Portugal é grande quando abre horizontes

29
Abr 17

Mantemos uma visão eurocêntrica sobre a organização política que outros Estados praticam. É um velho hábito. E as instituições europeias adoptaram-no como seu. Por isso, todos os anos emitem relatórios sobre a vida política e social de outros países. Trata-se de comentários críticos, que utilizam a experiência europeia como bitola.

É verdade que os EUA também o fazem. Deste modo, a prática seguida por Bruxelas é ainda mais difícil de atacar. Se o irmão grande o faz, por que razão o mais pequeno não o pode copiar?

Estamos, todavia, perante um procedimento discutível. No meu entender, precisa de ser revisto.

A razão de ser e os objectivos dessas análises políticas necessitam de ser claramente definidos. De um modo geral, esses relatórios devem contribuir para o aprofundamento das relações entre a UE e o resto do mundo, na base dos princípios e normas aceites pelas Nações Unidas. Deverão, ainda, permitir uma melhor compreensão e um escrutínio da agenda que está a guiar as instituições europeias nas suas relações bilaterais.

O que não podem ser é claro: uma ingerência nos assuntos internos de outros países. Assim, se houver críticas que se justifiquem, haverá que as ancorar nas convenções internacionais e nos tratados. Por outro lado, as críticas devem ser acompanhadas por uma explanação da posição da parte contrária.

A Europa não pode ter como ambição ser a ajudante do polícia do mundo. Ganhará, sim, se as suas posições fizerem avançar o diálogo político internacional e o respeito pelos direitos humanos de cada cidadão do planeta.

publicado por victorangelo às 08:39
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21
Abr 17

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) deu um parecer negativo sobre o projecto de lei relativo ao acesso a dados de tráfego de localização e outros dados provenientes das telecomunicações dos cidadãos.

Priva, assim, os nossos serviços de informações de um instrumento de trabalho de investigação que se tem revelado particularmente importante, noutros países do nosso espaço europeu, no combate ao terrorismo.

Uma vez mais, Portugal surge perante os parceiros exteriores, como o elo fraco em matéria de informações de segurança.

A CNPD tem uma sensibilidade “democrática” que não entendo. Parece estar congelada no tempo, há trinta ou quarenta anos atrás.

publicado por victorangelo às 17:46
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19
Abr 17

Esta semana, o meu comentário na Rádio Macau aborda três questões:

- O referendo na Turquia e o facto que Erdogan levou o país para o espaço geopolítico de confusão que define o Médio Oriente; a Turquia está cada vez mais longe da Europa e dos nossos valores essenciais.

- A Hungria e Viktor Orbán; um regime político que não respeita os valores europeus, que constam no Artigo 2 do Tratado da União Europeia e que deveria ser sancionada com base no Artigo 7 do mesmo Tratado.

- O Sul da Europa, como grupo geopolítico próprio dentro da UE.

O link para o programa da semana é o seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=8569

publicado por victorangelo às 14:25
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16
Abr 17

O Presidente Erdogan passou os últimos meses a fazer campanha pelo “sim”. Como se a liderança da Turquia se limitasse a um exercício referendário, ainda por cima de legitimidade duvidosa. Foi uma campanha que ficou marcada pela intimidação de todos os que se opunham à reforma constitucional que propunha e que daria, quando aprovada, um poder quase absoluto ao presidente da república da Turquia. De tal modo foi a pressão que a comunicação social, com excepção de alguns casos raros e extremamente corajosos, não viu outra saída senão apoiar cegamente as instruções vindas do poder.

Seria de esperar, num clima quase totalitário como o que o país tem estado a viver, uma vitória sem espinhas do “sim”. Ora, os resultados do referendo dão a Erdogan uma vitória por uma unha negra. Em condições mais democráticas, teria perdido.

Depois de apostar forte e feio em ameaças e abuso de poder, conseguiu finalmente impor a sua pessoa e dividir ainda mais – e de modo profundo – a Turquia.

Nada disto augura tempos tranquilos.

publicado por victorangelo às 20:34
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11
Abr 17

No Magazine Europa desta semana, difundido às terças-feiras pela Rádio Macau, os meus comentários são sobre a Grécia e as suas relações com o Eurogrupo, no quadro das negociações um terceiro resgate; depois, trata-se de fazer o ponto da situação sobre o Brexit, agora que as regras e os contornos, do lado europeu, ficaram mais claros; finalmente, debruço-me, sem cair na repetição do que por aí se diz, sobre o impacto que os 59 Tomahawks de Donald Trump estão a ter no relacionamento da UE com os EUA e a Rússia.

O link para a edição de hoje é o seguinte:

 goo.gl/aLUN5e

publicado por victorangelo às 14:44
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06
Abr 17

http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_victorangelo/2017-04-06-Inquietacoes-francesas

Este é o link para o texto que acabo de publicar na Visão on line.

E fica igualmente a preocupação que certos círculos europeus partilham - e com toda a razão - no que respeita à eleição presidencial francesa.

François Hollande ficará na história francesa com uma nota fraca. Seria terrível se a essa nota se viesse juntar a impressão que a sua acção política teria aberto as portas do Eliseu à extrema-direita que Marine Le Pen encabeça.  

publicado por victorangelo às 20:01
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26
Mar 17

Quem advoga a saída de Portugal da zona euro terá as suas razões.

Algumas estarão relacionadas com o oportunismo político, com o acreditar que uma posição desse tipo pode dar votos.

Outras, terão fundamentos ideológicos, ou seja, reflectem uma maneira de ver que pinta a UE como um espaço de capitalismo selvagem e de imperialismo político, uma construção diabólica que haverá que desmantelar. São os aliados “objectivos” de Putin e de todos os que querem destruir a unidade europeia. Não se percebe bem que modelo económico preconizam. Não será certamente o da Venezuela ou da Coreia do Norte. Nem mesmo o da China, ultraliberal que é, do ponto de vista económico. Deve ser, isso sim, o modelo da autossuficiência do Tio Manel, que vive das couves, batatas e nabos que planta e da galinha que esgaravata no quintal das suas penas perdidas.

A esses juntam-se os nostálgicos do escudo, nacionalistas de memória curta e inteligência estreita, que imaginam uma independência económica que nada tem que ver com as relações comerciais e financeiras de agora. Idealizam um passado que foi, na realidade, um passado de muita miséria.

E temos ainda mais uma mão cheia de tolos, que não sendo o sal da vida, dão cor à política portuguesa.

A nossa saída do euro, com a economia que temos, muito virada para o exterior e marcadamente dependente de toda uma série de importações, incluindo de bens alimentares, levar-nos-ia em pouco tempo a uma situação de escassez de produtos, de perda do poder de compra e de agravamento da precariedade social. Secariam, igualmente, as fontes dos investimentos estrangeiros e as remessas dos nossos emigrantes.

Felizmente, uma maioria muito vasta de portugueses entende isso. E por isso, quer continuar a ter o euro como moeda. Somos, afinal, um povo com muito juízo.

 

publicado por victorangelo às 20:09
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25
Mar 17

A Declaração de Roma foi aprovada hoje, como maneira de celebrar os 60 anos da UE.

Trata-se de um manifesto bastante razoável.

Estas declarações são sempre complicadas, na medida em que devem reflectir as preocupações de 27 governos. O que agora foi aprovado, e assinado por todos, mostra que os estados-membros deram a prioridade à questão da harmonia. Reconheceram a importância da coerência de objectivos, da unidade e de uma direcção comum.

Só isso já seria um ponto muito positivo. Mas a declaração vai mais longe. Define quatro áreas de focalização – a segurança, a prosperidade, o domínio social e acção externa. E aponta claramente no sentido do aprofundamento da integração europeia.

Foi uma boa maneira de celebrar a efeméride. E serve igualmente como roteiro para os próximos tempos.

A não ser que os extremistas ultranacionalistas venham a fazer das suas e ganhar certas eleições que se avizinham.

publicado por victorangelo às 20:49
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24
Mar 17

Não podemos passar o tempo a dizer que somos pelo aprofundamento da União Económica e Monetária e, ao mesmo tempo, gritar na praça pública, com a indignação que dá votos, que os bancos “portugueses” estão a ser comprados pelos espanhóis. Das duas, uma! Ou então, os políticos que temos pensam que somos todos atrasados da cachimónia.

publicado por victorangelo às 20:42
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22
Mar 17

Publico hoje na Visão on line uma reflexão sobre os sessenta anos da UE. O texto procura abordar esta questão, que é bem complexa, pela positiva. Para bater no projecto comum já por aí há gente que chegue.

O link é o seguinte:

goo.gl/h71KXm

publicado por victorangelo às 19:56
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