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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A Europa que antevejo

Aposto com quem queira apostar que as regras orçamentais do Tratado de Maastricht – dívida pública abaixo dos 60% do PIB nacional e défice orçamental anual inferior a 3% − voltarão a estar em cima da mesa das discussões. E que a austeridade será um tema que os países apelidados de “frugais” irão de novo inscrever na agenda económica europeia. A chamada “bazuca” é uma oportunidade única para diminuir a distância entre os níveis de vida dos diferentes países europeus. Quem não a souber aproveitar terá perdido uma oportunidade que não voltará a surgir, a não ser que apareça uma crise tão profunda como a da pandemia.

Os indícios que começam a aparecer mostram que, em matéria económica, entraremos, depois da pandemia, numa fase nacionalista.  

À espera do inquérito do acidente

A A6, a autoestrada que vai da zona do Montijo em direcção a Évora e à fronteira com Badajoz, tem pouco movimento. Mais ainda, os veículos pesados são raros. Preferem encher a Nacional 4, que segue a autoestrada, para não ter que pagar o elevadíssimo custo da portagem até Caia-Elvas. Assim, alguns motoristas dos carros ligeiros usam e abusam do excesso de velocidade quando circulam pela A6. Quem viaja a 130 km/hora já está fora do limite. Mas é constantemente ultrapassado por veículos a circular acima dos 150 ou mesmo dos 160. Os controlos de velocidade são raros. A GNR concentra-se sobretudo no trânsito que percorre a N4.

Foi nessa autoestrada que o carro do ministro da Administração Interna matou um operário que trabalhava na berma da via. O inquérito de que se fala e que foi prometido deverá elucidar-nos sobre a velocidade a que ia essa viatura oficial. Esse é um dado fundamental. Houve morte de homem, um homicídio involuntário. Há que apurar as causas e as responsabilidades de cada um.

Veremos se a GNR consegue produzir um relatório que se veja.

Eles consideram-se acima das leis

O que se pede aos políticos, sobretudo a quem está no governo, é que não pensem que estão acima das leis e que podem fazer aquilo que o cidadão comum não pode. Uma vez, há uns anos, fui convidado para ir dar uma palestra na delegação do Porto de uma instituição pública. O dirigente dessa instituição disse-me que poderia ir no seu carro oficial, ao lado dele, com motorista e tudo. Aceitei e jurei que nunca mais aceitaria uma boleia desse tipo. O carro foi conduzido a alta velocidade, muito além do limite e da prática que existe na A1. Fiz duas ou três observações sobre o perigo e a ilegalidade desse excesso de velocidade. A resposta foi que não me preocupasse, pois, o motorista era um excelente profissional e a viatura era oficial.

Trata-se de um mero exemplo. Mas há muitos mais, incluindo viagens ao estrangeiro por tudo e por nada, quando as pessoas estão confinadas. Esses desrespeitos pelas normas e pela normalidade acabam por manchar profundamente a classe política. E criam a mentalidade, entre certos dirigentes, que são donos e senhores do poder, quando na realidade, deveriam considerar-se simples encarregados de missão.

Uma medida gratuíta

A Área Metropolitana de Lisboa fica entregue a si própria durante o fim-de-semana. Quem nela vive ou visita vai continuar a poder andar nas ruas sem máscara – é isso que vejo todos os dias – e a organizar almoços e jantares com grupos de amigos. Ou a ver jogos de futebol com a malta do clube a celebrar à brava à volta dos ecrãs das televisões. E ninguém lhes irá lembrar que a prevenção é o melhor remédio. Nem que o vírus ainda não desapareceu, antes pelo contrário.

Biden e Putin: dois actores com muita experiência

A cimeira entre Joe Biden e Vladimir Putin surpreendeu muitos de nós. Estava bem preparada, de ambos os lados. Havia uma vontade comum de mostrar resultados. E exibir cordialidade, apesar das posições muito diferentes e contraditórias. Mais, cada um procurou ser visto pelo seu público como sendo capaz de dar resposta às acusações vindas do lado oposto.

A declaração sobre as armas nucleares – ninguém ganha uma confrontação nuclear – foi positiva. Como também o foi a decisão de criar uma comissão mista para um Diálogo Estratégico sobre a Estabilidade.

De um lado e do outro estavam duas velhas raposas das relações internacionais.

Jogos geoestratégicos

Não vi o jogo de Portugal contra a Hungria. Mas pessoa amiga foi-me mantendo ao corrente. E lembrava-me, cada vez que me enviava uma mensagem, que o futebol é de facto um grande aglutinador. E os adversários são tratados como se fossem inimigos vitais. Perante isso, e face à insistência com que Joe Biden falou sobre a China, pensei que seria uma excelente iniciativa tratar dessa rivalidade entre os dois gigantes num campo de futebol. E os adeptos teriam assim a oportunidade de se insultar mutuamente. O problema é que os americanos não são grandes praticantes da modalidade e os chineses estão apenas agora a descobrir – e a investir a sério – nesse desporto. Dantes foi o ping-pong que aproximou essas duas grandes nações. Agora poderia ser a bola.

Se assim fosse, ficaria menos preocupado.

Nós e a China

Trazer a rivalidade com a China para o campo militar é um erro. Se há críticas a fazer, que sejam feitas nas áreas dos direitos humanos e da liberdade, bem como em matérias de competição comercial desleal. Ou ainda, quando a China leva certos países a um endividamento excessivo, com investimentos em infraestruturas que servem, acima de tudo, os seus próprios interesses.  

Uma primeira conclusão sobre a cimeira do G7

A Cimeira do G7 terminou esta tarde. De uma maneira geral, a atmosfera e a retórica foram positivas. Mas genéricas, mais promessas do que verdadeiros compromissos. O único pacto concreto foi o das vacinas, a disponibilização de mil milhões de vacinas para serem aplicadas nos países mais pobres até finais de 2022. É, no entanto, uma decisão insuficiente. A OMS estima que seria necessário disponibilizar cerca de 11 mil milhões, para que a humanidade possa de facto vencer a pandemia. Estar longe desse número e demorar muito tempo até se atingir uma percentagem global de 70% de vacinados, quererá dizer que a saída da crise não acontecerá num futuro próximo. As variantes irão continuar a aparecer. E o mundo viverá, durante um longo período de tempo, em bolhas isoladas, de um lado países com a maioria da população vacinada e do outro, vários agrupamentos, segundo o avanço dos programas de vacinação. Ou seja, uns a avançar e outros a ficar para trás.

A segunda grande prioridade deveria ter sido sobre a protecção do ambiente. Esta é uma área de grande urgência. Os líderes deveriam ter indicado quais são as grandes linhas que irão defender na conferência de Glasgow sobre o clima, no final do ano. Essa indicação teria permitido uma maior focalização dos trabalhos preparatórios. As promessas feitas hoje são pouco claras e insuficientes em termos financeiros. É verdade que os diferentes líderes mostraram compreender a importância e a urgência da matéria. Isso já não é mau. É, porém, necessário agir, criar parcerias, definir melhor os planos de acção e financiar.

Estas e outras medidas foram profundamente influenciadas pela posição norte-americana em relação à China. O Canadá e o Reino Unido seguiram sem hesitações a linha americana. Já do lado europeu, houve muitas reticências. Com o tempo, a brecha entre as duas partes irá ficar mais clara. E a própria China irá adoptar contra-medidas que agravarão a fractura.

Estamos perante uma dinâmica nova, foi o que ficou claro com este encontro do G7. Mais do que nunca, é preciso muito cálculo e muita prudência.

 

Uma semana política desgraçada

A semana política portuguesa contribui abundantemente para o processo em curso de descredibilização da nossa classe partidária.

Não vou repetir o que muitos já disseram sobre os diferentes incidentes e desastres. Direi apenas que quem está no poder adquiriu o hábito, que aparece com o tempo, de pensar que tudo lhes é permitido. Sentem-se donos e senhores da maquinaria e nomeiam os afilhados, os membros da família e os trovadores que cantam loas aos dirigentes. Fazem-no com o descaramento de quem se sente bem ancorado e ainda por cima, com a protecção do chefe-mor, que tem como única preocupação não ter preocupações. Passa a esponja por tudo e haja calma, que é a sua frase preferida.

Do lado oposto, temos uma oposição que parece ter saído de um asilo para diminuídos da tola. Não convencem ninguém, para além da imagem cinzenta e aparvalhada que projectam. Ao nível nacional, em Lisboa e um pouco por toda a parte. Vão levar uma outra sova eleitoral, não por causa da mediocridade dos outros, mas em virtude da sua. Os medíocres no poder aproveitam as alavancas que o poder lhes dá para bater nos medíocres na oposição. 

E temos ainda uns extremistas, que confundem tudo e mais alguma coisa. Os seus slogans só convencem quem é como eles. Não vão além das franjas de cabeçudos que são a sua base de apoio. Ainda ontem um deles comparava Alexei Navalny a um fascista. E outro, via-se ao espelho e pensava em Marine, a francesa que está a subir. 

O resto da população, quer dizer, todos nós, olha para isto com desdém e continua a lutar pela vida. E luta bem, em muitos casos. O país está melhor do que estava há anos passados, porque as pessoas não baixam os braços. Felizmente. É, pena, no entanto, que não surja gente política capaz de criar um quadro que permitisse multiplicar as energias populares.

 

 

 

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