Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Le petit blanc, com muitos copos

 

Durante a noite, viajei de N'Djaména para Paris. A título pessoal, por isso tinha um bilhete para a classe sardinha. Ao meu lado, sentou-se "un petit blanc". Um daqueles brancos que se perderam por África, quando aconteceu a descolonização. Sem qualificações, foram sempre arranjando emprego como capatazes ao Sol, apenas por serem brancos. São o último elo da cadeia, a mandar nas tarefas que apenas exigem mão-de-obra e supervisão, para que os trabalhadores não abusem.

 

O meu "petit blanc" regressava a casa, depois de trinta e tal anos perdido pelo mundo. Disse-me que tinha estado em todo o sítio que é África, e mencionou, para ilustrar, Martinica, Guadalupe, Polinésia, Guiana Francesa, etc, para além das Mauritânias e outros sítios que, esses sim, estão em África. Afinal, o que ele queria dizer é que tudo o que é Negro lhe é familiar. Uma maneira de ver.

 

Figura fraca de estatura, corroído pelo Sol, as mulheres dos trópicos e muito álcool. Tossia a má vida de vez em quando, as privações de quem anda aos caídos pelo mundo duro das terras que são agrestes e violentas, aquele som de quem tem os pulmões e alma à briga entre eles.

 

Estava, por outro lado, embriagado até à raiz dos cabelos. Ainda pensei exigir que o tirassem do avião, que não tinha condições para viajar e deixar os outros em paz. Falei com o chefe de cabine. Decidiu-se que iria continuar viagem, talvez a última de grande curso. Para não acrescentar mais miséria ao diabo da vida. Até porque a Air France tem um certo fraco pelos franceses...

 

Quando veio o jantar, o homem queria e gritava por um pastis, "un apéro", e vinho. Fiz ver ao pessoal de bordo que não seria aceitável responder afirmativamente. O "pequeno" ficou ainda mais podre e resmungou mais uma hora ou duas, até cair de cansaço, sobre si mesmo. Entretanto, cumprimentou-me, dizendo que nunca tinha tido, nas suas muitas viagens, um "abrutti" como eu como companheiro de voo.

 

Triste fecho para uma descolonização tardia.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D