Portugal é grande quando abre horizontes

10
Nov 09

 

Como escrevi no texto desta semana na Visão, Guéréda, no Leste do Chade, e os territórios vizinhos são das zonas mais perigosas nesta parte de África. Muito perto da fronteira com o Darfur, no centro de muitos conflitos étnicos e na origem de muitas rebeliões, os riscos são imensos.

 

Não autorizo o pessoal da ONU a viajar nessas terras sem escolta militar ou de polícia, fortemente armada.

 

Aconselho as ONGs a seguir o mesmo princípio. Certas organizações têm um maneira de trabalhar muito particular, com uma interpretação extrema do que é a sua independência, neutralidade e imparcialidade. Não aceitam as nossas escoltas, por medo de perder a neutralidade.

 

Ontem, foi a vez de uma delegação do Comité Internacional da Cruz Vermelha ser objecto de um ataque armado. O único estrangeiro do CICV, um francês de 37 anos, foi levado pelos bandidos. Como refém.

 

Mais uma crise. Com muita publicidade, que a CV é bem conhecida. Para os bandidos do deserto é, no entanto, mais uma ONG em circulação na zona, mais uma hipótese de ganharem umas coroas.

 

Cruz vermelha ou não, para esses homens das areias é uma oportunidade que não querem deixar passar em branco.

 

Passei a manhã a discutir segurança com a comunidade das ONGs humanitárias. Não desisto. Tomo as minhas responsabilidades. E eles terão que assumir as suas.

 

 

publicado por victorangelo às 21:07

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