Portugal é grande quando abre horizontes

23
Jan 19

A agência de noticias Reuters lançou um inquérito internacional sobre “o desafio global mais urgente” que deveria ser tratado no encontro de Davos deste ano. Participaram nesta iniciativa mais de 300 mil pessoas.

As respostas estavam condicionadas em virtude da pergunta só permitir uma escolha entre quatro grandes desafios, excluindo assim outros que considero igualmente importantes, como, por exemplo, os relacionados com a pobreza, o desemprego, a Inteligência Artificial, a gestão das megacidades ou ainda a questão dos direitos humanos, agora que vários autocratas estão no poder. Sem falar, claro, do populismo.

Os quatro desafios seleccionados pela Reuters tinham que ver com o clima, o comércio, a habitação e a desigualdade do género.

As alterações climáticas parecem ser o problema mais sério e urgente para 62% dos que responderam. O comércio internacional, que inclui os conflitos comerciais em curso, ficou em segundo lugar, mas apenas com 19% das respostas. Seguiram-se o acesso a uma habitação condigna (12%) e a questão da desigualdade entre os homens e as mulheres, com 7% das respostas.

Se fosse forçado a escolher, qual seria a resposta, de entre as quatro opções em cima da mesa?

 

publicado por victorangelo às 19:50

22
Jan 19

Emmanuel Macron e Angela Merkel assinaram hoje um novo tratado de cooperação entre os seus dois países. A cerimónia teve lugar em Aix-la-Chapelle, na Alemanha, muito perto da fronteira com a Bélgica. Trata-se de uma cidade que significa imenso, na história das relações franco-alemãs. Uma cidade simbólica, que serve de última morada ao Imperador Carlos Magno (742-814), um líder que, no seu tempo, tinha uma visão unificadora da Europa.

Sugiro que se faça uma leitura positiva do que agora foi assinado. Ambos os dirigentes querem que os seus países contribuam mais efectivamente para a construção europeia, nas áreas da política, da economia e em matérias de defesa. Estão preocupados com os ataques contra a União Europeia que vários governantes e sectores populistas têm desencadeado. E que planeiam aprofundar, tendo em vista as eleições europeias de Maio de 2019.

Mas o acordo não se limita ao curto prazo. Nem se limita aos interesses da França e da Alemanha. Os outros países da UE também ganham se houver um maior entendimento entre dois dos grandes Estados da União. Que estão, aliás, no centro da geografia e da política comum. E são as duas maiores economias do espaço europeu.

É esse impacto mais geral que deve ser sublinhado.

publicado por victorangelo às 20:59

Escrevo regularmente no Twitter. A conta é:  

@vangelofreebird

twitter.com/vangelofreebird

 

publicado por victorangelo às 20:29

21
Jan 19

Os nossos radicais estão em campanha. Uma das mensagens que pretendem passar tornou-se bem clara: que não são populistas! Nem extremistas! Ou seja, tentam vender gato por lebre.

A comunicação social tem mostrado que gosta da conversa e dá-lhes espaço. Com bonitas fotografias, para reforçar o recado. Apresenta, assim, como positivo o que mais não é do que infantilismo político. Perigoso, aliás, para além das imagens dos sorrisos.

Digo infantilismo por reconhecer que certas propostas apresentadas pelos nossos extremistas têm a graça da idade da inocência.

Quem não tem ido na conversa é o eleitor português. Dirigir uma nação, inserir-se no xadrez europeu e internacional, lutar por um projecto de sociedade, tudo isso pede mais do que ingenuidade, ideias estreitas e falta de realismo. E isso continua a ser claro para a maioria dos que votam no futuro de Portugal. O eleitor português tem mostrado maturidade. E assim deverá acontecer também este ano, quer em Maio quer em Outubro.

 

publicado por victorangelo às 16:58

Aqui deixo o endreço do meu blog em língua inglesa.

victorangeloviews.blogspot.com

publicado por victorangelo às 16:50

18
Jan 19

Stefan Lofven vai continuar como Primeiro-Ministro da Suécia. Será o seu segundo mandato. Lofven é dirigente do partido Social Democrata, um partido do centro-esquerda, no panorama político nacional.

As eleições tiveram lugar em Setembro de 2018. A formação do novo governo foi demorada, quatro meses à procura de entendimentos. Esse foi o tempo necessário para que os diversos partidos dos dois principais blocos de opinião, a esquerda e a direita, pudessem chegar a um acordo de governação, que assenta em 73 medidas.

A principal preocupação, de um lado e do outro, foi a de impedir a entrada dos ultra-direitistas do partido Democratas Suecos na área da governação. Os Democratas Suecos, que seguem uma linha política cegamente nacionalista e xenófoba, haviam obtido nas eleições gerais de Setembro 17,5% dos votos. Um resultado surpreendente, que faz desse partido o terceiro mais votado.

A Suécia deu-nos, assim, um exemplo que convirá repetir noutros países europeus. Ou seja, ter a coragem política e a paciência para encontrar plataformas amplas, à esquerda e à direita, que excluam os extremistas e os ultra-nacionalistas e os deixem num canto do parlamento, isolados e a falar sozinhos.

Há quem chame a essa opção política “cordão sanitário”. Por mim, vejo aí apenas bom senso político. Os extremistas fazem parte da paisagem política das democracias europeias. Não deve haver dúvidas sobre isso. Mas abrir-lhes as portas do poder, como aconteceu num ou outro país da UE, está errado. Como também não é aconselhável o oportunismo de alguns do centro-direita ou do centro-esquerda, que, para estarem no poder a qualquer preço, fazem pactos e usam os extremistas como bengalas parlamentares.

 

publicado por victorangelo às 20:48

17
Jan 19

A visita de Vladimir Putine à Sérvia, que está a decorrer, não passa despercebida em Bruxelas. Existe, aliás, uma nova onda de interesse pelos Balcãs Ocidentais. E todo um jogo de influências, com a Rússia, a UE, a Turquia e a própria China ao ataque.

Pouco ou nada se diz publicamente sobre tudo isto. No meio de tantas outras notícias consideradas como mais importantes, os países dos Balcãs nem em pé de página são mencionados. Ora, essa região está muito perto do coração da Europa. E existem aí muitas fracturas que precisam de ser resolvidas.

A história mostra que não se deve ignorar esses países.

publicado por victorangelo às 21:21

16
Jan 19

A votação do projecto de acordo de saída da UE, que ontem teve lugar no parlamento britânico, levou-nos a todos para águas nunca antes navegadas. A todos, no sentido dos sujeitos de Sua Majestade e também a nós, os europeus. Sim, na verdade, a rejeição do tratado sobre o Brexit não é apenas um problema britânico, como alguns estão a ver a questão. É igualmente um grande quebra-cabeças para os Estados Membros da UE. Os britânicos serão, certamente, os que maiores prejuízos sofrerão. Mas as repercussões negativas, se não houver acordo, também se farão sentir em vários cantos da UE. Nomeadamente, na esfera económica. Depois de mais de quarenta e cinco anos de partilha do mesmo espaço económico, é evidente que as economias de ambos os lados do Canal da Mancha têm ligações profundas. Qualquer ruptura ou simples disrupção terá de imediato grandes consequências, quer em termos macro-económicos que ao nível do consumidor individual.

Para além da economia, outras áreas de cooperação seriam igualmente prejudicadas, em caso de não acordo. A segurança, a investigação científica comum, a mobilidade dos cidadãos são apenas outros exemplos a juntar às dimensões económicas e do nível de vida das famílias.

Dito isto, para mim é claro que as partes não podem fechar as portas à continuação do diálogo sobre as condições de saída e sobre o relacionamento futuro. Discussões deste tipo são particularmente difíceis, por serem inéditas – não podemos beneficiar de lições aprendidas no passado – e porque têm implicações políticas fundamentais para os dois lados. O revés de ontem, por muito negativo que a votação tenha sido – e foi, de facto, um resultado surpreendente – não deve ser usado para apontar as culpas para um dos lados. Deve, isso sim, ser um motivo de reflexão e um desafio. Como ultrapassar uma situação que parece não ter solução? Essa é a questão que os dirigentes britânicos e, por seu lado, os europeus devem colocar em cima das suas mesas de trabalho.

Para começar, é preciso parar o relógio do Brexit. Isso significa que a Primeira-Ministra Theresa May deve, desde a próxima semana, pedir formalmente um adiamento da data de saída do Reino Unido. Terá que ser um pedido bem fundamentado. Mas só poderá ter uma resposta. Que sim! Os ruídos actuais sobre esta questão, vindos das capitais europeias, não têm mostrado a contenção e a sabedoria que se espera dos principais líderes da Europa. Há que calar e esperar que o pedido formal seja feito.

Em segundo lugar, é conveniente lembrar aos dirigentes britânicos, uma vez mais, que uma estratégia de divisão das posições no seio da EU é pura e simplesmente inaceitável. Tentar ressuscitar essa via seria um erro que teria que ser imediatamente posto em causa. Não se pode deixar contaminar a Europa com as dificuldades, confusões e ilusões que a classe política britânica está a sofrer. O Brexit não pode ser um risco de morte para a unidade europeia.

Quanto ao resto, iremos lá com calma.

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:25

14
Jan 19

Numa democracia, a manipulação das informações, para tentar enganar o povo, não pode de modo algum ser aceite. Com o tempo, e nas sociedades abertas que agora temos, essa manipulação acabará por ser como um tiro que sai pela culatra. Poderá dar algum ganho temporário, mas a prazo não dará.

Também não podemos aceitar a intimidação, a ameaça e a desordem pública. A liberdade permite as manifestações e o protesto na rua. Mas não permite, de modo algum, que outros se sintam coagidos, impedidos de praticar as suas rotinas e andar na sua vida. E nunca justifica a violência e a desordem, nos tempos que agora vivemos. Em democracia, não há espaço para revoluções. Nem para violência física contra as instituições ou os oponentes. Ou contra as infra-estruturas, que a todos pertencem e a todos servem.

Assim olho para fenómenos de massas, como por exemplo, o dos “coletes amarelos”.  

publicado por victorangelo às 17:49

13
Jan 19

A actualidade dos dias recentes lembraram-me que a credibilidade é o principal atributo que um político deve ter. Coerência e coragem de ideias, vida pública e privada sem sombras que levantem suspeitas, dedicação à causa comum, capacidade de falar com franqueza, maturidade e experiência, são as características que definem a credibilidade de um político. Só quem as tem é que pode ter ambições de liderança.

Por outro lado, quando a generalidade dos políticos é pouco ou nada credível, estamos a abrir as portas aos populistas, aos bota-abaixo, e a todos os que passam os dias a dizer que os políticos são todos iguais. Ou seja, estamos a criar condições para que proliferem as abstenções e as alienações, ou mesmo, para que surjam rebeliões arruaceiras e “salvadores da pátria”. É, então, o sistema democrático que estará a ser posto em causa.  

A actualidade dos dias recentes lembraram-me que a credibilidade é o principal atributo que um político deve ter. Coerência e coragem de ideias, vida pública e privada sem sombras que levantem suspeitas, dedicação à causa comum, capacidade de falar com franqueza, maturidade e experiência, são as características que definem a credibilidade de um político. Só quem as tem é que pode ter ambições de liderança.

Por outro lado, quando a generalidade dos políticos é pouco ou nada credível, estamos a abrir as portas aos populistas, aos bota-abaixo, e a todos os que passam os dias a dizer que os políticos são todos iguais. Ou seja, estamos a criar condições para que proliferem as abstenções e as alienações, ou mesmo, para que surjam rebeliões arruaceiras e “salvadores da pátria”. É, então, o sistema democrático que estará a ser posto em causa.                                                                                                                    

 

 

 

 

                                                                                                                

 

 

 

publicado por victorangelo às 15:31

twitter
Janeiro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
12

15
19

20
24
25
26

27
28
29
30
31


subscrever feeds
<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO