Portugal é grande quando abre horizontes

22
Abr 17

Filipe tem pouco mais de trinta anos, mas já vive na Suíça há cerca de doze. É condutor numa empresa. A sua mulher, também de nacionalidade portuguesa, trabalha numa casa de repouso para a terceira idade, como técnica especializada em geriatria. Vivem bem.

Por razões profissionais, sempre que vou à Suíça estou com o Filipe. E pergunto-lhe como vai a presença portuguesa nas terras helvéticas. A resposta, nos últimos anos, tem sido sempre a mesma. Filipe não gosta de ver chegar à Suíça novos imigrantes, e isso também se aplica aos que vêm de Portugal. É a favor de uma política mais apertada, que torne a imigração mais difícil e leve a uma diminuição das novas entradas. Na realidade, vê em cada imigrante que vá aparecendo um competidor, alguém disposto a trabalhar por um salário mais baixo e que poderá pôr em causa o seu emprego ou pelo menos, o seu nível de vida.

Se pudesse votar, o seu apoio iria para o partido nacionalista suíço, gente que se opõe à entrada de novos trabalhadores estrangeiros, mesmo quando provenientes de países da UE. Isto apesar do acordo que existe entre a Confederação Helvética e a UE sobre a livre circulação das pessoas.

Em França há muito português que pensa como o Filipe. Um bom número desses lusitanos já tem a nacionalidade francesa. Irão votar, amanhã. Sabe-se que muitos apoiam Marine Le Pen. Votam, sem hesitações, pelo partido da xenofobia, eles que ostentam nomes de família que são obviamente de fora, sem raízes gaulesas. Mas votam contra a onda que poderá vir a seguir. E que estará disposta a trabalhar em condições que os portugueses da primeira geração conheceram em França, anos atrás.

 

 

publicado por victorangelo às 20:11
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14
Fev 17

Ontem decidi lavar o carro. Não por ser véspera do Dia dos Namorados, mas porque a viatura estava mesmo a precisar, sobretudo depois de uma viagem ao campo, numa tarde de mau tempo.

Dei várias voltas às zonas da grande cidade que me são vizinhas. Estava tudo cheio e com filas de espera. Farto de tentar arranjar vaga nas estações de trabalho manual, acabei por ir direito à lavagem mecânica. Também aí havia bicha, mas a coisa andava mais depressa.

Fiquei à espera e a lembrar-me que se diz por aí que os homens de uma certa idade prestam mais atenção às suas viaturas do que às suas esposas. Acabei por me convencer que talvez assim fosse. Mesmo numa véspera como a de ontem. Mas ao chegar a minha vez, o empregado da geringonça lavadoura deixou-me na dúvida. Dúvidas, sempre dúvidas. Segundo ele, quando o sol aparece em Bruxelas, é mesmo assim. As pessoas lembram-se que é altura de ir à lavagem. E entopem o mercado, que já por si tem pouca oferta, que isto de esfregar chapa é coisa de imigrantes, no fim da escala.

E fica tudo a brilhar, por uns dias, enquanto se espera pela chuva e pelos traços da poluição ambiente.

publicado por victorangelo às 16:42
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12
Fev 17

A minha neta disse-me, à hora do almoço, que tinha passado a noite sem dormir e a manhã deste domingo muito angustiada. A razão: tentara repetidamente bocejar, sem o conseguir. Disse-lhe, então, que a tentaria ajudar. E assim foi, o que lhe abriu o apetite e deixou a preocupação com os bocejos para trás.

Não lhe expliquei, no entanto, donde vinha a minha perícia em bocejos. Para quê dizer-lhe que a adquiri a ouvir discursos políticos de gente sem chama, ao ler textos de opinião nos jornais, escritos por uns fulanos especializados na pretensa ciência dos ecos palavrosos, ou nas inumeráveis reuniões intergovernamentais que o meu trabalho na ONU me obrigou a assistir?

Os intermináveis telejornais das televisões portuguesas também são uma excelente fonte de bocejos. Mas como eu tenho outras oportunidades de me enfadar, dispenso ver tais programas.

 

publicado por victorangelo às 20:40
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07
Jan 17

Hoje a escrita tem que ser de homenagem a Mário Soares. Foi certamente um homem grande na história recente de Portugal. Um lutador pela liberdade. Nesta altura, é isso que deve ser sublinhado.      

 

publicado por victorangelo às 19:50
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19
Dez 16

Embora ande pelo partido há muitos, bons e maus, anos, o meu amigo Fernando não gosta de Passos Coelho. E acha que está na altura de o mostrar publicamente. É uma espécie de aposta no futuro, ou seja, em 2017 ou no ano seguinte. Está convencido que o dirigente actual não se irá aguentar nas canetas por muito mais tempo. Por isso, abrir a boca em público, agora, pode ser um bom investimento junto do senhor que se seguirá. Mesmo que não se saiba quem será esse tal senhor.

E fala bem, o Fernando. Explica que há um défice de direcção, que a liderança perdeu o norte, que não há ideias nem projectos. Tudo muito bem dito, com as palavras certas e os jornalistas a beberem nessa fonte.

Só se esqueceu de acrescentar que não vai à bola com o Passos porque este o não incluiu, contra todas as expectativas e mais algumas, na lista de deputados há cinco anos atrás. E essa é, na verdade, uma razão de fundo. Tão funda, que é inconfessável.

publicado por victorangelo às 20:50
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03
Dez 16

Defendo que a noção de soberania, no contexto da Europa de 2017, não pode ser igual à que existia em 1945, após uma grande guerra entre as nações do nosso Continente. Estes conceitos evoluem com a história e ganham conteúdos e sensibilidades diferentes.

Nacionalismo não significará agora o significava há setenta ou oitenta anos.

Hoje é preciso ter uma visão muito mais aberta, que tenha em conta os interesses comuns e partilhados. Um entendimento estreito da nossa política externa, ou de defesa, segurança interna ou justiça não faz sentido. No presente, a nação ganha projeção quando consegue integrar as suas ambições nessas e nas outras áreas de soberania num sistema comum, que a todos sirva.

Isto não quer dizer que não defenda os seus interesses e as vantagens dos seus cidadãos. Quer dizer, isso sim, que esses interesses ficarão melhor servidos quando aliados aos interesses dos que connosco partilham o mesmo espaço geopolítico e os mesmos valores que definem a nossa cidadania, os nossos direitos e as nossas liberdades.

Quem vê a política de agora com os olhos de outrora só pode concluir que a Europa, enquanto ambição política, não faz sentido. Temos muito disso por aí. São, na realidade, os defensores de uma interpretação retrógrada da história. E sentem-se reconfortados pelo facto de muitos de nós, no nosso quotidiano, nos movermos apenas em redor do campanário que define o horizonte diário das nossas vidas. Como vivemos assim, não acreditamos nem imaginamos que haja necessidade de outros voos.

 

publicado por victorangelo às 16:41
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02
Dez 16

Estive ontem no almoço anual dos Antigos Alunos do Liceu Nacional de Évora. Foi a primeira vez que participei, cinquenta anos depois de haver terminado o antigo sétimo ano. Claro que achei que estavam todos um bocado mais velhos. Mas gostei de estar presente. Apesar da reunião ter posto à prova a realidade das minhas amizades “facebuquianas”. Um bom número dos presentes no almoço é meu no Facebook. Mas não se notou. A culpa terá sido minha, que não tive a presença de espírito de ir de mesa em mesa para me apresentar aos meus “amigos virtuais”. Tive, depois, muita pena.

 

publicado por victorangelo às 22:35
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09
Nov 16

Não terei muitas coisas em comum com o futuro presidente dos Estados Unidos. Mas, tal como ele, não gosto de perder. Quando tal acontece, não me lamento. Tiro as lições que se impõem, olho em frente e preparo-me para a próxima confrontação.

Só que a idade começa a não ajudar. Com o entrar dos anos que já são velhos, convém saber arrumar as botas com dignidade, elegância e a cabeça erguida. E passar a fazer parte do lado construtivo da história.

publicado por victorangelo às 20:39
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02
Nov 16

 

 

DSC00308.jpg

Copyright V. Angelo

 

Ainda há quem me oiça...

De resto, digo umas coisas e as pessoas não gostam...Quem vai a conferências e palestras quer apenas ouvir aquilo que já sabe, que confirmemos as suas ideias feitas.

Para isso, não contem comigo.

publicado por victorangelo às 20:33
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28
Out 16

Passei uma boa parte dos últimos dois meses a percorrer vários cantos do mundo. E também, em grande medida, a recuperar forças e rotinas, depois de cada uma dessas viagens.

Viajar altera as rotinas. Não permite tempo e vontade para que nos sentemos à mesa, ao fim do dia, e escrevamos apuradamente. Sobretudo quando os programas das visitas são intensos. Quando muito, tomam-se umas notas, registam-se umas observações, que depois serão postas de lado, uns tempos, à espera de oportunidade para serem exploradas.

Mas a viagens ajudam muito a abrir os olhos, se se vai com vontade de aprender e sem preconceitos caseiros. Mais ainda, no meu caso, continuam a ser verdadeiras lições de humildade. Mostram-me claramente que o mundo é maior do que eu e a minha rua.

publicado por victorangelo às 20:28
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