Mediterrâneo, Putine deixou muita gente boquiaberta. E ganhou uma posição incontornável, numa questão que é fundamental para os interesses da região, da Europa e dos EUA. Foi um golpe de mestre, uma vez mais. Em política, pesa quem toma a iniciativa e surpreende.


É igualmente um ás em matéria de dissimulação. Finge uma intenção, quando o objetivo a atingir é, na verdade, outro. Estamos, assim, perante uma espécie de engodo, quando nos diz que a razão do reforço militar está na guerra contra o “Estado Islâmico”. Não é que Putine não reconheça a perigosidade desse grupo terrorista. Aceita mesmo que vários dos quadros do EI são gente vinda do Cáucaso russo, da Chechénia em particular, bem como de antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central. E que, se um dia voltarem à Rússia, ou à vizinhança, serão certamente um perigo para a segurança interna. Se forem eliminados antes, melhor será.


Mas os verdadeiros motivos são outros. De um modo mais geral, o intento é mostrar que o envolvimento de Moscovo é essencial para a resolução das crises políticas internacionais. Putine acredita que parte do seu papel histórico assenta no renascimento internacional do seu país como grande potência, a par dos EUA. A isso junta-se o objetivo de manter as bases de Tartus e de Lataquia sob o controlo das suas forças armadas. Putine sabe jogar com muitos e variados instrumentos de poder, incluindo os mais ambíguos, mas tem uma maneira de ver tradicional, no que respeita à máquina militar. Acredita em números, feitos de muitos batalhões, em meios modernos e no valor da presença armada, incluindo vastas bases logísticas e operacionais em zonas de relevância geoestratégica, como é o caso do Médio Oriente.


Para conservar as bases, Putine crê que a melhor aposta é aguentar Bachar al-Assad no poder. E sabe que há urgência. A partir de julho a debilidade do regime de Damasco tornou-se ainda mais evidente para o Kremlin. A resposta foi clara: um engajamento acelerado no apoio a Assad. Primeiro, com meios bélicos. Depois e agora, com uma retórica política que procura legitimar a continuação de Assad a todo o custo. Mesmo que seja à frente de uma “pequena Síria”, ou seja, de um território reduzido a Damasco, mais as zonas vizinhas do Líbano e as regiões costeiras, que incluem as cidades que contam para os russos. O discurso que Putine proferiu esta semana na Assembleia Geral da ONU deve ser lido sob este prisma.


Apesar das divergências profundas, há que manter as pontes com Putine. A procura da paz na Síria assim o exige. E a luta contra o EI também. Pode mesmo aceitar-se que Assad faça parte da transição, embora pareça inimaginável vê-lo incluído numa qualquer solução duradoura. O futuro precisa de mãos limpas. Sem diálogo, teremos mais violência e um conflito sem fim. Enquanto se investe no diálogo será necessário intensificar a campanha contra o EI. Aí, a contribuição russa só pode ser bem-vinda.

 

(Texto que hoje publico na revista Visão) 

 

 

 

publicado por victorangelo às 11:23
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