Portugal é grande quando abre horizontes

07
Ago 09

 

Os últimos dias foram passados a gerir uma situação de rapto. É a primeira vez que temos que lidar com um incidente deste tipo. Já tivemos sequestros. Condutores levados com as viaturas roubadas, mas libertados algumas horas depois. Agora, temos um caso de rapto.

 

Na madrugada de Terça-feira, homens armados entraram na residência da ONG Médecins sans Frontières em Adé, a um quilómetro da fronteira com o Sudão. Obrigaram os residentes a abrir o cofre, levaram o equivalente de mil euros, dois computadores, mais umas bugigangas. E raptaram um funcionário internacional da ONG e um cidadão chadiano.

 

Tentámos intervir nesse mesmo dia. A ONG disse-nos que preferia tratar do assunto sem qualquer ajuda exterior. Um erro. Por se tratar de um caso muito grave e ainda por cima de notificação obrigatória às autoridades de segurança.

 

Na Quarta recebi um pedido formal do governo grego. O estrangeiro é cidadão grego. A partir daí tive que agir. Mesmo sem a colaboração da ONG. Acabei por convencer a ONG que seria do seu interesse pedir-nos ajuda. Como iriam explicar à família do raptado que os princípios da ONG não lhe permitem pedir assistência num caso destes?

 

Na Quinta lancei uma operação de investigação preliminar. No terreno. De difícil acesso, com muitos riscos. A cerca de mil quilómetros da capital. Em terras que nesta altura do ano estão isoladas. As estradas transformaram-se em rios e as terras baixas são verdadeiros pântanos. Só a preparação da viagem de helicóptero ao local do incidente demorou várias horas, para termos a certeza de que ninguém iria abater a máquina voadora. Coloquei à frente da equipa de investigação uma subintendente da PSP portuguesa. Um homem de ferro. Para realizar uma investigação muito delicada.

 

Que continuou hoje.

 

Entretanto o funcionário chadiano foi liberto pelos raptores, em território sudanês, bem longe da fronteira. Um interrogatório inicial revelou que a operação de rapto foi levada a cabo por gente bem organizada. Duas ou três horas após o sequestro, os bandidos separaram os dois reféns, deram-lhes destinos diferentes. O cidadão do Chade não sabe que direcção levou o seu colega internacional. Só sabe que estará a duas ou três horas de viagem da fronteira, no interior do Sudão.

 

A investigação continua.

 

Em pé de página, acrescentaria que uma cidadã portuguesa acaba de chegar ao Chade - chegou na Segunda-feira - e vai ser enviada pelo Comité Internacional da  Cruz Vermelha para a mesma localidade de fronteira onde teve lugar o rapto. Penso que a Cruz Vermelha sabe o que está a fazer. Mas o mesmo não se pode dizer de certas ONGs que enviam gente muito jovem, sem experiência de zonas de conflito, para áreas que eu, enquanto chefe da ONU, não autorizo como destinos de residência e de trabalho para os nossos funcionários.

 

 

publicado por victorangelo às 22:15

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