Portugal é grande quando abre horizontes

20
Nov 09

 

É agora, mais do que nunca, óbvio que a justiça portuguesa come na gamela que lhe é estendida pelos políticos. Vive no conforto da sombra quente da bananeira do governo. Por isso, tem medo, muito, do poder executivo.

 

É um sistema de cobardes, que só tem força perante os fracos.

 

publicado por victorangelo às 21:03

19
Nov 09

 

O tema do meu escrito de hoje na revista Visão centra-se nas questões de segurança nas terras hostis do Sahel, incluindo na fronteira com o Darfur.

 

A minha tese é que certas organizações não-governamentais não estão a perceber a natureza dos riscos que existem nessa região. Agem como se a insegurança tivesse motivação política. E falam, a torto e a direito, da neutralidade que é preciso manter.

 

Mas a verdade é que não se trata de conflitos políticos. São actos de banditismo, de criminalidade pura e dura. Ameaças concretas contra as populações e contra os agentes humanitários. As Nações Unidas têm duas grandes operações de segurança na zona, a MINUAD. no Darfur, e a MINURCAT, no Chade e na República Centro-africana. Ambas têm como mandato proteger as organizações humanitárias, os refugiados e deslocados, bem como as populações locais, que são presas fáceis dos homens armados.

 

Ser protegido pela ONU não faz perder a neutralidade nem a independência das organizações. E permite continuar o trabalho de assistência, salvando muitas vidas em perigo.

 

O texto está disponível no sítio da Visão:

 

http://aeiou.visao.pt/preocupacoes-desabafos-e-recados=f537366

 

Muito agradecido fico pela leitura. E por um ou outro comentário que queiram fazer. Não há medo das polémicas, nesta maneira de estar na vida.

 

 

publicado por victorangelo às 22:04

18
Nov 09

 

 

Convém pensar nos outros, ver as pessoas, esquecer as tonalidades da pele. Dizer não aos preconceitos. O mundo é um pouco maior do que o nosso bairro.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fotos copyright V. Ângelo

publicado por victorangelo às 21:30

17
Nov 09

 

A "Operação Face Oculta" revela muita coisa. Acima de tudo, que o poder está cheio de gente estranha e que a justiça tem medo, está subordinada à força política.

 

Também revela que é tempo de começar a mudar as coisas.

 

 

publicado por victorangelo às 21:24

16
Nov 09

 

A cimeira sobre a segurança alimentar, que hoje começou em Roma, por iniciativa da FAO, é a terceira, esta década, sobre os problemas da fome no mundo. Mas a verdade é que continuamos a ser cegos, não notamos, nem queremos ver, que este é um problema que poderia ser resolvido. Existem conhecimentos suficientes e técnicas adequadas para garantir um mínimo para todos. Faltam, apenas, os líderes à altura. A coragem das decisões, uma outra visão da vida.

 

Ainda na semana passada, a equipa militar de hidrologistas noruegueses, que está agora em missão no Chade, descobriu um lençol de águas subterrâneas às portas da cidade de Iriba, no deserto. Iriba vive na miséria, com falta de água, sem conseguir dar de beber aos seus habitantes, que nem vale a pena pensar nos animais e nas plantas. É uma terra de areias e de securas. Sem agricultura, com os camelos perdidos nas pedras que cercam a pobreza das pessoas.

 

E a água existe. Trata-se, simplesmente, de ter os meios que nós temos, para a encontrar. O resto é uma questão de furos, tubos e decisões políticas equilibradas. Que o acesso à água é uma das fontes de desigualdades sociais.

 

É, um pouco por toda a parte, a mesma situação. Onde hoje se morre de fome e sede, com juízo e meios técnicos, é possível, amanhã, produzir as culturas que fazem viver. 

 

Mas também há que evitar um consumo excessivo, uma demografia sem controlo e uma pecuária sem limites.

publicado por victorangelo às 23:24

15
Nov 09

 

Não vá o sapateiro além da sandália, como também não convém, a quem anda a coser as botas de cano alto do mundo, descer ao nível do chinelo...Mas, de vez em quando, tenho que fazer um pequeno comentário sobre a vida política portuguesa.

 

A "Face Oculta" é um mistério jurídico e uma desgraça política.

 

Do ponto de vista da justiça, temos aquele senhor pequenino, cheio de penugem nas orelhas e no nariz, uma prova viva que certos portugueses em situação de poder descendem directamente dos homens das cavernas, a opinar de uma maneira desastrosa sobre matérias em relação às quais deveria ser de uma competência exemplar. Um primitivo sem pêlo na venta. Do outro lado, muitos de entre nós, ao ver este tipo de desastres, de que o pinto da procuradoria é outro exemplo,  de gente que mesmo sem chegar a galo consegue estar no poleiro, muitos que somos levados a pensar que esta justiça está toda minada.

 

Politicamente, que buraco! Um primeiro que deveria perceber que isto não é uma questão técnica de justiça. É uma matéria em que a credibilidade, a pouca que ainda existe, está a ficar pelas ruas da descrença. Numa altura em que milhares de portugueses andam aos farrapos, dá-se mais uma vez a impressão que quem está na mó de cima canta sempre vitória, enquanto os nascimentos forem dando pintos e outros augustos trapalhões.

 

Tal como o tempo, é altura de alerta amarelo nas costas bravas da política portuguesa. 

Até que mude o vento. Mudará.

publicado por victorangelo às 22:14

13
Nov 09

 

Numa longa entrevista a Radio France Internationale, confirmei hoje que existem regiões no Leste do Chade (e no Darfur), que são de alto risco. A minha Missão de Paz está pronta para escoltar as colunas humanitárias que precisem de trabalhar nessas terras. Acrescentei que os humanitários que não queiram ouvir o aviso de perigo e que se aventurem sem protecção armada, põem em risco a vida dos seus agentes.

 

Mais uma vez, é preciso que fique claro a responsabilidade de cada um.

 

A representante do Comité Internacional da Cruz Vermelha fez, entretanto, uma pirueta no vazio da irresponsabilidade, ao afirmar que só não pedia as nossas escoltas porque as suas operações de assistência são junto à fronteira e que nós não temos funções de fronteira. Incorrecto, e é sabido. As nossas patrulhas militares fazem-se também junto à fronteira entre o Chade e o Sudão. Em todos os lugares onde é preciso proteger as organizações humanitárias, os refugiados e as populações em perigo.  A única função que nos está vedada é a de defesa da linha de fronteira.

 

Quando um agente humanitário levar um tiro ou for raptado, que vai o director dessa ONG dizer à família, quando esta lhe perguntar por que razão a coluna ou o agente andavam naquela zona sem escolta da ONU?

 

 

publicado por victorangelo às 19:33

12
Nov 09

 

O meu escrito desta semana na Visão on-line é mais uma tentativa de alargar as vistas e chamar a atenção para outras realidades.

 

Para além do muro, escrevo sobre a Organização da Conferência Islâmica e sobre a diplomacia de negócios, que é a marca que a China promove em África.

 

O texto está disponível no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/uma-semana-em-cheio=f536614

 

Leiam, por favor, e não sejam preguiçosos, comentem, que o autor respira e vive dos comentários.

 

Muito obrigado.

 

publicado por victorangelo às 20:45

11
Nov 09

 

Dia Nacional da Polónia, que celebrei em Iriba, no Nordeste do Chade, com o contingente militar polaco. Os soldados estão em campanha há sete meses, sem férias, no Sol do deserto. São tropas de elite, é verdade. Já deviam estar de volta a casa. Mas a chegada dos homens da Mongólia, que os devem substituir, está muito atrasada. Na melhor das hipóteses, apenas 118 deverão estar na zona de operações, por alturas do fim do mês. Deveriam ser 800, mais o equipamento pesado, de combate e de logística.

 

É preciso começar a desmobilizar os polacos, para que possam chegar a casa antes das festas. Como são gente muito católica, este calendário é importante.

 

A tensão resultante da incerteza começa a fazer-se sentir. Stress e homens armados, mesmo quando são soldados excepcionais, não é uma boa combinação.

publicado por victorangelo às 21:13

10
Nov 09

 

Como escrevi no texto desta semana na Visão, Guéréda, no Leste do Chade, e os territórios vizinhos são das zonas mais perigosas nesta parte de África. Muito perto da fronteira com o Darfur, no centro de muitos conflitos étnicos e na origem de muitas rebeliões, os riscos são imensos.

 

Não autorizo o pessoal da ONU a viajar nessas terras sem escolta militar ou de polícia, fortemente armada.

 

Aconselho as ONGs a seguir o mesmo princípio. Certas organizações têm um maneira de trabalhar muito particular, com uma interpretação extrema do que é a sua independência, neutralidade e imparcialidade. Não aceitam as nossas escoltas, por medo de perder a neutralidade.

 

Ontem, foi a vez de uma delegação do Comité Internacional da Cruz Vermelha ser objecto de um ataque armado. O único estrangeiro do CICV, um francês de 37 anos, foi levado pelos bandidos. Como refém.

 

Mais uma crise. Com muita publicidade, que a CV é bem conhecida. Para os bandidos do deserto é, no entanto, mais uma ONG em circulação na zona, mais uma hipótese de ganharem umas coroas.

 

Cruz vermelha ou não, para esses homens das areias é uma oportunidade que não querem deixar passar em branco.

 

Passei a manhã a discutir segurança com a comunidade das ONGs humanitárias. Não desisto. Tomo as minhas responsabilidades. E eles terão que assumir as suas.

 

 

publicado por victorangelo às 21:07

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