Portugal é grande quando abre horizontes

12
Dez 19
Aquele fulano que foi acusado de tentar furtar um perfurme numa das lojas francas do aeroporto de Lisboa e o deputado venturoso não serão certamente as personalidades do ano português. Mas que as suas peripécias animam um certo tipo de jornalismo, disso não tenhamos dúvidas. Lembram-nos, ainda, que nem tudo o que é público deve ser levado a sério.

Depois fiquei a pensar que talvez o perfume fosse para tirar o mau cheiro ao deputado.
publicado por victorangelo às 21:02

11
Dez 19
Esta é a altura do calendário em que a famosa revista Time anuncia a “Pessoa do Ano”. Uma escolha deste tipo é quase sempre polémica. Nestas coisas, agradar a gregos e a troianos seria simplesmente impossível. Uma escolha é uma decisão, que recai sobre um e exclui muitos outros. Mas o veredicto anual da Time é notícia grande e tem muito significado. A pessoa escolhida é sempre alguém que teve ao longo do ano um grande impacto, quer positivo quer negativo, ou ainda, um impacto que não deixou ninguém indiferente. Há, quase sempre, muito espaço para controvérsia.
Este ano a Time optou por Greta Thunberg. Em termos de influência, Greta mostrou claramente que a tem. Ela, mais do ninguém, marcou a agenda ambiental ao longo dos últimos 12 meses. E fê-lo com clareza e persistência, numa altura da vida – aos 16 anos de idade – em que as preocupações são, em regra geral, de outro tipo, como é aliás normal em pessoas tão jovens.
Greta transformou a sua tenra idade numa alavanca. Também, num sinal que nos faz pensar que as novas gerações vão produzir líderes muito determinados.
Numa outra perspectiva, que me parece igualmente importante, Greta Thunberg permitiu a todos os curtinhos da mioleira, reacionários e outras bestas ideologicamente puras, de direita e de esquerda, que por aí andam, sair da toca. Tem sido um revelar quotidiano, quer na comunicação social quer nas redes da internet, de todos os broncos que temos entre nós, incluindo nas nossas listas de “amigos virtuais”. Gente que olha para a jovem com olhos de demolir. Gente que se acha esperta demais para poder aceitar o fenómeno de massas que Greta representa. Pessoas que fazem do sarcasmo a sua maneira de estar na vida.
Não sei se a Time teve este aspecto em linha de conta, se pensou no que Greta provocou junto desses boçais. Eu tenho. Também por isso, acho a escolha feliz.
publicado por victorangelo às 20:46

08
Dez 19
O movimento “Convergência”, que agrega bloquistas descontentes com a maneira de actuar da direcção do Bloco de Esquerda, esteve reunido hoje em Lisboa. As intervenções ao longo do dia e as declarações partilhadas com a comunicação social, mostraram que existe uma enorme falta de democracia interna no seio desse partido. Ficámos a saber, coisa grave, que o programa eleitoral do Bloco não foi discutido pelos militantes. Foi apenas um trabalho de cúpula.
O autoritarismo no interior dos partidos políticos é uma das fraquezas do nosso sistema político. É, em grande medida, um mal geral.
Também não entendo a razão que leva os dirigentes dos partidos a não ter consciência de que uma maior participação interna é mobilizadora, dá outra dinâmica aos militantes e acaba por se traduzir num acréscimo de votos.
Na realidade, quando estamos no poleiro, por mais modesto que esse seja, temos tendência para copiar o que se passou aqui durante décadas, o quero, posso e mando.
publicado por victorangelo às 20:41

07
Dez 19

Ontem, a paisagem dos 70 anos de idade abriu-se à minha frente. À partida, o horizonte oferece os tons próprios desta estação da vida, com cores que são hoje mais vivas do que aquelas encontradas pelas gerações que nos precederam.

Recebi muitas mensagens, por todos os meios, de muitas pessoas amigas e conhecidas. A todos agradeço. Como agradeço muito especialmente ao casal de amigos que se deslocou propositadamente a Bruxelas, para poder passar umas horas comigo. E, claro, à família mais chegada.

Um dos meus “afilhados”, gente mais jovem que trabalhou em determinado momento da minha vida internacional comigo, mandou-me uma mensagem de Bujumbura, a capital do Burundi, o seu país de nacionalidade. Foi uma mensagem diferente, de um Africano jovem, com uma família ainda a crescer. A mensagem desejava-me, com todas as letras, “uma velhice feliz”. É o tradicional respeito pelos velhotes.

Fora isso, a luta continua, como diziam lá para os lados de Luanda.

publicado por victorangelo às 19:14

06
Dez 19

https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/victor-angelo/uma-estranha-festa-de-aniversario--11588995.html

Acima vos deixo o link para o texto de opinião que publico no Diário de Notícias. Nessa escrita, levanto algumas questões menos ortodoxas, no seguimento da celebração dos 70 anos da NATO.

Faço-o num estilo diferente do que me é habitual. Que acham dessa maneira de escrever? A preocupação foi a de não chover no molhado, de fugir ao que muitos dos outros dizem e repetem.

publicado por victorangelo às 09:44

04
Dez 19

Como vários dos meus amigos já sabem, 70 anos pesam. E num ou noutro caso, deixam-nos cheios de incertezas e ambiguidades. Por isso, senti uma certa simpatia pela maneira um pouco confusa como decorreram as celebrações do aniversário da NATO.

Ao reler notas passadas, a minha empatia com a confusão de agora aprofundou-se. Vejamos o caso da Turquia. As minhas notas lembram-me que em finais de 2015, numa reunião de altos comandos, os representantes do governo do Presidente Erdogan insistiam que a Rússia era um perigo maior. Parte dessa insistência explicava-se pela rivalidade que existia então entre a Turquia e a Rússia no Médio Oriente, nos países da região do Cáucaso e na Ásia Central. Ambos procuravam ganhar terreno e influência e viam o outro lado como o obstáculo maior. Hoje, nesta data de aniversário, a Turquia e a Rússia aparecem como parceiros, o que deixa muitos outros países da Aliança um pouco mais do que pasmados.

Mas estas coisas das Alianças são assim. Fazem-se, definem-se e evoluem ao sabor dos interesses de cada país influente. São fluídas, como o é a interpretação dos interesses nacionais de cada Estado. A única coisa que não muda é a ambição desmesurada pelo poder, que certos actores políticos escondem nas suas entranhas.

 

 

publicado por victorangelo às 20:45

03
Dez 19

Neste dia em que Greta Thunberg desembarcou em Lisboa, quero uma vez mais sublinhar o papel fundamental que esta jovem muito jovem tem desempenhado em termos de activismo sobre a crise climática. A sua mensagem é clara: senhores políticos, homens e mulheres, oiçam o que dizem os cientistas, assumam a urgência da questão e tomem medidas concretas, que estão ao alcance do vosso poder, enquanto governantes.

Saloios de vários tipos, e outros brincalhões com falta de senso, têm atacado a pessoa e a mensagem. Isso voltou a acontecer hoje, na ocasião da sua passagem por Lisboa. É gente que não está a perceber a dinâmica do mundo de hoje.

publicado por victorangelo às 21:31

01
Dez 19

A expansão do olival, sobretudo no Baixo-Alentejo, levanta várias questões de fundo, nomeadamente no que respeita à pressão que exerce sobre os recursos em água do Alqueva e à rentabilidade futura das explorações agrícolas, sem esquecer que a monocultura extensiva tem um impacto ambiental que não pode ser ignorado .

Entretanto, soube-se agora que o preço do azeite extra-virgem nos mercados mundiais está em baixa, este ano. Uma descida significativa. No caso de Espanha, que produz à volta de 53% do azeite mundial, a quebra no preço (medida no valor por unidades de 100 kg) é de cerca de 25%. Quanto à Itália, outro grande nome nos mercados internacionais, o decréscimo no preço ronda os 33%.

Dois factores explicam a perda de valor. Existe, em 2019, excesso de produção. Por outro lado, o mercado americano – que poderá ficar mais difícil de aceder se o Presidente avançar com a aplicação de tarifas aduaneiras ao azeite europeu, como já o ameaçou fazer – não cresce. O consumo de azeite per capita nos Estados Unidos é baixo – cerca de 10 vezes inferior ao de Portugal – e não está a crescer. Na verdade, há aqui um problema de hábitos alimentares, que pediriam uma campanha de marketing muito bem pensada.

Ou seja, este é um sector que precisa de orientação.

publicado por victorangelo às 19:58

30
Nov 19

Ontem foi a propósito do grave incidente na Ponte de Londres. Para além dos factos, as televisões passaram horas a comentar o ataque. Puseram, como de costume, câmaras e microfones à frente dos especialistas na análise do terrorismo – a malta habitual – que discorreram sobre o assunto quando nada de concreto se sabia sobre o autor, as possíveis motivações, as circunstâncias para além do que acontecera na Ponte, etc. Se tivesse paciência para os ouvir, ficaria certamente pasmado. Emitem tanta teoria sobre um assunto em relação ao qual falta toda a informação que é essencial. São uns criativos. E servem para encher espaço.

publicado por victorangelo às 19:45

29
Nov 19

Não se trata de saber qual é o armamento de que se dispõe. Também não tem que ver com um noção convencional da diplomacia, a que procura agradar a gregos e a troianos e não fazer qualquer tipo de ondas. “Soft power” significa que o país tem capacidade para influenciar os outros, sem qualquer tipo de recurso à força ou à ameaça do seu uso. Tem muito que ver com a imagem exterior que o país projecta, com o seu prestígio internacional, e com o seu apetite para desempenhar um papel activo na procura de soluções para as grandes questões que afectam a paz e a segurança aqui e acolá, ou numa qualquer região do globo.

É verdade que temos estado a assistir ao regresso da política da força. A força num sentido amplo, abrangente, com várias facetas, não apenas a militar. Mesmo assim, as soluções baseadas nos valores da paz, do respeito entre as nações, da conjugação de interesses, continuam a merecer um lugar de destaque na diplomacia internacional. E a serem reconhecidas como a via para respostas duráveis a crises profundas.

A Noruega tem sido um excelente exemplo da utilização inteligente do “soft power”. Pesa muito mais na cena mundial do que o seu tamanho e isolamento geográfico deixariam pensar. É um actor credível e ousado, na resolução de conflitos e na procura de respostas às grandes questões dos nossos tempos.

Nós também o poderíamos ser. Precisaríamos de ultrapassar o paroquialismo que nos fecha na nossa aldeia mental, cultivar a imagem exterior de Portugal e ousar. Teríamos muito a ganhar com uma aposta desse género.

 

publicado por victorangelo às 19:08

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