Portugal é grande quando abre horizontes

08
Fev 17

Raramente olho para os ecrãs das televisões nacionais. Essa é a minha prova dos nove, que mostra bem que perdi e já não tenho qualquer sentido patriótico. Sou um estrangeirado. É isso que certos amigos insinuam. Mas a verdade é mais simples. Resume-se em duas linhas. Primeiro, desde 1978 que estou fora do país. Vi muita coisa, gentes variadas e muitas situações. Segundo, com a idade perdi a paciência para ouvir burrices e saloiadas. E é isso que se conta e que se vê, debate e apresenta nos canais portugueses. É isso que enche os nossos tempos de antena.

Mas isto preocupa-me. Uma boa parte desses burros são políticos jovens, com sangue na guelra e muita ambição. Os que ainda não passaram pelo governo acabarão por passar. E custa-me imaginar o meu país ser dirigido por essas excelências mal-amanhadas. Portugal não pode voltar a ser um país rural, regido por curtinhos de vista e trauliteiros da coisa partidária.

Aí, voltam-me os sentimentos patrióticos à superfície, para dizer que não, que não quero o meu país nas mãos desses pacóvios acelerados e magistralmente primários. Por mais programas de televisão e de rádio por onde tenham passado, não passam de uns meias-tigelas com horizontes limitados.

 

publicado por victorangelo às 21:43
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06
Fev 17

Talvez seja por deformação profissional, mas sou dos que consideram os conselhos e avisos técnicos das organizações internacionais como importantes. Devem ser ouvidos com atenção e merecer ponderação. Pode pensar-se que têm falhas, que não reflectem todas as facetas da realidade que é a nossa. Não devem, no entanto, ser desvalorizados ou varridos par debaixo do tapete. Por isso, lamento a reacção do Presidente da República perante o relatório que a OCDE deu hoje a conhecer sobre aspectos estruturais da economia portuguesa. O Presidente limitou-se a dizer, na maneira superficial que é muito nossa, que não havia nesse relatório nada de novo e que até estaria um pouco desactualizado em termos dos dados estatísticos.

Não é verdade. O relatório chama a atenção para a falta de sustentabilidade das políticas económicas que foram seguidas nos últimos e nos anos de agora, para a escassez do investimento, para os benefícios dados aos funcionários públicos em detrimento do sector privado, para a falta de formação profissional de uma boa parte dos jovens do nosso país, e também para as desigualdades crescentes entre diversos tipos de trabalhadores e de regimes sociais.

Tudo isto precisa de ser levado a sério. Não se trata de questões levianas nem de beijinhos à malta que passa. Estamos a falar de questões de fundo, que tocam o presente e comprometem o futuro.

publicado por victorangelo às 20:22
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14
Jan 17

Num sábado à noite não se escreve sobre coisas sérias. Nem se lançam polémicas. Mas a verdade é que muito do que se escreve e diz em Portugal, sobretudo nos canais da televisão, não parece ser tratado muito a sério. Passa-se pela rama, que o resto dá muito trabalho e maça muita gente. A superficialidade é que está a dar. E não apenas aos sábados à noite.

publicado por victorangelo às 21:21
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31
Out 16

Não é preciso chegar ao Dia das Bruxas, ou lá o que é, para que se tenha medo. Em Portugal, uma boa parte dos políticos mete medo todos os dias. E alguns deles são tão surrealistas quanto as bruxas são irreais.

publicado por victorangelo às 20:29
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06
Out 16

Na vitória, a sabedoria aconselha magnanimidade. Celebra-se e trata-se os antigos adversários com grandeza. Andar a enxovalhar quem perdeu ou parece ter perdido, ou quem apostou mal, não é uma estratégia inteligente. Pode dar a impressão que é boa política, que se aproveita a vitória para deitar abaixo os contrários, mas não é nem boa política nem a estratégia que interessa a prazo. E não deita ninguém abaixo de modo significativo. Cria, isso sim, mais hostilidade.

Isto é tanto mais verdade quando são os interesses nacionais que estão em jogo. Portugal não retirará vantagem alguma ao atacar os outros governos da UE. Ganhou e passa à frente. Assanhar-se contra Bruxelas, ou Berlim, ou contra outros, é coisa de vistas curtas. O país precisa de se colocar acima dessas práticas exaltadas e concentrar-se na construção de parcerias internacionais e no planeamento de um futuro melhor para a maioria dos portugueses.

publicado por victorangelo às 19:40
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22
Set 16

O nosso país tem potencialidades económicas que não estão totalmente aproveitadas. Assim acontece na agricultura, na piscicultura, nas indústrias de ponta e na prestação de serviços modernos e globais. Portugal precisa de criar riqueza. E cabe ao governo e às elites interrogarem-se sobre as razões que impedem que isso aconteça. Esse é o verdadeiro debate político que faz falta.

O palratório sobre a distribuição da riqueza, que enche de modo contínuo a cena política e a comunicação social, é uma distração infantil, num país que não cria riqueza suficiente nem consegue crescer. É, também, uma característica muito portuguesa. Somos um povo animado não pela ambição de conseguir vencer na vida mas sim pela inveja do vizinho. Puxamos o país para baixo em vez de o empurrar para cima.

publicado por victorangelo às 21:39
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21
Mar 16

A banca portuguesa está em crise. Já várias vezes aqui o disse. Há demasiados bancos, poucas oportunidades de negócios, e muito compadrio. O compadrio tem favorecido uma elite que gira à volta das personalidades que controlam o sector e levado a más decisões comerciais, a um volume elevado de créditos malparados, e, nalguns casos bem conhecidos, à falência de bancos, a falcatruas e à corrupção.

O sector precisa de uma reforma profunda, incluindo consolidação e profissionalismo, com base nas regras do mercado e da competitividade. Não se salva com falsos arremedos patrioteiros, com os manifestos do pessoal de Aljubarrota, como agora parece ser o caso, ou as profissões de fé de outros retrógrados, nem com a manutenção dos mesmos indivíduos à frente das instituições.

Teria tudo a ganhar com uma maior internacionalização dos seus capitais e dos quadros. Por isso, o interesse de bancos estrangeiros deve ser aceite de bom agrado. Faz parte do dinamismo dos mercados.

Estamos na Europa e integrados numa certa maneira de ver as relações económicas.

É verdade que uma boa parte do interesse pelos bancos portugueses vem do vizinho do lado. Também isso é normal. Conhece melhor o nosso tecido económico que outros, vindos de mais longe.

E não nos podemos esquecer do que é evidente: se o capital espanhol investir em Portugal é para ganhar dinheiro. Só o ganhará se conseguir fazer trabalhar os nossos bancos a sério. Ou seja, se conseguir que a nossa actividade bancária esteja na verdade ao serviço da economia e das famílias portuguesas.

 

publicado por victorangelo às 14:56
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10
Mar 16

Nos últimos dois dias, paira no ar uma onda de patrioteirismo. A malta que escreve na comunicação social ou que prega nas televisões virou toda patrioteira e lírica. Falam do mar, das centenas de milhões que partilham a língua – vi há dias uma reportagem da televisão de Cabo Verde e o chefe dos bombeiros de uma das ilhas mais importantes era incapaz, ele e os outros, de dizer três frases de seguida em português –, das cidadanias CPLP, dos Cabos do Bojador e assim por diante. Andamos com a pátria aos pulos nos lábios. É um tempo de exaltação.

Ora, eu sou dos que pensam – não seremos muitos, creio – que o patrioteiro é um português bacoco que procura refúgio na ilha que é povoada pela sua própria ignorância e incompetência. É a resposta geral ao facto de não conseguirmos sair da cepa torta. Vive-se numa glória passada, que nos foi contada pelos nacionalistas do fascismo, e acreditamos nisso, como compensação, por não termos garras para construir um futuro melhor para todos nós.

Somos, na verdade, um povo de marinheiros em naufrágio permanente.

 

publicado por victorangelo às 19:54
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04
Mar 16

Em geral, o pessoal que por aí anda à volta da política e da imagem na comunicação social procura um tacho, um carguinho público.

Ainda hoje tive a oportunidade de verificar a justeza desta minha apreciação. E do peso que a cunha continua a ter nos círculos de poder. A recomendaçãozinha…

E também me apercebi, uma vez mais, que ninguém compreende que eu não ande, igualmente, à procura de um lugarzinho qualquer. Não acreditam, por exemplo, que escrevo para intervir, para partilhar, e não para andar aos pulinhos, até ser notado.

Assim, aqui fica uma vez mais o aviso: não ando à procura de nenhuma mordomia. Nem espero nenhuma comenda. A minha agitação é outra.

publicado por victorangelo às 21:08
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28
Fev 16

A minha amiga Faranaz Keshavjee publicou na Visão um texto inteligente sobre os “mitos” que existem à volta do Islão. Faranaz é uma portuguesa, igual a todos nós. Tem um nível educacional acima da média. É de confissão religiosa muçulmana, por razões pessoais e também por motivos das suas raízes familiares. E aproveita os conhecimentos que tem da sociedade portuguesa e da sua religião para nos esclarecer sobre o Islão. Faz bem. Precisamos de ter uma narrativa serena sobre o assunto. Ajuda a evitar os preconceitos.

Os comentários ao seu texto são, todavia, pouco serenos. Não são muitos, que em geral os textos que aparecem no online da Visão não suscitam reacções em grande número, mas são violentos. Era de esperar. Há por aí muita ideia confusa sobre a questão. Por isso é que textos como o que escreveu são úteis. É preciso continuar a esclarecer. E a explicar que a religião é, ao fim e ao cabo, uma escolha pessoal, uma daquelas decisões que fazem parte da lista das liberdades individuais. Cada um tem a sua, ou não tem nenhuma. E vive com o que tem, em paz e deixando os outros em paz, igualmente.

publicado por victorangelo às 21:23
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