Portugal é grande quando abre horizontes

02
Mai 09

 

Conta-se nas terras secas que as formigas estavam cansadas de ver o seu formigueiro espezinhado, com regular frequência, por manadas de elefantes. É verdade que o formigueiro ficava muito à beira do trilho habitual dos elefantes.

 

Um dia, uma formiga mais ousada e expedita, certamente um bicho com cabeça, mas agindo à revelia das suas colegas, resolveu aproveitar a passagem da manada para subir por uma das pernas do elefante alfa. Tinha que chegar à orelha do líder do grupo e explicar-lhe, bem no ouvido, que certos líderes têm dificuldades em ouvir, que o caminho que esses grandalhões estavam a seguir era contra o interesse das formigas. Tudo seria uma questão de o aconselhar a desviar de rumo.

 

A vida é como é. Mesmo para uma formiga sem medo, caminhar ao longo de um elefante é um percurso longo e com riscos. Nesta lenda, conta-se que a dada altura o paquiderme resolveu, como acontece muito frequentemente, roçar-se contra uma árvore. É uma maneira de limpar a pele, matando os parasitas que todos os animais de porte atraem, e escovando a lama que entretanto, seca, se colara ao corpo. A lama faz parte da vida do bicho grande.

 

Segundo parece, a formiga foi apanhada entre o tronco da árvore, um pau duro como é usual encontrar nestas terras sem dó, e o lado esquerdo do elefante alfa. Quando este tipo de acidente tem como protagonista uma formiga, os pormenores do acontecimento não fazem parte da história.

 

O recado nunca chegou à orelha do líder. E as formigas continuam a reconstruir o seu formigueiro de tempos a tempos.

 

 

Copyright V.Ângelo

publicado por victorangelo às 21:02

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