Portugal é grande quando abre horizontes

31
Ago 09

 

Vim hoje à noite da região do Salamat, nos confins do Sudeste do Chade, a fazer fronteira com a República Centro-africana. São centenas quilómetros de planície. Árvores, árvores, a perder de vista, pântanos e rios, cheios, nesta altura de chuvas, 63 000 km quadrados de solidão e de natureza, 180 000 habitantes. Dos quais, 16 300 são refugiados que vieram da vizinha RCA. Chegaram este ano, a partir de Janeiro. Alguns dos campos, que visitei, estão situados junto à fronteira. As mulheres e as crianças constituem a maioria dos refugiados. Os homens ficaram, do outro lado da raia, nas florestas que rodeiam as suas aldeias, prontos para combater as FACA (Forças Armadas Centro-africanas, que não têm nem armas nem força).

 

Tive sorte com o tempo. Com toda uma série de percursos de helicóptero, se tivesse chovido, os riscos aumentariam. Esteve um Sol radiante. Só ao fim do dia começaram a aparecer as grandes nuvens negras dos trópicos. Acabou por chover a sério onde havíamos pousado o avião. Mas quando voltámos ao local, as chuvas haviam cessado. Sem lençóis de água e sem cabras, vacas e pessoas a atravessar a pista, levantámos voo.

 

No longo percurso de regresso a casa, um de nós acusou, de modo agudo, a má qualidade das águas, a falta de frescura das comidas, as diarreias dos sensíveis. Mas o nosso avião de hoje não tinha casa de banho. Foi um pânico a 22 000 pés.

 

 

publicado por victorangelo às 21:16

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