Portugal é grande quando abre horizontes

24
Fev 17

Sou dos que advogam que este é o ano do aclaramento no que respeito ao futuro da UE.

As pressões internas e externas são agora imensas. Os riscos maiores do que nunca. O projecto europeu precisa de se focalizar no que é importante e mobilizar as energias das instituições e das organizações da sociedade civil para que se atinjam os objectivos que deveras contam. Esses objectivos passam por um reforço da coesão política, por uma maior integração económica, pela desburocratização e o consequente aliviar das cargas fiscais, pela luta contra o nativismo e a xenofobia, pela solidariedade social inteligente, pela defesa e a segurança comuns. E, acima de tudo, por uma definição muito clara dos valores humanistas que partilhamos, que fazem da nossa parte do mundo um exemplo de liberdade e de respeito pelos direitos das pessoas, e pela construção de uma identidade europeia que possa ser uma bandeira de cidadania.

Nem todos os países membros estarão dispostos a avançar no sentido de uma unidade aprofundada. É, por isso, fundamental que se diga que a construção do futuro europeu se deverá fazer por círculos. Serão círculos concêntricos, na medida em que haverá sempre um conjunto de princípios que será partilhado por todos. Mas, a partir daí, desenhar-se-ão outros círculos, que abrangerão apenas uma parte dos estados membros. Cada estado inserir-se-á no círculo que melhor entender, tendo em conta as suas circunstâncias nacionais.

Não é uma Europa a “duas velocidades”, como por aí se diz. Não vamos todos na mesma direcção. É uma visão diferente de aspectos importantes do projecto. Muitas das dimensões dessas visões nunca serão partilhadas pela totalidade dos estados membros. Por isso, não se trata de avançar a uma velocidade diferente. É, isso sim, um nível de ambição distinto.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 17:04
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27
Jan 17

Deixo aqui o link para o meu programa desta semana na Rádio TDM de Macau, feito em colaboração, como sempre, com Rui Flores, uma das estrelas do comentário internacional nesse território da China.

Magazine Europa (24 de Janeiro de 2017)

publicado por victorangelo às 17:23
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11
Jan 17

Creio existir um certo cansaço perante o debate oco e barulhento que tem ocorrido à volta da questão do Brexit.

Reconheço, por outro lado, que o apoio popular ao projecto europeu cresceu depois da decisão britânica. Hoje, segundo os dados mais recentes de que disponho – provenientes da Fundação alemã Bertelsmann – cerca de 62% dos europeus são marcadamente favoráveis à continuação do seu próprio país na UE. Apenas 26% dos cidadãos da Europa afirmam ser partidários da saída.

A oposição à UE é, no entanto, particularmente forte na Itália. Mais de 40% dos italianos pensam que a saída seria a melhor solução. Esta percentagem explica a força que os partidos antieuropeus têm nesse país. Para quem acredita no futuro comum da Europa, a situação italiana é um motivo de preocupação muito sério.

 

publicado por victorangelo às 22:04
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04
Jan 17

2017: Fazer renascer a esperança

Victor Ângelo

 

Esta é altura do ano ideal para quem vende bolas de cristal. Os políticos, os cronistas, os opinantes de diversos tamanhos, credos e feitios, e mesmo o meu amigo João, que é um doente obsessivo das redes sociais, andam todos a prever as desgraças do novo ano. E o mais interessante é que parece que adquiriram as suas bolas de cristal no mesmo fornecedor, talvez um ousado empreendedor asiático, com loja na zona do Martim Moniz em Lisboa.

Assim, quando olho para a Europa na perspetiva de 2017, sinto que faço parte do clube. Só que a minha bola é outra. Não diz respeito a previsões, mas sim ao que deve ser o foco da política europeia no ano que agora começa. E a resposta é clara: a prioridade absoluta deve ser a de combater a extrema-direita, nas suas diversas manifestações populistas e ultranacionalistas. As demagogias têm vários matizes, nos diferentes Estados da UE. Mas o verdadeiro perigo vem dos extremistas de direita, das novas manifestações de fascismo que se organizaram em movimentos políticos, em países importantes para o futuro da Europa. A luta política em 2017 tem que se concentrar na denúncia desses partidos e dos que ingénua ou propositadamente lhes fazem a cama.

Em França, significa contribuir para a derrota das ambições presidenciais de Marine Le Pen. É na França que encontramos o maior risco e é aí que se deve concentrar uma boa parte do combate político. Nos Países Baixos, trata-se de impedir que o racista Geert Wilders, que irá provavelmente ficar à frente nas eleições legislativas de Março, venha a fazer parte da próxima coligação governamental na Haia. Na Itália, a coisa é mais complicada. Na realidade, o primeiro passo consiste em impossibilitar a vitória eleitoral do Movimento 5 Estrelas. Se isso acontecesse, e como certamente se trataria de uma vitória parcial, insuficiente para que formassem governo sem outros apoios, esses confusos básicos teriam que procurar um acordo com gente próxima, o que significaria muito presumivelmente os fascistas agrupados em torno da Liga Norte. Uma aliança desse género representaria, para além das convulsões internas italianas, uma ameaça muito séria para a estabilidade da UE.

Mais ainda, não convém esquecer o que se passa na Polónia e na Hungria. Os governos destes países são manifestamente de tendência ultraconservadora e perigosamente autoritários. Cabe à opinião pública europeia e às instituições comuns apoiar a luta da maioria da população polaca, que se opõe às medidas reacionárias e liberticidas da minoria no poder em Varsóvia. Como também não podemos baixar os braços perante as derivas xenófobas de Viktor Orbán, o homem forte em Budapeste. Orbán é um mau exemplo, que precisa de ser isolado. E não se trata apenas do seu impacto negativo no funcionamento das instituições e na implementação dos valores europeus. O líder húngaro representa, igualmente, uma ameaça para as relações de boa vizinhança numa parte da Europa que continua a manifestar várias fragilidades sociais e económicas.

A extrema-direita europeia pesca nas águas poluídas pelas verborreias contra a Europa, os imigrantes, as elites de todo o tipo e a falada corrupção dos políticos tradicionais. Alimenta-se da insegurança e dos sentimentos de injustiça, desigualdade e desânimo dos cidadãos e da exaltação simplista e distorcida da história de cada povo. É perita em criar ódios, inimigos e papões, contra os quais haverá, em seguida, que mobilizar as forças patrióticas da nação. É a artimanha que consiste em inventar um inimigo e depois concentrar todo o fogo na sua destruição. Neste momento, o euro, Jean-Claude Juncker e o islão servem bem esse estratagema e são os ogres a abater.

Por comparação, os populistas da extrema-esquerda são uns meros meninos de coro. Na maioria dos casos, não vale a pena perder tempo com eles em 2017. Todavia, há que estar atento. A sua agenda tem pontos que coincidem com os dos fascistas. E nessa altura, há que ser franco e chamar as coisas pelos nomes. Sem hesitações, sem medos, com argúcia e uma agenda que crie esperança no futuro. Na verdade, na Europa de 2017 estão em causa a democracia e a prosperidade de todos nós.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 17:47
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17
Nov 16

O Presidente do Conselho Europeu deveria ter sido convidado, mas não foi!

Barack Obama almoça amanhã com os líderes que estão no poder na Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália e Espanha. Acho positivo.

Mas, não chega. Falta Donald Tusk. Este nosso Donald representa a UE. A sua presença, para além de reforçar a sua posição face aos reaccionários que estão no governo da Polónia, faria chegar, a vários destinos, uma mensagem forte sobre o projecto comum. E nós precisamos desse tipo de mensagens e de simbolismos.

É de lamentar que os chefes de Estado e de governo convidados – com excepção de Theresa May, é claro – não tenham levantado a questão do convite a Tusk. Esses líderes andam sempre a perder oportunidades de mostrar uns laivos de perspicácia.

publicado por victorangelo às 18:16
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10
Nov 16

No que respeita às negociações sobre o Brexit, Theresa May encontrou um novo aliado: Donald Trump. Será um aliado de muito peso. Irá certamente fazer pressão sobre os europeus, de modo a que as condições do relacionamento futuro da Grã-Bretanha com a UE sejam bastante favoráveis aos interesses de Londres.

 

publicado por victorangelo às 21:22
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30
Set 16

A multa que o governo norte-americano quer aplicar ao Deutsche Bank foi hoje substancialmente reduzida. Passou de 14 mil milhões para 5,4 mil milhões de dólares. É ainda um valor considerável. Trata-se, no entanto, de um montante que já não põe em causa a solidez e o futuro do banco alemão, que tem, aliás, uma grande presença internacional. É uma boa notícia.

Na verdade, tem havido pressão, deste e do outro lado do Atlântico, para fazer parar a “guerra das multas”. Temos estado numa espiral muito perigosa, com Washington e Bruxelas comprometidos numa corrida tresloucada para ver quem aplica as multas mais altas e a mais empresas. Nós aplicamos às deles e eles castigam as nossas.

O argumento, que também tenho publicamente defendido, é que tudo isto mostra uma grande falta de sensatez. Pode mesmo pôr em causa, se a loucura continuar, a sobrevivência de grandes empresas, que empregam, de um lado e do outro do oceano, milhares de pessoas. Mostra igualmente que os nossos políticos andam distraídos, e não estão a dar a devida atenção a uma matéria que é de primordial interesse.

Estas disputas resolvem-se por meio de arbitragens e de negociações políticas. Sobretudo entre áreas económicas que são aliadas em muitas matérias que contam.

 

publicado por victorangelo às 20:39
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31
Ago 16

Um dos líderes mais importantes do grupo terrorista “Estado Islâmico” foi morto perto de Alepo, na Síria. Foi um tiro de precisão, disparado por um drone militar americano. Por detrás deste tiro, deve reconhecer-se que existe toda uma máquina de guerra que não tem paralelo no mundo. Nomeadamente, quando se trata da selecção, da recolha de informações em território hostil, do seguimento e da acção contra alvos muito precisos, como foi agora o caso. Chama-se a isso “targetting”. E essa é uma das deficiências que encontramos nas forças armadas europeias, que não têm uma capacidade equivalente. E é isso que eu não me canso de lembrar aos que na UE falam da criação de uma organização comum de defesa. Há muitas coisas que poderíamos por em comum, em matéria de defesa, é verdade. Mas isso não implica a criação de uma estrutura militar paralela à NATO, uma estrutura que do ponto de vista operacional teria esta e muitas outras lacunas.

 

publicado por victorangelo às 21:08
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23
Jul 16

É triste, e faz pensar nas voltas que a vida dá, ver um dos nossos intelectuais mais proeminentes escrever num diário de referência uma longa e confusa arenga sobre a Europa. Além de vários erros de raciocínio, que serão provavelmente o resultado das suas frustrações pessoais e da obsessão doentia em que vive, e de afirmações gratuitas e erróneas, a nossa estrela chama ao barulho outros estados exteriores à UE, fala nos seus erros e depois passa as culpas à Europa. 

Não sei se ainda há por aí muita gente que lhe preste atenção. Mas até é capaz de haver e isso não ajuda nada, numa altura em que conviria aclarar as coisas e reconhecer valor onde esse existe. Estes são tempos que exigem atitudes positivas e críticas construtivas. Não são tempos para deixar as nossas raivas e ódios de estimação à solta, entregues a um projecto de demolição. 

É com conversas dessas que se vai destruindo a credibilidade das instituições e se prepara o período de convulsões que se poderá seguir.

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:37
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24
Jun 16

Este foi um dia completamente desestabilizado pelo resultado do referendo britânico sobre a Europa. E muito se disse e escreveu sobre o assunto. Mas o fundamental é preparar o futuro.

No caso da UE, isso que dizer duas coisas.

Primeiro, definir claramente a posição europeia face às negociações de separação. Há que ser claro e ter bem em conta os interesses dos estados membros bem como a necessidade de mostrar firmeza durante todo o processo negocial. Ou seja, é preciso que haja realismo e uma excelente visão política do que está em jogo. O outro lado vai tentar extrair o máximo de vantagens da UE. Cabe à União fazer o mesmo.

Em segundo lugar, este é o momento de pensar a sério na questão do apoio cidadão ao projecto europeu. A responsabilidade cabe às instituições europeias e igualmente aos governos nacionais. É, aliás, a altura de pôr um ponto final à prática do bode expiatório. Ou seja, à maneira actual de fazer política nalguns dos países da União, onde se tornou hábito de culpabilizar Bruxelas por tudo o que não está a correr de feição. Quando esse tipo de acusações for feito, haverá que ter a coragem de as denunciar.

 

publicado por victorangelo às 21:25
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