Portugal é grande quando abre horizontes

19
Mai 09

 

Copyright V. Ângelo

 

Estou novamente a bordo de Air France, a caminho da África Central, num velho avião que é o machibombo diário dos trabalhadores Texanos do petróleo. Faz a rotação entre Paris e N'Djaména, os homens voltam aos campos de exploração do ouro negro. Os assentos --melhor diria, as banquetas --que restam são vendidos ao preço do verdadeiro ouro aos pobres diabos como eu. 

 

Na semana passada, na viagem em direcção ao Norte, a companhia teve a graça de me perder a mala. Entrámos em N'Djam'ena com bagagem, saimos em Paris de mãos a abanar. Como não houve nenhuma paragem pelo caminho, deve ter caído por um buraco da fuselagem. Apareceu três dias depois, penso que morta de sede, que atravessar o deserto não é para menos, em Zurique...Não há dúvida que mesmo em tempo de crise profunda, muitos dos caminhos de África vão dar aos bancos Suíços, ou pelo menos, aos principais centros financeiros.

 

Entretanto, eu estava em Nova Iorque... 

publicado por victorangelo às 13:36

 

O motorista que me conduziu, nos últimos dias, em Nova Iorque emigrou há dezasseis anos para os Estados Unidos. Passa os dias ao volante da limusina de cor preta. É um homem desenrascado. Conhece os cantos da grande cidade como ninguém.

 

Cresceu no Punjab, habituou-se a lutar desde muito pequeno, que na Índia não há mercê para quem fique parado.

 

Está a preparar o seu regresso à terra natal. Nova Iorque é uma urbe que oferece muitas possibilidades a quem tenha genica, mas há uma altura em que é preciso estabilizar, reduzir o ritmo e pensar na família. Além disso, a vida está cada vez mais cara. Novos emigrantes, bem mais jovens do que os quarenta e dois anos do meu condutor, chegam todos os dias. É preciso ser-se realista.

 

E o senhor Singh - quer dizer "Leão" em língua Sikh - sabe que a vida é como é: o leão alfa só permanece à frente da alcateia durante uns tempos. Depois, é obrigado a dar o lugar a um animal mais pujante. Perde a batalha pela dominância. Acaba escorraçado.

 

No reino dos políticos as coisas passam-se da mesma maneira. Escorraçar é um verbo que os políticos conhecem bem. É conjugado de muitas maneiras.

 

A diferença é que o senhor Singh sabe, como apenas os sábios o sabem, que vale mais sair pelo seu pé. Na mó de cima. Não com o rabo entre as pernas.

 

 

publicado por victorangelo às 07:35

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