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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Rebeldes, diabos e espias

Hoje passei uma boa parte do dia a discutir com o general comandante militar das forcas chadianas que defendem a principal zona de fronteira com o Sudão. Como comanda mais de 4 000 homens e tem cerca de 3 000 rebeldes a 28 quilómetros de distância, em terras sudanesas, prontos para tudo, tentei focalizar a conversa nas ameaças que enfrenta cada dia e cada noite que passa.

 

Muito seguro de si próprio, com espiões seus a operar junto da rebelião, bem informado, com muitas campanhas no activo, pareceu-me pouco interessado na conversa, de convencido que esta' que os grupos rebeldes não conseguirão atravessar a fronteira sem se fazerem massacrar.

 

Sem saber bem como, começámos então a falar dos espíritos que vivem naquelas terras do fim do Deus dará. O general acredita que toda uma comunidade de diabos, uns bons outros maus, são como os seres humanos, têm ministros e primeiros-ministros, talvez também tenham uma versão sua da crise financeira, que há de tudo, habita aquelas paragens nos confins do Sahel.

 

Os espíritos vivem sobretudo nas árvores mais frondosas, pelo que os soldados do general, quando querem descansar 'a sombra dessas árvores, têm primeiro que descarregar os seus carregadores para o ar, para afugentar esses pobres diabos.

 

Como estas terras são actualmente um teatro de operações da EUFOR, o general está convencido que os soldados europeus aproveitam da sua presença na região para capturar espíritos, pela cauda, para mais tarde, uma vez terminada a sua missão, os levar para a Europa. O branco não tem medo dos espíritos.

 

Assim, se nas ruas de Dublin, ou nos passeios de Amesterdão, ou nos Campos Eliseos , o leitor vir um soldado a passear um espírito pela trela, com ar de quem não quer a coisa, ja' fica a saber que esse militar serviu na área que o general chadiano comanda.

 

Que diria o general, se visse os diabos que andam 'a solta nos partidos portugueses?

 

O tubo para respirar

Com o agravamento da crise financeira, o aumento das taxas de juro, as dificuldades com os créditos, a prestação da casa a subir para níveis incomportáveis, o endividamento em espiral das famílias, o que muitos portugueses precisam não e' de um Governo mais eficiente, de uma oposição que passe a ter ideias, nem de uns senhores da extrema, que fazem barulho 'a volta dos sonhos dos camaradas de outrora.

 

Precisam, sim , de um tubo para respirar, 'a maneira de quem faz pesca submarina, porque esses portugueses já andam com a cabeça abaixo da linha da 'agua. Sem tubo, não se safam.

 

Que esperar dos líderes políticos, que tão pouco preocupados andam?

 

As obras, os recuos e as faltas de caco

A verdade e' que a história económica revela que os grandes projectos de infra-estrutura têm sempre um efeito multiplicador, se forem administrados como devem ser.

 

Se os custos forem controlados, se as medidas de acompanhamento e apoio aos sectores produtivos e dos serviços, na área de influência dos projectos, forem devidamente tomadas, se uma boa parte dos componentes tiverem origem nacional, se salvaguardar o emprego dos portugueses, se do projecto resultar um melhor ordenamento do território, se tudo isto for tido em conta, então vale a pena avançar com as grandes obras.

 

Hoje, um dos grandes problemas dos Estados Unidos e' que muita da infra-estrutura está velha e saturada. Faltaram os investimentos públicos.

 

Um senão, quando se trata de grandes projectos de construção civil, tem que ver com a atracção que exercem em termos da emigração não qualificada. Em muitos casos, os empregos directos que são criados acabam por ser ocupados por novas vagas de emigrantes sem qualificação profissional. Há que evitar este tipo de situação, no Portugal de hoje e do futuro.

 

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