Portugal é grande quando abre horizontes

17
Fev 17

O deputado é um insensato radical. Felizmente, a direcção do seu partido, o PS, veio pô-lo nos eixos. E o rapaz teve que dar o dito por não dito. E ele tem muito jeito para trocar os pés pelas mãos.

Para já, tudo bem.

Ou quase, pois esse radical do verbo continua a participar activamente e de modo regular em debates televisivos. Ou seja, tem uma plataforma adicional, para além da Assembleia da República. Quem o convida e lhe paga para que apareça todas as semanas num programa emitido por um canal de cabo, pratica uma política editorial com a qual não concordo.

Não há problema em dar tempo de antena a esse tipo de tresloucados políticos. Mas há, sim, quando isso é feito com o vedetismo que um programa semanal de debates lhes proporciona. 

publicado por victorangelo às 20:19
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12
Fev 17

A minha neta disse-me, à hora do almoço, que tinha passado a noite sem dormir e a manhã deste domingo muito angustiada. A razão: tentara repetidamente bocejar, sem o conseguir. Disse-lhe, então, que a tentaria ajudar. E assim foi, o que lhe abriu o apetite e deixou a preocupação com os bocejos para trás.

Não lhe expliquei, no entanto, donde vinha a minha perícia em bocejos. Para quê dizer-lhe que a adquiri a ouvir discursos políticos de gente sem chama, ao ler textos de opinião nos jornais, escritos por uns fulanos especializados na pretensa ciência dos ecos palavrosos, ou nas inumeráveis reuniões intergovernamentais que o meu trabalho na ONU me obrigou a assistir?

Os intermináveis telejornais das televisões portuguesas também são uma excelente fonte de bocejos. Mas como eu tenho outras oportunidades de me enfadar, dispenso ver tais programas.

 

publicado por victorangelo às 20:40
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03
Jan 16

Dizem-me que em Portugal o ano político começou com os debates televisivos entre os diferentes candidatos à presidência da República. Com as eleições à porta, não é de estranhar. Há que dar uma oportunidade a todos. Sobretudo porque os debates têm o condão de revelar a personalidade de quem neles participa. Ajudam também a compreender as intenções de cada candidato, mesmo quando alguns, mais hábeis e mais experientes nestas coisas das televisões, as procuram esconder.

Mas uma coisa parece certa. Os candidatos com mais hipóteses não podem cometer “gaffes” durante as discussões. Uma boa parte dos eleitores que olham para os debates já sabe mais ou menos em quem vai votar. Mas o candidato pode perder esse voto se disser barbaridades ou se projectar uma imagem passiva e pouca combativa.

Assim se compreende a postura do candidato que tem mais hipóteses de ganhar as eleições: não fazer ondas, não entrar em polémicas, não se enervar nem perder as estribeiras, dar a entender que tem uma atitude política abrangente, e ir dizendo umas coisas, para evitar ser acusado de não querer ir à discussão. E a verdade é que isso pega e que o homem tem, neste momento, todas as hipóteses. Sabe, no entanto, que tem que ganhar na primeira volta. Ir à segunda seria um risco enorme.

 

 

publicado por victorangelo às 20:30
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10
Set 15

Cheguei a Riga já depois do fim do famoso debate nas televisões portuguesas. Mas, pelo que tenho ouvido, parece que António Costa passou melhor este importante teste. E acrescento que assim não poderia deixar de ser. Jogava ao ataque, não tinha contas de governação recente para prestar e à sua frente estava um oponente que não percebe o impacto nefasto das lengalengas, das explicações intermináveis que nada esclarecem. As pessoas querem respostas directas e claras. É assim que se faz política nos dias de hoje. Grandes conversas não levam água a nenhum moinho, não convencem. Nem dão a impressão de sinceridade. Só servem para aumentar a desconfiança e os anticorpos.

 

publicado por victorangelo às 20:12
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01
Set 15

Nos cafés das vilórias do Alentejo há sempre um ecrã de televisão ligado. Está sintonizado, de um modo geral, para o canal por cabo do Correio da Manhã (CMTV). É uma maneira de atrair os poucos possíveis clientes que ainda existem por essas terras. Trata-se de um canal que, por ser pago, não está disponível nos lares da maioria dos habitantes. Mas é um canal muito procurado e capaz de influenciar muita gente. A leitura que fica sobre a realidade do país é, em grande medida, influenciada pela CMTV.


Por vezes, à noite, há uma outra vida nas televisões desses cafés. São momentos em que impera a TV Sport, outro canal pago, e o futebol é rei.

publicado por victorangelo às 21:33
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19
Jul 15

Depois de ouvir umas banalidades sobre política externa, num programa de domingo que tem uma grande audiência, fiquei a pensar que há por aí uns sapateiros que gostam de ir além do chinelo. Esses mestres sabem das intrigas da política interna portuguesa. Quanto ao mundo exterior, andam, tantas vezes, pela rama das coisas. E inventam umas teorias conspirativas, para convencer o povo que estão dentro dos segredos dos deuses.

Um dos comentários era sobre o acordo nuclear que acaba de ser assinado com o Irão e que deverá ser aprovado amanhã, no Conselho de Segurança da ONU. Um acordo bastante complexo, que tem várias facetas e outras tantas maneiras de ser visto. Mas, no fundo, um bom acordo, que demorou nove anos a ser negociado.

Uma das provas da importância do acordo reside na maneira como foi recebido pelas organizações iranianas dos direitos humanos e pelas principais associações da sociedade civil. Trata-se, em ambos os casos, de organizações que são sistematicamente perseguidas pelo regime de Teerão. Essas ONGs receberam a notícia do entendimento nuclear com grande entusiasmo. Têm dito e repetido que o acordo abre espaço aos que lutam pela democracia e pela modernidade no Irão.

Seria um erro não ter em conta essas opiniões. Como é lamentável que isto não seja referido quando as nossas estrelas do comentário político andam aos pulinhos por assuntos tão sensíveis e centrais como este.

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:54
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17
Jul 15

Fora dos meses de Estio, a minha vida não me permite ver os canais de televisão portugueses. Tal só é normalmente possível a partir de finais de junho de cada ano.

Estamos, pois, na altura em que espreito umas coisas nos nossos ecrãs.

E chego facilmente a uma conclusão: os patrões dos programas televisivos portuguese tratam os portugueses como sendo burros.

Nos canais generalistas, o nível da programação é meramente imbecil. E nos canais sujeitos a pagamento, os chamados de cabo, ou se fala horas a fio de futebol, no sentido mais rasca deste desporto, ou então aparece uma sucessão de comentadores, uns mais exaltados do que os outros, mas tudo da mesma estirpe intelectual, ou seja, um conjunto e uma séria de fala-baratos a repetir as mesmas coisas e os lugares comuns habituais, sem qual sombra de profundidade, de ponderação, enfim, uns analistas que não passariam nenhum teste de habilidade numa maneira mais séria de encarar a opinião pública.

Por isso, espreito apenas. E desligo poucos minutos depois.

 

publicado por victorangelo às 13:01
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03
Out 14

Ontem – uma vez não é costume – consegui seguir o programa televisivo “A Quadratura do Círculo” durante uma quinzena de minutos. Achei esta edição, a da semana em curso, rica de ideias repetidas e superficiais.

Um dos participantes sorri e não se compromete. Nada acrescenta, para além de umas frases genéricas, que se ouvem por muitas bandas. É um príncipe das banalidades. Um outro, amargurado que parece estar, vai exprimindo, ao que parece de modo repetitivo, semana após semana, o rancor que lhe vai na alma. Pouco acrescenta para além disso. Parece ter entrado numa fase de preguiça intelectual. O terceiro tenta justificar o governo, uma tarefa que nem o governo sabe fazer, e as ações que são uma trapalhada. Acaba, por isso, muito atrapalhado, incapaz de completar as frases. Sorri, como o primeiro, mas por saber que a vida lhe está a correr bem, pois tem os contactos que dão contratos.

Dizem-me que este é dos bons programas televisivos de debate político. Por favor. Tenham peso e medida. Este é mais um programa que mostra a pobreza do pensamento político em Portugal. Bem como o seu carácter aldeão. O mundo destes comentadores não consegue romper nem com o círculo nem resolver a quadratura das ideias sem visão, das ideias que não conhecem mais do que as nossas próprias limitações. É um círculo de compadres.

publicado por victorangelo às 22:25
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15
Jul 14

Ver Marcelo Rebelo de Sousa no seu programa semanal de ontem na TVI, uma coisa que eu não fazia há muito tempo, foi um descalabro. O professor está em nítida perda de velocidade e argúcia intelectual. O que diz é crescentemente superficial, o comentário pela rama, para agradar a um vasto círculo de possíveis apoiantes. Só que o círculo é indefinido e as opiniões são cada vez mais corriqueiras e assentes em análise de joelho e de palpite.

 

Faz pena ver Marcelo a descarrilar assim. Talvez seja tempo para pensar noutras actividades, na reforma, nos netos, sei lá em quê...

 

Por outro lado, o jornalista que o entrevistou, nem vale a pena lembrar o nome, foi uma lástima. Esteve perdido durante a conversa. Mal conseguia articular uma frase. Devia estar ali por engano e para fazer um frete.

publicado por victorangelo às 12:56
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22
Dez 13

Nesta época do ano parece ser de mau gosto falar de política. Mas a verdade é que em Portugal, as elites não falam de outra coisa. Será uma obsessão, ou falta de imaginação ou apenas por considerarem que parar no pino do Inverno é uma traição à luta? 

 

Quem me pode esclarecer?

 

Entretanto, resolvi não ligar aos comentadores televisivos por uns dias. É uma espécie de higiene mental, aproveitando a quadra natalícia…Mas tive logo o azar, depois disso, de ver um mini-vídeo em que aparece aquele fulano que comenta aos Sábados a dizer que a solução é agora um novo aumento do IVA para 24%. Uma coisa temporária, acrescenta, como se não soubesse que em matéria de impostos o que é aprovado como temporário tende a ficar para a eternidade.

 

Como certos políticos, que de tão eternos que são até já fartam…

 

Se ao menos fossem como o Menino Jesus e só aparecessem uma vez por ano, na quadra própria…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:12
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