As notícias que me trouxeram de Lisboa dizem que a cidade está cada vez mais suja, mais desordenada, mais mal gerida, a cair de podre e de incompetência.
É a porta de entrada em Portugal.
Segundo parece, muitos dos portugueses de Lisboa passam ao lado. Terão outras preocupações, ou tornaram-se cegos...
E a Câmara Municipal serve para quê? Só para atribuir casas baratas aos senhores influentes da política?
Os debates sobre as opções políticas têm que ter lugar nas instituições que o sistema democrático criou, como por exemplo a Assembleia da República. Levar os debates para outras arenas, para a televisão, para os media, para a rua, são outras tantas maneiras de enfraquecer ainda mais o sistema democrático.
O desafio de Ferreira Leite para um debate público sobre a economia é mais um mau exemplo de ruído demagógico e vazio, um minar do sistema representativo, um atentado contra o reforço das instituições democráticas.
O que é necessário é sair das palhaçadas que os debates quinzenais com o senhor primeiro dos ministros se tornou e transformá-lo num exercício sério de confrontação política, de um modo construtivo. Actualmente, esses chamados debates são meras cenas de pugilato político, não para discutir opções, mas para ver quem esgrima melhor.
Andar no deserto, sem a companhia das armas, seria um risco demasiado grande. A viagem que acabei de realizar num pequeno canto do Sahara mostrou uma vez mais que por detrás de cada duna há uma cadeia de montanhas e cada pedra pode representar um desafio de segurança.
Soldado da escolta. Atravessa o deserto de pé, num equilíbrio inacreditável, na caixa aberta de um jipe em alta velocidade.
A velocidade a que os militares conduzem no deserto poderia ser vista como uma preparação para o próximo Dakar. É de arrepiar.
Soldado árabe, senhor do Sol, capaz de distinguir os diferentes tipos de areia existente no Sahara. O homem das direcções, o guia dos destinos.
O artista da escolta, a fotografar o fotógrafo. Telemóvel da última geração, que o deserto é o fim de de todas as rotas comerciais.
Sabe-se lá como este telemóvel surgiu nos comércios do deserto.
Parte da trupe, no descanso das cavernas do Sahara.
Andar no deserto e ouvir falar dos nevões em Portugal, hoje ate' fez algum sentido.
Quando cheguei, por volta das 10:00 horas, a Bahai, uma localidade do Nordeste do Chade, a 1 000 km de N'Djamena e 500 metros do Darfur, no Sudão, soprava um vento frio, persistente e capaz de acalmar os ânimos mais aquecidos. As terras planas não ofereciam nenhuma barreira 'as brisas vindas do coração Norte do deserto.
A sala de reuniões da delegação do Alto Comissariado para os Refugiados oferecia um frio húmido, que apesar de tudo não fez abreviar a duração das reuniões, nem com o secretário-geral do município nem com uma delegação de refugiados sudaneses. A oportunidade era demasiado boa para que se perdesse tempo a pensar no frio do deserto.
Com dois dias de viagens no deserto do Sahara na minha frente, começando pelo oásis de Fada, uma terra de maravilhas, palmeiras, agua, animais e seres humanos no meio das areias mais inóspitas que se possam imaginar, queria partilhar um pouco das cores que trouxe da viagem do fim-de-semana passado, na zona Sul do Sahel, uma zona de transição entre as securas das terras e as fertilidades da natureza.
Quando os homens são duros a natureza ajuda a suavizar os que procuram a paz.
Flores de um Inverno seco.
Zona de transição, entre o Sahel e o Sahara.
Mais cores na luminosidade dos dias de Inverno muito azuis.
Os corredores dos hospitais portugueses, com doentes em macas por toda a parte e canto, são uma imagem de país subdesenvolvido.
A epidemia de gripe não tem igual na Europa Ocidental. Convém perguntar porque será que existe uma epidemia em Portugal e não nos outros países da nossa região?
E agora fala-se de pneumonias e outras complicações respiratórias. Vai-se de mal a pior.
Tudo isto não são mais do que índices bem cruéis e crus do atraso do nosso sistema de saúde pública e da falta de condições que prevalecem na maioria das pobres habitações dos pobres portugueses que somos.
A rede de bloguistas que escrevem sobre questões políticas e sociais e' um exemplo da democracia directa, exercida por um número cada vez mais amplo de cidadãos.
E' todo um conjunto de pessoas a intervir socialmente, a marcar posição, a tentar ter uma voz, a procurar mobilizar outros portugueses. A lutar por causas de interesse público.
Ultrapassa-se assim as barreiras que os grupos económicos e ideológicos, que dominam a comunicação social, impõem. Dá-se a volta aos entraves que os partidos colocam 'as formas tradicionais de representação e de expressão democrática. Vai-se além das lideranças cansadas, que continuam a dominar o panorama, apesar de já pouco terem para oferecer.
Os bloguistas estão a revolucionar as formas de participação popular. E com as ligações a grupos de amigos, com os blogs produzidos por equipas de autores, estão a aparecer expressões de intervenção política que vão mais longe que as simples manifestações de opinião individual.
Com o melhor do que se produz diariamente poder-se-ia editar um jornal diário de muitas páginas. Com ideias, cultura, causas, factos e histórias, e mesmo, fotografias de grande nitidez. Seria um projecto interessante, que teria qualidade e ao mesmo tempo, havendo publicidade, de distribuição gratuita. Uma nova maneira de fazer imprensa, certamente.
Talvez haja por aí um grupo de investidores que queira pensar num projecto deste tipo.
Como uma flor que aparece numa poça de água fresca.
A entrevista do Rodrigues dos Santos ao Santos das Finanças, hoje na RTP, foi surrealista. Uma espécie de pugilato no mundo da fantasia.
O Santos da TV, uma instituição falida que vive 'a custa dos impostos dos cidadãos, quando já devia ter sido declarada em falência financeira e substantiva, atirava-se 'as canelas do Santos "O pior Ministro das Finanças da Europa', com a fúria habitual do cão que morde a mão de quem lhe dá o osso. E o enjaulado cavalheiro das finanças lá ia repetindo que a crise anda mais depressa que os pobres ministros e e', por isso, difícil de prever.
O entrevistador em fúria contra o governante sem pedalada para a situação.
Estamos de facto cada vez mais patéticos.
Com Santos assim, nem uma nova aparição nos salva.