Portugal é grande quando abre horizontes

03
Jun 16

Líbia 

O Governo do Acordo Nacional de Fayez Al Sarraj está há dois meses em Trípoli, tem o apoio da comunidade internacional mas não se consegue impor como governo nacional. É o governo de uma base naval em Trípoli e pouco mais. 

Existe um outro governo a Leste, em Bengasi e vários grupos armados, incluindo o Estado Islâmico em Sirte. 

Fayez é visto por muitos líbios como uma imposição do Ocidente. Esta é uma questão muito sensível num país em que sempre predominou um sentimento de independência e de arrogância em relação ao que é estrangeiro. 

A situação de segurança não permite a presença no terreno de uma missão da UE. No mar, está a operação naval Sophia. Para além das tarefas de combate ao tráfico de pessoas e de salvamento marítimo, deverá começar em breve a formação da Guarda Costeira da Líbia. 

Países europeus apoiam diferente fações na Líbia, incluindo a do General Khalifa Haftar em Bengasi. 

27 147 imigrantes ilegais vieram da Líbia para EU entre Janeiro e Abril de 2016. Na semana passada, foram cerca de 13 000 pessoas. Cerca de 800 000 estarão na Líbia à espera de oportunidades para atravessar o mar. 

Os imigrantes vêm da Eritreia, Etiópia, Sudão e Sudão do Sul, por um dos circuitos de tráfico, um corredor inteiramente controlado por um grande consórcio de grupos criminosos. O outro circuito, mais espontâneo, vem da Nigéria e da África Ocidental, através do Níger. Ambos implicam travessias de vastas áreas de deserto, inóspitas e muito perigosas. São excelentes fontes de negócios, em terras onde as chances económicas legais são escassas.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:49
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14
Jun 15

O Presidente do Sudão, Omar al-Bashir, encontra-se na África do Sul, para participar na cimeira anual da União Africana. Em 2008, estava eu junto da fronteira com o seu país e de prevenção, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandato de captura contra Bashir, por alegados crimes praticados no Darfur, uma vasta região sudanesa, que faz extrema com o Chade e a República Centro-africana.

Foi um alvoroço. Ninguém sabia como o Presidente iria reagir. E, na verdade, havia muito receio que essa reação pudesse ser violenta, nomeadamente contra a presença das Nações Unidas no seu país. Bashir acabou por expulsar umas tantas ONGs e, à sua maneira bem astuciosa, continuou a fazer a vida impossível à missão da ONU no Darfur.

Desde então, cada vez que viaja ao estrangeiro, o TPI faz pressão sobre os países que o acolhem, para lembrar que existe a obrigação de o deter e despachar para a Haia. Mas Bashir é um velho rato do deserto, muito sabido. Tem conseguido, com o tempo, não só continuar a deslocar-se em África, embora com muita prudência, mas também tratou de virar a opinião das elites africanas contra o TPI. O argumento é que o TPI está sobretudo vocacionado para perseguir líderes africanos.

Hoje, um tribunal sul-africano decidiu que Bashir não pode sair da África do Sul enquanto não for decidido se deve ser ou não capturado. Esta decisão preliminar é extremamente embaraçosa para o governo de Pretória. Todavia, o desfecho imediato é muito previsível. Amanhã, quando terminar a cimeira da UA, o homem pega no seu avião e regressa a Cartum. Pretória irá invocar que o Presidente do Sudão tinha imunidade diplomática, ao abrigo do protocolo que rege as cimeiras da UA e outras similares.

Nisto, quem acabará por perder, para além do TPI, que uma vez mais vê a sua autoridade ser posta em cheque, será a liderança da África do Sul. O caso vai dar mais alguns argumentos a quem se opõe à presidência de Jacob Zuma.

 

publicado por victorangelo às 20:01
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19
Jun 12

O meu novo estudo sobre o Sul Sudão e o impacto da independência neste novo país na região da África Central está agora disponível no sítio do Instituto Norueguês de Relações Internacionais (NUPI):

 

http://english.nupi.no/Publications/Books-and-reports/2012/Security-and-Stability

publicado por victorangelo às 22:02
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23
Mar 12

O meu texto desta semana na Visão analisa uma realidade bem dramática: a insegurança nas terras distantes que fazem fronteira entre o Sudão e os países da África Central. Esta é uma situação que conheço bem e sobre a qual acabo de escrever um estudo para o governo da Noruega, que deverá ser publicado em breve. O estudo chama a atenção para a necessidade urgente de se ajudar o Sudão e o Sul Sudão a chegar a um acordo sobre questões de de boa vizinhança, no seguimento da cisão do antigo Sudão em duas entidades distintas e independentes.

 

O meu artigo está disponível no sítio: 

http://visao.sapo.pt/kony-2012-o-alvo-errado=f654086

 

Boa leitura e não hesitem em comentar, no espaço próprio da Visão on-line.

 

 

publicado por victorangelo às 18:01
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16
Jan 12

Hoje era dia de terminar o texto sobre o Sul Sudão e a "Elipse de Insegurança", que define as zonas de fronteira do Chade ao Congo (RDC), do Sudão ao Uganda. Mais de 19 000 palavras para analisar uma das zonas mais perigosas do globo, mas que é, igualmente, uma zona fascinante, onde tive a oportunidade de trabalhar ao nível do terreno. 

 

A China é, agora, o país que mais investe nessa zona de África. Tudo se passa com o apoio directo das embaixadas chinesas na região. É a diplomacia económica em movimento. Lá, como no caso da EDP, o estado chinês apoia as decisões das grandes empresas, que embora estatais, têm uma grande autonomia de decisão. Lá, como por estas terras, há quem critique. Mas o investimento chinês é um facto e, em muitos casos, é a única opção viável. Há que aproveitá-lo.

 

O resto é connosco. Sem palhaçadas, nomeações ridículas ou conversas com a imprensa que são disparatadas, numa conjuntura de mal-entender e de populismo manhoso, que é o que impera em certos órgãos da comunicação social. 

publicado por victorangelo às 22:17
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25
Dez 11

Khalil Ibrahim, fundador e líder do movimento rebelde JEM (Justice and Equality Movement), que lutava, à sua maneira, pelos direitos das populações africanas do Darfur, no Sudão, perdeu ontem a vida. As Forças Armadas Sudanesas dizem que foi num combate, depois de o terem perseguido, num estado vizinho do Darfur, numa zona que é disputada entre o Sudão e o Sul Sudão. Vai ser difícil conhecer as circunstâncias exactas, numa país onde a verdade e a invenção não têm fronteiras bem definidas.

 

Também ainda é cedo para se poder estimar o impacto desta morte no processo de paz do Darfur.

 

Cruzei-me várias vezes, no Leste do Chade com os homens de Khalil. Havia uma espécie de acordo tácito. Quando eu estava numa região do Leste, os guerreiros do JEM evitavam aparecer à minha frente. Uma vez, estava eu numa reunião em Bahai, no Nordeste do Chade, mesmo junto à fronteira com o Darfur, quando surgiram, inopinadamente, dois ou três veículos do JEM. Vinham do campo de refugiados que se encontrava a cerca de 20 quilómetros. Estavam, como de costume, fortemente armados e tinham cara de poucos amigos. Quando viram os meus guardas, fizeram meia-volta e desapareceram no meio do deserto sem fim. 

 

Em N'Djamena, chegámos, por uns tempos, a viver no mesmo hotel. Mas nunca nos cruzámos no lobby. As tangentes nunca se encontram. 

 

publicado por victorangelo às 23:16
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14
Dez 11

Hoje teve lugar em Washington uma conferência internacional de apoio ao Sul Sudão. Este novo país, independente há menos de 6 meses, ocupa uma posição estratégica no centro de África. Possui recursos naturais muito importantes, incluindo petróleo. É um país em construção, sem infra-estruturas, sem administração pública, com enormes problemas de desenvolvimento, mas, ao mesmo tempo, com um potencial extraordinário. 

 

A Europa foi a grande ausente da conferência. O Reino Unido, que tem ambições na região, não tem deixado espaço para a UE. Esta é uma constatação importante.

 

Fora da UE, a Noruega e os EUA são os parceiros por excelência do Sul Sudão. Para além destes três doadores, a Turquia é o outro interveniente de peso. Esta é a segunda constatação importante. A Turquia pesa cada vez mais em certas regiões do globo. A liderança em Ankara tem como objectivo alargar ao máximo as áreas de influência da Turquia. Estão a consegui-lo.

 

 

publicado por victorangelo às 21:26
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09
Jul 11

Convém deixar registada uma palavra de apoio à independência do Sudão do Sul. O dia em que um novo país se torna independente é sempre um momento de felicidade. Quanto ao resto, o futuro dirá.

 

Queria também felicitar Hilda Johnson, da Noruega, pessoa amiga, que a partir de agora vai ser a Representante Especial do Secretário-geral da ONU no novo país. Trata-se de uma mulher determinada e cheia de vida. Com os apoios de que dispõe em Oslo e o que conhece do mundo, tem todas as condições para fazer um bom trabalho. O que é preciso é não perder o equilíbrio. 

publicado por victorangelo às 22:57
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22
Mai 11

Como previra há meses, num artigo sobre o Sudão, publicado na Visão, o governo de Cartum começou agora uma ofensiva militar contra a região fronteiriça de Abyei. E contra as tropas do Sul Sudão. Esta agressão, se não for parada a tempo, pode provocar uma catástrofe humanitária e reacender o conflito armado entre o Norte e o Sul do Sudão. 

 

Tendo em conta que os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE se reúnem amanhã, enviei uma ou duas mensagens sobre o assunto a gente com influência. O ministro sueco, Carl Bildt, um dos melhores da União, acaba de me assegurar que o assunto será debatido em Bruxelas, na reunião de amanhã. E que lutará para que a posição europeia seja clara, sem ambiguidades. 

 

Os dirigentes de Cartum precisam de perceber que pisar o risco e faltar ao respeito pela comunidade internacional são ilegalidades com um preço elevado.

publicado por victorangelo às 21:52
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22
Mar 11

Estou em Oslo. A agenda diplomática da Noruega concentra-se em três ou quatro assuntos. A crise na Líbia, como não poderia deixar de ser. Aqui a preocupação é a de saber que iniciativa política vai ser tomada e por quem, para que se possa sair do impasse. O futuro do Sul Sudão e o papel da comunidade internacional. Terceiro ponto, as alianças estratégicas da Noruega. E, como sempre, as questões ligadas ao funcionamento da ONU. 

 

publicado por victorangelo às 09:37
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